quarta-feira, 31 de maio de 2017

União Brasileira de Mulheres lamenta a morte de Gilse Consenza

                                                                   
A União Brasileira de Mulheres(UBM) emitiu nota de pesar pela morte de Gilse Consenza, ocorrida na noite de domingo. Para a entidade, "encerra-se um dos mais belos capítulos da história das mulheres na luta pela democracia no Brasil". 

A nota da entidade descreve parte da aguerrida trajetória de Gilse ao longo de mais de cinquenta anos de militância política desde os tempos de estudante em Belo Horizonte. Ao longo da vida "Gilse suportou cicatrizes, medos e incertezas com coragem e sem se curvar diante da luta. 

Diante de sucessivos desafios, manteve-se sempre de peito aberto no decorrer da sua existência que, hoje, infelizmente, chegou ao fim". afirma UBM.

Leia abaixo a íntegra: 


Gilse Consenza vivera para sempre em nossos corações

A vida é feita de partidas e chegadas. Nesta noite de 28 de maio de 2017, encerra-se um dos mais belos capítulos da história das mulheres na luta pela democracia no Brasil: nossa grande guerreira Gilse Cosenza faleceu após uma dura luta contra o câncer.

Dia 1º de Abril de 1964 – dia do Golpe Militar no País, a caloura Gilse, que havia sido aprovada em 1º lugar para Serviço Social na PUC Minas, ingressa na luta contra a repressão. Como líder estudantil, foi presa e torturada. Permaneceu por longo período na clandestinidade, mudou de nome inúmeras vezes e lutou de forma aguerrida pelos direitos da mulher.

Integrante de uma lista de 17 estudantes onde era a única mulher do grupo, foi considerada perigosa pelos militares pelo fato de ser progressista e inteligente. Depois de formada, foi obrigada a fugir e viver na clandestinidade. 

Mesmo grávida, continuou ativa na militância e, em uma das reuniões, sua bolsa rompeu e foi levada ao Hospital das Clínicas onde descobriu que estava grávida de gêmeas. @s companheir@s que a acompanhavam conseguiram um médico progressista para fazer o parto, pois ali ela poderia ser descoberta e presa pelo regime militar.

Depois de quinze dias, uma das gêmeas morreu e Gilse ficou apenas com uma das meninas – sua filha, Juliana. Quando a pequena completou quatro meses de idade, Gilse foi presa pela ditadura e submetida barbaramente a torturas físicas e psicológicas. 

Os militares a ameaçavam dizendo que iriam pegar sua filha Juliana e torturá-la caso não colaborasse com os inquéritos. Jamais colaborou. Após todo o sofrimento, conseguiu ser libertada, foi para São Paulo reencontrar o marido e a filha, mas obrigada a continuar na clandestinidade. 

Foi, então, convidada a recompor o PCdoB no Ceará, onde permaneceu anos na presidência do partido no estado. Com a mesma dedicação e disposição de luta, se empanhava na luta feminista. Tivemos a honra de sermos lideradas por ela na presidência da UBM no período de 1991 a 1997.

Gilse suportou cicatrizes, medos e incertezas com coragem e sem se curvar diante da luta. Diante de sucessivos desafios, manteve-se sempre de peito aberto no decorrer da sua existência que, hoje, infelizmente, chegou ao fim. Gilse Cosenza viverá para sempre em nossos corações, iluminando os nossos passos em defesa das mulheres, do Brasil e democracia!

28 de maio de 2017

União Brasileira de Mulheres

Anita Prestes lançará sábado, na Av. Álvares Cabral, 400, às 14h, livro sobre sua mãe, morta em campo de concentração na Alemanha: "Olga Benario Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo"


Estudantes da Universidade de Xiamen tiram fotos de graduação debaixo de água

                                                                     
As fotos da graduação capturadas debaixo de água pelos estudantes da Universidade de Xiamen, na província de Fujian, viraram memes na internet. (Com o Diário do Povo)

Danielle Bonfim no Cine Theatro Brasil Vallourec

                                                                               

DANIELLE BONFIM

02 de junho – Sexta-feira – 20:30 horas
Teatro de Câmara - Cine Theatro Brasil Vallourec
Ingressos – R$ 28,00 (inteira) R$ 14,00 (meia)

Ingressos à venda pelo telefone 2626.1251
no site www.compreingressos.com e nas bilheterias do Cine Brasil

Apelidada pelos amigos de "uirapuru do cerrado", Danielle Bonfim nasceu em Valparaíso de Goiás e mora em Brasília-DF. De família nordestina, traz em seu repertório nomes como Geraldo Azevedo, Chico César, Elomar Figueira Mello, Xangai, Luiz Gonzaga e diversos artistas independentes espalhados pelo Brasil.

Durante oito anos dedicou-se ao clarinete. A experiência com o instrumento de sopro lhe rendeu ouvido e gosto musicais apurados. Com a banda formada por estudantes de sua escola se apresentou em diversos órgãos públicos de Brasília. Participou de competições de fanfarras e de concertos no Teatro Nacional Cláudio Santoro. 

Com 17 anos decidiu que queria aprender a tocar violão e durante um período tocou sozinha em missas e encontros religiosos. Danielle fez parte do projeto Som de Papel, que utilizava materiais recicláveis (saco de cimento e papelão) na elaboração dos instrumentos de percussão, como pandeiro, zabumba e tambor. Com o grupo se apresentou na Câmara dos Deputados, em escolas e festas juninas. 

No mesmo período, fez apresentações ao lado do Mestre Zé do Pife e as Juvelinas. Juntou-se no palco a Juraildes da Cruz no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros e no Clube do Choro (DF) no show “Juraildes da Cruz convida Xangai”. Da parceria, surgiu o convite para a sua participação no CD Aurora Régia do cantor.

Em 2014 foi uma das finalistas no 31º Festivale, Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, com uma música autoral. Em julho de 2015 marcou presença no palco da XXV Cantoria de São Gabriel, sua primeira aparição profissional. A abertura do show de Zé Ramalho em Belo Horizonte foi um momento ímpar, assim como cantar com Paulinho Pedra Azul, um dos ícones da música mineira. Atualmente é considerada uma das melhores cantoras da nova geração de Brasília, sendo conhecida e reconhecida em espaços da capital.

A cantora e compositora aos poucos tem se aproximado do grande público e encanta com sua voz melodiosa e cheia de energia. Como intérprete tem um trabalho diferenciado e detalhista. Em seu trabalho autoral, ela aposta em baiões, xotes, sambas e estilos que remetam à sua experiência musical. Seu show é marcado por interpretações de clássicos da MPB, pelo resgate do cancioneiro, músicas regionais e autorais. Para 2017, planeja a gravação de seu primeiro CD registrando suas canções.
"Já começa no caminho certo. Nota 10 no bom gosto e na cabeça de quem sabe o que quer da vida" (Vital Farias).

“Ela é maravilhosa - É a nova geração inteligente” (Augusto Jatobá).

“Por que esperar pela televisão? Essa moça, Danielle Bonfim, postou vários e bonitos vídeos em que interpreta preciosidades de Elomar e outros do Brasil profundo. Emociona-me” (Chico César). 

No show pelo Projeto Elas, Danielle estará acompanhada por Augusto Cordeiro no violão e Gladson Braga na percussão.

Entradas: R$14 (meia) - R$28 (inteira)

Pelo telefone (31)2626-1251 - no site www.compreingressos.com e nas bilheterias do Cine Theatro Brasil

Com 10 executados no PA, Brasil tem 25 mortos em chacinas no campo em 40 dias

                                                                   

Das últimas quatro matanças, duas aconteceram no Pará; estado é o antigo líder nos assassinatos rurais; ano de 2017 já acumula 36 mortes no país.

A reportagem é de Cauê Seigner Ameni, publicada por De Olho nos Ruralistas, 26-05-2017.

O ano de 2017 começa a entrar para a história como um dos períodos mais sangrentos para camponeses desde a redemocratização, em 1985. Uma sequência de três chacinas ocorridas em menos de 15 dias, na segunda quinzena de abril, e deixou 15 mortos. Com o massacre desta quarta-feira (24/05) em Pau D’Arco, no Pará, são 25 homicídios em apenas 40 dias, somente em massacres.

Nove homens e uma mulher ligados à Liga dos Camponeses Pobres (LCP) foram mortos pela polícia na fazenda Santa Lúcia, localizada no município de Pau D’Arco, sudeste do Pará, durante ação das Polícias Civil e Militar. Entre eles, segundo a LCP, está a presidente da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município. Outras 14 pessoas foram baleadas e ficam feridas.

No dia 1º de maio, no sul do Pará, em Santa Maria das Barreiras, quatro corpos foram encontrados carbonizados dentro de uma caminhonete. Dois dias antes, no dia 29 de abril, moradores da linha 90 Gleba de Corumbiara, em Rondônia, encontraram uma caminhonete com três corpos de agricultores incinerados.

Esses homicídios em série ocorreram dez dias após uma chacina que chocou o país: a de Colniza, noroeste do Mato Grosso. Nove camponeses foram mortos no local, no dia 19 de abril. A matança foi um dos temas do programa Profissão Repórter desta quarta-feira, na Rede Globo, que levou uma equipe à região.

As Comissões de Direitos Humanos e de Direito Agrário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PA) divulgaram uma nota lamentando o massacre em Pau D’Arco. “A preocupação com os conflitos campesinos não é de hoje e, tampouco, somente do Estado do Pará”, diz a nota conjunta.

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o ano de 2017 já soma 36 mortes. Duas das quatro chacinas ocorreram no Pará, antigo líder em assassinatos motivados por conflitos políticos no campo. Em 2016, o estado ficou em terceiro no relatório da CPT sobre as mortes de 2016, com seis homicídios.

Ao todo, desde que os dados começaram a ser coletados, em 1985, o Brasil somou 1.833 assassinatos no campo até o ano passado. Mais detalhes sobre o histórico de mortes políticas no campo podem ser lidos nesta reportagem: “Democracia já tem quase 2 mil assassinatos políticos no campo“.

http://www.ihu.unisinos.br/568086-com-10-executados-no-pa-brasil-tem-25-mortos-em-chacinas-no-campo-em-40-dias

terça-feira, 30 de maio de 2017

Debate em Santa Catarina aborda a Questão Palestina

Quando o sexo (no cinema) era proibido para os brasileiros

                                                                     

Marino Boeira (/*)

Em 1975, fui a Europa à primeira vez, pago por uma agência de propaganda para participar de um festival de cinema publicitário, mas meu grande objetivo - além de conhecer Paris, Londres e Roma, além de Veneza, onde se realizou o festival - era ver os filmes que a censura da ditadura brasileira nos impedia de conhecer.

Além de prender, torturar e matar, os militares nos tratavam como pobres crianças ingênuas que deveriam ser poupadas das "sacanagens" que o cinema europeu oferecia em doses cada vez maiores.
Três filmes me interessavam acima dos demais: O Último Tango em Paris, Emmanuelle e Il Decameron.

O Último Tango em Paris, vi em Londres. Era o filme "sério" nessa lista, já que tratava da impossibilidade de relacionamento entre um homem e uma mulher, que buscavam num sexo totalmente descompromissado, uma alternativa para o amor romântico. 

O filme tinha Marlon Brando, já  mais resmungando para a câmera do que preocupado em criar um personagem e Maria Schneider e era dirigido pelo grande diretor italiano Bernardo Bertolucci.

Independentemente de todas as consideração filosóficas que o filme poderia oferecer, o que todos queriam ver era a cena em que Brando usava um pouco de manteiga para facilitar a a prática do sexo anal com a Maria Schneider.

Hoje, com a proliferação do sexo ginecológico do cinema pornô, disponível na internet a qualquer hora do dia, O Último Tango virou programa de matinês dominicais.

Emmanuelle, de Just Jaachin era o sexo "alegre e divertido". Vi em Paris, onde o filme batia recordes de freqüência desde o ano anterior (1974) quando fora produzido. Sylvia Kristal era a esposa de um diplomata que vai para a Banckoc, onde realiza todos seus sonhos eróticos com homens e mulheres (era o fetiche oriental já presente) sem deixar de amar o marido. 

No filme, ficou famosa a cena de Emmannuel fazendo sexo no banheiro do avião, o que deve ter estimulado dezenas de viajantes a tentarem depois repetir a proeza, mesmo com o incômodo que o pouco espaço do banheiro oferecia.

Il Decameron, de Pier Paolo Pasolini, era a o  "sexo transgressor", em que o renascentista Giovani Bocaccio descreve as orgias de padres e freiras nos conventos do fim da idade média.

Vi em Roma, onde se diz que um programa obrigatório é ver o papa. Como estava em Roma e o Papa da ocasião,  Paulo VI, prometeu que apareceria numa janela do Vaticano, lá estava eu para vê-lo, mas sempre atento ao compromisso que havia assumido comigo mesmo de ver Il Decameron, num cinema que ficava a algumas quadras adiante.

O papa, porém, se atrasou e entre ele e o Pasolini, obviamente optei pelo último e não vi o papa.
Certamente, ele não sentiu minha falta e acho que nem eu de tê-lo visto abanando para os seus fieis na Praça de São Pedro.

(*) Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

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(Com o Pravda)

Pensando com Darcy Ribeiro

A pistolagem no caminho dos trabalhadores rurais


                                                                                                 ReporterBrasil


Felipe Milanez (*)
Da Página do MST 



O golpe e a força política ruralista em Brasília mandaram uma carta branca para a pistolagem na Amazônia. Estamos vivendo o tempo da morte. E o massacre de nove homens e uma mulher em Pau D'Arco, na fazenda Santa Lúcia, no sul do Pará, traz de volta a memoria de tempos terríveis, do retorno do terror. As velhas chacinas do passado voltaram a ocorrer no Pará.


Mortes coletivas perpetradas por grupos de pistoleiros a mando de fazendeiros. Empreitadas da morte que são feitas como um filme de terror, com tortura, muitos tiros, crueldade, e são seguidas de festa, a celebração da vitória do latifúndio pela destruição do pobre, aventuras contadas com orgulho de caçador.


Tal como aconteceu em Colniza (MT), na chacina de nove trabalhadores na Gleba Taquaruçu do Norte, em 19 de abril, há dez anos eu descrevi na revista RollingStone, com base no depoimento de um pastor à policia civil, detalhes de como Pássaro Preto foi morto por pistoleiros, em 28 de agosto de 2006. José Roberto Sabino, o “Pássaro Preto”, estava rendido quando foi morto. Depois do crime, os pistoleiros (chamados lá de guachebas), entre eles um de nome “Polaquinho Matador”, foram beber cerveja, comer picanha e contar vantagem da crueldade desumana que recém haviam praticado.


No caso de Colniza, a ganância que justifica as mortes visa a venda ilegal da madeira. São as "madeiras de sangue". Nesses assassinatos recentes no Pará, é a grilagem da terra. E o capital anda junto de um moralismo da violência: a ética do sucesso econômico é conjugada com as mortes dos pobres que permitiram ganhar dinheiro, tudo com altivez e orgulho pscicopata. E quando teme-se perder a terra, o fazendeiro não quer perder a honra: manda matar. Na fazenda Santa Lúcia, há fortes indícios que associam o massacre a uma “vingança” associada com a defesa da terra grilada.


Nesses primeiros cinco meses do ano, já são pelo menos 36 mortes de defensores da terra no Brasil, sendo duas chacinas, em Colniza (MT) e em Pau D’Arco (PA). Para sempre esse ano de 2017 será lembrado. E no caso do Pará, onde já se sabia que um novo massacre poderia ocorrer, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), junto de seu aliado Michel Temer (PMDB), já tem o "Eldorado", ou a “Curva do S”, para chamar de seu.


No Pará, há uma configuração histórica local que contribui para que, num momento de Estado de Exceção como vivemos, de paralisia da democracia e das instituições do Estado de Direito, a máquina de matar seja ligada. Uma carta branca de Brasília, como um ministério da (in)Justiça chefiado por um ruralista, a força política no congresso, a capacidade de anular o trabalho de instituições de controle, basta para dar inicio aos banhos de sangue.


Os movimentos sociais sacaram faz tempo, desde antes do golpe, que a  nuvem da morte estava se aproximando. Foi no fatídico 17 de abril de 2016, quando se completava 20 anos do massacre de Eldorado, que se consumou o golpe parlamentar na Câmara. Passado um ano, a coisa piorou. Nas celebrações que marcam a lembrança do Massacre, em 17 de abril deste ano, 2017, o clima estava tenso no Acampamento da Juventude Sem Terra, organizado pelo MST na “Curva do S”. 

A noite, carros passaram a noite dando tiros em direção ao acampamento. No dia do ato, que sempre ocorre de manhã, militantes perceberam a presença de pistoleiros portando armas, tentando se disfarçar no meio dos camponeses. Eram, ao menos, oito. Havia ainda alguns P2 tentando se disfarçar de camponeses, da polícia do Pará e, diziam, também da polícia federal.


Fazendeiros já colocaram para circular novas listas da morte, nomes que saem de encontros dos sindicatos rurais. Sobretudo circulam pelas mãos de fazendeiros violentos que vivem (e grilaram terras) entre Parauapebas, Curionópolis, Xinguara, São Felix do Xingu, Redenção, Tucumã e Canaã dos Carajás. O mercado da pistolagem também voltou a ficar aquecido, e apelidos de novos matadores circulando, sempre acompanhados do mito de destemidos profissionais, executores frios.


Pará, sempre sangrento no campo, a cada dia o espaço da morte e do terror se renova, se reconstrói. É o palco onde se encena o “Teatro da Crueldade”, como escreveu o Arnaud, cujo roteiro passa por Brasília e Belém. O espaço da morte no sul do Pará é o lugar mítico da violência desde a brutal execução/eliminação da Guerrilha do Araguaia, da guerra que veio depois contra posseiros nos anos 1970 e 1980, e as chacinas aterrorizantes de 1985 e 1986, como Chacina da Ubá, Chacina da Princeza, entre outras. 

Na metade da década de 1980, o Pará era um banho de sangue promovido por figuras como o mítico Sebastião da Teresona, notório pistoleiro da família Mutran, uma espécie de senhores feudais da castanha e que formaram grandes latifúndios de terras griladas com a floresta virou pasto. E novamente, com o moderno golpe midiático-parlamentar, está o Pará banhado de sangue com pelo menos 17 mortes nesse ano.



No filme A Igreja dos Oprimidos (1986), o diretor Jorge Bodanzky entrevistou Sebastião da Teresona na sala de sua casa, em Marabá. Tranquilão no sofá de casa, falava esquivando das acusações de seus crimes com expressões de falsas ingenuidades. Se dizia “extraidor de castanha” e “empreiteiro”.

—“Tem um rapaz que subiu num palanque dizendo que eu tenho um escritório de pistoleiro na cidade. E eu não sou disso. Não tem testemunha, não tem prova. E eu mando procurar prova em qualquer lugar, mande procurar qualquer queixa de mim na policia. Não tem. Pode procurar a juíza, pode procurar o delegado regional. Não tem.”


Em 1986, uma grande guerra entre posseiros e pistoleiros foi filmada numa fazenda localizada, justamente, em Pau D'Arco, palco da chacina da semana passada. Os diretores Adrian Cowell e Vicente Rios, no filme Matando Por Terras, registraram a participação da polícia nas mortes de posseiros. 

A polícia tomava conta da fazenda de um empresário que vivia longe, em São Paulo, e de lá financiava a morte para garantir incentivos fiscais. Desesperados, em certo momento, posseiros contra-atacaram e mataram policiais-pistoleiros que tentavam matar os posseiros. No entanto, era a rara exceção de um verdadeiro massacre de posseiros — e não uma guerra. No filme, são os policiais-pistoleiros matam diversos pobres posseiros.


Como hoje, a impunidade era uma garantia da liberdade dos policiais para realizar serviços terceirizados de pistoleiros. Como hoje, os policiais dificultam o acesso de familiares ao corpo, e os posseiros só conseguem chegar para resgatar os restos de seu companheiro, quando está em estágio de putrefação. Cowell e Rios ainda tentaram filmar o "outro lado", do trabalho da polícia.


Mesmo quando não mata, a polícia no Pará deixa matar. Em Jacundá, em 1986, os pistoleiros mataram o líder rural Sebastião Pereira e seu filho pequeno, a criança de três Clésio. Todo mundo sabia quem eram os pistoleiros e o fazendeiro que pagou pelos crimes: Joaquim Branco. Em uma cena, ao recolhe o corpo de outro posseiro morto, o “João Ventinha”, o carro do delegado Mascarenhas faz um desvio absurdo: ao invés de ir bater na porta da fazenda, da meia volta. Como hoje, a polícia do Pará não investiga mandante.


No entanto, pior ainda do que atitude do Delegado Mascarenhas, da velha Jacundá dos anos 1980, que com o seu ray-ban e camisa aberta até o peito dizia que a polícia iria prender os pistoleiros por ser uma questão de “honra”, hoje sabemos, pela reportagem de Lilian Campelo no Brasil de Fato, que testemunhas escutaram a voz do delegado Antônio Gomes Miranda Neto entre os policiais que massacraram os camponeses na semana passada no Pará. 

Nesse caso, então, é o próprio delegado que pode estar envolvido com a pistolagem. A repórter Ana Aranha, na ReporterBrasil, ouviu de sobreviventes da Chacina em Pau D’Arco relatos de torturas dos policiais antes das mortes. Inclusive vitimas chorando antes de morrerem.


Estes dois filmes foram passados no festival CINEFRONT, que acontece no Sul do Pará, organizado pela Universidade Federal do Sul e do Sudeste do Pará. A intenção era oferecer à juventude camponesa informações audiovisuais do violento passado que conhecem por histórias e memórias em primeira pessoa.


Não há dúvidas de que a juventude camponesa no Pará tem perfeita noção da violência que seus pais sofreram e lutam para que não mais ocorresse. É o resto do Brasil que precisa chacoalhar a cabeça e se revoltar contra essa barbárie que opera, apenas, por ter uma carta branca de Brasília.


O sangrento Pará, que sem jamais ter deixado de ser o mais violento espaço da morte no campo do Brasil, volta a ser o banho de sangue dos piores momentos da história política do Brasil, como na ditadura e na transição-intransitiva. Talvez porque o Brasil político, longe da fronteira, também tenha se esquecido do que significa a violência do latifúndio no Estado de Exceção. É no sangue que jorra no Pará que o latifúndio, que o agro, mostra a sua verdadeira face.



(*) Professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB)

(Reprodução de pátina do site do MST)

Ariana Grande fará show beneficente em Manchester no próximo domingo


                                                                             Mast Irham/EPA/Agência Lusa
Ariana Grande se apresentará junto com os músicos Justin Bieber, Kathy Perry, Miley Cyrus e Coldplay
A cantora americana Ariana Grande participará, no próximo domingo (3), de uma apresentação beneficente no Estádio Old Trafford , em Manchester, Reino Unido, para arrecadar fundos para as vítimas do atentado terrorista ocorrido no último dia 23 naquela cidade, ao final do seu show.A artista americana, que após ataque suspendeu a turnê "Dangerous Woman", tinha prometido retornar a Manchester. A informação é da agência EFE.

A artista tinha acabado de encerrar seu espetáculo no Manchester Arena - com capacidade para 22 mil pessoas - quando o terrorista suicida Salman Abedi, de 22 anos, detonou um explosivo caseiro, matando 22 pessoas e ferindo 64, muitas delas menores de idade.

Os organizadores do evento anunciaram nesta terça-feira (30) que cantora se apresentará junto com os músicos Justin Bieber, Kathy Perry, Miley Cyrus e Coldplay. O local tem capacidade para 50 mil pessoas e a previsão é de que o show seja transmitirá ao vivo pela rede BBC.

O valor arrecadado irá para o fundo de emergência "We Love Manchester", que apoia os afetados pela tragédia. Quem estava na Manchester Arena no dia do crime receberá gratuitamente o convite.

Filha de Olga Benario narra morte da mãe a partir de arquivo da Gestapo

                                                           

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO

"A descoberta de novos documentos é sempre um acontecimento feliz para o historiador, pois lhe permite completar, aprofundar e corrigir os conhecimentos sobre o tema por ele pesquisado."

A frase com que a historiadora Anita Leocadia Prestes, 80, abre sua obra mais recente define o critério de objetividade com que ela procura se debruçar sobre um tema histórico que lhe é profundamente pessoal: o assassinato de sua mãe, Olga Benario Prestes, pelo regime nazista.

Os documentos a que ela se refere vieram dos arquivos da Gestapo, a polícia secreta do Terceiro Reich alemão, e dizem respeito aos quase seis anos (1936-1942) em que Olga ficou sob o poder dos nazistas, até ser executada em um câmara de gás, aos 34 anos.

A militante comunista Olga Benario Prestes pouco antes de partir da União Soviética para o Brasil

Apreendidos pelos soviéticos após o fim da Segunda Guerra e disponibilizados on-line em abril de 2015, foram a base para que a autora escrevesse a recém-lançada biografia "Olga Benario Prestes - Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo".

"Ainda em 2015 fui avisada por um historiador alemão, meu conhecido, da abertura do arquivo da Gestapo na internet", diz a autora à Folha, por e-mail. "Como a maior parte dos documentos está em alemão, contei com a colaboração de vários professores para a sua tradução, cujo conhecimento me motivou a escrever esse livro."

A vida da judia comunista entregue ao regime de Hitler pelo governo de Getúlio Vargas já havia sido tema de uma alentada biografia escrita por Fernando Morais e lançada em 1993 -depois adaptada para o cinema, em 2004.

Anita Leocadia diz que seu livro é "uma complementação" daquele e, nesse sentido, passa rapidamente pelos principais episódios da vida de sua mãe até sua prisão pela polícia de Vargas em abril de 1936 e sua extradição para a Alemanha, mesmo grávida, cinco meses depois.

O novo livro centra-se nos anos que Olga Benario passou sob poder dos nazistas. A quantidade de registros oficiais que as autoridades do Reich produziram sobre a prisioneira mostra a importância que atribuíam à "comunista obstinada e astuta".

São oito dossiês (cerca de 2.000 folhas) que a autora cogita ser "a coleção mais abrangente de documentos sobre uma única vítima do fascismo". Destacam-se no material as correspondências trocadas entre Olga e sua família, num total de 55 cartas.

"Os novos documentos confirmam o que já sabíamos a respeito da minha mãe: sua inaudita coragem e intrepidez revolucionária. Ela jamais delatou alguém, jamais abandonou seus compromissos de comunista convicta."

A papelada agora revelada também confirma algo de que Anita Leocadia já tinha ciência: o desinteresse da mãe de Olga, Eugenie Benario, pelo destino de sua filha e de sua neta, por conta da ligação dela com o comunismo.

"Muitos anos depois daqueles acontecimentos, tive contato com alguns primos distantes que me procuraram, mas os parentes próximos, a avó Eugenie e o tio Otto, morreram em 1943, como tantos outros judeus, em campos de concentração", conta a autora.

AUTOBIOGRAFIA

Concluída a obra sobre sua mãe, Anita Leocadia diz estar agora dedicada a escrever suas próprias memórias, que ela vê como "um complemento válido" à biografia de seu pai que ela publicou em 2015 ("Luiz Carlos Prestes: Um Comunista Brasileiro", ed. Boitempo).

"Em certa medida, se justifica pelo fato de, durante a minha já longa trajetória de vida, ter enfrentado as vicissitudes das perseguições movidas contra meu pai e nossa família", afirma.

Ela pretende narrar os "momentos históricos conturbados" por que passou e que a forçaram a longos períodos no exílio.

"Fui processada e condenada pelos tribunais militares da ditadura, tive os direitos políticos cassados, fui anistiada e acompanhei meu pai nos embates internos do PCB, partido em que cheguei a ser dirigente e do qual me afastei junto com Prestes."

A historiadora diz ainda que sua memória guarda "o registro de múltiplos acontecimentos inéditos e fatos pouco conhecidos ou falsificados pelos meios de comunicação a serviço dos interesses dos donos do poder". 

(Com a Folha de S.Paulo, dia 30/05/2017)

A prof. dra. Anita Prestes lança seu livro "Olga Benario Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo", sábado, às 14h. na Casa do Jornalista (Av. Álvares Cabral,400, em BH)


Universidades de Cuba e Rússia assinam acordos de cooperação


                                                                                                    Eldar Vagapov

Durante fórum em Havana, reitores e autoridades saudaram ‘retomada de parceria’

Maria Alesádrova

Mais de uma dezena de acordos foram assinados entre as universidades cubanas e russas durante o terceiro Fórum de Reitores, em Havana.

Um dos mais expressivos foi celebrado entre a Universidade Estatal de Moscou Lomonossov (MGU, na sigla em russo) e a Universidade de Havana, e pressupõe a criação do centro educativo Lomonossov. Este ficará responsável por fortalecer e coordenar a colaboração acadêmica e científica entre as duas instituições.

Além disso, a MGU assinou outros acordos de cooperação com universidades de Guantánamo, Granma, Matanzas e Artemisa.

Entre as russas, a Universidade Estatal Social da Rússia, a Universidade da Amizade dos Povos, a Universidade Federal do Sul e a Universidade Estatal de Níjni Nôvgorod Lobatchesvki também se comprometeram a ampliar a parceria com instituições de ensino superior de Cuba.

O evento reuniu chefes de 16 instituições russas e mais de 20 escolas de ensino superior de Cuba, de acordo com a agência TASS.

Cooperação ‘recuperada’

Durante a abertura do fórum, o ministro do Ensino Superior de Cuba, José Ramón Saborido, salientou as relações históricas entre Cuba e Rússia, sobretudo no campo da educação.

“Entre 1965 e 1993, mais de 21.500 cubanos receberam educação na União Soviética, e mais de 16.000 deles cursaram ensino superior”, disse o ministro cubano, citado pela TASS.

O reitor da MGU, Víktor Sadóvnitchi, lembrou que a cooperação da universidade com as cubanas começou após a visita de Fidel Castro a Moscou, em 1963.

“Assisti ao encontro de Fidel com os estudantes, vi a emoção com a qual foi recebido e, depois, não o deixavam sair da sala. Pelos nossos cálculos, vários milhares de cubanos se formaram pela MGU. Estamos recuperando a nossa colaboração, que terá grande futuro. Eu tenho certeza disso”, disse Sadóvnitchi.

(Com a Gazeta Russa)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Miguel Urbano Rodrigues, 02/08/1925 – 27/05/2017

                                               
      
ODiario.info comunica aos seus leitores e amigos a
morte do seu fundador e editor Miguel Urbano Rodrigues

Nascido em Moura, Alentejo, em 1925, filho de pai jornalista e escritor, no seio de uma família de agricultores abastados de tradição republicana, experimentou a implantação da ditadura do “Estado Novo”, enquanto colhia a influência e inspiração das gentes insubmissa de sua terra.

Miguel Urbano Rodrigues cursou a Faculdade de Letras de Lisboa. Veio a ser redactor do Diário de Notícias (com início em 1949) e chefe de redacção do Diário Ilustrado. Jovem dotado de curiosidade e talento intelectual invulgares, e comprometido com as causas do povo, encontrou-se constrangido e ameaçado pelo regime fascista que amordaçava e aprisionava o seu país.

Exilado no Brasil, foi editorialista de O Estado de S. Paulo (1957 a 1974) e editor internacional da revista Visão (1970 a 1974). Durante esse período e acompanhou ou interveio em eventos marcantes da debilitação do regime fascista no plano externo, designadamente o assalto ao “Santa Maria” e a progressão da luta do MPLA e do PAIGC contra o colonialismo Português. Em 1963 aderiu ao Partido Comunista Português.

Regressou a Portugal logo após a o 25 de Abril de 1974, no auge da explosão de entusiasmo popular, incorporando-se na construção do regime democrático, como militante comunista. Foi chefe de redacção do Avante! em 1974 e 1975 e director do jornal O Diário, de 1976 a 1985. Exerceu a presidência da Assembleia Municipal de Moura de Janeiro de 1986 a Junho de 1988, foi deputado à Assembleia da República entre 1990 e 1995, e ainda deputado nas Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental.

Enquanto exilado desenvolveu vasta rede de contactos de trabalho e de laços de cúmplice amizade com inúmeras personalidades políticas progressistas da América Latina. De regresso em Portugal desempenhou inúmeras missões de natureza política ou jornalística, e expandiu a sua vasta rede de solidariedades e cooperação internacional.

Miguel Urbano Rodrigues foi fundador do sítio resistir.info em 2002, e do sítio odiario.info em 2006. E foi o principal promotor dos memoráveis Encontros de Serpa “Civilização ou Barbárie” que, nos anos de 2004, 2007 e 2010, reuniram numerosos activistas cívicos e alguns dos mais destacados intelectuais progressistas dos cinco continentes do mundo, em torno das questões da transformação revolucionária da sociedade.

Viajante e observador incansável, intelectual excepcional que contudo se tomava como um homem comum entre os demais em todas as latitudes em que viveu ou visitou, deixa-nos uma obra extensa que abarca géneros diversos, sempre inspirado pela compreensão e exaltação da condição e da acção do indivíduo na transformação revolucionária do homem e da sociedade, na realização suprema da Justiça e da Felicidade.

O corpo de Miguel Urbano Rodrigues vai domingo pelas 14 horas, para o Centro Funerário da Lapa (Igreja da Lapa, Porto), onde ficará em câmara ardente até ao funeral que será pelas 16 horas de 2ª feira.

Os editores de Odiario.info, 27 de maio de 2017

INTROMISSÃO DO ESTADO

                                   

Lei que proíbe saleiro na mesa de
restaurantes é inconstitucional

É louvável que autoridades se preocupem com a saúde da população, mas as ações não podem se transformar em intromissão do Estado em atividades econômicas privadas. Com esse entendimento, o Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo declarou inconstitucional norma estadual que proibia a exposição de recipientes ou de sachês com sal de cozinha em mesas e balcões de bares e lanchonetes capixabas.


Lei do Espírito Santo proibia a exposição de recipientes ou de sachês com sal em mesas e balcões de estabelecimentos. 

A Associação Nacional de Restaurantes moveu ação contra Lei Estadual 10.369/2015, alegando intromissão do Estado no exercício da atividade econômica privada, violando princípios da Constituição do Estado.

A ex-deputada estadual Aparecida Denadai, autora do projeto de lei, justificou que impedir que recipientes de cloreto de sódio fiquem à mostra dos consumidores dificultaria o consumo desnecessário e beneficiaria a população, já que 20% dos adultos brasileiros sofrem de hipertensão.

O relator, desembargador Ney Batista Coutinho, viu indevida intromissão do estado no exercício da atividade econômica privada.

“Existem caminhos muito mais amenos para atingir tal desiderato, como por exemplo, investimento em ações informativas que esclareçam os malefícios do referido produto, por meio de abordagem a consumidores e utilização de veículos de comunicação”, afirmou, em voto seguido por maioria. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-ES. 

Processo 0037560- 21.2016.8.08.0000

(Com a ConJur)

ONU Direitos Humanos e CIDH condenam uso excessivo da força durante as manifestações sociais e durante operativos de segurança no Brasil

                                                        Juliana Teixeira Lima
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenam o uso excessivo da força por parte da Polícia Militar para reprimir protestos e manifestações no Brasil. Do mesmo modo, condenam a violência policial em operativos de segurança no espaço urbano e no marco do conflito de terras.

No dia 24 de maio de 2017, movimentos sociais e centrais sindicais convocaram manifestações em Brasília, a capital federal do país, nas quais participaram aproximadamente 35.000 manifestantes. Durante estas manifestações, ocorreram atos de violência, incluindo o incêndio e a depredação de equipamentos públicos. 

Neste contexto, reportou-se que ao menos sete pessoas foram detidas e 49 resultaram feridas, algumas delas gravemente e ao menos uma com arma de fogo. Do mesmo modo, reportou-se que a Polícia Militar utilizou gases pimenta, lacrimógenos e balas de borracha para reprimir os protestos. Informou-se que a Polícia Militar do Distrito Federal iniciaria uma investigação pelo uso de arma de fogo.

Em resposta a estas manifestações, no dia 24 de maio de 2017, o governo emitiu um Decreto mediante o qual autorizou o emprego das Forças Armadas para garantia da lei e da ordem no Distrito Federal entre o dia 24 e o dia 31 de maio. Esse mesmo dia, o governo anunciou que se mobilizaram 1.200 membros do Exército e 200 fuzileiros navais aos prédios públicos. Tal decreto foi revogado no dia 25 de maio de 2017.

“Instamos ao Estado brasileiro a redobrar seus esforços para promover o diálogo e proteger o direito à manifestação pacífica”, disse o Representante para América do Sul do ACNUDH, Amerigo Incalcaterra. “A manifestação pacífica é uma forma de participação própria das sociedades democráticas, onde as pessoas podem exigir seus direitos humanos e exercer ativamente suas liberdades de opinião e de expressão”, acrescentou.

Os dois organismos condenam todo ato de violência e urgem aos manifestantes a exercer seus direitos à livre manifestação de forma pacífica, ao mesmo tempo em que reafirmam que a ação das forças de segurança deve respeitar em todo momento as normas internacionais de direitos humanos.

Adicionalmente, a CIDH e o Escritório Regional para a América do Sul do ACNUDH expressam sua profunda preocupação pelo uso excessivo da força por parte das forças de segurança do Estado brasileiro em operações tanto no marco do conflito de terras como no contexto da remoção urbana de dependentes químicos usuários de drogas ilícitas. 

Por exemplo, recebeu-se informação preocupante sobre o uso recorrente da violência no marco do conflito agrário, em especial contra trabalhadores sem terra. Nesse contexto, no dia 24 de maio, dez pessoas foram mortas durante um despejo violento realizado pela polícia civil e militar em uma fazenda no estado do Pará. A CIDH e o Escritório Regional para a América do Sul do ACNUDH urgem as autoridades a investigar esses fatos e outros atos de violência, a fim de identificar e sancionar as pessoas responsáveis e assim combater a impunidade e evitar a repetição de atos similares.

Além disso, no dia 24 de maio várias pessoas resultaram feridas na região conhecida como Cracolândia, na cidade de São Paulo, durante uma operação de segurança para remover das ruas dependentes químicos usuários de drogas ilícitas. De acordo com a informação recebida, a operação teria incluído a demolição de um prédio que estava ocupado, o despejo de moradores e comerciantes da Cracolândia e o uso de bombas de gás e balas de borracha para reprimi-los.

A CIDH e o Escritório Regional para a América do Sul do ACNUDH urgem ao Estado a adotar mecanismos para garantir o estrito apego aos princípios gerais de legalidade, proporcionalidade e absoluta necessidade no uso da força em contextos de protesta social. Do mesmo modo, as armas de fogo devem estar excluídas dos dispositivos utilizados para o controle dos protestos sociais. O uso deste tipo de armas é uma medida extrema, e não deve utilizar-se exceto naquelas ocasiões em que as instituições policiais não possam reduzir ou deter com meios menos letais àqueles que ameaçam a vida e integridade de outras pessoas.

Ambas organizações instam às autoridades a levar a cabo as investigações correspondentes, julgar e sancionar os responsáveis. Além disso, chamam ao Estado a garantir e proteger a integridade física e a segurança dos e das manifestantes e a brindar as garantias suficientes para o exercício do direito à reunião pacífica, dentro do marco de suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos.

Adicionalmente, a Comissão Interamericana e o Escritório Regional para a América do Sul do ACNUDH exortam ao Estado do Brasil a regularizar os procedimentos policiais que envolvem o uso da força respeitando os estândares internacionais em matéria de direitos humanos, cumprindo com os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade que devem guiar o uso da força por parte de agentes de segurança do Estado. De acordo com os estândares internacionais, o uso da força por parte dos corpos de segurança deve estar definido pela excecionalidade, e deve ser planejado e limitado proporcionalmente pelas autoridades.

“Chamamos as autoridades brasileiras a garantirem o pleno exercício dos direitos humanos no marco de um Estado democrático de Direito, o qual é condição fundamental para a promoção e proteção efetiva dos direitos humanos no país”, disse Incalcaterra. 

“Buscamos garantir os direitos humanos em uma situação bastante delicada no Brasil neste momento”, disse o Relator da CIDH para o Brasil, Comissionado James Cavallaro. “Urgimos ao governo brasileiro a cumprir com suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos. Isto inclui garantir o direito à manifestação e adotar políticas públicas que tenham como prioridade o respeito e a garantia do direito à vida, à integridade pessoal e outros direitos fundamentais”, pontualizou. O Comissionado Cavallaro expressou seu interesse pessoal em realizar proximamente uma visita ao país na sua condição de Relator para o Brasil.

O Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) tem o mandato de promover e proteger o desfrute e a realização plena, para todas as pessoas, de todos os direitos contemplados na Carta das Nações Unidas, bem como nas leis e nos tratados internacionais de direitos humanos. O ACNUDH realiza o seu trabalho à luz do mandato que lhe foi conferido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em sua resolução 48/141. Sua sede internacional se encontra em Genebra, na Suíça. Já o Escritório Regional do ACNUDH para América do Sul está localizado em Santiago, no Chile, e cobre os seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.

A CIDH é um órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato surge a partir da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A Comissão Interamericana tem como mandato promover a observância e defesa dos direitos humanos na região e atua como órgão consultivo da OEA na temática. A CIDH é composta por sete membros independentes, que são eleitos pela Assembleia Geral da OEA a título pessoal, sem representarem seus países de origem ou de residência.

VIIIº Maio de Resistência


CeCAC convida


                             
                                CeCAC convidaFilme e Debate:

“A Batalha da Rússia”
Homenagem ao Exército Vermelho e ao povo soviético
na Vitória contra o nazi-fascismo
2ª feira - 29 de Maio
18:30h
Local: CeCAC - Av. Treze de Maio, 23 - Salas 1623/1624
Cinelândia - Rio de Janeiro/RJ
9 de Maio
Dia da Vitória da URSS sobre a Alemanha nazista
Documentário “A Batalha da Rússia”

Na comemoração dos 72 anos da Vitória da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS contra o nazi-fascismo, na 2ª Guerra Mundial, com a capitulação incondicional da Alemanha em 9 de maio de 1945, o Dia da Vitória, o CeCAC exibirá o documentário “A Batalha da Rússia”.

“A Batalha da Rússia” é um documentário realizado com imagens exclusivas, filmadas pelos soviéticos ou capturadas do inimigo. É a história da heroica resistência do povo soviético diante da agressão e da barbárie nazista.

Em 22 de junho de 1941 a Alemanha invadiu a URSS. Hitler e os nazistas pensavam numa guerra relâmpago, em poucos meses. Antes do inverno imaginavam aniquilar as principais forças do exército soviético e ocupar a parte europeia do território com o objetivo de destruir o Estado Socialista e se apoderar de suas riquezas. Subestimavam a capacidade de resistência do povo soviético e de seu Estado, do Exército Vermelho e da liderança do Partido Comunista e do seu secretário-geral, Josef Stalin. A história mostrou que estavam profundamente enganados.

Ao avaliar que os alemães tinham forças superiores, penetravam no território soviético e era impossível derrotá-los num primeiro confronto, em linhas gerais a estratégia da URSS era realizar uma guerra prolongada e de todo povo. Isso significava resistir ao máximo, recuar destruindo tudo que não pudesse ser levado para não deixar nada para o inimigo, a política de “terra arrasada”, e formar grupos guerrilheiros, a cavalo ou a pé, para desencadear a guerra de guerrilhas nos territórios invadidos.

Essa estratégia era fundamental para desgastar o inimigo e ganhar o tempo suficiente para organizar a retaguarda e prestar todo apoio às Forças Armadas soviéticas a fim de produzir cada vez mais equipamentos, armas, tanques e aviões, assim como provisões de alimentos e preparar a contraofensiva e a vitória. Ganhar tempo para a defesa do Estado Socialista e derrotar o nazismo. Este era, inclusive, o caráter principal do pacto de não agressão firmado com a Alemanha diante da posição traiçoeira da França e Inglaterra de não realizarem um acordo com URSS para a defesa da Europa contra as agressões nazistas.

Em outubro de 1941 a situação era crítica, com os nazistas às portas de Moscou. Mesmo assim, Stalin e o governo permanecem em Moscou e participam das comemorações do 24º aniversário da revolução socialista de outubro. A histórica defesa de Moscou impôs a retirada do exercito alemão impingindo-lhe a primeira derrota na 2ª guerra mundial. Acabava a lenda da invencibilidade do exército de Hitler.

“A Batalha da Rússia” registra aquela que foi a maior na história de todas as guerras, a Batalha de Stalingrado. A ordem de guerra 227 do governo soviético era: “Nenhum passo atrás, Stalingrado não deve render-se ao inimigo”. Em fevereiro de 1943 todo o 6º exército e parte do 4º exército alemães foram capturados. O Exército Vermelho fez mais de 330 mil prisioneiros, entre eles o Marechal Von Paulus e 20 generais.

A partir de Stalingrado iniciou-se a contraofensiva geral que foi liberando, uma a uma, todas as regiões da URSS que os alemães haviam ocupado desde o inicio da guerra.
Em 1943 e 1944 a Alemanha segue sofrendo uma derrota atrás da outra na URSS. Hitler havia concentrado ali 95% de todas suas tropas. Assim, foi justamente o povo soviético que aniquilou o nazi-fascismo.

Em 16 de abril de 1945, o Exército Vermelho lançou a última ofensiva sobre Berlim. Após uma dura batalha pelas ruas da capital alemã, a bandeira vermelha tremula na capital do território inimigo. O alto comando alemão, em 9 de maio de 1945, assina a capitulação total e incondicional. 9 de maio é declarado o Dia da Vitória.

O povo soviético na “Grande Guerra Pátria” escreveu algumas das maiores epopeias da história da humanidade, como por exemplo, o transporte de toda a indústria do ocidente para o oriente, toneladas de máquinas foram transportadas por milhares de quilômetros. O heroísmo do Exército Vermelho e dos guerrilheiros, o trabalho abnegado de todo o povo, velhos e jovens, homens, mulheres e crianças, a justa direção do Partido Comunista unindo o povo, superaram as dificuldades na resistência à invasão alemã. Mais de 25 milhões de soviéticos deram suas vidas em defesa da URSS, do socialismo e da humanidade.

“A Batalha da Rússia”, ressalvando alguns pequenos pontos, como, por exemplo, o destaque exagerado dado ao inverno como fator da derrota alemã e a informação incorreta de que o governo soviético se retirou de Moscou junto com o corpo diplomático durante o cerco à cidade, é um documentário de inestimável valor. É uma produção do próprio governo norte-americano capaz de oferecer os elementos para desmentir as “acusações” de que a URSS não havia se preparado para a guerra, porque não acreditava na invasão e por isso foi pega de surpresa pelos alemães.

O documentário “A Batalha da Rússia” foi realizado pelo Departamento de Guerra norte-americano, em 1943, quando já ficava insustentável a não participação dos EUA na guerra aos nazistas, na Europa, onde se decidia a 2ª Guerra Mundial. (Os países imperialistas “Aliados” manobravam para o enfraquecimento da URSS. Os EUA já haviam se comprometido a combater na Europa em 1942, com o objetivo de abrir uma nova frente de guerra contra a Alemanha, e lá chegaram apenas em junho de 1944). Era preciso sensibilizar os norte-americanos, tentar neutralizar o anticomunismo tão presente e tão estimulado na sociedade estadunidense.

“A Batalha da Rússia” é um dos raros filmes progressistas realizados nos EUA sobre a 2ª Guerra Mundial (lembramos aqui de outros três: “O grande ditador”, de Chaplin (1940); “Casablanca”, de Michel Curtis (1942) e “O Sabotador”, de Hitchcock (1942). Particularmente da década de 50 em diante, num artifício nazista de repetir mil vezes uma versão mentirosa de um fato, gastaram rolos e rolos de filmes para fazer as novas gerações acreditarem (até os dias de hoje) que foram os norte-americanos que derrotaram os nazistas.

A vitória da URSS demonstrou toda a superioridade do socialismo sobre o capitalismo e o acerto do Partido Comunista da União Soviética em colocar em primeiro plano a questão política, a mobilização de todo o povo e não ver a guerra meramente como uma questão militar.

***

A Batalha da Rússia. (The Battle of Russia). Documentário. EUA. Direção: Frank Capra, Anatole Litvak. Ano: 1943. Duração: 80 min. Preto e branco.

Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho - CeCAC
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Brasil: A democracia dos ricos desmascarada


                                                                        Rafael Silva; Laboratório Filosófico
                                                           
Ney Nunes (*)

 A divulgação das delações da Odebrecht e mais recentemente da JBS, no âmbito de uma aguda crise política, econômica e social, onde a disputa entre facções burguesas se radicalizou e acabou permitindo que viesse à tona a verdadeira natureza do regime político vigente em nosso país.

Existem alguns momentos especiais na História, entre eles, estão aqueles onde se descortinam perante o grande público os mecanismos, mais ou menos ocultos em tempos de normalidade, do exercício do poder político. O Brasil, na atualidade, vive justamente um desses raros momentos especiais.

As instituições do chamado “estado de direito”, ou seja, da democracia burguesa em nosso país, foram reestabelecidas com o fim da ditadura empresarial-militar instalada com o golpe de 1964. Isto se deu formalmente com a constituição de 1988, mas seus mecanismos foram reintroduzidos gradualmente a partir das eleições diretas para governador realizadas em 1982. 

Temos, portanto, uma experiência de pelo menos, três décadas sob a égide da democracia burguesa. A versão difundida todo esse tempo e transformada em senso comum, dizia sobre o poder emanado do povo aos seus representantes pelo sistema eleitoral. Os partidos e políticos eleitos seriam, portanto, legítimos representantes da vontade expressa da maioria dos eleitores. Reside exatamente nesse ponto um dos pilares essenciais da sustentação político-ideológica do regime democrático burguês.

A divulgação das delações da Odebrecht e mais recentemente da JBS, no âmbito de uma aguda crise política, econômica e social, onde a disputa entre facções burguesas se radicalizou e acabou permitindo que viesse à tona a verdadeira natureza do regime político vigente em nosso país. 

O grande público tomou conhecimento de algo que com certeza já desconfiava, não pela propaganda dos inimigos do regime, mas pela ampla divulgação das delações nos meios de comunicação de massa, de que a representação política é comprada pelos grandes grupos empresariais, não correspondendo, portanto, a intenção dos votos depositados de boa fé pelos eleitores nas urnas, ou seja, a representação da vontade da maioria dos eleitores é permanentemente fraudada pela classe dominante, caindo assim por terra um dos pilares essenciais da sustentação ideológica da democracia burguesa, agora desmascarada como a ditadura dos capitalistas.

A compra por meio de financiamentos de campanha, legais e ilegais, ou simplesmente por suborno dos agentes públicos, é pratica comum do grande empresariado nacional e multinacional. É dessa forma que vereadores, prefeitos, deputados, senadores, ministros, governadores, presidentes, magistrados, diretores de estatais, conselheiros de tribunais de contas e etc., se transformam em meros despachantes das ordens emanadas da grande burguesia. São as regras de funcionamento desse sistema que fomentam e acobertam a corrupção. O poder econômico prevalece nas eleições e os partidos no poder tem privilégios antidemocráticos, assim as máfias políticas burguesas se perpetuam no governo.

A especialidade desse momento histórico não deve ser desperdiçada. A classe trabalhadora, consciente dos mecanismos fraudulentos dessa democracia de fachada em favor dos interesses empresariais, tem no interior do seu próprio movimento de lutas contra esse governo e suas reformas antipovo, a oportunidade de iniciar a construção de novas formas de organização social e política, verdadeiramente democráticas e independentes desse regime que só serve aos donos do capital.

(*) Dirigente do PCB

Paulo Caruso conta seus contratempos com a censura à imprensa

ONU cria Canal de Proteção a jornalistas



                                                                                                                 ONU
A Organização das Nações Unidas anunciou, no último dia 24, a criação de um canal direto e contínuo de comunicação entre a secretaria-geral da entidade e uma coalizão de organizações de liberdade de imprensa, com o objetivo de tratar de questões de segurança de jornalistas. A medida foi anunciada pelo secretário-geral da entidade, Antonio Guterres.

O Portal Comunique-se publicou que, com a medida, Guterres visa a mobilizar os mais altos escalões da ONU para o acolhimento de casos emergenciais de violência contra jornalistas pelo mundo. Também pretende assegurar uma melhor coordenação entre suas agências, fundos e programas, conforme definido pela Plano de Ação para Liberdade dos Jornalistas e a Questão da Impunidade, adotado pelas Nações Unidas em 2012.

A ação é uma resposta a reunião de fevereiro entre o Secretário-Geral e Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) e World Association of Newspapers and News Publishers (WAN-INFRA), que falaram em nome da coalizão internacional #ProtectJournalists. Composta por 120 organizações, a coalizão deu início à campanha pela criação de um cargo de Representante Especial das Nações Unidas para Proteção dos Jornalistas, com o objetivo de implementar o direito internacional sobre a questão. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) apoiou a campanha (leia a nota).

O secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, disse que Antonio Guterres ainda considera a recomendação de criar um cargo de Representante Especial das Nações Unidas para Proteção dos Jornalistas. “Nós apreciamos profundamente seu compromisso e a decisão que ele já tomou. Os principais problemas do mundo, desde as questões ambientais até o extremismo, não podem ser resolvidos sem o trabalho dos jornalistas”, afirmou.

Nas próximas semanas, a RSF fará uma consulta junto a organizações pela liberdade de imprensa para decidir a melhor maneira de encaminhar os casos emergenciais ao Secretário-Geral da maneira mais eficiente possível.

A ação ocorre num período particularmente preocupante para jornalistas no mundo. Segundo pesquisa da RSF, 580 jornalistas e profissionais de mídia foram mortos desde 2012, quando o Plano de Ação para Liberdade dos Jornalistas e a Questão da Impunidade foi adotado. Análise do CPJ ainda afirma que apenas 3% dos assassinatos foram devidamente punidos na última década.

(Com a ABI)

sábado, 27 de maio de 2017

E os trabalhadores ocuparam Brasília...(Vídeo de João Farias, Diário Liberdade)

Fachin pede apuração de vazamento de gravações que ferem sigilo de fontes jornalísticas

                                                        
                                                                 
O ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a petição em que o jornalista Reinaldo Azevedo pede apuração de responsabilidade sobre a divulgação de gravações de telefonemas entre profissionais da imprensa e suas fontes. 

Segundo O Globo, no despacho, Fachin disse que os fatos merecem “rigorosa apuração”. O próprio Azevedo foi um dos jornalistas que tiveram conversas divulgadas nas investigações baseadas na delação de executivos do frigorífico JBS. A Constituição garante aos jornalistas o sigilo da fonte.

“Os fatos narrados merecem rigorosa apuração, especialmente à luz do inafastável e integral respeito ao sigilo da fonte e demais garantias constitucionais próprias do Estado Democrático de Direito e da liberdade. Desse modo, encaminhe-se, com urgência, cópia da referida petição ao Ministério Público Federal para as medidas cabíveis relativas à apuração dos fatos”, decidiu Fachin.

Azevedo ingressou com uma petição na quarta-feira afirmando que a divulgação do áudio pode ter sido um meio de intimidá-lo.

“Mas o fato é um só: as conversas foram divulgadas talvez como uma provável forma de intimidar, retaliar o jornalista, e, ainda que assim não fosse, ainda que tivesse sido por um (oportuno) lapso, agora todos lavam as mãos, e as lavam a jato. Com o perdão do trocadilho. De um lado há informações dando conta de que esta Corte divulgou as gravações. De outro lado, a Procuradoria-Geral da República correu para informar, em nota, que ‘não anexou, não divulgou, não transcreveu, não utilizou como fundamento de nenhum pedido, nem juntou o referido diálogo aos autos'”, escreveu Azevedo.

Na quarta-feira, Fachin já tinha decretado o sigilo dos áudios obtidos em interceptações telefônicas autorizadas durante a investigação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado afastado Rocha Loures (PMDB-PR). Ele também decidiu que essas conversas devem tramitar num processo separado.

O jornal acrescentou que a medida foi tomada um dia depois da polêmica em torno da divulgação de escutas em que os investigados falam com jornalistas. Quando retirou, na semana passada, o sigilo das investigações da Lava-Jato a partir das delações da JBS, o STF também divulgou mais de 2.800 ligações de alvos da operação sem nenhuma ligação com as investigações, entre elas várias conversas com jornalistas.

O artigo da lei citada estabelece que “a gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada”. 

Nas folhas 249 e 386 do processo, estão juntados dois envelopes com CDs que contêm as gravações. As mídias estão em uma ação cautelar em que Fachin autorizou escutas telefônicas em aparelhos de várias pessoas. Entre elas Aécio, Rocha Loures, Andrea Neves (irmã de Aécio), Frederico Pacheco (primo do senador) e o empresário Joesley Batista.

Reinaldo Azevedo, que teve sua conversa com Andrea Neves gravada e divulgada, pediu demissão da revista “Veja” após esse episódio.

Joesley, dono do frigorífico JBS, é um dos sete delatores ligados à empresa. Seus depoimentos e as provas entregues, inclusive uma gravação de uma conversa com Temer, levaram à abertura de novas investigações e ao recrudescimento da crise política.

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Morre o jornalista e escritor Miguel Urbano Rodrigues

                                                                    


2/08/1925 – 27/05/2017 

Morreu neste sábado em Vila Nova de Gaia, Portugal, o jornalista Miguel Urbano Rodrigues.

Foi redactor do Diário de Notícias entre 1949 e 1956, chefe de redacção do Diário Ilustrado (1956 e 1957), antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal de O Estado de S. Paulo (1957 a 1974) e editor internacional da revista brasileira Visão (1970 a 1974). 

Regressado a Portugal após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redacção do Avante! em 1974 e 1975 e director de O Diário entre 1976 e 1985. 

Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1974-75), presidente da Assembleia Municipal de Moura em 1977 e 1978, deputado à Assembleia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado às Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última.

Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.

Miguel Urbano Rodrigues era filho de Urbano Rodrigues e irmão de Urbano Tavares Rodrigues.

Livros publicados:
O Homem de Negro (conto), Lisboa, 1958
Opções da Revolução na América Latina (ensaio), São Paulo, 1968
Portugal, 43 Anos de Fascismo (em colaboração com Joaquim Barradas de Carvalho, Vítor Ramos, Augusto Aragão e Maria Antónia Fiadeiro), São Paulo, 1971
Da Resistência à Revolução (textos políticos), Lisboa, 1975
Revolução e Vida (textos políticos), Lisboa, 1977
Do Fundo do Tempo (contos), Lisboa, 1979
Polónia e Afeganistão (reportagens), Lisboa, 1983
O Diário Acusa - 1000 Horas em Tribunal (depoimento), Lisboa, 1984
Do Báltico aos Gelos Siberianos (em colaboração com João Alferes Gonçalves, José Goulão, Baptista-Bastos e Cipriano Ricardo), Lisboa, 1985
Em Defesa do Socialismo (crónicas políticas, com Zilah Branco), Lisboa, 1990
Nómadas e Sedentários na Ásia Central (ensaio) Porto, 1999
Alva (romance) Porto, 2001
O Tempo e o Espaço em Que Vivi - I - Procurando um Caminho (memórias) Porto, 2002
O Tempo e o Espaço em Que Vivi - II - Revolução e Contra-revolução na América Latina (memórias) Porto, 2002
Etna no Vendaval da Perestoika (romance) Porto, 2007

Meditação descontínua sobre o envelhecimento (reflexão) Coimbra, Ed. Calendário, 2009
A metamorfose de Efigénia (contos) Coimbra, Ed. Calendário, 2010

(Com Resistir.info/Wikipedia)

O significado da Revolução de Outubro na época da transição do capitalismo ao socialismo (*)

                                                                           

Dimitris Koutsoumpas

(Secretário-Geral do CC do KKE)    

A Revolução de Outubro demonstrou todo o potencial e a capacidade da classe operária cumprir a sua missão histórica, como única classe verdadeiramente revolucionária: dirigir a primeira tentativa de construir o socialismo.»

Em 2017 celebramos o 100º aniversário da grande Revolução Socialista de Outubro de 1917 na Rússia, que marcou e determinou o curso de milhões de pessoas, não só no território do primeiro Estado operário da história da humanidade, a antiga URSS, mas teve, além disso, um impacto em todos os rincões do planeta ao longo de muitas décadas.

A Revolução de Outubro demonstrou todo o potencial e a capacidade da classe operária cumprir a sua missão histórica, como única classe verdadeiramente revolucionária: dirigir a primeira tentativa de construir o socialismo-comunismo. Ao mesmo tempo, a Revolução de Outubro ressaltou o papel insubstituível da força motriz da revolução socialista, o Partido Comunista.

A grande Revolução de Outubro demonstrou a enorme força do internacionalismo proletário. Apesar dos acontecimentos ocorridos depois da derrota do socialismo no período 1989-1991, o 100º aniversário da Revolução de Outubro, com toda a experiência teórica e prática e a maturidade que ganhámos ao longo de todos estes anos, torna-nos mais seguros e firmes quanto à actualidade e à necessidade do socialismo-comunismo.

O seu derrube contra-revolucionário não mudou o carácter da época. O século XXI é o século de um novo ascenso do movimento revolucionário mundial e de uma nova série de revoluções socialistas.

As lutas diárias por conquistas parciais e gerais são indubitavelmente necessárias mas, a longo prazo, podem não proporcionar soluções essenciais e permanentes. O socialismo continua a ser a única saída.

A necessidade do socialismo comprova-se pela própria agudização das contradições no mundo capitalista contemporâneo, no sistema imperialista internacional. As condições materiais para o socialismo, isto é, a força de trabalho e os meios de produção amadureceram dentro do capitalismo.

O capitalismo socializou o trabalho e a produção até níveis sem precedentes. A classe operária, a principal força produtiva, constitui a maioria da população economicamente activa. Não obstante, os meios de produção, os produtos do trabalho social são propriedade privada dos capitalistas.

Esta contradição é a raiz de todos os fenómenos de crise das sociedades capitalistas contemporâneas, como são as crises económicas, a destruição do meio ambiente, o problema das drogas, a longa jornada laboral apesar do aumento da produtividade do trabalho que, no entanto, coexiste com o desemprego, o subemprego e o semi-emprego, a intensificação da exploração da força do trabalho, etc..

Ao mesmo tempo, esta realidade indica a necessidade de abolir a propriedade privada dos meios de produção concentrados, para os socializar e utilizar de forma planificada na produção social, e o poder popular planifique a economia de forma que as relações sociais de produção correspondam com o nível de desenvolvimento das forças produtivas.

***

O impacte da grande Revolução Socialista de Outubro, o primeiro combate vitorioso na história da emancipação da classe operária, não diminuiu até aos dias de hoje. O socialismo transformou-se de uma predição numa realidade concreta.

A vitória da revolução proporcionou a possibilidade de condensar os seus ensinamentos numa teoria completa sobre a Revolução Socialista e o Partido. Estes ensinamentos serviram de base ideológica e política à criação da Internacional Comunista, para um novo ímpeto do Movimento Comunista Internacional.

O legado teórico da Revolução de Outubro, enriquecido com a experiência das revoluções socialistas que a continuaram, é valioso.

Na prática, confirmou o acerto da teoria marxista-leninista sobre a revolução, surgida da análise sistemática e global do imperialismo, que a revolução matura no decorrer da evolução histórica e rebenta num momento determinado por uma combinação de causas objectivas e subjectivas.

Os imperialistas e todo o tipo de renegados distorcem ou ocultam a importância da Revolução de Outubro porque, como é evidente, compreendem muito bem que, com a sua vitória, a teoria e as ideias do marxismo se converteram em força material, mobilizaram e continuam a mobilizar milhões de trabalhadores em todo o mundo contra o poder do capital, saíram vitoriosos e organizaram o seu próprio Estado, a ditadura do proletariado, baseada nos produtores directos, na maioria operária, e é a forma mais elevada de democracia que a humanidade conheceu.

Se os membros da Comuna de Paris no século XIX tomaram e mantiveram o poder operário apenas durante setenta dias, o novo assalto ao céu durou 70 anos, construiu o socialismo, com uma grande contribuição de todo o mundo, ultrapassando os limites de um país.

A postura niilista perante o socialismo que temos conhecido, a adopção de pontos de vista que falam de um fracasso total – porque o seu curso foi interrompido – é uma postura anticientífica e a-histórica, e conduz a becos sem saída.

O socialismo foi construído, desenvolvido e começou a resolver graves problemas económicos e sociais. No entanto, por razões várias, não foi possível demonstrar, e sobretudo libertar ao longo do curso da sua construção, todo o potencial inerente ao seu constante desenvolvimento e aperfeiçoamento, e o seu fortalecimento na luta contra o sistema capitalista.

No entanto, isto não diminui a contribuição e o papel do sistema socialista, tal como foi formado no século XX, independentemente das deficiências, das debilidades e dos erros que se verificaram ao longo deste difícil curso.

O que a Revolução de Outubro objectivamente indicou e é um facto inegável é que o futuro da humanidade é o socialismo. É o sistema em que o desenvolvimento histórico da sociedade criará novas relações sociais, socialistas-comunistas, baseado no povo e na satisfação das suas necessidades.

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Na prática, a Revolução de Outubro confirmou a análise leninista sobre o elo mais fraco da cadeia imperialista. Até então, faltava ao movimento internacional o fundamento teórico para a possibilidade da vitória da revolução socialista em primeiro lugar num país ou num grupo de países que se destacariam como elos mais fracos, em consequência da agudização das contradições internas sob a influência dos acontecimentos internacionais.

Naturalmente, devido ao desigual desenvolvimento económico e político, é possível que tais características se manifestem em países de nível de desenvolvimento médio ou baixo, onde, naturalmente, o processo revolucionário pode mais facilmente começar, mas é extremamente difícil que a construção socialista continue de forma vitoriosa. As análises de Lenine contribuíram para o desenvolvimento do marxismo e do pensamento estratégico do conjunto dos bolcheviques.

A contribuição de Lenine e do partido bolchevique foram decisivas no enfrentar a secção da social-democracia que, violando as decisões da II Internacional, apoiou as classes burguesas dos seus países, nuns casos votando créditos para a guerra no Parlamento, noutros participando nos governos que levavam a cabo guerras, supostamente para que se alcançasse um «desenvolvimento pacífico», defenderam a «paz imperialista» com a pistola apontada à cabeça dos povos. 

Uma linha política que, inevitavelmente, ainda os enredava mais profundamente na guerra imperialista, na agudização das contradições dos Estados imperialistas e das suas alianças. Lenine determinou, com a linha estratégica que seguiu e a partir do ponto de vista do movimento revolucionário da classe operária, que o objectivo é a revolução e a conquista do poder, pois a questão não é simplesmente uma oposição «pacifista» à guerra, mas sim a utilização de rupturas que, objectivamente, se criam no campo imperialista em tais circunstâncias e a utilização do debilitamento da burguesia em cada país, com o objectivo de converter a guerra imperialista em cada país, independentemente da sua postura defensiva ou agressiva, numa luta pelo derrube do poder da burguesia, que só traz morte e pobreza para os filhos da classe operária, para o povo de cada país.

Com a Revolução de Outubro confirmou-se a posição leninista de que a época contemporânea, a época do capitalismo monopolista, isto é, a fase imperialista do capitalismo, é a época da transição do capitalismo ao socialismo, a época das revoluções socialistas.

A grande Revolução Socialista de Outubro confirmou, além disso, o papel do oportunismo como expressão política ideológica de sectores comprados da classe operária, como o impacte da ideologia burguesa e pequeno-burguesa no movimento operário.

Lenine, tomando em consideração a experiência da Revolução de Outubro, ocupou-se particularmente com as questões do poder do novo Estado operário, a ditadura do proletariado. Estudou também detalhadamente a experiência da Comuna de Paris, a experiência dos sovietes na revolução de 1905 na Rússia e o papel do Estado na base das conclusões de Marx e Engels.

Deu um contributo importante à identificação do embrião dos órgãos do novo poder, do carácter da ditadura do proletariado como forma superior de organização estatal do poder da classe, para a transição da sociedade socialista, temporã imperfeita à sociedade comunista superior, plena, na forma e no conteúdo.

Esta experiência e lições têm um valor permanente quanto à organização da luta operária e popular, quando se intensifica a luta de classes em condições de crise revolucionária, de situação revolucionária, à organização e à expressão da aliança da classe operária com os sectores populares pobres, seus aliados naturais, com os camponeses pobres e os trabalhadores por conta-própria, com a classe operária na vanguarda, a sua transformação em força revolucionária capaz de liderar um enfrentamento decisivo contra o poder burguês e criar novas instituições operárias populares do novo poder.

[…]

(*)Primeira parte de um texto publicado na edição número 7 da Revista Comunista Internacional