quarta-feira, 27 de julho de 2016

Partido Comunista da China discutirá Plano Quinquenal em outubro


                                                              

A VI sessão plenária do XVIII Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) será realizado em outubro próximo, informou hoje a direção desse órgão político.

Em uma reunião o Buro Político do Comitê Central do PCCh acordou-se que entre os temas chave do encontro estão a discussão de assuntos relativos à direção integral e estrita do Partido, a elaboração das regulações sobre a vida política e a revisão de uma regulação de supervisão dentro do Partido.

A plenária será realizada em Beijing e contará também com um relatório de trabalho do buro político do Comitê Central do PCCh.

Com mais de 88 milhões de membros, o PCCh é a principal força política no gigante asiático.

De acordo com dados oficiais, quase 91 por cento das empresas públicas contam com organizações partidárias internas, que supervisionam o funcionamento e participam na tomada de decisões.

Também existem órgãos do PCCh na metade das empresas privadas e 41 por cento das organizações sociais.

Durante a V sessão plenária em 2015 perfilaram-se os objetivos do XIII Plano Quinquenal e enfatizou-se na posição núcleo da inovação no desenvolvimento da China.

(Com Prensa Latina)

Hillary Clinton é oficialmente candidata presidencial do partido democrático dos EUA

                                                                       
Na Convenção Nacional Democrata realizada ontem (26), Hillary Diane Rodham Clinton foi nomeada oficialmente como candidata presidencial do partido democrático, tornando-se a primeira mulher na história do país a concorrer à presidência.

Hillary Clinton obteve 2383 votos a mais do que precisava para ser indicada à candidatura, e foi oficialmente nomeada como a candidata do partido democrata.

A candidatura coincidiu com o período de protestos provocados pelo fim da campanha de seu concorrente, Bernie Sanders. A nova candidata democrata terá que conquistar seu espaço dentro do partido.

(Com a Rádio Internacional da China)

Em 1975 o comandante Fidel Castro Ruz mostrou em discurso as razões do Internacionalismo Cubano

Jornalista goiana à frente da Fenaj

                                                                               
A nova gestão da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) será liderada pela jornalista goiana Maria José Braga, a Zequinha, atual vice-presidente da entidade. Ela está à frente da "Chapa 1 - Sou Fenaj", que venceu as eleições para o triênio 2016-2019.

De acordo com a entidade, foram coletados 3.997 votos em todo o país. A Chapa 1 obteve 2.300 votos, enquanto a Chapa 2, 1.544. Além da gestão, nomes como Audálio Dantas, Aloísio Morais, Vera Daisy Barcellos, Carmen Pereira e Antônio Pinheiro Sales foram eleitos para integrar a Comissão Nacional de Ética.

Em nota, a Fenaj celebrou a eleição e convidou os jornalistas a comemorarem unidos "o momento democrático de definição política e fortalecimento da sua entidade". A entidade também agradeceu a Comissão Eleitoral Nacional e aos Sindicatos filiados.

"Neste 2016, quando a nossa Federação completa 70 anos em defesa do Jornalismo e dos jornalistas, também ressalta a importância de eleger, pela segunda vez em sua história, uma mulher para a presidência da entidade", destacou.

Maria José Braga já atuou como repórter no jornal O Popular e, atualmente, integra os quadros de comunicação do Instituto Federal de Goias (IFG).

(Com o Portal Imprensa)

Jornalista é morto na cidade goiana de Santo Antônio

                                                                              
Um jornalista foi morto neste domingo na cidade de Santo António do Descoberto, cidade goiana, localizada no entorno do Distrito Federal. Segundo a polícia local, João Miranda do Carmo (foto), de 54 anos, foi baleado pelo menos sete vezes na porta de casa na noite de domingo (24) depois que um carro parou na porta da residência.

De acordo com o soldado da PM Alisson Assis de Moraes, o Boletim de Ocorrência relata que João tinha ao menos sete perfurações na região do peito. Testemunhas contaram que dois ocupantes desceram, chamaram a vítima pelo nome, efetuaram os disparos ainda dentro da residência e fugiram logo em seguida.

O jornalista era dono de um site de notícias locais chamado “SAD Sem Censura”. No portal, há várias notícias policiais e outras relacionadas a serviços públicos da cidade, como, por exemplo, falta de asfalto e coleta de lixo.

Ainda conforme a PM, o enteado do jornalista disse na ocorrência que o pai já havia sido ameaçado. “Ele relatou que a vítima era conhecida na cidade pelo trabalho de jornalista e que esse pode ser o motivo de sua morte. Contou ainda que o padrasto já registrou ocorrência por ter sido vítima de ameaças de morte”, disse o soldado Alisson Assis de Moraes.

Investigação

Segundo o portal G1, o delegado Pablo Santos Batista, responsável pelo caso, informou que ainda não há nenhuma linha de investigação com maior força. As autoridades vão colher depoimentos para dar andamento nas investigações e não descarta que o crime tenha relação com o trabalho de João.

“As informações preliminares é que foram a casa dele e o executaram. Vamos ouvir testemunhas para saber se ele estava sendo ameaçado ou se teve alguma desavença com alguém por causa da profissão que possa ter motivado o crime”, disse.

Profissão de risco

Esse foi o terceiro assassinato de jornalistas este ano no Brasil. Em março, o radialista João Valdecir Barbosa foi morto a tiros enquanto trabalhava nos estúdios da Rádio Difusora AM, em São Jorge do Oeste, no Paraná. Em abril, o blogueiro Manoel Messias Pereira, foi morto também a tiros em Grajaú, no Maranhão.

Em 2015, o Brasil ficou em quinto lugar como o país mais perigoso para o exercício da atividade jornalística, com oito assassinatos, de acordo com a organização internacional Comitê para a Proteção dos Jornalistas, (CJP, na sigla em inglês). O país ficou à frente de países em guerra como Iraque e Sudão do Sul. A maior parte das pessoas assassinadas apurava casos de corrupção envolvendo políticos.

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Mexer no SUS só se for para melhorar...

                                                                           
Com “A saúde na UTI”, OAB busca discutir 
e promover o financiamento do SUS
    
Brasília – A 20 dias da realização do ato promovido pelo Conselho Federal da OAB em defesa do financiamento para o Sistema Único de Saúde, foi definido o slogan do evento: “a saúde na UTI”. O ato está agendado para o dia 9 de agosto, na sede do CFOAB, em Brasília, e o objetivo é promover a discussão da realidade atual de funcionamento do Sistema Único de Saúde, acesso e financiamento, tendo como premissa a defesa da cidadania, propostas e encaminhamentos.

“Creio que o slogan resume bem a lamentável situação da saúde no Brasil atualmente. O quadro é assustador e os dados trazidos por diferentes segmentos responsáveis pelo atendimento no Sistema Único de Saúde mostram que as circunstâncias estão longe de melhorar. Ao contrário, a persistir nesses termos, a tendência é que em breve tenhamos o colapso do atendimento de um sistema que responde pelo atendimento de mais da metade da população brasileira. A saúde está na UTI e precisamos achar formas de tirá-la de lá. A OAB não se furtará em atuar nessa direção”, disse o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia.

No último dia 14 de julho, representantes do Conselho Federal da OAB e da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) estiveram reunidos para definir as diretrizes do ato que pedirá mais verbas para a área da saúde, em especial para o Sistema Único de Saúde. Serão convidados gestores, prestadores, profissionais, fornecedores, parlamentares, membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, usuários do SUS e representantes da imprensa e da sociedade em Geral.

Lamachia tem demonstrado especial preocupação com a área da saúde sobretudo a partir das desvinculações orçamentárias que atingem o financiamento da saúde previstos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241. Editada pelo Planalto, a PEC 241 prevê teto de gastos do governo federal pelos próximos 20 anos e acaba com a vinculação de verbas do Orçamento para as áreas da Saúde e Educação, o que representará diminuição dos gastos da União nessas áreas.

“A  medida afeta em cheio a saúde. Não apenas diretamente, ao limitar o custeio dessa área pelos próximos 20 anos, mas também ao limitar o investimento em educação. Se falamos numa política com prazo de 20 anos, temos de entender o quanto a limitação de gastos nessa área terá efeito a médio prazo na saúde. Afinal, de onde virão os profissionais que atuarão no futuro senão das escolas que terão seu orçamento seriamente comprometido com essa PEC. Parafraseando o dito popular, é matar duas áreas com uma PEC só. E áreas fundamentais para a melhora da qualidade de vida da população”, afirmou Lamachia.

(Com a OAB)

terça-feira, 26 de julho de 2016

PRESO E TORTURADO

                                            

                 
                Violação de direitos humanos 
                durante a ditadura é imprescritível

A União terá que pagar R$ 60 mil de indenização à família de um militante político preso e torturado durante a ditadura militar no Brasil (1964 - 1985). O Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou sentença de primeira instância por entender que os crimes de violação de direitos humanos cometidos durante o período são imprescritíveis.

O antigo militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), hoje já morto, foi preso em setembro de 1975, durante a operação marumbi, planejada e executada pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e pelo Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Paraná.

Na ocasião, ele foi detido junto com o seu filho de 17 anos enquanto se dirigia à estação ferroviária de Curitiba para fazer uma ligação interurbana. Após a captura, o autor da ação permaneceu incomunicável por 38 dias e, durante este tempo, foi torturado com choques elétricos e afogamentos, além de outras humilhações.

Após mais de uma década do fim do regime, o ex-preso político ajuizou ação solicitando reparação por danos morais. A 2ª Vara Federal de Maringá julgou a ação procedente e condenou a União a indenizar o autor em R$ 60 mil. A Advocacia-Geral da União recorreu solicitando a prescrição do processo, uma vez que os fatos narrados ocorreram mais de cinco anos antes da data do ajuizamento da ação.

Por unanimidade, o TRF-4 decidiu negar o recurso da União. De acordo com o relator do processo, juiz federal Eduardo Gomes Philippsen, convocado para atuar na 4ª Turma, “a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme ao estabelecer que a prescrição quinquenal prevista na legislação não se aplica aos danos decorrentes de violação de direitos da personalidade”.

O juiz acrescentou que “a tortura durante o regime militar é fato notório e dispensa provas. Mesmo que não houvesse o depoimento do autor, o simples fato de ter sido preso político da ditadura, acusado de subversão, e de ter sido submetido a interrogatório, pressupõe tal prática”. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-4.

(Com a Conjur)

Galícia com Cuba e a Revolução


Argentina depois de Macri: a marcha apressada do capitalismo mafioso

                                                                 

 Jorge Benstein (*)

Na Argentina, começou a conformar-se um regime autoritário com aparência constitucional. Uma convergência mafiosa de setores empresariais, judiciais e midiáticos monitorados pelo aparato de inteligência dos Estados Unidos. Mas o que demonstram os primeiros meses do processo é que a grande tentativa tropeça em numerosas dificuldades, que ameaçam transformá-la em uma gigantesca crise de governabilidade. O contexto de seu desenvolvimento é uma recessão econômica que vai se aprofundando na direção da depressão, de um funcionamento econômico de baixa intensidade, com altas taxas de desemprego, salários reais muito reduzidos e baratos em dólares.

Não se trata do retorno do velho neoliberalismo dos anos 90, muito menos de uma imitação do regime oligárquico dos finais do século 19, mas a tentativa de instauração de um sistema mafioso, que parasita sobre uma população desarticulada, alberga grandes espaços de marginalidade e superexploração laboral, realizando um saque sem precedentes de recursos naturais.

Nessa direção, vão sendo impostos os instrumentos essenciais do regime ditatorial: controle completo dos meios de comunicação, reconversão integral do sistema de segurança como apêndice dos Estados Unidos (1), implantação de mecanismos de destruição econômica e social de grande escala e desdobramentos midiático-judiciais que tendem a extirpar as oposições que não se subordinem ao novo regime.

Submissão colonial e decadência periférica

O tempos mudaram, a “doutrina da segurança nacional” vigente na época de Videla e Pinochet coincidia com a visão militar-profissional do Império, se tratava do controle milimétrico da sociedade colonizada, administrada como um quartel, que coincidiu historicamente com a última etapa do predomínio dos Estados Unidos do “complexo militar-industrial” tradicional – a aliança entre a grande indústria armamentista e os altos comandos militares, subordinados às elites políticas. Resultado do keynesianismo militar que marcou a superpotência desde a Segunda Guerra Mundial e entrou em declínio nos anos 80 (2).

Mais adiante, o “Consenso de Washington” reinou durante a era de Carlos Menem na Argentina e de Collor e FHC no Brasil, sinalizando o auge da financeirização da economia e da política dos Estados Unidos e do conjunto de potências dominantes, sem deixar de lado o componente militar que começou a transformar-se.

Esses dois momentos trágicos expressaram a afirmação da submissão colonial da Argentina. Primeiro com formato militar-ditatorial. Em segundo lugar, com rosto civil-constitucional, que se corresponde com diferentes configurações imperialistas: no primeiro caso com um imperialismo norte americano industrial ascendente, disputando a Guerra Fria, e em segundo lugar com a presença da única superpotência global, que vinha de ganhar essa guerra e se prestava a exercer a hegemonia planetária. 

Ainda ao mesmo tempo, financeirizavam-se as economias; o parasitismo começava a corroer o sistema e a degradar seus pilares produtivos, instalando a cultura do consumismo desenfreado. Tal prosperidade insana contagiou as elites periféricas e nos Estados Unidos a festa se converteu em uma onda militarista a partir de 2001. A megabolha financeira explodiu em 2008 e na Argentina o show desembocou em recessão, que por sua vez culminou com um grande desastre econômico, social e institucional ainda em 2001.

A atual submissão Argentina aos Estados Unidos não se corresponde com um tipo de auge do Império, mas com sua decadência, sua degradação econômica e social e seu retrocesso geopolítico internacional, que busca ser compensado mediante o controle total de seu quintal latino-americano, a fim de assegurar a superexploração de recursos naturais decisivos, mas também para introduzir a região como peça própria de seu jogo global. Como sinal para seus sócios europeus na OTAN ou como retaguarda segura na armação do “Acordo Transpacífico”.

É um império comandado por uma lumpenburguesia financeira, sobrevivendo com baixas taxas de crescimento produtivo, parasitando sobre o resto do mundo, que não busca instaurar uma hierarquia mundial estável reproduzindo-se em longo prazo, mas apenas  depredar recursos naturais, degradar ou eliminar Estados e destruir defesas sociais periféricas, estendendo ofensivas desestruturantes e desintegradoras de identidades nacionais e culturais. Seu instrumento de intervenção militar é agora uma constelação de organizações guiadas pela doutrina da Guerra de Quarta Geração (3): emprega de maneira intensiva mercenários, com operações clandestinas de sua estrutura profissional, redes mafiosas, manipulações midiáticas e outras atividades destinadas a trazer o caos e destruir espaços periféricos com o fim de saqueá-los.

Em correspondência ao fenômeno, as burguesias latino-americanas foram mudando até a chegarem à situação atual, onde grupos empresariais, financeiros ou do agronegócio combinam seus investimentos tradicionais com outros mais rentáveis, porém, mais voláteis: aventuras especulativas, negócios ilegais de todo tipo (desde o narcotráfico até operações imobiliárias opacas, passando por fraudes comerciais, fiscais e outros empreendimentos turvos), transnacionalizando-se e convergindo em “investimentos” saqueadores provenientes do exterior. No caso argentino, poderíamos encontrar antecedentes no reinado da “pátria financeira” durante a última ditadura militar, que por sua vez tem de ser visto como resultado do fim da era industrial.

Em síntese, a configuração lúmpen-imperialista impõe dinâmicas decadentes na periferia do mundo. Na América Latina, chegou a hora do “lumpencapitalismo”, direção para a qual as elites argentinas já vinham avançando. A chegada de Macri à presidência expressa um enorme salto qualitativo, o país em seu conjunto acaba de ingressar de maneira recarregada e brusca nesse processo.

Recessão, depressão e economia de baixa intensidade

Recentemente, o FMI prognosticou para a Argentina um crescimento econômico real negativo em 2016, da ordem de 1%. Quando observamos as quedas já produzidas em indicadores decisivos desde dezembro de 2015 é possível diminuir ainda mais essa cifra, até 3% negativos, ou ainda pior.

Foi produzida em muito pouco tempo uma forte redução dos salários reais, causada entre outros fatores pela mega-avaliação, aumentos de preços dos combustíveis e das tarifas de eletricidade, gás e transportes, eliminação ou redução de retenções e seus impactos inflacionários, ao que se agrega a subida das taxas de interesse e das demissões em massa na administração pública (que começam a ser seguidas pelo setor privado), com os quais temos um panorama recessivo provocado pelo governo, cujo objetivo principal é reduzir salários reais e seu valor em dólares.

A avalanche de mudanças desatou em alguns círculos o debate em torno do suposto “modelo de desenvolvimento” que a direita estaria tentando impor. Decretos, endividamentos, altas de preços e demissões se sucederam de maneira vertiginosa; buscar-lhe coerência estratégica a essa conjunto é uma tarefa árdua que a cada passo impõe mais contradições, que obrigam a descartar hipóteses sem que se possa chegar a uma conclusão minimamente rigorosa.

Em primeiro lugar, a contradição se encontra entre medidas que destroem o mercado interno para favorecer uma suposta onda exportadora, evidentemente inviável diante do recolhimento da economia global. Outra é o aumento das taxas de juros que comprimem o consumo e os investimentos à espera da chegada de fundos provenientes de um sistema financeiro internacional em crise, no qual quase a única coisa a brindar é a armação de manobras especulativas.

Alguns optaram por resolver o tema adotando definições abstratas tão gerais quanto pouco operativas (“modelo favorável ao grande capital”, “restauração neoliberal” etc.), outros decidiram seguir o estudo, mas cada vez que chegam a uma conclusão satisfatória aparece um novo feito que os joga da janela do edifício intelectual construído. Finalmente, uns poucos, entre os quais me encontro, temos chegado à conclusão de que buscar essa coerência estratégica constitui uma tarefa impossível.

A chegada da direita ao governo não significa a substituição do modelo anterior (desenvolvimentista, neokeynesiano ou como queira ser qualificado) por um novo modelo (oligárquico) de desenvolvimento, mas simplesmente o desenrolar de um gigantesco saque protagonizado por forças entrópicas altamente destrutivas que convertem o país burguês em uma república de bandidos.

Isto deveria nos levar a uma reflexão sobre o significado do fim da era kirchnerista, visualizado por alguns como um tropeço, resultado de uma derrota eleitoral por escassa margem e por outros como produto de uma manipulação midiática prolongada, combinada com operações da máfia judicial, de grupos econômicos concentrados e do aparato de inteligência dos Estados Unidos. Esta última avaliação está mais próxima da realidade, porém, ainda é insuficiente. O “golpe branco” existiu (o que pulveriza a presunção de legitimidade democrática do governo atual), mas ainda falta explicar porque foi exitoso.

Razões

Se nos limitarmos a certos aspectos econômicos do tema, podemos observar que o “motor externo” começou a esfriar desde 2012, depois da breve recuperação da recessão global de 2009. A situação se agravou desde a metade de 2014, quando os preços das commodities caíram e a economia passou a uma etapa de crescimentos anêmicos sustentados pelo mercado interno. Os grandes exportadores aumentaram a pressão destinada a obter, na economia nacional, benefícios que lhes permitissem compensar as menores taxas externas, convergindo com interesses financeiros e agrupando o conjunto da direita midiática, judicial e política. Tratou-se de uma corja que foi tornando-se cada vez mais válida, na medida em que seu inimigo perdia espaço econômico e se acentuava a crise global.

Os equilíbrios do governo foram cada vez mais instáveis, as comportas neokeynesianas que bloqueavam a maré começaram a sofrer fissuras para finalmente desmoronarem. A candidatura presidencial de Daniel Scioli foi uma opção defensiva e débil, que não pôde evitar a queda. Assim, foi desatada a recessão e diversos sinais nacionais e internacionais nos indicam que ela veio para ficar. Encontramo-nos diante do início de uma depressão econômica resultado da reprodução de um sistema que ingressou em uma fase de contração desordenada.

Uma referência importante é a da saída da recessão produzida desde 2003. Nesse período convergiram dois fatores principais: o aumento do preço internacional das commodities e a reanimação do mercado interno.

O “motor externo” foi impulsionado pelo auge de mercados emergentes, como os da China ou Brasil, entre outros, o que permitiu uma melhora substancial das contas externas da Argentina. Os preços das commodities experimentaram subidas notáveis nesses anos, impulsionadas não só pela expansão da demanda internacional, mas também pelo crescimento da especulação financeira. As operações globais com produtos financeiros derivados e baseados em commodities chegavam, em dezembro de 2003, a 1,4 bilhão de dólares; em dezembro de 2005 alcançavam os 5,4 bilhões e em junho de 2008 os 13,1 bilhões de dólares (4).

Por sua vez, o “motor interno” funcionou empurrado pela ascensão do pleno emprego, dos salários reais e da renda das classes médias. Como consequência, expandiram-se a demanda interna e o tecido industrial, a economia argentina se recuperou e cresceu a taxas excepcionais. Como é sabido, o salário real médio experimenta na Argentina uma tendência decrescente de longo prazo (desde meados dos anos 70), sofreu uma queda descomunal durante a crise dos anos 2001-2002, depois se recuperou par os níveis dos anos 90, mas sem alcançar nunca os dos anos 70, nem sequer os dos anos 80 (5). Poderíamos resumir o sucedido assinalando que a reanimação do mercado interno se apoiou em um forte crescimento do emprego e em uma recuperação salarial limitada.

Se o crescimento anêmico dos últimos anos do governo anterior incentivou a vontade de rapina dos grupos econômicos concentrados, é altamente provável que a recessão atual a acentue mais. Ao apequenar-se a economia, como resultado dos ajustes e transferências de investimentos, esses grupos tentaram ao menos sustentar seu volume real de lucro, apropriando-se de uma porção crescente do PIB. Ainda empurrados por sua própria dinâmica e pelo exercício da totalidade do poder, é quase certo que buscarão absorver um volume real maior.

Além disso, as medidas que buscam reequilibrar os desequilíbrios provocados pelas próprias medidas econômicas do governo causam maior instabilidade e empobrecimento do grosso da população. É o caso da tentativa de desacelerar a alta da cotação do dólar subindo as taxas de juros, com o que, às vezes, consegue-se frear, mas por pouco tempo, essa tendência – e às custas do agravamento da recessão. Ou quando se pretende apequenar o déficit fiscal reduzindo o gasto público (despedindo empregados, fechando programas, etc.), o que agrava a recessão e em consequência reduz as receitas fiscais e aumenta o déficit. Em suma, nos encontramos diante de um círculo vicioso de concentração de riqueza, apequenamento do Estado e fundição da atividade econômica.

A queda do salário real não atrairá mais investimentos internos ou externos por causa da queda dos mercados, nacional e global (não há alternativa exportadora). Enquanto isso, o governo aparenta apegar-se ao que seria uma tábua da salvação da economia: o endividamento externo que teoricamente o permita realizar investimentos reativo. Mas o clima rarefeito do mercado financeiro internacional comprime o espaço dos potenciais credores, cada vez mais duros diante de uma economia nacional deprimida. Na realidade, a ansiedade em se endividar não responde a uma paixão desenvolvimentista, mas à pressão dos grupos de negócios que acumularam superlucros nestes últimos meses (exportadores, bancos etc.) e necessitam transformá-los em dólares. É essa evasão de capitais, e não o investimento na produção, a marca dos que defendem o endividamento.

Conclusão

Os dois motores de saída da recessão na década passada deixaram de funcionar, as políticas que buscavam compensar o ciclo recessivo global foram eliminadas pelas classes dominantes, sendo que antes haviam sido úteis para restabelecer a governabilidade e acumular lucros. Agora, foram destruídas pelo fato de frearem sua voracidade.

É possível elaborar um modelo excessivamente abstrato de estabilização do processo depressivo argentino sob a forma de “economia de baixa intensidade” ou de “penúria”, ou seja, uma estrutura econômica dual com um setor popular contraído e uma elite parasitando sobre o primeiro (superexploração  dos trabalhadores e outros saques às classes médias e baixas). Isto permitiria manter relativamente baixos os níveis de importações que assegurariam (não sempre) saldos positivos na balança comercial destinados a pagar dívidas externas. Estas últimas, ademais de encher as arcas das redes financeiras, podiam ainda ser utilizadas para bloquear perigos de implosão e de revolta social, operando como uma espécie de droga dosificada destinada a preservar a reprodução do sistema.

Esse modelo econômico sinistro necessitaria de maneira inevitável do apoio de um consentido mecanismo de repressão e degradação das classes inferiores. Tratar-se-ia da instalação de um regime neofascista como prevê a doutrina da Guerra de Quarta Geração (restringindo-nos à realidade da América Latina, não estamos longe para observar o que ocorre no México ou em países da América Central). Requereria, além de muita estabilidade no interior da articulação mafiosa, a atenuação das disputas internas diante de um espólio variável, sujeito a numerosos fatores de instabilidade, locais e internacionais. Trata-se de um cenário de difícil (mas não impossível) realização, com tendências depressivas acompanhadas pelo aumento da volatilidade em mercados decisivos, a proliferação de guerras, decadências institucionais dos Estados centrais, derrubadas e crises graves de Estados periféricos e outros sintomas claros que descrevem um planeta que se encaminha para horizontes de alta turbulência.

O fantasma de 2001

O governo macrista se comporta como o que se chama de “sistemas caóticos”. A diferença dos “instáveis” (em desordem permanente) e dos “estáveis” (que tendem de maneira irresistível à ordem), oscilam entre um ordenador (atrativo neofascista) e forças que o desordenam e o conduzam a crises de governabilidade.

O caminho para uma ditadura mafiosa está apontado por três estratégias convergentes: a corrupção de dirigentes, a repressão aos protestos sociais e políticos e o bombardeio midiático. São operações de eficácia incerta, circulando em meio à debacle econômica e à sanha dos interesses de grupos dominantes, que se apoiam em uma base social reacionária, cujo núcleo duro impulsionado por uma euforia neofascista está incrustado nas classes médias e altas.

A corrupção de dirigentes políticos e sindicais pode ser útil a curto prazo, para impor decisões impopulares ou frear protestos, mas desgasta os próprios corruptos. Promove a erosão das suas posições de poder, reduz sua capacidade operativa em pouco tempo e deixa-a cada vez mais vulnerável aos descontentamentos populares. É o que se percebe nos primeiros meses do governo macrista no que se refere à compra de sindicalistas, deputados, senadores e governadores.

A repressão avança e funciona um Ministério da Segurança subordinado ao aparato de inteligência dos Estados Unidos, regressaram as “polícias bravas” e foi ditado um “protocolo” de repressão de protestos populares. Aparecem as primeiras expressões, aparentemente negligentes, de repressão ilegal. Mas não é certo que essa estratégia de amedrontamento tenha êxito, é possível que seu efeito termine sendo o oposto do que o governo busca. Existe na Argentina uma enraizada cultura de enfrentamento contra a brutalidade estatal que pode resultar em um catalisador de transbordamento opositor.

O bombardeio midiático foi um instrumento decisivo da chegada de Macri à presidência. Teve uma elevada eficácia, atacando o governo anterior e ampliando um vazio político que podia ser ocupado por opositores de direita que se limitavam a denunciar o oficialismo, contrapondo promessas vagas de felicidade futura. Agora esses meios de comunicação têm de se encarregar da completa tarefa de defender um regime claramente antipopular. Neste novo cenário, sua eficácia é decrescente e a tentativa de compensar essa queda aumenta a pressão midiática (por si só digna de nota), produzindo efeitos de saturação e descrédito das ditas intoxicações, até gerar rejeições cada vez mais fortes.

Finalmente, a base social neofascista pode ser fanatizada ao extremo pelos meios de comunicação, mas é quase impossível impedir que sua área de influência, sobretudo nas classes médias, se reduza à medida que se prolonga a depressão econômica. O que terminará por deteriorar esse setor reacionário.

Em síntese, o sistema dispõe de instrumentos e apoios sociais crescentemente vulneráveis, sua força depende em última instância do grau de debilidade de seu adversário: o espaço popular se põe em marcha fortalecendo-se em luta. O instrumental autoritário poderá sofrer fissuras, desgarros cada vez mais importantes e seu inevitável centralismo operativo acabar acossado por uma maré ascendente de ataques, resistências e repúdios. Com isso, iria perdendo vitalidade e acentuando suas contradições internas. O contexto turbulento deveria contribuir com o processo.

Cedo ou tarde a resistência popular pode chegar a transformar-se em ofensiva generalizada contra o sistema. A acumulação de desdobramentos nas elites dominantes terminaria por gerar um salto qualitativo de grandes dimensões, não seria a primeira vez que ocorre este fenômeno na Argentina, ainda que seu aspecto e conteúdo possa chegar a incluir muitas novidades.

Obviamente, a grave deterioração do governo macrista pode levar a uma remodelação do equipamento presidencial (um tipo de “governo de unidade nacional”) ou a uma mudança institucional de governo, destinada a estabilizar a situação e ainda introduzindo medidas “sociais” mais ou menos audazes. Enfrentariam uma crise sistêmica espantosa, muito mais grave que em 2001, em um contexto global depressivo. Uma conjuntura deste tipo dificilmente poderia ser superada com aspirinas rosas – ou de outra cor.

Ao chegar à presidência, Macri lançou em alta velocidade uma série de decretos arbitrários, empregou de imediato uma ofensiva para assegurar o controle direitista dos meios de comunicação, comprou (ou extorquiu) dirigentes políticos e sindicais, reduziu o poder aquisitivo dos salários e aposentadorias, lançou uma onda de demissões de funcionários públicos e concretizou enormes transferências de recursos para as elites dominantes. 

Em suma: promoveu uma verdadeira “blitzkrieg” destinada a eludir as resistências possíveis antes que estas se organizassem. De todos os modos, não estava em condições de impor o gigantesco saque realizado mediante um sistema de negociações. Mas o nível de destruição atingido em tão pouco tempo provavelmente o haja convencido de seu êxito, incitando-o a seguir avançando.

A irrupção devastadora das elites dominantes podia ser similar a de um exército penetrando em um vasto território. Logo no começo, a ofensiva é exitosa, o efeito surpresa, a exploração de debilidades locais, a contundência da operação etc. permitem avanços rápidos aparentemente irreversíveis. Mas pouco a pouco as vítimas começam a reagir, acossando o invasor e o espaço, simplificado por mapas e informações de especialistas, transformando-se em um sistema complexo e crescentemente incontrolável.

A velocidade inicial da sucessão de vitórias que, em um princípio, aparentavam ser a chave do sucesso começa a ser percebida pelo invasor como a principal causa de suas dificuldades. A rapidez operacional gera fenômenos de não adaptação, de sobre-extensão estratégica que aumentam sua vulnerabilidade, levando finalmente à derrota, devastada por uma avalanche humana impossível de ser contida (recordemos o que aconteceu com a invasão de Napoleão sobre a Rússia).

Macri pode acabar descobrindo que a realidade social argentina é muito mais complexa do que detectou sua visão mafiosa, que a cultura popular existe e se reproduz (maltratada e golpeada, mas existe). E que os salários não são como ele disse uma vez, “um custo a mais”, que pode e deve ser comprimido ao máximo como qualquer outro insumo, mas o pagamento a seres humanos que trabalham, pensam e se defendem. E, finalmente, descobrir que para um bandido não há nada pior que outro bandido (os sócios de hoje podem ser os canibais de amanhã).


Notas do autor:

(1) Horácio Verbitsky, “A transparência do sigilo”, Página 12, Buenos Aires, 27 de março de 2016.

(2) Jorge Benstein, “A ilusão do metacontrole imperial do caos. A mutação do sistema de intervenção militar dos Estados Unidos e suas consequências para a América Latina”, Seminário “Nossa América Latina e os Estados Unidos: desafios do século XXI”. Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Central do Equador, Quito, 30 e 31 de janeiro de 2013. http://beinstein.lahaine.org/?p=516

(3) Jorge Benstein, art. Cit.

(4) Fonte: “Semiannual OTC derivatives statistics”, Bank for International Settlements (BIS).

(5) Eduardo M. Basualdo, “A distribuição do acesso na Argentina e suas condicionantes estruturais”, Memória Anual de 2008, do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), Argentina.

  
(*) Jorge Beinstein é economista argentino, docente da Universidade de Buenos Aires.

Contato: jorgebeinstein(0)gmail.com">jorgebeinstein(0)gmail.com

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania
Artigo originalmente publicado aqui.

Neste dia celebramos os feitos heroicos dos revolucionários de Cuba; Salve o 26 de Julho



                                                            
                                                          
  Associação Cultural José Martí - ACJM-RJ - solicita sua presença e ajuda para divulgar os feitos heroicos de Cuba. Em 26 de Julho de 1953, os movimentos de rebeldia contra a ditadura de Fulgêncio Batista assaltam o Quartel Moncada, dando um importante passo  no caminho da vitoriosa revolução de 01 de janeiro de 1959, liderada por Fidel, Che e Raul.

Colabore divulgando esta data, simbolo das vitórias e conquistas do povo cubano. Para tanto, acesse e repasse os links abaixo.

Aproveitando a oportunidade, a José Martí reitera o convite para o ato de terça-feira, 26 de julho, às 19 h.em sua sede na Av. 13 de Maio, 23, salas 1623 e 1624.


Moncadistas admirados pela historia

Quando no dia 26 de Julho de 1953 um grupo de 135 jovens comandados por Fidel Castro participou no assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba, na tentativa de a partir daí armar a população para derrubar o governo fantoche de Fulgêncio Batista, estavam muito longe de imaginar o que viria a passar-se nos seis anos seguintes. Desta ação resultou a morte da maioria dos revolucionários e a prisão dos restantes, tendo Fidel sido condenado a 15 anos de prisão, em cujo julgamento proferiu a célebre frase de que “a história me absolverá”.

Pese embora a derrota militar sofrida, este dia acabou por marcar definitivamente o rumo do futuro movimento revolucionário que adotou a sigla M-26, desenvolvendo-se por todo o país ações de sensibilização e recrutamento de apoiantes que na clandestinidade se preparavam para o momento em que os principais líderes seriam libertados, já que a pressão exercida quer por instituições, quer pelo povo anónimo a isso conduziria inevitavelmente.

Por isso, foi com enorme expectativa e interesse que tive a oportunidade de visitar o “presídio modelo” na Ilha da Juventude onde Fidel, Raul e os restantes companheiros estiveram encarcerados, podendo, pelo que vi, imaginar as precárias condições e o total isolamento a que foram submetidos até à sua libertação em 15 de Maio de 1955, beneficiando de uma anistia presidencial. Nesse mesmo dia e instado pelos jornalistas que o aguardavam, Fidel afirmou: “continuaremos lutando até obter a independência de Cuba”.

Exilando-se no México dois meses após a sua libertação, Fidel inicia de imediato os preparativos para voltar a Cuba com uma expedição de revolucionários, desembarcando do pequeno iate “granma” no dia 2 de Dezembro de 1956 na praia “Las Coloradas” e daí seguindo para a “Sierra Maestra” onde permaneceu dois anos até ao triunfo da Revolução em 1 de Janeiro de 1959.

Se até aí o “Movimento 26 de Julho” tinha desempenhado um extraordinário trabalho na organização política de inspiração Martiana, a partir do início da luta armada passou também à ação militar e ao apoio logístico dos revolucionários que combatiam o exército governamental.

Assim e em homenagem a todos os “Moncadistas” é celebrado em 26 de Julho o Dia Nacional de Cuba com manifestações patrióticas por todo o país, nunca esquecendo aqueles que nesse dia deram a sua vida para que hoje Cuba possa ser livre e independente de qualquer subjugação imperialista.

Como escreveu José Marti, “Pátria é comunhão de interesses, unidade de tradições, unidade de fins, fusão docíssima e consoladora de amores e esperança”.

Edição especial da Revista cubana Bohemia


26 de Julho (Revista Bohemia)


Estilista Christian Louboutin assina uniforme de delegação olímpica de Cuba

                                                                               
                                       

                                          

Peças da coleção exclusiva foram feitas sob medida para cada um dos 120 atletas da delegação cubana; inspiração foi tradição e moda dos anos 1950 na ilha
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O uniforme da delegação olímpica de Cuba para os Jogos do Rio deste ano, divulgado no sábado (23/07), é assinado pelo estilista francês Christian Louboutin, famoso por seus sapatos de sola vermelha, em parceria com a marca Sporty Henri, do ex-atleta de handbol francês Henri Tai.

Inspirado em elementos da tradição cubana, na moda dos anos 1950 e com o auxílio dos próprios atletas, Louboutin criou um uniforme funcional para ser usado em ocasiões formais durante as Olimpíadas do Rio, que começam no dia 5 de agosto.

Coleção desenhada por Louboutin será usada por atletas em ocasiões formais durante Jogos do Rio
'Assim como nunca foi anti-EUA, Cuba seguirá sendo anti-imperialista', diz diplomata cubana

“Nas Olimpíadas, parece que estes atletas vestem seus uniformes e simultaneamente se transformam em super-heróis que desafiam a gravidade, desafiam o tempo, que desafiam todas as leis da física. Nós desenhamos este uniforme para o momento em que eles voltam a ser humanos, ainda naquele momento glorioso, ainda sob aquela luz, mas voltando para o mundo real”, disse Louboutin no Facebook.

A coleção é exclusiva e as peças foram feitas sob medida para cada um dos atletas e membros da delegação de Cuba, que este ano conta com 120 pessoas.

(Com Opera Mundi)

50 anos do XVIII Congresso Nacional da UNE (Realizado na Igreja de São Francisco, no Carlos Prates, numa época de muita dificuldade, em plena ditadura cívico-militar de 1964. A direita estava explodindo bombas, inclusive ali pertinho da Igreja, na residência do então delegado regional do Trabalho em Minas, Onésimo Viana de Souza, no cargo graças à nomeação do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira)


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Guerra anglo-americana


                                                          

Os ingleses destruíram em 1814 a Casa Branca e o Capitólio

Miguel Urbano Rodrigues

A Casa Branca em chamas. Os historiadores dos Estados Unidos dedicam atenção mínima à guerra anglo americana de 1812-14. A bibliografia de qualidade sobre o tema é aliás escassa. 

Para o orgulho americano o desfecho do conflito é muito doloroso. 

Para combater Napoleão, a Inglaterra tinha imposto a proibição de relações comerciais com a Europa. A medida impedia as exportações de algodão dos EUA para França. As tentativas de furar o bloqueio britânico não tiveram êxito. A Royal Navy, que desde Trafalgar dominava o Atlântico, afundava ou apreendia os navios americanos. 

O governo do presidente Madison, na esperança de conquistar o Canadá, decidiu em 1812 declarar guerra à Inglaterra, mas as forças invasoras, mal comandadas, foram repelidas pelas fracas guarnições britânicas. 

Em abril de 1814, após a abdicação de Napoleão, enviado para a Ilha de Elba, a Inglaterra decidiu aplicar um castigo exemplar aos EUA. Um pequeno exército de veteranos e uma grande esquadra de 17 navios de linha, sob o comando do almirante Alexander Cochrane, foram mobilizados para combater os EUA. 

A armada inglesa destruiu sem dificuldade os poucos navios americanos que ousaram enfrentá-la. 

Diferentes portos foram bombardeados e o principal desembarque de tropas terrestres – 4.000 homens – ocorreu em Benedictine, perto da capital americana. 

O mal armado exército da União que tentou impedir o seu avanço foi aniquilado em Bladensburg. Os ingleses ocuparam a capital quase sem resistência. 

Washington era na época uma cidade insalubre, rodeada de pântanos. Os únicos edifícios em pedra importantes eram a Casa Branca, o Congresso, e os de algumas secretarias de Estado. Foram esses precisamente os alvos da soldadesca inglesa. 

Os invasores cometeram atrocidades e roubos e incendiaram a residência do Presidente Madison e o Capitólio, então sem a atual cúpula. A biblioteca do Congresso, com 3.000 volumes, foi destruída. 

Terminada a operação punitiva, as tropas britânicas abandonaram a cidade no dia seguinte. 

A OCULTAÇÃO DA HISTÓRIA 

A paz foi assinada em Gand, na Bélgica, a 24 de Dezembro de 1814. 

A Casa Branca e o Capitólio foram reconstruídos, mas com projetos que alteraram a fisionomia original. A guerra deixou por muito tempo sequelas inapagáveis. 

O país cresceu. Em 1823 tinha 10 milhões de habitantes, mas 1.600.000 eram escravos. Ganhou ambição de grande potência. O presidente Monroe, em resposta ao projeto europeu de recolonização das antigas colónias da Espanha, proclamou a Doutrina a que ficou ligado o seu nome: 

A América para os Americanos. Mas o desafio era uma bravata. Os EUA não tinham exército e marinha capazes de enfrentar as forças da Santa Aliança – Rússia, Áustria, Prússia, França – que pretendiam restabelecer o poder da Espanha nas repúblicas latino americanas libertadas por Bolivar e San Martin. 

Mas Monroe sabia que o governo britânico, cuja marinha tinha o domínio absoluto dos oceanos, se opunha ao sonho da Santa Aliança. 

A famosa Doutrina não impediu aliás que a Inglaterra, então primeira potência mundial, interviesse múltiplas vezes na América Latina. Isso ficou transparente em 1850 quando os EUA foram forçados a assinar o chamado Tratado Clayton-Bulwer considerado por historiadores americanos o mais humilhante da sua história. 

O ouro da Califórnia foi a origem do projeto de um canal na Nicarágua que ligaria o Atlântico ao Pacifico, evitando a longa viagem pelo Cabo Horn, no sul da Argentina. 

O governo americano comprou as terras por onde passaria o Canal e já tinha a maquinaria na região quando a Inglaterra enviou um ultimato a Washington exigindo o cancelamento imediato da obra porque atravessaria territórios do "Rei dos Mosquitos (uma tribo da região) aliado do governo de Sua Majestade Britânica". Uma esquadra foi enviada para a costa atlântica da Nicarágua. 

Os EUA não dispunham de força naval em condições de se opor ao ultimato. E assinaram o Tratado que sepultou o ambicioso projeto do Canal interoceânico através da Nicarágua. 

No início do século XX, os EUA construíram o Canal do Panamá. 

Transcorrido mais de um século, o projeto do canal através da Nicarágua foi agora retomado pela China. 

Recordo o episódio, porque hoje, quando a Inglaterra é um submisso aliado dos Estados Unidos, em ambos os países tudo se faz para apagar a hostilidade que os separou ao longo do século XIX. 

No imaginário americano permaneceu por muito tempo a memória do incêndio da Casa Branca e do Capitólio. Não esqueci que numa visita ao Congresso americano, quando era deputado na Assembleia Parlamentar da UEO, perguntei ao senador Edward Kennedy se o Capitólio era muito diferente do edifício original. Limitou-se a responder laconicamente: "Foi reconstruído". 

Junho de 2016
O original encontra-se em www.odiario.info/os-ingleses-destruiram-em-1814-a/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

PERSEGUIÇÃO

                                                                   
                   
Militante do MST e geógrafo Valdir Misnerovicz, preso no dia 31 de abril, em Veranópolis (RS) - Créditos: Reprodução/Brasil de Fato


Com dois presos políticos, MST vai 
recorrer a organismos internacionais

Outro militante, que não é do movimento, também está encarcerado; Goiás registra aumento da repressão

Cristiane Sampaio

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Goiás está se articulando para levar o caso das prisões políticas no estado a organismos internacionais. O estado, que atualmente tem três presos políticos, sendo dois do MST, vem se destacando pelo aumento da repressão aos movimentos populares.

“É uma das estratégias que temos agora. Estamos nos movimentando pra levar o caso para a Organização das Nações Unidas, para a Organização dos Estados Americanos (OEA) e, se for preciso, até mesmo para o Vaticano”, informou Gilvan Rodrigues, da coordenação nacional do MST.

De acordo com o advogado do MST Allan Hahnemann Ferreira, o movimento está aguardando o resultado do pedido de revogação de prisão preventiva do agricultor Luiz Batista Borges e do geógrafo Valdir Misnerovicz.

A solicitação foi feita no último dia 13 junto à Vara da Comarca de Santa Helena de Goiás, interior do estado. Entre outras coisas, o MST alega que não há motivos para as prisões porque os dois militantes são réus primários, têm bons antecedentes e residência fixa.

Dois dias depois do ajuizamento do pedido, a 1ª Promotoria de Justiça da comarca manifestou posicionamento contrário ao relaxamento de prisão. No parecer, o promotor Sérgio Luís Delfim, que responde temporariamente pelo caso, alega, entre outras coisas, a necessidade de “proteção à ordem pública”.

O Brasil de Fato procurou o promotor para conversar em detalhes sobre o posicionamento da instituição, mas não conseguiu contato com a respectiva promotoria nem com a assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual de Goiás.

Histórico do caso

As prisões, determinadas no dia 14 de abril por um colegiado de juízes da comarca, baseiam-se numa tentativa de enquadrar o MST como organização criminosa, com base na Lei nº 12.850/2013.

Luiz foi preso no mesmo dia do mandado, no município de Rio Verde (GO), ao comparecer para depor, e Valdir, no dia 31 de abril, em Veranópolis (RS). Outros dois militantes do MST contra os quais também foram expedidos mandados de prisão estão exilados pelo movimento. Os mandados se relacionam à ocupação de uma parte da usina Santa Helena, em recuperação judicial, onde há mais de 1.500 famílias ligadas ao MST.

O movimento se queixa da demora na liberação dos presos. “A Justiça de Goiás fica protelando inclusive a publicação dos votos dos desembargadores em relação ao caso, porque isso atrasa a atuação dos nossos advogados junto ao Superior Tribunal de Justiça [STJ]. 

Eles fazem isso porque sabem que as prisões são políticas e sem sustentação de provas, o que faz com que provavelmente eles possam perder a causa a terceira instância. Adiar a publicação é uma forma de garantir o prolongamento das prisões”, critica Gilvan.

O agricultor Lázaro Pereira da Luz, que não pertence ao MST e foi o terceiro militante da causa agrária a ser preso, no dia 15 de junho, aguarda o julgamento do pedido de habeas corpus, que pode entrar na pauta da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás nesta semana.

Perseguição política

Para as entidades e os pesquisadores que acompanham o caso, as prisões resultam de articulações patrocinadas por expoentes do agronegócio.

“Essa é uma situação preocupante e recorrente no Brasil. Em Goiás, neste momento em particular, essas ações do Governo do Estado têm como objetivo a contenção das ações do MST, que deixou de ocupar áreas na periferia do agronegócio para ocupar zonas mais centrais e estratégicas, chegando a fazendas importantes. Essas áreas, consideradas produtivas pelo agronegócio, são, na verdade, latifúndios com uma nova faceta. As ações do MST desagradaram as elites, que passaram a pressionar o governo e pedir uma repressão mais violenta”, analisa o professor Manoel Calaça, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Goiás (UFGO).

Ele é um dos pesquisadores que integram o Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno, criado no mês passado para articular grupos, entidades e militantes interessados em somar forças contra a ofensiva conservadora que toma conta do estado.

Calaça conta que recebeu com indignação a notícia das prisões. “No caso do Valdir, por exemplo, que é uma pessoa que conheço bem, ele faz um trabalho muito importante de luta pela reforma agrária, e isso é reconhecido pelos órgãos públicos, pela Igreja, etc. É uma pessoa que só quer o bem de todos, mas esse bem que ele prega incomoda a burguesia nacional e internacional, aí surge a tentativa de conter o movimento.É um processo de cercamento do campesinato pelo capital aqui em Goiás. Faz parte da consolidação do modelo neoliberal”, relaciona o professor.

De acordo com Gilvan Rodrigues, da coordenação do MST, o contexto atual dificultou a relação do movimento com o poder público estadual. “O diálogo, que nunca foi fácil, ficou ainda mais difícil agora. Acho que a Secretaria de Segurança Pública deve uma resposta à sociedade sobre essas prisões arbitrárias e sem fundamento”, afirmou.

O Brasil de Fato procurou a assessoria de imprensa da Secretaria para tratar das críticas, mas as ligações não foram atendidas.

Estatísticas da violência
A violência no campo tem registrado um aumento no Brasil. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o ano de 2015 teve, ao todo, 50 casos de assassinatos, o maior número desde 2004.

Embora em Goiás não tenha ocorrido nenhuma morte, a situação do Centro-Oeste é considerada delicada. A região teve um aumento de 29% no número de conflitos de terra no comparativo entre 2014 e 2015.

Além disso, o número de pessoas envolvidas saltou de 77.982 para 147.015. Um crescimento de 89% no período. O estado de Goiás, por exemplo, quase dobrou o número de conflitos registrados, que passou de 21 para 39, 86% a mais.

“As oligarquias aqui no estado sempre foram muito fortes e as fragilidades do cenário político do ano passado pioraram a situação, o que ajuda a explicar os números”, afirma Paulo César Moreira, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Segundo ele, a CPT acompanha com preocupação o atual cenário de escalada da violência no campo e teme que o caso das prisões no estado gere situações semelhantes pelo Brasil.

“Goiás tem sido um forte centro de repressão, tendo como foco os sem-terra, e está sendo um laboratório para o país porque tem algumas táticas usadas aqui que estão sendo copiadas em outros lugares, como no Pará, por exemplo. Isso é um risco sério”, disse.  

(Com o Brasil de Fato)

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