sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nas voltas que a vida dá, faz tempo que estamos no mesmo lugar

                                                                     

Marcelo Castañeda (*)

Es­tamos en­trando no se­gundo se­mestre do ano e nada pa­rece ter acon­te­cido, mesmo com con­de­nação de Lula na Lava Jato, quase saída de Temer, quase en­trada de Maia, um ar­re­medo de greve geral e uma Re­forma Tra­ba­lhista apro­vada. A sen­sação é que es­tamos no mesmo lugar, gi­rando em torno do pró­prio rabo, de­pen­dentes da re­pre­sen­tação apo­dre­cida e do mo­delo de de­sen­vol­vi­mento agro é tudo, é pop, é total.

O grito que ecoa é que todos os po­lí­ticos são iguais e o de­sen­canto se faz cada vez mais pre­sente me­di­ante os acon­te­ci­mentos com uma eleição pre­si­den­cial ba­tendo na porta. A con­de­nação de Lula em pri­meira ins­tância veio marcar esse mo­mento ins­tável em que o go­verno gol­pista de Temer perdeu o re­bo­lado e nem por isso a Re­forma Tra­ba­lhista deixou de ser apro­vada no Se­nado, mos­trando que os in­te­resses é que im­portam em de­tri­mento do que a so­ci­e­dade po­deria querer ou mesmo do que os atores prin­ci­pais es­tejam pas­sando.

No fundo, o sis­tema po­lí­tico está to­tal­mente dis­so­ciado da so­ci­e­dade e é isso que mantém seu fun­ci­o­na­mento, seja com Temer clau­di­cante, seja com Maia bal­bu­ci­ante a es­pera de um man­dato-tampão, seja com Lula mar­cado com uma con­de­nação que pode lhe tirar da dis­puta em 2018 – no que seria mais uma par­ti­ci­pação do pas­sado que nos ro­deia, diga-se. 

Por sua vez, as saídas que a so­ci­e­dade apre­senta pa­recem blo­que­adas. Basta ver os ar­re­medos de greve geral que foram de­sar­ti­cu­lados se­quen­ci­al­mente como dias na­ci­o­nais de pa­ra­li­sação, dos quais de dois apenas um ocorreu de fato, no dia 28/04. 

Sem mo­bi­li­zação não há como re­verter as re­formas que o go­verno Temer pro­cura em­placar. Está aí a Re­forma Tra­ba­lhista para ficar de exemplo sendo apro­vada logo de­pois da fra­cas­sada greve geral de 30/06. Não se sabe se terão tempo de aprovar a Re­forma de Pre­vi­dência, mas isso não deve ser des­car­tado.

Neste mo­mento, a sen­sação é de que es­tamos atô­nitos vendo o bonde da his­tória passar sem a nossa par­ti­ci­pação em um jogo que se de­cide nos grandes acordos por cima que devem estar sendo ne­go­ci­ados. É cada vez mais disso que de­pende Temer ficar até o fim de 2018 ou Lula se can­di­datar no ano que vem. 

En­quanto isso, no país em que agro é pop, con­ti­nuam a morrer gente nos rin­cões em con­flitos de terra, onde a luta se faz a quente, e no Rio de Ja­neiro, que até bem pouco tempo era o mo­delo de um Brasil Maior, ser­vi­dores amargam sa­lá­rios atra­sados há três meses e a der­ro­cada pa­rece não ter fim com a ex­plosão da vi­o­lência. 

As saídas talvez não es­tejam mais ao nosso al­cance, e falo da so­ci­e­dade. Talvez es­te­jamos de­pen­dentes de mais um acordo por cima a de­finir nossos des­tinos en­quanto so­ci­e­dade-gado, que pasta nas voltas que a vida dá sem sair do mesmo lugar. Neste sen­tido, es­tamos re­fle­tindo o agro em nossas vidas-pasto. 

Penso que é mais que hora de romper com isso e buscar a tal da sus­ten­ta­bi­li­dade, o que só será pos­sível com a par­ti­ci­pação da so­ci­e­dade nas de­ci­sões, rom­pendo o cír­culo vi­cioso dos acordos por cima. Resta saber de onde par­tirá a rup­tura. Minha aposta é sempre no ter­reno da so­ci­e­dade, já que o sis­tema po­lí­tico dá mos­tras de fe­cha­mento cada vez maior. Ve­remos o que o resto do ano nos re­serva.


(*) Mar­celo Castañeda é so­ció­logo e pes­qui­sador da UERJ.


https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5538067426554059193#editor/target=post;postID=4486036869300402015

(Com o Correio da Cidadania)


Fórum Internacional do Ensino de Português reúne especialistas em Beijing

                                    

Beijing recebeu  dias 8 e 9 de julho, o 4º Fórum Internacional do Ensino de Língua Portuguesa na China. O evento foi organizado em parceria pela Universidade de Comunicação da China e pelo Instituto Politécnico de Macau.

A quarta edição do Fórum, sob o tema "Da Ásia para o Mundo: Ensinar Português em Tempo de Globalização", contou com a presença de mais de 70 professores e acadêmicos provenientes da China, Brasil e Portugal.

Com a duração de dois dias, os professores e acadêmicos abordaram temas como formas para melhorar a qualidade de ensino, combinação de ensino e teste, a melhora da capacidade de comunicação intercultural dos alunos, bem como a promoção do desenvolvimento da língua portuguesa na China.

O reitor da Universidade de Comunicação da China, Hu Zhengrong, que proferiu o discurso de abertura, espera que o fórum possa estabelecer uma plataforma de intercâmbios e compartilhamento de resultados acadêmicos entre professores e alunos.

Assim, será possível oferecer um espaço aberto e de discussão para chineses e estrangeiros que participam e apoiam o desenvolvimento do ensino de português na China.

Ao longo da última década, com a estreita cooperação entre a China e os países de língua portuguesa nos setores político, econômico e cultural, vem crescendo a demanda por talentos que dominam a língua portuguesa. 

Em consequência disso, o ensino do idioma na China entrou em um período de desenvolvimento acelerado. A realização periódica de conferencias sobre o ensino de português contribui para promover a cooperação e intercâmbios no setor pedagógico e melhorar a qualidade da formação de talentos.

Os três primeiros fóruns foram realizados, respectivamente, na Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing, no Instituto Politécnico de Macau e na Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai.

(Com a Rádio Internacional da China)

Panda gigante Nini dá à luz gêmeos

                                                                        
A panda gigante Nini deu à luz gêmeos na manhã de quinta-feira, elevando para oito o total de filhotes que nasceram neste ano no Centro de Criação de Panda Gigante de Chengdu .

A gravidez de Nini foi confirmada no fim de junho.

Um filhote do sexo masculino nasceu às 5h48 com 203 gramas, e a irmã dele, às 6h33 com 91 gramas.
As crias e a mãe passam bem.

Nini há tinha tido gêmeos em agosto de 2015.

Ela e o irmão Yingying foram batizados em referência ao slogan olímpico "Beijing huan ying ni" ("bem-vindo a Beijing") porque nasceram em agosto de 2008, durante as Olimpíadas.

A família de Nini é uma "família olímpica". O avô Cobi nasceu no mesmo dia da abertura de Barcelona 1992 e foi batizado com o nome do mascote, um cão pastor catalão, por Juan Antonio Samaranch, então presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Pandas são uma espécie ameaçada devido à taxa de natalidade extremamente baixa no estado selvagem. Nos últimos anos, nasceram muitos gêmeos em cativeiro, devido à mudança nos métodos de criação artificial.

"Antes éramos totalmente dependentes de os pandas estarem no cio para cruzar, mas durante a última década começamos a observar as alterações hormonais deles para aproveitar as melhores oportunidades de acasalamento", disse Wu Kongjun, que trabalha no centro de criação em Chengdu.

(Coma Xinhua/Diário do Povo)

Agressão contra Venezuela utiliza estratégias usadas no Chile, Líbia e Ucrânia


                                                                             streetwrk.com (CC BY-ND 2.0)

A escalada de agressões diplomáticas, econômicas e midiáticas contra a Revolução Bolivariana são as mesmas promovidas contra a Líbia, Ucrânia e nos anos 70 contra o Chile.

A guerra narrativa impulsionada pelas transnacionais midiáticas, nos exemplos citados e agora contra o país caribenho, é construída sobre a tese de um Estado falido e pária como desculpa para legitimar uma intervenção armada e mudança de governo.

Financiadas e planejadas no exterior, as ações de desestabilização em cada país foram colocadas em prática por partidos políticos, setores acadêmicos e eclesiásticos pró-imperialistas, opositores aos governos locais.

A exigência de Richard Nixon a seu secretário de Estado, Henry Kissinger, de "fazer a economia chilena gritar", para submeter o governo socialista de Salvador Allende, parece se manter atualmente.

O presidente Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira aplicar "medidas econômicas fortes e rápidas" contra a Venezuela se a Assembleia Nacional Constituinte é realizada em menos de duas semanas.

Segundo a versão da mídia sobre a "Revolução Laranja" na Ucrânia, foi a pressão dos "jovens universitários e estudantes secundaristas" que derrubaram o presidente Vikctor Yanukovich por sua oposição ao Acordo de Associação e Livre Comércio com a União Europeia. Os governos mais influentes acusaram Kiev de atentar contra os manifestantes.

Matérias da época diziam que "nas manifestações se observava o uso cada vez mais generalizado de meios de proteção improvisados e profissionais como capacetes, coletes e inclusive escudos". Nas últimas semanas todos os protestos terminavam em distúrbios.

Na Venezuela, o chamado "exército templário" está formado no imaginário construído nas redes sociais, principalmente, por jovens que lutam contra a "ditadura" que os oprime. Os assédios às instalações militares e os crimes de ódio são desculpados e naturalizados como "defesa própria".

Os símbolos e a aplicação do manual do golpe suave de Gene Sharp, na Ucrânia e Venezuela, são escandalosamente similares.

O ponto decisivo do conflito na Líbia, que terminou no assassinato de Muammar Al Gadafi, foi a criação do Conselho Nacional de Transição (CNT) formado por políticos opositores servis a Washington e ex- funcionários de alto nível do governo derrubado. 

Antes disso, a crise foi intensificada por uma revolta violenta de vários dias em Bengasi, uma zona de opositores, e a denúncia de que as forças armadas atacaram os manifestantes pacíficos.

A coligação antichavista reunida na "Mesa da Unidade Democrática (MUD)" anunciou a formação de um governo paralelo após organizar uma consulta interna tipo plebiscito, no qual simbolicamente "o povo" desconhece o governo democrático de Nicolás Maduro e suas instituições.

Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional (AN) e coordenador do partido Vontade Popular assegurou nesta terça-feira através de seu twitter que não são o Estado paralelo", mas "somos o Estado Constitucional".

O próprio presidente da AN, Julio Borges, já havia anunciado o chamado a "juramentar" os novos integrantes do Tribunal Supremo de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral.

A oposição venezuelana ainda não decidiu que nome vai dar ao "novo governo" paralelo que tentam instalar. Até o momento seus porta-vozes se referem ao governo de unidade nacional ou governo de transição.

O presidente Nicolás Maduro semanas atrás advertiu que "o imperialismo havia proposto gerar uma comoção e em meio a isso, derrubar o governo legítimo para impor uma junta de transição".

(Com a AVN/Diário Liberdade)

Hábitos na Alemanha

                                                        


Pontualidade é essencial

Embora algumas pessoas tenham horário flexível de expediente, a maioria tem hora certa para começar a trabalhar. 

Na Alemanha, é correto chegar ao local de trabalho cinco minutos antes da hora marcada. 

Dez minutos antes é muito cedo, a não ser que você tenha as chaves do escritório.

(Com a DW)

Geração Y elege Zap e Google como melhores fontes


                                                                  
Entre a chamada Geração Y (ou Millennials, pessoas que nasceram entre o começo dos anos 80 e o final dos 90), que representa cerca de 20% da população mundial (segundo o IBGE, no Brasil, são 55 milhões entre os 18 e os 34 anos), o WhatsApp lidera quando o assunto é “veículo de comunicação mais usado”. Já o Google foi o mais citado como fonte de informação e veículo de conhecimento/aprendizado.

Foi o que constatou levantamento realizado em abril encomendado à MindMiners pelo PayPal Brasil.

Ainda segundo a pesquisa, cerca de um terço dos entrevistados pela MindMiners passa mais de 3 horas por dia no Facebook, mas menos de 3% avaliam que a rede social é um veículo de comunicação confiável. E 95% garantem que verificam a veracidade das notícias antes de compartilhá-las em seus perfis. 

Também de acordo com o estudo, o veículo mais usado pelos Millennials como fonte de informação é o Google (66,3%), seguido por Facebook (55%) e pela TV (51,3%). Do outro lado da balança, jornais impressos foram citados por somente 9,7% e revistas impressas, por 7,7%.

O veículo mais usado como fonte de conhecimento/aprendizado é o Google (para fazer pesquisas), com 75,7%, seguido por YouTube (71,3%), TV (31,3%) e Facebook (26%). Do outro lado da balança, revistas impressas e rádios foram citadas por 8,7% (cada). Os jornais impressos ficaram em último lugar, com 7,3%.

Dentre as páginas do Facebook mais acessadas porque confiáveis, os líderes (em ordem decrescente) são G1/Globo, UOL, Folha de S. Paulo, Veja e Exame. Já dentre os jornais diários mais lidos, Folha, Estadão e O Globo lideram. E dentre as revistas mais lidas estão Veja, Exame, Superinteressante e Época nesta ordem.

O estudo mostra que 88,4% dos entrevistados que disseram acessar a edição online de jornais não têm assinatura do veículo. Ou seja, usam acessos de amigos e/ou familiares. Quando a fonte de informação são revistas online, essa porcentagem cai para 82%.

De maneira geral, 38% dos Millennials garantem que, ao clicar no link de uma matéria, fazem questão de ler o texto inteiro; e 5,7% confessam que só leem o título e o primeiro parágrafo. Outros 56% dizem que o nível de leitura depende da matéria.

Os temas campeões de leitura são variedades/entretenimento (52,7%); saúde (47,3%); mundo (46,3%); e ciência (37,1%). Os temas que geram menor índice de leitura completa são fashion (15,2%); sustentabilidade (16,6%); e turismo (18,4%).

Já os temas campeões de leitura do título e do primeiro parágrafo são: política (39,5%); economia (38,4%); saúde (29,7%); variedades/entretenimento (29,2%); e ciência (28,6%).

Solteiros acima de 35 anos não gostam de discutir política em redes sociais

Enquanto nos EUA, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center, 32% das pessoas costumam compartilhar conteúdo político nas redes sociais, por aqui, os solteiros acima de 35 anos vão contra esta tendência. 

Levantamento com 2.629 solteiros feito pelo site de relacionamento ParPerfeito revela que este grupo mais velho e, que busca um relacionamento sério, deixa a Internet de lado para abordar o tema com os pretendentes: 35% do grupo, que conta com homens e mulheres de todo o Brasil, afirmam que preferem falar sobre política em bares e restaurantes, ao lado dos amigos, outros 35% preferem guardar a opinião para si.

Entre as redes sociais, a mais utilizada para discutir política é o Facebook (18%), seguida pelo Whatsapp (11%) e Twitter (1%). E se você tem medo de ser deletado por alguém no Facebook por expressar suas ideias políticas pode ficar tranquilo, pois 81% dos entrevistados disseram que nunca excluíram ninguém do seu perfil por divergências políticas.

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Nova diretoria na SBPC

                                                                        
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) empossou na noite de ontem (20) a nova diretoria da entidade durante assembleia geral dos sócios. O físico Ildeu de Castro Moreira assumiu o cargo de presidente. Ele substitui a bióloga Helena Nader, que estava à frente da entidade desde 2011.

A assembleia foi realizada durante a 69ª Reunão Anual da SBPC, que ocorreu ao longo dessa semana no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Trata-se do maior evento científico do Hemisfério Sul, com uma programação extensa de conferências, mesas-redondas e apresentação de trabalhos científicos, entre outras atividades.

Professor e pesquisador Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu era vice-presidente da última gestão da SBPC e foi o único candidato à presidência. Ele recebeu 980 votos dos associados da entidade em eleição ocorrida no mês passado. Houve, ainda, 73 em branco e 48 nulos. Sua gestão vai, inicialmente, até 2019, quando haverá novas eleições e ele poderá se recandidatar.

Em seu pronunciamento, Ildeu listou alguns desafios da nova gestão. Ele manifestou preocupação com os cortes e contingenciamentos de recursos que atingem o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

"Esse momento que estamos vivendo é muito grave, uma crise econômica e política com consequências sociais muito séria. E, diante desse quadro, vamos dar continuidade às ações que a SBPC já vem desenvolvendo, junto à sociedade e junto ao Congresso, para que a gente reverta ou, pelo menos, consiga amenizar os graves retrocessos que vêm ocorrendo. Também precisamos prestar nosso apoio às universidades públicas, que estão vivendo um momento muito difícil."

O físico terá como vice-presidentes Carlos Roberto Jamil Cury, professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG; e Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Também tomaram posse os conselheiros eleitos e os escolhidos para as secretarias, a tesouraria e demais cargos da diretoria.

SBPC premia pesquisa que criou larvicida contra Aedes usando óleo de sucupira
Reunião anual da SBPC começa hoje em Belo Horizonte
Por sua vez, a ex-presidenta Helena Nader recebeu o título de presidente de honra. A honraria é concedida pela SBPC a pessoas de notável saber que hajam prestado relevantes serviços à ciência brasileira.

Criada em 1948, a SBPC dedica-se à defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil. Atualmente, a entidade tem 127 sociedades científicas associadas, de todas as áreas do conhecimento.

Ao final da assembleia, foi colocada em votação dez moções. Entre as aprovadas, a entidade se posicionou contra a redução dos recursos orçamentários do MCTIC e a favor do movimento pela convocação imediata de eleições diretas no Brasil.

Os associados da SBPC também repudiaram a transformação da Universidade Latino-Americana (Unila) em Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOR). Outra moção aprovada foi em defesa da contabilização do tempo dedicado a pós-graduação para fins de aposentadoria.

Movimento pela ciência

Durante a assembleia, Helena Nader pediu a palavra para desmentir rumores de que pretenda se candidatar a deputada federal nas próximas eleições. Nas últimas semanas, portais de notícias publicaram que lideranças científicas estavam avaliando a possibilidade de criar um partido político dedicado exclusivamente às causas da educação, ciência, tecnologia e inovação. Segundo estes veículos, a ideia seria lançar a candidatura de Helena Nader e a legenda atuaria, exclusivamente, no âmbito legislativo, sem concorrer a cargos no executivo.

A ex-presidenta da SBPC, porém, rechaçou veementemente essa possibilidade. "Primeiro, é bom esclarecer que o estatuto da entidade define que ela é uma associação civil sem fins lucrativos, laica e sem caráter político-partidário. A SBPC não é um partido e nem criará nenhum partido. Quem diz que precisamos de um partido da ciência, na minha visão, está fazendo uma ruptura com a ciência. O que nós precisamos é ter um movimento amplo pela ciência", disse.

Ela lamentou que a notícia tenha virado manchete nacional e ganhado repercussão nas mídias sociais, o que em sua opinião fragiliza o trabalho da SBPC de construção do diálogo com o parlamento. "A Helena não é candidata a nada. Não quero. Se quisesse, já teria feito. Ao longo desse anos, eu fui chamada por vários governos para assumir cargos em Brasília. Eu recusei todos os cargos. Não porque eles não eram nobres. Mas porque eu avaliei que isso desvirtuaria o que era a minha missão", concluiu.

(Com a ABr)

Votação histórica na ONU pela proibição das armas nucleares

                                                                        

 Direcção Nacional do CPPC    

A conferência da Organização das Nações Unidas para a negociação de um tratado de proibição das armas nucleares aprovou o respectivo tratado com um único voto contra. Os países membros da NATO estiveram quase na totalidade ausentes incluindo o governo português, que prefere alinhar com essa aliança agressiva em vez de dar cumprimento à Constituição da República.

A conferência da Organização das Nações Unidas para a negociação de um tratado de proibição das armas nucleares terminou no passado dia 7 de Julho, em Nova Iorque, com a votação final do respectivo tratado por cerca de dois terços dos membros da Organização, e aprovação do mesmo com 122 votos a favor, o voto contra da Holanda (único membro da NATO presente) e a abstenção de Singapura.

A partir de agora e até à realização da Assembleia Geral da ONU, em finais de Setembro próximo, o Tratado de Proibição das Armas Nucleares ficará disponível para subscrição pelos Estados-membros das Nações Unidas.

Nos termos do Tratado os estados signatários acordam em não desenvolver, testar, produzir ou possuir armas nucleares, ameaçar utilizá-las ou permitir o seu estacionamento nos respectivos territórios.

Não participaram neste processo Estados detentores de armas nucleares – Estados Unidos da América, China, França, Reino Unido e Federação Russa, assim como Israel, a Índia e o Paquistão ou ainda a RPD da Coreia –, bem como Estados que se assumem aliados de alguns dos Estados detentores de armas nucleares e que aceitam o estacionamento das armas nucleares destes no seu território.

Paradoxalmente, entre os países que se excluíram desta iniciativa encontra-se o Japão, vítima de ataque atómico dos EUA em 1945, e Portugal, cuja Constituição da República preconiza, entre outros importantes princípios que devem reger as suas relações externas, o desarmamento geral, simultâneo e controlado e um sistema de segurança colectiva que assegure a paz e a justiça nas relações entre os povos.

A oposição de vários países e os previsíveis obstáculos na implementação deste tratado não diminuem a sua importância, na medida em que este introduz e formaliza o conceito de “mundo livre de armas nucleares” no âmbito da posição oficial das Nações Unidas e ilegaliza o uso dessas armas em conflitos entre os Estados signatários, tornando ainda mais indefensável e ilegítima a doutrina de “ataque nuclear preventivo” dos EUA, que desenvolve uma monumental corrida aos armamentos, incluindo a instalação do sistema antimíssil em torno da Rússia e da China, no quadro desta doutrina ofensiva – ou seja, admitir realizar um ataque nuclear, pensando conseguir evitar a retaliação por parte do país visado.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação considera o Tratado de Proibição das Armas Nucleares um instrumento importante na luta pela paz e congratula-se com a sua aprovação.

(Com odiario.info)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ABL comemora 120 anos e entrega Prêmio Machado de Assis

                                                                           
Fundada em 20 de julho de 1897 por um grupo de escritores, tendo à frente o mais importante deles na época, Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras (ABL) comemorou hoje (20) 120 anos, com uma solenidade no salão nobre do Petit Trianon, sede histórica da instituição, no centro do Rio. A secretária-geral da ABL, Nélida Piñon, oradora oficial do evento, destacou a história da Casa, fazendo referência aos objetos que contam sua trajetória desde 1897.

“Os objetos espalham-se pelas bibliotecas e pelas salas. Ao vê-los, inertes na aparência, compunjo-me, procuro saber que arrebato se escondeu em cada um deles. Entre eles, observo o pince-nez com o qual Machado escrevia. Este pince-nez arfa na Academia Brasileira de Letras. Felizmente, alguém o retirou do seu rosto salvando-o de seguir com Machado de Assis para a eternidade”, disse a escritora.

Cumprindo a tradição, o presidente da ABL, Domício Proença Filho, leu o discurso com que Machado de Assis inaugurou a Academia Arquivo/Agência Brasil

Antes de Nélida, cumprindo a tradição da ABL nas comemorações de seus aniversários, o atual presidente, Domício Proença Filho (foto), leu o discurso pronunciado por Machado de Assis na sessão inaugural da Casa.

Na mesma solenidade, a ABL fêz a entrega do Prêmio Machado de Assis 2017 ao historiador baiano João José Reis, considerado uma referência mundial para o estudo da história e da escravidão no século 19 no Brasil.

Reis, de 65 anos, tem diversos livros publicados, entre eles Liberdade por um Fio: História dos Quilombos no Brasil; Rebelião Escrava no Brasil: A História do Levante dos Malês e A Morte é uma Festa, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Literatura.

A comemoração dos 120 anos da ABL foi encerrada com uma apresentação do Quarteto de Cordas Rio de Janeiro, formado pelos músicos Ricardo Amado, violino; Andrea Moniz, violino; Dhyan Toffolo, viola; e Ricardo Santoro, violoncelo, seguida de um coquetel.

Atualmente com uma de suas 40 cadeiras vaga, a Academia já tem data marcada para a próxima eleição: 10 de agosto. O favorito para a Cadeira 27, vaga desde a morte do professor, crítico literário e ex-ministro Eduardo Portella, em 2 de maio deste ano, é o poeta Antonio Cícero. 

No dia seguinte (11) tomará posse o historiador Arno Wehling, que em março venceu Cicero por 18 votos a 15 na disputa pela Cadeira 37, vaga com o falecimento do poeta Ferreira Gullar, em dezembro do ano passado.

(Com a ABr)

O VOO EXEMPLAR DE UM AMIGO

                                                                         


Carlos Lúcio Gontijo

         Comentários baseados em enredos referentes a atitudes, gestos e comportamentos que sirvam de exemplos à sociedade brasileira tão carente de lideranças positivas deveriam ocupar mais espaços em nossos meios impressos de comunicação, mergulhados em insossos pontos de vista políticos, que nada acrescentam, pois que aprisionados a preferências partidárias e radicalismos ideológicos, através dos quais assistimos à tentativa de provar a existência de ladrão honrado e compromissado como o sonho de um Brasil socialmente justo.

          Sempre cultivei (e cultivo) o maior apreço por meus amigos e tantos leitores que me acompanham ao longo dos últimos quarenta anos. Dentro do possível, mantenho uma agenda com o endereço de vários companheiros de Redação e do inesquecível período de labuta no Departamento de Revisão dos jornais Diário da Tarde e Estado de Minas, onde durante muitos trabalhei madrugada adentro, arrebanhando grandes amizades, que resistiram ao tempo.

          Semana passada, liguei para o jornalista Magnus Martins Pinheiro, ao qual tive a alegria de comandar quando fui supervisor de Revisão. Magnus é hoje professor, prestes a se aposentar, do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Estado do Piauí, com sede em Teresina. Por duas vezes estive por lá a fim de visitá-lo, fazendo questão de jamais perder contato. Enquanto ele, por outro lado, veio a Santo Antônio do Monte, assim que para cá eu me mudei.

          Magnus não faz segredo da luta que trava com um câncer resistente há uns três anos e, mesmo sob o peso de diagnóstico cruel determinando a impossibilidade de cura, ele não fechou as portas para a vida. Há muita gente que, mesmo diante do sol, desacredita na luz, ao passo que meu amigo Magnus vislumbra galáxia inteira em qualquer ponto de claridade.

          Surpreendentemente, ele ainda se atém ao trabalho de preparar e dar aulas, escrever artigos para jornais e peça para teatro. Num gesto de amizade, consideração e afeto, Magnus leva textos de minha autoria aos seus alunos e, ainda recentemente, fez questão de elogiar o livro infantil “Beijoaria” e o romance “Desmemória de horizonte”, no qual se deteve emocionado na página em que lembro o saudoso amigo Elias Maboub.

          Magnus luta há tanto tempo contra a sentença médica que já se tornou especialista e estudioso do mal de que padece, cuidando de buscar auxílio em todas as formas e experimentos naturais capazes de lhe ampliar a resistência orgânica à doença. Dessa maneira, em vez de marcado para morrer, ele se fez marcado para viver.

          Todavia, o que mais tem contribuído para que o professor universitário se mantenha ativo é o apoio advindo da família, principalmente da esposa Leda, que lhe tecem uma malha de proteção que se junta à sua capacidade de compreensão plena perante as vicissitudes da vida terrena, que é tão breve e não pode ser abreviada ainda mais pela depressiva entrega às lamentações.

          Sabedor de seus limites e limitações, Magnus não se deixa desanimar, construindo dias que, magicamente, têm mais de 24 horas, de tal exuberância que vão ao encontro de frase que grafei no romance “Lógica das borboletas”: Assim como as borboletas, somos paisagem em movimento: não estamos no mundo para marcar tempo de vida, mas horas de voo...

          Carlos Lúcio Gontijo

          Poeta, escritor e jornalista

          www.carlosluciogontijo.jor.br

         20 de julho de 2017.

A Palestina é ainda a questão

                                                                     
 John Pilger    

«O que enraivece quem coloniza e ocupa, rouba e oprime, vandaliza e destrói é a recusa das vítimas em obedecer. E é este o tributo que todos devíamos pagar aos palestinianos. Recusam obedecer. Continuam. Esperam. Até lutarem de novo. E fazem isso, mesmo quando os que os governam colaboram com os opressores.»

Quando pela primeira vez fui à Palestina como jovem repórter nos anos 60, fiquei num kibutz. As pessoas que lá conheci eram bastante trabalhadoras, espirituosas e diziam-se socialistas. Gostei delas. Uma vez num jantar, perguntei pelas silhuetas de pessoas ao longe, fora do nosso perímetro.

“Árabes”, disseram-me, “nómadas”. As palavras foram quase cuspidas. Israel, disseram querendo significar Palestina, tinha sido sobretudo desértica e um dos grandes feitos do empreendimento sionista fora tornar o deserto verde.

Deram como exemplo a sua colheita de laranja Jaffa, exportada para o resto do mundo. Que triunfo contra as contingências da natureza e a negligência humana.

Era a primeira mentira. A maior parte dos pomares de laranjeiras e vinhas pertenciam a palestinianos que tinham lavrado o solo e exportado laranja e uva para a Europa desde o séc. XVIII. A antiga cidade palestiniana de Jaffa é conhecida pelos anteriores habitantes como “o lugar das laranjas tristes”.

No kibutz, nunca se usava a palavra “palestiniano”. Porquê, perguntei. A resposta era um incómodo silêncio.

Em todo o mundo colonizado, a verdadeira soberania do povo indígena é temida pelos que nunca conseguem completamente encobrir o facto, e o crime, de viverem em terra usurpada.
Negar a humanidade das pessoas é o próximo passo, conforme o povo judeu muito bem sabe. Sujar a dignidade e cultura das pessoas e o seu orgulho segue-se logicamente como violência.

Em Ramallah, a seguir à invasão da Margem Ocidental pelo falecido Ariel Sharon em 2002, andei por ruas cheias de carros esmagados e casas demolidas até ao Centro Cultural Palestiniano. Até esse dia, tinham lá acampado soldados israelitas. Encontrei-me com o director do Centro, a romancista Liana Badr, cujos manuscritos originais se encontravam pelo chão espalhados e rasgados. O disco duro com os seus textos de ficção e uma biblioteca de peças e poesia fora levado por soldados israelitas. Quase tudo estava esmagado e desfeito.

Nem um só livro se salvou incólume, nem uma só cópia original de uma das melhores colecções de cinema palestiniano.

Os soldados tinham urinado e defecado no chão, nas estantes, em bordados e em obras de arte. Espalharam fezes sobre pinturas infantis e com elas escreveram “Nascidos para matar”. Liana Badt tinha lágrimas nos olhos, mas mantinha-se insubmissa. Disse, “Poremos de novo tudo em ordem.”

O que enraivece quem coloniza e ocupa, rouba e oprime, vandaliza e destrói é a recusa das vítimas em obedecer. E é este o tributo que todos devíamos pagar aos palestinianos. Recusam obedecer. Continuam. Esperam. Até lutarem de novo. E fazem isso, mesmo quando os que os governam colaboram com os opressores.

No meio do bombardeamento israelita de Gaza em 2014, o jornalista palestiniano Mohammed Omer nunca interrompeu as suas reportagens. Ele e a família foram atingidos. Esteve nas filas de comida e água e transportou-as através da confusão. Quando lhe liguei, podia ouvir as bombas no exterior da sua casa, Recusou obedecer.

As reportagens de Mohammed, ilustradas pelas suas fotografias gráficas, eram um modelo de jornalismo profissional que envergonhava a reportagem obediente e cobarde chamada mainstream na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. A noção de objectividade da BBC, amplificar os mitos e mentiras da autoridade, prática da qual se orgulha, é todos os dias envergonhada pelos Mohamed Omer.

Durante mais de 40 anos, registei a recusa do povo da Palestina em obedecer aos seus opressores: Israel, Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Europeia.

Desde 2008, só a Grã-Bretanha assegurou por sua conta licenças de exportação para Israel de armas e mísseis, drones e espingardas para atiradores no valor de 434 milhões de libras.

Aqueles que resistiram a isto, sem armas, os que se recusaram a obedecer, estão entre os palestinianos que tive o privilégio de conhecer:

O meu amigo e falecido Mohammed Jarella, que trabalhou para a agência UNRWA das Nações Unidas (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente – N.T.), mostrou-me pela primeira vez em 1967 um campo de refugiados palestinianos. Foi num amargo dia de inverno e as crianças das escolas tremiam com frio. “Um dia…” dizia ele “Um dia…”

Mustafa Barghouti, cuja eloquência continua indómita e que descreveu a tolerância existente na Palestina entre judeus, muçulmanos e cristãos até que, conforme me disse, “os sionistas quiseram um Estado à custa dos palestinianos.”

A Dr.ª. Mona El-Farra, médica em Gaza, cuja paixão era juntar dinheiro para a cirurgia plástica de crianças desfiguradas pelas balas e metralha israelitas. O seu hospital foi arrasado pelas bombas israelitas em 2014.

O Dr. Khalid Dahlan, psiquiatra cujas clínicas em Gaza para crianças quase enlouquecidas pela violência israelita eram oásis de civilização.

Fátima e Nasser, um casal cuja casa ficava numa aldeia próximo de Jerusalém chamada “Zona A e B”, o que significa que a terra foi marcada para judeus apenas. Os seus pais tinham vivido aí e os seus avós tinham vivido aí. Hoje, os bulldozers fazem estradas apenas para judeus, protegidos por leis apenas para judeus.

Passava da meia-noite quando Fátima entrou em trabalho de parto do seu segundo filho. O bebé era prematuro e quando chegaram a um posto de controlo, com o hospital à vista, o jovem soldado israelita disse que precisavam de outro documento.

Fátima sangrava muito. O soldado ria e imitava os seus gemidos e disse-lhes “Vão para casa”. O bebé nasceu ali, num autocarro. Estava azul com o frio e em breve, sem cuidados, morreu da exposição. O nome do bebé era Sultan.

Para os palestinianos, isto serão histórias familiares. A questão é: porquê não são elas familiares em Londres e Washington, Bruxelas e Sidney?

Na Síria, uma recente causa liberal (uma das causas de George Clooney) é apoiada financeiramente e com simpatia na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, embora os beneficiários, os chamados rebeldes, sejam dominados por fanáticos jihadistas que resultaram da invasão do Afeganistão e do Iraque e da destruição da moderna Líbia.

E no entanto, a mais longa ocupação e resistência dos tempos modernos não é reconhecida. Quando as Nações Unidas de repente se agitam e definem Israel como um estado de apartheid, como este ano fizeram, há indignação não contra um estado cuja “finalidade central” é o racismo, mas contra uma comissão das Nações Unidas que se atreveu a quebrar o silêncio.

“A Palestina”, disse Nelson Mandela, “é a maior questão moral do nosso tempo.”

Porquê é esta verdade suprimida, dia após dia, mês após mês, ano após ano?

Em Israel, estado de apartheid culpado de um crime contra a humanidade e o maior de todos os violadores da lei internacional, o silêncio persiste entre os que sabem e aqueles cujo trabalho é manter o registo limpo.

Em Israel, muito jornalismo encontra-se intimidado e controlado por um pensamento único que exige silêncio sobre a Palestina, enquanto jornalistas sérios se tornaram dissidentes numa clandestinidade metafórica.

Uma simples palavra permite este silêncio: “conflito”. “Conflito israelo-árabe”, entoam os robots nos seus telepontos. Quando um repórter veterano da BBC, um homem que conhece a verdade, fala em “duas narrativas”, o contorcionismo moral está perfeito.

Não há conflito, não há duas narrativas com o seu fulcro moral. O que há é uma ocupação militar imposta por uma potência com armas nucleares apoiada pela maior potência militar do planeta. O que há é uma injustiça épica.

A palavra “ocupação” pode ser banida, apagada do dicionário. Mas a memória da verdade histórica não pode ser banida: a da expulsão sistemática de palestinianos da sua terra natal. “Plano D”, chamaram-lhe os israelitas em 1948.

O historiador israelita Benny Morris conta como David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel; foi inquirido por um dos seus generais. “O que fazemos com os árabes?” O primeiro-ministro, escreveu Morris, “fez um gesto evasivo com a mão”. “Expulsá-los” disse.

Setenta anos mais tarde, este crime foi suprimido na cultura politica e intelectual do Ocidente. Ou é discutível, ou então meramente controverso. Jornalistas muito bem pagos aceitam avidamente os passeios, a hospitalidade e as lisonjas do governo de Israel e depois protestam truculentamente pela sua independência. A expressão “idiotas úteis” foi cunhada para eles.

Em 2011, fiquei espantado pela facilidade com que um dos romancistas mais aclamados da Grã-Bretanha, Ian McEwan, um homem banhado pelo brilho do iluminismo burguês, aceitou o Prémio Jerusalém de literatura no Estado apartheid.

Teria McEwan ido a Sun City na África do Sul do apartheid? Também lá deram prémios, com todas as despesas pagas. McEwan justificou a sua acção com palavras rasteiras sobre a independência da “sociedade civil”.

Propaganda do tipo da que McEwan ofereceu, com a simbólica palmada na mão aos deliciados hóspedes, é uma arma para os opressores da Palestina. Tal como o açúcar, está hoje em dia em quase tudo.

A nossa principal tarefa é compreender e desconstruir a propaganda de estado cultural. Estamos a ser arrastados para uma segunda guerra fria cuja principal finalidade é submeter e balcanizar a Rússia e intimidar a China.

Quando Donald Trump e Vladimir Putin falaram em privado durante mais de duas horas no encontro dos G20 em Hamburgo aparentemente sobre a necessidade de não avançarem para a guerra com o outro, os mais vociferantes objectores foram os que tinham exigido liberalismo, como o editor politico sionista do Guardian.

“Não é de admirar que Putin estivesse sorrindo em Hamburgo,” escreveu Jonathan Freedland. “Ele sabe que conseguiu o seu objectivo principal: tornar a América fraca de novo.” Boa insinuação para um sibilante demónio Vlad.

Estes propagandistas jamais conheceram a guerra, mas adoram o jogo imperial da guerra. Aquilo a que Ian McEwan chama “sociedade civil” tornou-se uma abundante fonte de propaganda do mesmo género. Veja-se uma expressão frequentemente usada pelos guardiões da sociedade civil: “direitos humanos”. Do mesmo modo que o outro conceito nobre “democracia”, “direitos humanos” foi totalmente esvaziado de significado e finalidade.

Tal como “roteiro” e “processo de paz”, os direitos humanos na Palestina foram tomados de assalto pelos governos ocidentais e as ONG’s empresariais por eles financiadas e que se reclamam de uma quixotesca autoridade moral.

Por isso, quando Israel é instado pelos governos e ONG’s a “respeitar os direitos humanos” na Palestina não acontece nada, porque todos eles sabem que não há nada a recear e nada vai mudar.

De notar o silêncio da União Europeia, que acomoda Israel ao mesmo tempo que recusa respeitar os seus compromissos com o povo de Gaza, como manter aberta a passagem pela fronteira vital de Rafah, medida que aceitou como parte do cessar-fogo de 2014. O porto marítimo para Gaza, acordado em Bruxelas em 2014, foi posto de lado.

A comissão da ONU que antes referi (o nome completo é Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental) descreveu Israel como, cito, “projectado para o objectivo central” da discriminação racial.

Milhões de pessoas percebem isso. O que os governos em Londres, Washington, Bruxelas e Telavive não conseguem controlar é que a humanidade ao nível da rua está a mudar talvez como nunca.

Por todo o lado, as pessoas agitam-se e estão mais atentas do que nunca, do meu ponto de vista. Algumas encontram-se já em revolta aberta. A atrocidade da Torre Grenfell em Londres aproximou as comunidades numa vibrante resistência quase nacional.

Graças à campanha popular, a judiciária examina hoje as provas para a possível acusação de Tony Blair por crimes de guerra. Mesmo que falhe, é uma evolução crucial, derrubando mais uma barreira entre o público e o reconhecimento da natureza voraz dos crimes do poder de estado, o sistemático desprezo pela humanidade perpetrado no Iraque, na Torre Grenfell, na Palestina. Esses são os pontos que esperam ser ligados entre si.

Para a maior parte do séc. XX, a fraude do poder das grandes empresas se fazer passar por democracia dependeu da propaganda de distracção e largamente de um culto do “mim-ismo” concebido para desorientar o nosso sentido de procura dos outros, da acção em conjunto, da justiça social e do internacionalismo.

Classe, sexo e raça foram postos de lado. O que é pessoal tornou-se politico e os media a mensagem. A promoção do privilégio burguês foi apresentada como política “progressista”. Não era. Nunca é. É a promoção do privilégio e do poder.

Entre os jovens, o internacionalismo encontrou uma vasta audiência nova. Veja-se o apoio a Jeremy Corbyn e a recepção que o circo G20 recebeu em Hamburgo. Ao perceber a verdade e os imperativos do internacionalismo e rejeitando o colonialismo, percebemos a luta da Palestina.

Mandela pôs da seguinte forma: “Sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinianos.”

No coração do Médio Oriente, está a histórica injustiça da Palestina. Até que seja resolvida e os palestinianos tenham a sua liberdade e a sua pátria e os israelitas e palestinianos sejam iguais perante a lei, não haverá paz na região, ou talvez em nenhum lugar.

O que Mandela dizia é que a própria liberdade é precária enquanto os governos poderosos puderem negar a justiça aos outros, aterrorizá-los, prendê-los e matá-los em nosso nome. Certamente que Israel compreende a ameaça de que um dia terá que ser normal.

É por isso que o seu embaixador na Grã-Bretanha é Mark Regev, bem conhecido dos jornalistas como propagandista profissional, e é por isso que o “grande bluff” de acusações de anti-semitismo, como Ilan Pappe lhe chamou, permitiu contorcer o Partido Trabalhista e minar Jeremy Corbyn como líder. A questão é que não resultou.

Os acontecimentos sucedem-se agora depressa. A notável campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) triunfa dia após dia e cidades, sindicatos e organizações estudantis estão a apoiá-la. A tentativa do governo britânico limitar o apoio dos concelhos locais à BDS perdeu nos tribunais.

Não se trata de palha ao vento. Quando os palestinianos se reerguerem, como há-de acontecer, podem não conseguir à primeira, mas sim mais tarde, se percebermos que eles são nós e nós somos eles.

10 Julho 2017

Versão abreviada da comunicação de John Pilger à Palestinian Expo 2017 em Londres. O filme de John Pilger, ‘Palestine Is Still the Issue’ (“A Palestina é ainda a questão”), pode ser visto neste website.

Tradução: Jorge Vasconcelos

(Com odiario;info)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pútin condecora Xi Jinping com maior ordem da Rússia

                                                                                                            Kremlin.ru

O presidente russo Vladímir Pútin condecorou seu homólogo chinês, Xi Jinping, com a primeira e maior ordem do país, a Ordem do Apóstolo Santo André. A cerimônia ocorreu no Grande Palácio do Kremlin, onde estão acontecendo reuniões bilaterais.

Xi Jinping é merecedor da ordem “por sua contribuição excepcional para o fortalecimento da amizade e cooperação entre os povos da Rússia e da China”, segundo decreto assinado pelo presidente russo.

A Ordem do Apóstolo Santo André, a mais antiga da Rússia, foi criada pelo tsar Pedro, o Grande em 1698. Depois de abolido em 1918, durante o regime soviético, o título foi restaurado em 1998, conforme um decreto presidencial.

Essa ordem é também a condecoração estatal mais alta da Rússia dada a estadistas e figuras públicas proeminentes, bem como a outros cidadãos do país, que contribuam significativamente para prosperidade e glória da Rússia.

Presidentes e primeiros-ministros de outros Estados também podem ser condecorados com a Ordem de Santo André por seus “ilustres serviços” à Rússia.

O presidente chinês Xi Jinping é o terceiro estrangeiro a receber o título; os outros dois foram o ex-presidente azerbaijano Heydar Aliyev (já falecido), e o chefe de Estado do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

(Com a Gazeta Russa)

Camponeses de 70 países se reúnem para debater soberania alimentar

                                                     

O país Basco é seda da 7ª Conferência Internacional da Via Campesina, o maior movimento camponês do mundo

Cerca de 450 movimentos camponeses de diversas partes do mundo estão reunidos em Derio, no País Basco, Província Autônoma no norte da Espanha, para participar da 7ª Conferência Internacional da Via Campesina. O evento, organizado pelo maior movimento camponês do mundo, começou nesta quarta-feira (19) e vai até o dia 24 de julho. 

O objetivo da atividade é continuar a luta contra o capitalismo e formular medidas concretas para edificar uma realidade alternativa pautada na soberania alimentar. A conferência ocorre a cada quatro anos e é o espaço mais importante na tomada nas deliberações da Via Campesina.

A Via Campesina é um movimento popular que tem crescido nos últimos anos. "Atualmente temos aproximadamente 200 organizações. Somos um modelo político internacional", afirma Unai Aranguren, membro europeu do Comitê de Coordenação Internacional da Via Campesina.

Elizabeth Mpofu, camponesa do Zimbábue e Coordenadora Geral da Via Campesina afirma que o movimento é diverso, mas consolida uma unidade nas lutas. A Coordenadora afirma ainda que a Conferência representa um passo em direção à internacionalização da lutas do movimento e é uma forma de resistência. 

"Somos aqueles que trabalham na terra e que alimentam o mundo, mas nossos territórios estão sob ataques constantemente. Enfrentamos uma criminalização crescente", completou.

Programação

A intensa programação de quatro dias, conta com debates sobre diversos temas, entre eles, soberania alimentar, agroecologia camponesa, redes de formação independentes, direitos dos imigrantes, comércio, justiça climática, criminalização dos movimentos sociais e criação de alianças. 

Um outro assunto a ser abordado será o esboço da Declaração da ONU sobre o direito dos camponeses e outros trabalhadores rurais, idealizada pela Via Campesina. O documento garantiu que a negociação avançasse no Conselho de Direitos Humanos da ONU. 

O evento tem como objetivo definir as novas estratégias de ação, as pautas da luta nos próximos quatro anos e as novas lideranças.

No domingo, dia 23, será realizada uma marcha com os camponeses locais em Bilbao em solidariedade às lutas em defesa das suas terras e de seus territórios e contra os megaprojetos. A marcha foi uma organização da Via Campesina, em conjunto com a EHNE BIskaia (a organização anfitriã do evento e membro do movimento global no País Basco) e as organizações aliadas.

Na segunda (24), serão organizadas visitas aos campos de plantação, em que estarão presentes todos os participantes da conferência. Mais visitas aos campos do país acontecerão entre os dias 26 e 28 de julho, desta vez com alguns representantes das nove regiões da Via Campesina.

Eventos preparatórios

A 7ª Conferência Internacional foi antecedida pela 4ª Assembleia Internacional de Jovens, que aconteceu entre os dias 16 e 17 de julho, e pela 5ª Assembleia Internacional de Mulheres, nos dias 17 e 18 de julho, espaços em que os jovens e as mulheres camponesas do movimento socializaram seus desafios e suas propostas nesta luta.

A assembleia de jovens trouxe para o debate uma reflexão sobre como eles são os mais afetados pela migração. No espaço, também foi discutida a necessidade de os movimentos sociais dialogarem com os jovens camponeses na promoção da reforma agrária, que garantirá o acesso e o controle sobre a terra e o território, além da ampliação da formação sobre as práticas agroecológicas camponesas, que atualmente são urgentes. 

Além disso, o coletivo de jovens também declarou solidariedade à "Marcha em defesa da soberania alimentar e da Mãe Terra", organizada pelo Movimento para a Terra do País Basco.

A Assembleia de Mulheres teve como debate central os crescentes casos de violência que as mulheres têm sofrido em suas casas, nos territórios e de modo geral na sociedade patriarcal.

Reunidas, as mulheres se comprometeram a continuar a luta para criar um movimento que alie o feminismo e a soberania alimentar.

(Com o Brasil de Fato)

Uruguai começa a vender maconha em farmácias

                                   

O Uruguai começou a vender, nesta quarta-feira (19), maconha para uso recreativo nas farmácias como resultado de uma lei pioneira de 2013. A iniciativa inédita no mundo faz do país o primeiro a aplicar um controle estatal sobre a produção, a compra e a venda da substância. As informações são da Agência EFE.

A venda começou em 16 farmácias de 11 dos 19 departamentos do país, que tem menos de 3,5 milhões de habitantes e mais de mil farmácias em todo o território.

As 4.959 pessoas registradas como consumidoras vão poder comprar o produto em vasilhas de 5 gramas por 187 pesos uruguaios (cerca de R$ 20).

Cada pessoa poderá comprar no máximo 10 gramas por semana e até 40 gramas por mês.

Serão distribuídas duas variedades de maconha, que foram denominadas Alfa I e Beta I, ambas com média de 2% de tetrahidrocanabinol (THC), o componente psicoativo da planta.

A Alfa I é um híbrido de predominância índica e 7% de cannabidiol (CBD) e tem efeitos psicoativos que se manifestam em nível físico.

Já a Beta I é um híbrido de predominância sativa com 6% de CBD e efeitos psicoativos em nível cerebral.

No momento da compra, os consumidores não precisam revelar nenhum tipo de dado pessoal, já que terão acesso à erva por um sistema que reconhece sua impressão digital.

A venda da maconha em farmácias completa as três etapas previstas na Lei de Regulamentação da Maconha, aprovada em 2013, durante o governo do então presidente José Mujica (2010-2015), para o acesso ao uso recreativo da droga, e que também estabeleceu as regras para cultivo doméstico e os clubes cannábicos, habilitados desde 2014.

Suave

A produção que circula a partir de hoje nas farmácias foi cultivada com sementes que chegaram do exterior por meio de duas empresas adjudicatárias do Estado, Symbiosis e International Cannabis Corp.

"Foi um esforço sumamente importante", declarou à Agência EFE o engenheiro agrônomo Eduardo Blasina, sócio da Symbiosis, que acrescentou que, durante os três anos e meio que se passaram desde a aprovação da lei até a distribuição da substância, a empresa trabalhou sem receber "nem um peso".

As plantas, que foram cultivadas em um prédio contíguo ao Presídio de Libertad, uma prisão situada no departamento de San José, ao sudeste do Uruguai, são "suaves em sua composição", segundo detalhou o engenheiro agrônomo.

"Não vão dar uma experiência transformacional de percepção, simplesmente vão permitir desfrutar do sabor e de uma sensação muito leve", comentou Blasina sobre a substância que o Estado oferece nas farmácias.

Blasina disse que as pessoas que querem experimentar sensações "mais sofisticadas" podem ter acesso à substância através das outras duas vias: o cultivo doméstico ou os clubes cannábicos.

As três vias de acesso à substância são excludentes entre sim e requerem o registro perante o Instituto de Regulamento e Controle do Cannabis (Ircca), encarregado de fiscalizar e controlar a regulamentação e implementação da lei.

(Com a ABr)

Museu do Erotismo, em São Petersburgo

(Com o Pravda Ru)

BBC e DW lançam site para burlar censura na internet

                                                                  
As redes BBC e DW lançaram em parceria o site Bypass Censorship, criado para que cidadãos de países onde há censura consigam acessar conteúdos bloqueados. O portal oferece notícias em 30 idiomas e ferramentas para burlar os entraves tecnológicos criados por regimes autoritários.
Crédito:Reprodução

Além da BBC e da DW (Deutsche Welle),  Broadcasting Board of Governors (BBG), France Médias Monde e Open Technology Fund também financiam o projeto, que dará a oportunidade para cidadãos de países como China, Irã e Síria, considerados os campeões da censura online pelo relatório de 2016 da Freedom on de Net. 

Diretor de Distribuição da DW, Guido Baumhauer explicou como o site vai funcionar. “Nós pesquisamos quais ferramentas possibilitam contornar a censura sem vasculhar metade da vida digital dos usuários e encontramos três: TOR, um software clássico para acessar e navegar em sites bloqueados; Psiphon, que utilizamos para nossa oferta em persa (Irã) e amárico (Etiópia), ambos mercados em que a cibercensura é cotidiana; e Orbot, que libera o acesso para outros apps”, afirmou.

(Com o Portal Imprensa)