Ambientes insalubres provocam cerca de 12,6 milhões de mortes a cada ano, diz OMS


                                                                                Graeme Maclean/FlickrCC

                            Poluição do ar é responsável por 8,2 milhões de mortes por ano

Segundo relatório, somente poluição do ar — incluindo fumo passivo — mata 8,2 milhões anualmente; idosos e crianças são mais vulneráveis
      
Das cerca de 55 milhões de mortes que acontecem a cada ano, 23% são provocadas pela insalubridade do ambiente, o que equivale a cerca de 12,6 milhões de pessoas, indicou um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado nesta terça-feira (15/03). O relatório enfatiza, entre  o número de mortes que poderiam ser evitadas com um ambiente saudável.

Alguns dos fatores apontados como responsáveis pela insalubridade são poluição do ar, da água e do solo; exposição química, mudanças climáticas e radiação ultravioleta. Somente a poluição do ar, o que inclui o fumo passivo, mata 8,2 milhões de pessoas anualmente.

Entre as mortes por razões ambientais, a OMS estima que 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC); 2,3 milhões por cardiopatias isquêmicas; e 1,7 milhão em decorrência de traumatismos não intencionais, como acidentes de trânsito.

Outros 1,7 milhão morrem de câncer; 1,4 milhão morrem por doenças respiratórias crônicas; 846 mil por doenças diarreicas; 567 mil de infecções respiratórias; 270 mil de problemas neonatais e 259 mil de malária.
O relatório também lembrou que crianças — especialmente as menores de cinco anos — e adultos de 50 a 75 anos estão mais expostos aos riscos ambientais, sendo as principais vítimas de doenças diarreicas e infecções respiratórias.

Por regiões, o sudeste asiático e o Pacífico ocidental são as zonas mais afetadas pelos riscos ambientais, de acordo com a OMS. Juntos acumulam 7,3 milhões de mortes por ano, a maioria delas atribuíveis à poluição do ar interior e exterior.

Na África foram contabilizadas 2,2 milhões de mortes anuais; na Europa 1,4 milhão; na região do Mediterrâneo oriental, 854 mil; e nas Américas, 847 mil.

“Se as nações não tomarem medidas para fazer com que o local onde as pessoas vivem e trabalham seja saudável, milhões continuarão a adoecer e morrer prematuramente”, advertiu a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em coletiva de imprensa.

A OMS acredita que "uma melhor gestão do meio ambiente", como acesso a água potável e saneamento básico, permitiria salvar as vidas de 1,7 milhão de crianças com menos de cinco anos anualmente e de 4,9 milhões de pessoas com idades entre 50 e 75 anos.

Entre as estratégias indicadas para combater mortes por insalubridade do ambiente também estão reduzir o uso de combustíveis sólidos para cozinhar alimentos, para iluminação e na calefação de ambientes internos; modificar infraestruturas viárias a fim de reduzir acidentes de trânsito — contabilizados como mortes ambientais por poderem ser evitados — e proibir o fumo em espaços públicos.

"As adaptações podem conter consideravelmente o peso das doenças cardiovasculares e respiratórias, dos traumatismos e dos cânceres a nível mundial, o que ajudaria a diminuir imediatamente os gastos em saúde pública", argumentou Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente.

(Com Opera Mundi)

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