Igreja considera "imorais" atitudes de Berlusconi


Ao longo dos últimos anos, a Igreja Católica italiana, em grande parte olhou para o outro lado quando surgiram relatos de uma série de escândalos sexuais e de corrupção entre a elite italiana, muitos deles centrados em torno de primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Mas notícias recentes publicadas de uma festa na casa de Berlusconi, onde uma convidada realizou um striptease vestida como uma freira, aparentemente era mais do que a Igreja podia suportar. Esta semana, a Igreja atacou, ao emitir a sua mais forte reprimenda à classe governante da Itália, lamentando “o comportamento que não só vai contra o decoro público, mas está intrinsecamente triste e vazio”.
Os italianos, segundo a Igreja, olham “seus líderes públicos com consternação e a imagem do país no exterior tem sido perigosamente enfraquecida”, afirmou o cardeal Angelo Bagnasco, chefe da Conferência Episcopal italiana, aos seus colegas bispos nesta segunda-feira. Na terça-feira, ele pediu um “estilo de vida na posição vertical”, dizendo que o país precisava de uma “correção de hábitos”, para ajudá-lo a emergir de uma “cultura do nada”.
Embora o cardeal Bagnasco não tenha destacado o premiê Berlusconi – que está enfrentando acusações de manter relações sexuais com uma menor, julgado em quatro processos por corrupção e envolvido em um escândalo com prostitutas em festas na sua mansão – o cardeal falou de “conduta licenciosa e relacionamentos impróprios”. Assim, o religioso expôs uma classe governante mais preocupada com a auto-preservação, enquanto os italianos normais enfrentam dificuldades financeiras para fazer face às despesas do dia-a-dia.
Quarta-feira, a câmara baixa do parlamento, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, rejeitou o voto de confiança contra o ministro da Agricultura, Saverio Romano, que está sob investigação na Sicília por supostas ligações com a Máfia. A censura pública é a resposta talvez inevitável para o público católico “que segue cada vez mais intolerante com a ostentação dos estilos de vida que são descaradamente imorais”, disse o padre Antonio Sciortino, editor-chefe do semanário católico Famiglia Cristiana.

Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Sant’Egidio, um grupo católico liberal, apoiou a crítica, argumentando que a elite política da Itália não parecem estar seriamente interessada em resolver os profundos problemas econômicos do país.

– A igreja está observando o empobrecimento gradual dos italianos ao lado de um abismo crescente entre as pessoas e a política. A Igreja está pedindo algo novo. Teme pelo futuro da Itália – disse ele.
Os italianos estão começando a entender as conseqüências da crise da dívida da zona do euro, após a edição de pesadas medidas de austeridade por parte do governo nos últimos dois meses, com o corte de serviços públicos e pensões, bem como o aumento dos impostos. No entanto, essas leis de redução dos custos do governo, bem como os cargos políticos, ainda precisam ser promulgadas, alimentando ainda mais insatisfação pública com a classe dominante. (Com o Correio do Brasil)

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