segunda-feira, 2 de março de 2015

Formação de ativistas e lideranças no campo

Acupunturista chinês recebe Mérito Profissional

                                                   

A Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI) concedeu no dia 28 de fevereiro (horário local) o Mérito Profissional na área de Acupunctura ao senhor Song Nanhua, acupuntursita chinês que trabalha no Brasil desde 1985. Song é o primeiro chinês que recebe esse mérito.

Song Nanhua é proveniente da província chinesa de Yunnan. Em 1985, ele começou o seu estudo na Faculdade de Medicina de Goiás. Embora não fale nenhuma palavra em português, Song esteve determinado em conquistar a Carteira Profissional de Médico do Brasil. Após nove anos de trabalho duro, ele se tornou no primeiro acupunturista chinês a receber a carteira profissional no Brasil.

Posteriormente, Song abriu a sua própria clínica de acupunctura em Brasília e trabalhou duas vezes por semana num hospital público local. Durante os vinte anos no Brasil, Song ganhou o respeito dos seus pacientes. 

Sob a promoção de Song, a Associação Nacional de Acupunturistas do Brasil foi estabelecida em 1998, e visa oferecer oportunidades de estudo aos médicos brasileiros que têm interesse na acupuntura.

Os seus esforços na área da acupunctura fazem com que Song se torne no primeiro acupunturista chinês a receber o Mérito Profissional de Acupuntura do Brasil. (Com a Rádio Internacional da China)

Dono do Netflix oferece assinatura vitalícia a Silvio Santos após "propaganda gratuita" (Sílvio Santos está certo. A serie Bíblia é das melhores já apresentada. José Carlos Alexandre)

                                                              
                                                                                                    Reprodução


  Reed Hastings, dono do Netflix, ofereceu assinatura vitalícia para Silvio Santos



Após surpreender o público no último domingo (22/2) ao fazer uma "propaganda gratuita" do Netflix, o apresentador Silvio Santos ganhou uma assinatura vitalícia de Reed Hastings, proprietário do serviço de streaming americano

Durante a atração, Silvio mencionou que sua séria favorita é "A Bíblia". “Se você não tem Netflix em casa, passe a ter. A mensalidade é R$ 18,90, creio eu, e os donos da Netflix nos Estados Unidos devem estar me vendo e devem mandar pra mim um mês de graça”, completou.

Hastings retribuiu a gentileza da publicidade e anunciou a oferta em um vídeo divulgado no canal da Netflix no YouTube. “Oi, Silvio. Eu vi o seu filme e vi que pediu um mês de assinatura grátis. Mas que tal uma assinatura vitalícia”, disse.

O dono do Netflix aproveitou para divulgar a série "House of Cards", produção da própria empresa e que estreia sua terceira temporada nesta sexta-feira (27/2). “Tenho uma recomendação a você: 'House of Cards'. Não é bem A Bíblia, mas acho que você vai curtir”, disse. (Com o Portal Imprensa)

Quinze frases para que não nos esqueçamos de Pepe Mojica

                              


Sem papas na língua, Pepe ficará eternizado por críticas ao capitalismo e pelo modo simples com que vive e encara a vida.

Conhecido pelo Fusca azul com que anda pelo Uruguai, o presidente José “Pepe” Mujica, que deixou o cargo domingo (passado 01/03), se destacou, nos cinco anos em que ficou à frente do país, pela guinada progressista que colocou o Uruguai na vanguarda latino-americana ao legalizar o aborto e regulamentar a venda e consumo de maconha, além de aprovar a lei de meios.

Avesso às homenagens e desapegado às formalidades que o cargo pressupõe, "el Pepe" tem como outra característica peculiar a sinceridade com que emite sua opinião.

Conheça 15 frases que sintetizam parte do pensamento do líder tupamaro, que passou 14 anos detido, vítima da perseguição da ditadura militar que governou o Uruguai entre 1973 e 1985.

Frases:

1.   "Para mim é um emprego qualquer. Tomo banho e vou trabalhar"

Sobre como encara o cargo de presidente

2. “Nós políticos temos que viver como vive a maioria e não como vive a minoria”

Em reflexão sobre o exercício da política
                                                                       

3.   “Não sou pobre, sou sóbrio. Vivo somente com o justo para que as coisas não me roubem a liberdade"

Ao recusar o título de presidente mais pobre do mundo ainda argumentou que "se tivesse muitas coisas, gastaria tempo cuidando delas e não fazendo o que me motiva”.

4.“ Arrasamos as selvas e implantamos selvas de cimento"

Para Mujica, hoje pensamos que somos felizes, mas "enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com remédios e estamos deixando de ser humanos”

5.   Este mundo está louco porque se surpreende com o normal”

Em crítica à comoção por seu estilo de vida. "O que chama a atenção do mundo? Que vivo em uma casa simples, que ando em um carrinho velho. Essas são as novidades?"

6.   “Sou do Sul e carrego milhões de pessoas pobres na América Latina"

Em um dos discursos mais celebrados já feitos na ONU, falou em nome das "culturas originárias esmagadas, do bloqueio inútil a Cuba" e disse carregar "a dívida social e a necessidade de defender a Amazônia, os rios e de lutar por pátria para todos”.

7.   “O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir"
"E quando não podemos, carregamos a frustração, a pobreza e a autoexclusão”, disse em crítica ao capitalismo no discurso na ONU
                                                                           
8.  "A vida escapa e se vai minuto a minuto e não podem ir ao supermercado comprar a vida. Então lutem para vivê-la, para dar conteúdo a ela”

Falando aos jovens, criticou o fútil e defendeu que cada um deve ser autor do caminho de sua própria vida, em discurso na Unasul
                                                           
9.   “Eu não me comovo com esta homenagem, daqui sairei o mesmo velho que sou"

Após receber homenagem da Unasul em 2014

10.  “Não há nenhum vício bom, nenhum salvo o do amor”.

Ao comentar, em entrevista à CNN, o uso e a legalização do uso e comercialização da maconha no país

11. “O homem médio às vezes sonha com férias e liberdade. Sempre sonha em pagar as contas, até que um dia o coração para e adeus”

Ao comentar o modo de vida ocidental, ressaltou ainda que pessoas vivem entre as financeiras e o tédio rotineiro dos escritórios

12.  "Esta velha [Cristina Kirchner] é pior que o caolho [Néstor Kirchner] (...) o caolho era mais político, ela é teimosa"

Sem saber que o microfone estava aberto, ao criticar os entraves ao comércio regional impostos pela Argentina. O chanceler argentino no Uruguai chegou a ser convocado para prestar esclarecimento à Casa Rosada. Após as declarações, Mujica pediu desculpas publicamente.

13. “O México é um Estado falido onde a vida humana vale menos que a de um cachorro. A situação lá é pior do que em uma ditadura”

A respeito do desaparecimento dos 43 estudantes mexicanos. Declaração causou mal-estar entre os governos

14. “Existem pessoas que lutam por direitos, entre as quais correntes feministas, mas das uruguaias submersas, cheias de criança, ninguém se lembra”

Ao comentar posição de militantes que pedem oportunidades para mulheres ocuparem todas as posições na sociedade

15. “Graças à vida estou vivo. Que tenho para reclamar? Há coisas que não têm conserto. Eu sou um velho, mas vivo pensando para frente"

Ao visitar o presídio em que cumpriu pena, afirmou ainda que sua preocupação "é o que vai acontecer em trinta anos, para onde irá o mundo e os outros. Isso [o período em que ficou preso já passou”.

Importante debate nesta terça-feira em Lisboa:Tratado Transatlântico (EUA-UE)


Palíndromos


                                             
(Leia de trás pra frente)

Arnóbio - Bill Morélix


Ana na badalada banana.
A nora com o carona.
A tá. Garrafa da farra, gata.
Ao Barbosa, a sobra boa.
A vó na pura garupa nova.
A vida de Ana é dádiva.
Assam a vital e relativa massa.
A namorada da romana.
Argamassa magra.
A Lú aparecerá Paula.
Atirava, mas amava Rita.
É a mamãe. A mamãe.
Eu atino. Boa tática tácita, tão bonita ué.
A vara parava.
É. Faz aparecer a paz. A fé.
Lâmina rara para parar animal.
Lá colocava cavaco local.
Leva duas, é saudável.
Leva roda adorável.
Mimar? Pirata ri pra mim.
Martelar a letra M.

Atividade de greve: Aula inaugural amanhã com Anita Prestes no Paraná

                                          



“A atualidade da Aliança Nacional Libertadora (ANL) – 80 anos depois”

Apresentada como aula inaugural do curso de História da Unespar, campus de Paranavaí, a palestra da professora Anita Leocádia Prestes foi integrada às atividades de greve dos servidores do Estado do Paraná. Anita é filha do líder comunista Luiz Carlos Prestes e da alemã Olga Benário, judia e comunista que foi presa no Brasil e deportada para a Alemanha de Hitler, vindo a nascer num hospital nazista. Seus pais, personagens emblemáticos da História do século XX, participaram da ANL (Aliança Nacional Libertadora) que completa neste ano de 2015, 80 anos.

Assim, a palestrante abordará a atualidade do movimento, bem como será examinada a atuação da Aliança Nacional Libertadora – uma ampla frente formada, em 1935, por setores representativos da sociedade brasileira da época, mobilizados em torno da luta contra o avanço do integralismo no Brasil e do fascismo no cenário mundial, assim como contra a dominação imperialista e o latifúndio em nosso país. Será destacada a atualidade da ANL para as esquerdas e os movimentos populares contemporâneos. A Aliança Nacional Libertadora (1935) movimento em que seus pais participaram ativamente, motivo principal de sua prisão.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

De Rubens Paiva às Mães de Maio, a luta pela verdade

                                                                          
No próximo dia 12 de março, a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva passará os trabalhos para a Comissão da Verdade da Democracia Mães de Maio, que visa investigar os crimes cometidos pelo estado democrático


Bruno Pavan

da Redação 

Deputado eleito pelo PTB paulista, Rubens Paiva foi uma das mais importantes e contundentes vozes contra o golpe militar que depôs o então presidente João Goulart em 1964. Ele realizou um discurso de cinco minutos na Rádio Nacional, ainda no dia 1º de Abril, pedindo aos trabalhadores que fossem às ruas defender Jango. 

Levado de sua casa no Rio de Janeiro em janeiro de 1971 por policiais portando metralhadoras, a família de Rubens, a sociedade e a história brasileira ficaram sem saber do paradeiro de seu corpo até fevereiro de 2014 quando a Comissão Nacional da Verdade denunciou que o assassino de Rubens foi o ex-tenente do exército Antonio Fernando Hudges de Carvalho.

Por conta de sua resistência e luta pela democracia, Rubens Paiva foi o nome próprio da Comissão Estadual da Verdade paulista. Sua história, depois de mais de 40 anos, conseguiu ter um final. Cinquenta e um anos depois da queda de Jango o país deveria viver uma situação distinta. 

Porém, mesmo com uma Constituição escrita sob óticas democráticas, eleições regulares para os cargos executivos e legislativos e instituições para defender a sociedade de qualquer intenção autoritária, o Estado ainda é responsável por inúmeras mortes e desaparecimentos sem que haja uma investigação séria. 

Em maio de 2006, sob a justificativa de que a cidade de São Paulo estava sob ataque do Primeiro Comando da Capital (PCC), a Polícia Militar executou 493 jovens, a maioria deles negros, por toda a periferia paulistana. 

Desde então, Débora Silva fundou o grupo Mães de Maio, que será o nome próprio da Comissão da Verdade da Democracia instalada na sexta-feira, 20 de fevereiro, na Assembleia Legislativa de São Paulo. 

“A comissão é uma grande vitória e o caminho para uma democracia verdadeira. Precisamos terminar de fazer a transição pra acabar com o resquício que ainda temos da ditadura militar no país”, explicou Débora. 

O militante da Uneafro, Douglas Belchior, pontua a importância que o grupo tem na formação de novos grupos na luta contra a violência policial por todo o Brasil, mas lamenta que o assunto ainda esteja em voga em 2015.

“Seria bom a gente se preocupar com problemas relacionados a garantia de mais direitos e não ter que se dedicar a questões que são elementares pra um momento que a gente vive em 2015. Ter que voltar a falar da necessidade do direito a viver, pelo direito de vida de pessoas por meio de sua origem racial e social é terrível”, disse.

A intenção da comissão

Planejada para trabalhar nos moldes da Comissão Nacional da Verdade, a Comissão da Verdade da Democracia não terá poder punitivo nem para o Estado nem para os agentes responsáveis pelos crimes. De acordo com o representante da Comissão da Anistia, Dario de Negreiros, a Comissão Mães de Maio nasce para investigar os crimes e a estrutura repressiva do Estado e poderá fazer recomendações aos governos durante o seu trabalho.

Além disso, ele afirma a importância que terá se mais estados pelo Brasil conseguirem formar as suas próprias comissões sobre os abusos do Estado no regi-me democrático. A comissão contará com o auxílio técnico de dois representantes da Comissão da Anistia, mas De Negreiros reforça que os movimentos sociais serão os principais protagonistas nas escolhas das pautas e reivindicações. 

“Temos que ressaltar o papel fundamental e inicial daqueles que nunca deixaram essa bandeira cair por mais difícil que fosse a luta dos familiares. Não é possível pensar em qualquer tipo de comissão da verdade que não aconteça horizontalmente com a participação intensa de todos os movimentos sociais”, esclareceu. 

Ganhar a opinião pública

Pesquisa Datafolha publicada em agosto de 2014 mostra que a segurança é apontada por 25% dos entrevistados como a sua principal preocupação. Junto com isso, o número de políticos eleitos com bandeiras como a redução da maioridade penal e de endurecimento das leis aumentou consideravelmente nas últimas eleições. 

Por outro lado, a Polícia Militar de São Paulo nunca matou tanto quanto em 2014. E isso não significou queda no número de crimes. Entre janeiro e novembro do ano passado, 816 pessoas foram mortas por policiais militares em todo o estado. Na outra ponta, 69 PMs foram mortos estando eles no trabalho (13) ou fora do expediente (56). 

“Em 2014 no estado de SP uma pessoa foi morta pela polícia a cada 9 horas e 45 minutos. Esse massacre consegue ter essa proporção e, ao mesmo, ser invisível. Temos que tirar esse massacre da invisibilidade, conseguir construir uma narrativa para podermos atuar sobre isso”, avalia De Negreiros. 

A opinião de muitos especialistas é que um debate mais avançado que jogue mais luz na questão da violência policial, passa pela imagem que a imprensa faz dos movimentos sociais e sua cobertura das chacinas. De Negreiros afirma que a sociedade tem que criar um discurso que sensibilize a opinião pública da realidade das mortes que são cometidas pelo Estado. “Existe alguém que puxa o gatilho, mais existe alguém que pede o arquivamento do processo, alguém que arquiva o processo, o jornal que apoia e a população que aplaude”, lamentou.  

Impunidade policial 

Em 2014 a imprensa e a opinião pública mundial viram mobilizações nos EUA pela morte de Michael Brown e Eric Garner. Os dois eram negros e foram assassinados por policiais brancos. De acordo com testemunhas, Brown foi alvejado por dois tiros quando estava de joelhos com as mãos pra cima. Já Garner foi sufocado até a morte pelo policial Daniel Pantaleo. Astros do esporte estadunidense como Lebron James usaram camisa com as ultimas palavras de Garner “eu não consigo respirar”. Um júri resolveu não indiciar Panteleo pela sua morte.

Douglas Belchior, da Uneafro, aponta que o que aconteceu com Brown e Garner acontece com centenas de jovens negros em São Paulo por ano e se pergunta: o que falta pra que a gente pare tudo no Brasil e revolva as questões de assassinatos promovidos pela polícia?”

“Tem um monte de coisa que acontece que não é crime aqui. Matar preto e pobre numa sociedade como a nossa não é crime, porque se fosse a gente já teria dado um jeito nisso. É considerado crime só pela mãe que chora, pela família e amigos mas não para quem está nos espaços de poder”, disse. 

Débora Silva aponta que a criação da comissão já pode ser um alerta para grande parte da população sobre a violência e o sofrimento que as mães de todos os jovens mortos passam. “As mães são as vítimas diretas desse Estado que mata nossos filhos, nos mutila. E não só mata nossos filhos, ele arranca o nosso útero, a nossa trompa e o nosso ovário nos mutilando como mulher fértil. Nós não podemos aceitar que pagamos com nossos impostos a bala que matou os nossos filhos”, analisou.

O ontem e o hoje.

A falta de punição para os responsáveis pelos crimes da ditadura no Brasil é sempre apontada como um dos principais responsáveis pela postura repressiva do Estado e pela estrutura militar da segurança pública. 

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado no final de 2014, orienta que se transforme as polícias em corporações mais voltadas aos direitos humanos e que as estruturas militarizadas são incompatíveis com o exercício da segurança pública no Estado.  

“Não foi por um capricho histórico e acadêmico que os Estados repararam os crimes do seu passado autoritário, foi porque esses crimes ressoam no presente. O passado não passou, principalmente em algumas regiões da cidade. A gente sabe que a violência não aparece aleatoriamente, tem o antes da ponte e o depois da ponte. A dignidade no Brasil tem CEP”, criticou De Negreiros. 

Para o representante da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, Rafael Schincariol, as comissões que foram criadas para lidar com a violência na ditadura precisam ampliar o trabalho. Essas comissões de anistia estão tendo hoje que rever esse trabalho, rever a extensão de seus poderes, rever a sua pauta no sentido de entender o legado em que foram criadas. Para que não se repita um autoritarismo e uma violência de Estado, essas comissões tem que ampliar a sua pauta política. (Com o Brasil de Fato)

O Cavaleiro da Esperança



Quem só espera não alcança
Mas quem não sabe esperar
erra demais, feito criança
Cai. E até se entrega ou trai.
E cansa de lutar

...
O Cavaleiro da Esperança
faz a hora acontecer
Faz punho armado
Faz punjança
Mas combate pela paz
pro povo não morrer

Pois Ogum Guerreiro não morre
prestes a encontrar
uma estrela d'alva para nos guiar

É soldado alerta. É São Jorge
prestes a enfrentar
o dragão do mal
que quer nos matar

Taiguara

Sindicato dos Jornalistas protocola pauta de reivindicações nos sindicatos patronais

                                                                        
As revindicações foram discutidas nas redações, diz Sindicato
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais protocolou na tarde desta sexta-feira 27/2/15 nos sindicatos patronais a pauta de reivindicações dos jornalistas de jornais, revistas e portais, rádio e televisão para 2015/2016. A pauta, contendo 36 itens, foi aprovada em assembleia realizada na noite de quinta-feira na sede do Sindicato.

A primeira reivindicação é de recomposição dos salários com base no INPC do período (1º de abril de 2014 a 31 de março de 2015) e sobre esse valor aumento real de 5%. O piso salarial reivindicado é de R$ 2.700, para jornada diária de cinco horas. Outra reivindicação importante é a adoção da jornada de sete horas, acompanhada do devido pagamento de duas horas extras.

A pauta procura unificar as reivindicações e universalizar as conquistas da categoria. “Ela é resultado das consultas que fizemos aos jornalistas”, explica o presidente Kerison Lopes. “Traduz o trabalho que vem sendo feito desde 2014 e que foi ampliado nas visitas às redações.” Para elaborá-la, o Sindicato recebeu sugestões via internet, publicou um boletim Pauta Extra com subsídios para discussões e percorreu redações. 

Pauta levantada nas redações foi discutida pelos participantes da assembleia

Multa e plano de saúde

Entre as novidades reivindicadas pela categoria e incluídas na pauta estão a multa por atraso no pagamento do salário e no depósito do FGTS. Outra inovação é o pagamento de valor correspondente ao do vale-transporte para os profissionais que usam transporte individual, inclusive bicicleta. A categoria reivindica também a oferta pelas empresas de bicicletário para abrigar as bicicletas dos jornalistas que optam por esse meio de locomoção.

Outra novidade é o Adicional por Tempo de Serviço, com índice de 3% sobre o salário para cada quinquênio trabalhado na mesma empresa. WI-FI gratuito nas redações, Auxílio Alimentação e Auxílio Creche também estão contemplados na pauta, bem como a obrigatoriedade de oferecimento de assistência médica e hospitalar de reconhecida qualidade; neste caso, serão considerados dependentes dos empregados também os companheiros ou companheiras que comprovarem união estável e homoafetiva.

Redução da Taxa de Fortalecimento

Outro item incluído pelo Sindicato é a redução da Taxa de Fortalecimento para 1% do salário reajustado. Esta taxa, que, como o nome diz, visa ao fortalecimento da entidade de representação dos jornalistas, é descontada pela empresa e depositada para o Sindicato uma única vez, em abril.

Representantes do Sindicato dos Radialistas participaram da assembleia, dando continuidade ao propósito dos dois sindicatos de unirem suas forças para fortalecer a campanha. A data-base das duas categorias é 1º de abril. (Imagem: Gil Sotero/SJPMG)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tocante despedida de nove filhos de sua mãe


                                                       
Deus, em suja sabedoria eterna é esperto. 

Buscou Dona Toquinha para estar ao lado Dele. 

Certamente agora estão conversando, quem sabe cantando uma modinha, trocando conselhos, senão fazendo crochês ou bordando. Deus sabe o que faz mesmo e ficou no lucro.

O que faremos sem você, mamãe querida, avó atenta, bisavó carinhosa, tetravó encantada? Como serão nossas noites de cantoria sem você fazendo a primeira voz?

Como afinaremos nossos violões e violas sem sua nota rítmica final? 

Como viveremos sem seu riso fácil e constante? Como vamos chegar na próxima etapa sem sua mão forte, seus conselhos precisos e seu discernimento infalíveis, sua fé inabalável?

 Está difícil continuar sem sua ternura, seu amor sem medida, sua paciência e seus ensinamentos de humildade e meiguice. A paz que nos ensinou a cada passo teremos que conseguir sozinhos.

 Nossa  caridosa dona Toquinha sempre foi  uma fonte confiável e uma confidente nas mais diferentes horas, normalmente enquanto tecia colchas e toalhas, cuidava das galinhas, envolvia-se nas doces tertúlias em torno dos filhos violeiros, elevando o tom de voz numa poética "derrubada" ou molhando disfarçadamente os olhos ao se recordar de seu falecido marido, Elvino, companheiro de longos anos, junto aos nove filhos que hoje choram sua sofrida ausência.

A sabedoria, a bondade, a caridade, a paciência estremada e o amor pelo próximo e pelo trabalho são  algumas de suas marcas que agora cortam nossos corações de saudade. 

Você será para nós a eterna e sempre Leoa Toquinha.

Receba o beijo e abraço afetuosos de seus filhos:

Auxiliadora, 

Consolação, 

Ivanilde, 

Durval, 

Eci, 

Fátima,

José Wilson, 

Zilá e

Geraldo Elvis.

Dificuldades para a criação de novos partidos

                                          

Com o apoio decisivo do PMDB e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), a Câmara aprovou projeto de lei que freia a criação de novas legendas. 

O projeto estabelece uma quarentena para que novas legendas possam se fundir a outras e impede que eleitores filiados a um partido assinem a ficha de criação de novos. 

A medida, em tese, pode prejudicar a criação da Rede, de Marina Silva, já que vários cidadãos com filiação, como a própria ex-senadora, que é do PSB, assinaram o pedido. 

A intenção central do projeto, no entanto, é dificultar articulação, feita pelo ministro Gilberto Kassab (Cidades), de criar uma legenda para reduzir a dependência do governo Dilma Rousseff em relação ao PMDB. 

O projeto segue agora para votação pelo Senado. As informações são do jornal O Globo. (Com a Conjur)

Trabalhadores da General Motors encerram greve após a suspensão do plano de demissão

                                                                      
Depois de protagonizar a maior greve dos últimos 12 anos da categoria na General Motors de São José dos Campos, os metalúrgicos retornam ao trabalho com a conquista da suspensão do plano de demissão de cerca de 800 funcionários.

Após seis dias de greve, cerca de três mil funcionários decidiram, em assembleia da categoria, nesta quinta-feira (26), o retorno ao trabalho na montadora General Motors da unidade de  São José dos Campos, em São Paulo. A negociação, que já havia sido feita junto ao Sindicato dos Metalúrgicos ontem (25), aguardava a aprovação dos trabalhadores do movimento grevista.

A proposta inclui lay-off (suspensão de contrato de trabalho) por cinco meses com garantia de retorno e três meses de estabilidade no emprego para 650 trabalhadores, a partir do dia 9 de março. Os dias parados não serão descontados dos salários, apenas compensados no decorrer do ano. Além disso, não haverá nenhum tipo de retaliação aos grevistas. Durante o período de suspensão de contrato de trabalho, os trabalhadores receberão o salário integral, com direito à PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Este ano, duas das maiores montadoras do país – Volkswagen e General Motors –  tentaram realizar demissões em massa, mas tiveram de recuar após os trabalhadores entrarem em greve. “Este cenário confirma a necessidade do governo federal tomar medidas imediatas em defesa do emprego”, disse o representante da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates. 

Segundo ele, o sindicato e a CSP-Conlutas defendem que o governo federal tome medidas para garantir a estabilidade de emprego para trabalhadores das empresas que recebam incentivos fiscais, como é o caso das montadoras. “Os ataques aos trabalhadores não podem continuar”, concluiu.

Apesar dos incentivos recebidos no último ano - entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015 - as montadoras fecharam 12,8 mil postos de trabalho.

A situação dos direitos humanos no mundo, segundo a Anistia Internacional

                                                             
“O Brasil é um dos países onde mais se mata no mundo”, diz Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil. “É inadmissível que haja cerca de 56 mil vítimas de homicídios por ano, a maior parte composta de jovens e, mesmo assim, esse não seja o principal tema de debate na agenda pública nacional.”

Igor Waltz*

Foi divulgado , em Londres, o relatório “Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2014/2015”, produzido anualmente pela Anistia Internacional (AI) sobre a situação das liberdades civis em 160 países. De acordo com a entidade, 2014 foi “catastrófico para as vítimas civis dos conflitos armados.” O documento cita as mortes de profissionais de imprensa nas mãos do Estado Islâmico, na Síria e no Iraque, e do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, em fevereiro passado, durante uma manifestação no Rio.

O relatório aponta que cerca de três milhões de civis foram assassinados e 15 milhões foram exilados por conflitos em lugares como Oriente Médio, Ucrânia e Nigéria.  “Isso representa o maior número de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial”, ressaltou a secretária-geral da Anistia, Salil Shetty.

Apenas na Síria, país que sofre com a crescente violência impetrada por grupos jihadistas, a AI explica que foram mais de 200 mil civis mortos e quase 12 milhões de deslocados. Já no Iraque, crimes de guerra e a limpeza étnica organizados pelo Estado Islâmico resultaram em 10 mil mortos e uma grave crise humanitária.
                                 
Além disso, o EI cometeu atentados indiscriminados com explosivos em áreas civis nas cidades Raqqa e Aleppo, na Síria, e tomou a segunda maior cidade iraquianas, Mossul. Os extremistas também divulgaram na internet alguns de seus crimes como propaganda, com vídeos que mostravam decapitações de prisioneiros, entre eles soldados sírios, libaneses e curdos, e jornalistas e voluntários americanos e britânicos sequestrados.

Mesmo assim, a divisão de opiniões no Conselho de Segurança sabotou os esforços para alcançar um acordo de paz e, embora tenham sido adotadas uma série de resoluções sobre a crise, Rússia e China vetaram um projeto que reportava a situação da Síria ao Tribunal Penal Internacional. 

Em setembro de 2014, uma coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos começou a bombardear o EI para ajudar as forças curdas que permaneceram mais de quatro meses cercadas na cidade de Kobani, transformada em um símbolo da resistência.

Situação brasileira

No Brasil, a organização considera que haja uma “crise na segurança pública”. A AI afirma que o governo brasileiro não prioriza a segurança pública, uma situação que dá margem a violações generalizadas dos direitos humanos e causa a morte de cidadãos, principalmente de pessoas jovens, negras, pobres e radicadas nas periferias, bem como de agentes de segurança.

O relatório destaca o grande número e a curva ascendente dos homicídios no país; a violência policial – como as violações de direitos humanos observadas nos protestos realizados no ano passado; e a tortura e falência do sistema prisional – como a superlotação – como evidências da crise.

“O Brasil é um dos países onde mais se mata no mundo”, diz Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil. “É inadmissível que haja cerca de 56 mil vítimas de homicídios por ano, a maior parte composta de jovens e, mesmo assim, esse não seja o principal tema de debate na agenda pública nacional.”

Um dos casos citados é o de Claudia Silva Ferreira foi baleada no pescoço e nas costas em meio a uma operação da Polícia Militar (PMERJ) em 16 de março de 2014, no Morro da Congonha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O porta-malas do carro da polícia em que ela foi socorrida se abriu e Cláudia foi arrastada pela rua.

Ao citar os protestos feitos antes da Copa do Mundo, a Anistia Internacional, afirma que eles foram reprimidos pela polícia com ”força excessiva e desnecessária” e destaca o caso do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes, morto enquanto trabalhava. Ele foi atingido por um rojão lançado por dois manifestantes. A investigação de crimes durante a Ditadura Militar, pela Comissão da Verdade, foi apontada de forma positiva.

A instituição também está preocupada com a pressão política e religiosa contra a comunidade homossexual no Brasil, assim como com as tentativas de criminalização total do aborto no país.

(*) Com informações da TV Globo, da RFI e das agências Deutsche Welle e EFE. 

"Diário do Povo" comenta aprofundamento completo das reformas na China

                                   
O jornal oficial do Partido Comunista da China (PCCh), Diário do Povo, publicará amanhã (27) um artigo  analisando detalhadamente a importância do aprofundamento completo das reformas na China.

O artigo aponta que as reformas são as forças motrizes para realizar o sonho da China. Após o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista , o Comitê Central do Partido que tem o secretário-geral Xi Jinping (foto)como núcleo, conseguiu grandes avanços nas teorias e políticas de reforma, formando a importante ideologia estratégica do aprofundamento completo das reformas.

Segundo o artigo, nos últimos 30 anos, as reformas da China foram realizadas desde os setores mais fáceis aos mais difíceis, partindo da situação geral. Uma série de importantes discursos do camarada Xi Jinping em relação às reformas exige a consideração global e integral na construção de um país socialista mais competitivo.

O artigo sublinha que as atuais reformas não só precisam de enfrentar desafios, como também necessitam de aproveitar as oportunidades, não sendo apenas exigências da época, como também são responsabilidades da história.' (Com a Rádio Internacional da República Popular da China)

Segundo governo Dilma: a consolidação de uma derrota

                                                                                     

Brasil - Universidade Unitas Unisino - [Patricia Fachin] Entrevista com o professor da Universidade de São Paulo, Pablo Ortellado (*).

"A volta a políticas liberais ortodoxas não é uma necessidade de equilibrar as contas, mas é uma derrota política, fruto da incapacidade de implementar um modelo econômico alternativo", pondera Pablo Ortellado em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone. 

Para ele, "a reversão da política econômica do primeiro mandato", que tem gerado inúmeras críticas à segunda gestão do governo Dilma, demonstra que o "modelo intervencionista", proposto pela presidente, "não foi adotado integralmente porque foi derrotado no meio do caminho".

Na interpretação do professor da Universidade de São Paulo - USP, a segunda gestão do governo Dilma "está sendo refém do sistema financeiro e não tem força para enfrentá-lo e mudá-lo, como havia ensaiado. Por isso ela perdeu a batalha e não conseguiu ir adiante na política de reduzir os juros, na política de aumentar o subsídio das tarifas públicas, que foi o modelo iniciado por ela".

Para ele, a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda é um sinal dessa derrota. Contudo, outras nomeações ministeriais polêmicas, como a de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura e de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades, têm outro significado.

"A nomeação de Kátia Abreu não destoa do pensamento da presidente; ela é uma desenvolvimentista, acha que o agronegócio é uma peça importante, e Kátia Abreu é uma grande representante desse setor. A nomeação do Kassab tem mais a ver com questões políticas para conseguir alianças; ele é um grande articulador político, fundou um partido político que é importante para a governabilidade", comenta.


Infelizmente, segundo governo Dilma será bem mais conservador que o primeiro

Na avaliação dele, apesar das "surpresas" da nova gestão, o modelo neodesenvolvimentista iniciado no governo Lula e levado adiante pela presidente Dilma ainda é sustentável, embora tenha sofrido um "revés justamente na política econômica". Para os próximos quatro anos, vislumbra, "vai haver um embate no qual o resultado será uma política mista, predominantemente liberal, mas com alguns elementos desenvolvimentistas. As agendas de proteção ao meio ambiente e de política indigenista vão por água abaixo, porque não têm nenhum espaço dentro do governo", conclui.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como o senhor está vendo as mudanças anunciadas pela presidente Dilma nos dois primeiros meses do seu segundo mandato? Os anúncios estão surpreendendo?

Pablo Ortellado – Acho que todos estão surpresos porque houve uma reversão da política econômica do primeiro mandato. Isso é ainda mais surpreendente porque contraria toda a escola de pensamento na qual a própria presidente foi formada, na Unicamp. A escolha de um ministro da Fazenda formado pela Escola de Chicago, os cortes de direitos trabalhistas para equilibrar o orçamento e o aumento das tarifas públicas, tudo isso caminhando para um arrocho, inclusive, contraria todo o discurso feito na campanha de reeleição, que foi totalmente baseada em assustar o eleitorado, dizendo que o outro candidato adotaria esse tipo de política. Essas mudanças surpreenderam a todos, ainda mais pelo fato de a presidente as ter feito de maneira tão agressiva.

IHU On-Line - O que essas mudanças mostram em relação ao primeiro governo da presidente Dilma e aos dois governos do ex-presidente Lula? As políticas adotadas não foram sustentáveis, ou hoje o Brasil enfrenta outras dificuldades?

Pablo Ortellado – Acho que se trata de uma reversão de estratégia de política econômica, caminhando para um modelo mais parecido com o adotado no governo do ex-presidente Lula, em que se tinha uma política econômica mais ortodoxa combinada com políticas de distribuição de renda e aumento do consumo. A presidente Dilma, no primeiro mandato, tinha ensaiado outro caminho, o de enfrentar a política de juro dos bancos, mexer com a política do superávit primário, mas ela perdeu politicamente essa batalha. Foi uma disputa política muito dura e, ao que tudo indica, os primeiros meses do segundo mandato demonstram a consolidação dessa derrota. É uma consolidação que deve ter sido muito difícil, porque tenho certeza de que a presidente não acredita nesta política; ela está sendo contrariada.

IHU On-Line – O senhor sugere que ela está sendo refém de alguma situação?

Pablo Ortellado – Ela está sendo refém do sistema financeiro e não tem força para enfrentá-lo e mudá-lo, como havia ensaiado. Por isso ela perdeu a batalha e não conseguiu ir adiante na política de reduzir os juros, na política de aumentar o subsídio das tarifas públicas, que foi o modelo iniciado por ela, mas que fracassou porque ela não teve força de implementá-lo por conta da influência do sistema financeiro tanto na política quanto na economia.

IHU On-Line – Que outras dificuldades o governo tende a enfrentar com Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados?

Pablo Ortellado – As dificuldades serão enormes, mas de outro tipo. Eduardo Cunha é oposição. Hoje a presidente já é refém de uma política econômica que não é a dela, na qual ela não acredita e para a qual ela não foi eleita, e ela passa agora a ser refém também de um Congresso que está controlado por um setor do PMDB que é independente. Embora o PMDB seja a base do governo, Eduardo Cunha e as forças que ele reúne e articula são independentes do governo. Isso significa que a aprovação de todo tipo de política vai encontrar empecilhos.

IHU On-Line - Deve haver uma mudança na postura do PMDB em relação ao governo?

Pablo Ortellado – O PMDB não tem unidade e é uma federação de muitas correntes e interesses. E esse grupo capitaneado por Eduardo Cunha é forte política e economicamente, porque Eduardo Cunha é grande intermediador de verbas de campanha, é ligado a setores empresariais muito fortes, como o setor de telecomunicações. Isso significa que nada ligado a telecomunicações vai avançar, ou seja, a regulamentação do Marco Civil pode encontrar problemas, a lei de proteção de dados pessoais e a reforma da lei de direitos autorais vão encontrar problemas, sem falar em toda a agenda ligada a questões morais, porque ele também é ligado ao setor evangélico. Então, questões relacionadas ao aborto, combate à homofobia e toda a agenda ligada aos direitos humanos vão sofrer um revés.

IHU On-Line - O senhor relaciona a atual conjuntura econômica com o fato de a presidente ser refém do sistema financeiro. Como avalia, em contrapartida, as nomeações feitas por ela: Kátia Abreu no Ministério da Agricultura e Gilberto Kassab no Ministério das Cidades? A presidente está sendo refém de outra situação nesses dois casos?

Pablo Ortellado – A nomeação de Kátia Abreu é bem consistente com o que a presidente pensa acerca de modelos de desenvolvimento. Essa nomeação não destoa do pensamento da presidente; ela é uma desenvolvimentista, acha que o agronegócio é uma peça importante e Kátia Abreu é uma grande representante desse setor. A nomeação do Kassab tem mais a ver com questões políticas para conseguir alianças; ele é um grande articulador político, fundou um partido político que é importante para a governabilidade, e ele entra nessa chave.

IHU On-Line – O modelo neodesenvolvimentista iniciado no governo Lula e levado adiante no governo Dilma ainda é sustentável?

Pablo Ortellado – Com certeza. Esse modelo sofreu um revés justamente na política econômica, porque Dilma está implementando políticas com o Joaquim Levy que são contrárias ao que ela acredita que seja de fato um modelo de desenvolvimento econômico. O que vamos ver, provavelmente, é uma mescla entre a política desenvolvimentista com uma agenda, num marco mais geral, profundamente liberalizante.

É isso que Joaquim Levy vai fazer: aumentar o superávit primário, aumentar a política de juros, aumentar o preço das tarifas públicas, cortar mais gastos sociais. Essa política está sendo implementada, mas ela é contrária a uma política desenvolvimentista de proteção da indústria nacional, de estímulo a setores industriais, ao agronegócio.

Vai haver um embate no qual o resultado será uma política mista, predominantemente liberal, mas com alguns elementos desenvolvimentistas. As agendas de proteção ao meio ambiente e de política indigenista vão por água abaixo, porque não têm nenhum espaço dentro do governo.

IHU On-Line – Em que medida os ajustes feitos neste ano estão relacionados com políticas desenvolvidas nos governos anteriores?

Pablo Ortellado – Depende de como se lê essa questão. Pode-se dizer que esse modelo de política mais intervencionista adotado pela presidente no primeiro mandato fracassou e é preciso voltar para uma política liberal forte para corrigir o rumo desse desvio e, portanto, estamos num momento de ajustes com recessão e baixo crescimento.

Outra chave de leitura, contrária à anterior — que deve ser a da presidente —, é de que o modelo intervencionista não foi adotado integralmente, porque ele foi derrotado no meio do caminho e o resultado é este que estamos vendo. A volta a políticas liberais ortodoxas não é uma necessidade de equilibrar as contas, mas é uma derrota política, fruto da incapacidade de implementar um modelo econômico alternativo.

IHU On-Line - A última medida anunciada pelo governo Dilma é uma negociação com sindicatos e centrais sindicais para acabar com o fator previdenciário. Como vê essa proposta?

Pablo Ortellado – O fator previdenciário é uma medida que se mostrou totalmente inócua para o objetivo de retardar as aposentadorias. Só está trazendo prejuízos para os trabalhadores, sem ter nenhum efeito prático no retardamento da solicitação das aposentadorias. Não vejo por que a reversão dessa política teria impacto hoje.

IHU On-Line - Como deve se dar a relação da presidente Dilma com os movimentos sociais em seu segundo mandato? Vislumbra algo diferente em comparação com a primeira gestão, já que agora inclusive movimentos sociais estão criticando mais pontualmente o governo dela?

Pablo Ortellado – No primeiro mandato a relação da presidente com os movimentos foi de escuta, mas com pouca incorporação de demandas. O ministro Miguel Rossetto vai manter sua política de escuta, que está muito ligada à sua trajetória. Mas num cenário em que a presidente tinha maior controle da política econômica, ela não conseguiu incorporar nada. Nesse cenário ela perdeu o controle e a incorporação de demandas será ainda menor. Assim, a presidente vai escutar, mas não vai ouvir.

IHU On-Line - O senhor disse que ao fim das manifestações de 2013, a sociedade estava mais mobilizada. Vislumbra a ocorrência de mais manifestações diante da atual conjuntura? Quais pautas são potenciais para gerar novas manifestações?

Pablo Ortellado – Este ano vamos ver mobilizações grandes de algumas pautas. Em São Paulo e no Rio de Janeiro a questão da água vai gerar manifestações, porque a situação da água é extremamente crítica, e é impossível não haver. Ainda não sabemos de que tipo serão essas manifestações, mas a falta de água empurra as pessoas para situações extremas e gera desespero. Esse é um tema que vai dominar a agenda dos movimentos sociais neste ano. Por outro lado, o escândalo da Petrobras vai gerar muitas manifestações tentando desmobilizar o governo, pedindo o impeachment da presidente. Vai ser um ano com muita mobilização.

IHU On-Line - Há mais razões para manifestações hoje do que se teve em 2013? O que vislumbra?

Pablo Ortellado – Não basta ter motivo, precisa ter organização e um ator político capaz de ajudar a sociedade a expressar essa insatisfação. O Movimento Passe Livre - MPL ocupou esse papel em 2013 e no começo deste ano, nas manifestações que ocorreram em São Paulo por conta do aumento da tarifa do transporte público.

Não consigo ver um ator político com essa capacidade de mobilização para outras agendas, como o aumento da tarifa de energia. Do mesmo modo, a discussão sobre a crise hídrica também não tem um ator político capaz de gerar mobilização, o que é um problema, porque a crise é grande e a água é um recurso fundamental para o dia a dia. É preocupante ter uma demanda forte e uma insatisfação, e não ter um ator político capaz de organizar essa insatisfação.

Por isso corre-se o risco, quando a crise se agravar ainda mais, de haver revoltas sem orientação política, como aconteceu em Itu. Essa revolta pode resultar em saques, quebra-quebra desorganizado. Por isso é importante que se tenha um ator que consiga orientar essa insatisfação para um objetivo político, para uma reivindicação factível.

IHU On-Line – A falta desse ator político implica que não surja no Brasil algo como o Podemos e o Syriza?

Pablo Ortellado – Nós estamos muito longe disso. O Podemos e o Syriza são movimentos muito distintos. O Syriza é um grupo de coalizão de partidos tradicionais de esquerda. Ele seria, guardadas todas as diferenças, algo como o PSOL e o PSTU. O Podemos, por outro lado, é uma expressão das mobilizações de rua, algo parecido com o MPL ou novos movimentos que surgem. Contudo, estamos muito distantes da criação de algo parecido no Brasil porque os movimentos que surgem não estão interessados em criar partidos. Por outro lado, PSOL e PSTU estão longe de ganhar essa preeminência que se teve na Grécia, com o Syriza.

IHU On-Line - Como vê as articulações para a campanha presidencial de 2018, que sugerem o retorno do ex-presidente Lula à Presidência, como uma alternativa política?

Pablo Ortellado – Isso ocorre porque Dilma começou seu mandato de maneira desastrosa. Não só porque o Brasil está numa crise econômica muito clara, como do ponto de vista social ela está aquém de todas as expectativas. O processo eleitoral foi muito polarizado entre a esquerda e a direita, com a esquerda mobilizada, prometendo se não avanços sociais, no mínimo a consolidação dos ganhos e avanços sociais do passado. Contudo, os primeiros atos do governo dela foram cortes de direitos trabalhistas, seguido de aumento das tarifas públicas, da nomeação de Levy. A popularidade dela está muito baixa e não há perspectiva de reversão desse cenário.

De novo Lula acaba reaparecendo dentro do campo da esquerda para reorientar essa política ou retomar os ganhos sociais do passado. Esse é o significado e a especulação em torno da volta do ex-presidente.

IHU On-Line - O que se pode esperar para os próximos quatro anos de mandato?

Pablo Ortellado – Tudo é possível, mas o quadro mais provável é de ficar nessa situação de uma política econômica liberal, recessiva, com arrocho e com uma perspectiva ruim em relação às políticas sociais conquistadas. A presidente não tem força no Congresso, perdeu a queda de braço com o sistema financeiro, e não vejo de onde ela tiraria elementos para uma mudança de governo. Vai ser um governo difícil para ela e para nós, que estamos sob a administração dela.

(*) Pablo Ortellado é graduado e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo – USP. É professor do curso de Gestão de Políticas Públicas e orientador no Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação - Gpopai. (Com o Diário Liberdade)