quinta-feira, 26 de abril de 2018

Um filme alemão muito interessante, cheio de ironias, principalmente em torno da reunificação, com a queda do muro de Berlim...


E assim se faz história...

                                                                          
Estudantes erguem cartaz com os líderes das duas Coreias em ato de apoio à aproximação entre os dois países em Seul

Esta será a primeira vez desde o fim da Guerra da Coreia que um líder norte-coreano pisará em território do país vizinho. Kim e Moon participarão de cerimônias para marcar reaproximação entre as duas Coreias.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, atravessará a pé a fronteira com a Coreia do Sul, para um encontro histórico com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, nesta sexta-feira (27/04), anunciaram autoridades sul-coreanas.

A travessia da fronteira com o país vizinho será carregada de simbolismo, uma vez que Kim será o primeiro líder norte-coreano a pisar em solo sul-coreano desde o armistício que encerrou o conflito militar entre os dois países, em 1953. Ambos permanecerão na zona desmilitarizada na fronteira entre os dois países, mas do lado sul-coreano.

Segundo informou o chefe de gabinete sul-coreano, Im Jong-seok, Moon receberá Kim após ele cruzar a demarcação de concreto da fronteira entre os dois países. Ambos caminharão juntos por cerca de dez minutos até uma praça onde farão uma inspeção da guarda de honra sul-coreana.

Após a assinatura no livro de visitas e uma sessão de fotos na Casa da Paz, o local da reunião, serão iniciadas as conversações formais, que devem ter como tema central o programa nuclear norte-coreano. 

Mais tarde, os dois líderes plantarão um pinheiro na área de fronteira, utilizando terra e água de rios dos dois países. A árvore, bastante popular nas duas Coreias, é datada de 1953, o ano do fim da guerra.

Junto ao pinheiro será colocada uma placa de pedra com os dizeres "a paz e a prosperidade estão plantadas" e a assinatura dos dois líderes. Logo após, Kim e Moon caminharão juntos até uma passarela com um sinal da linha de demarcação militar, informou o chefe de gabinete.

Os líderes se reunirão novamente à tarde e depois participarão juntos de um banquete. O norte-coreano deverá ser acompanhado de nove membros do alto escalão do governo de Pyongyang, incluindo a irmã Kim Yo-jong. Seul espera que a esposa de Kim, Ri Sol-ju, esteja presente em algumas partes do encontro, mas sua presença ainda não foi confirmada.

A reunião desta sexta-feira e o planejado encontro entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deverá ocorrer em maio ou junho, se tornaram possíveis após o líder norte-coreano se colocar à disposição para abrir negociações sobre seu programa nuclear, depois de um ano de tensões internacionais envolvendo testes de mísseis balísticos e nucleares.

Nos últimos meses, Kim iniciou uma série de esforços diplomáticos para diminuir o isolamento de seu país, com o envio de uma delegação de atletas para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, em fevereiro, e ao se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, no mês de março.

Colapso do local de testes nucleares

Geologistas chineses revelaram que a montanha localizada sobre o principal local de testes nucleares da Coreia do Norte entrou em colapso. Os especialistas pediram que a região seja monitorada para avaliar possíveis vazamentos de radiação.

A conclusão dos cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China pode ter revelado um dos motivos que levaram Kim a anunciar recentemente a suspenão dos testes nucleares, antes dos encontros com Moon e Trump.

Segundo os cientistas, a enorme quantidade de calor e energia liberadas pelo maior teste nuclear norte-coreano, realizado em setembro do ano passado, teria danificado o local a ponto de deixá-lo instável.

A explosão teria provocado quatro terremotos nas semanas seguintes. O primeiro deles, segundo os pesquisadores, ocorreu oito minutos e meio após a explosão, gerando um colapso próximo ao local dos testes, seguido de outros tremores.

Os chineses afirmam que não foram detectados riscos de vazamento de radiação após o recolhimento de amostras coletadas ao longo da fronteira.

http://www.dw.com/pt-br/kim-atravessar%C3%A1-fronteira-a-p%C3%A9-para-encontro-hist%C3%B3rico/a-43542591

(Com a Deutsche Welle)

O ex-ministro Antonio Palocci decidiu contar tudo o que sabe, certamente pondo a nu a corrupção no Brasil


A grande data universal dos trabalhadores é destaque em Cuba de Fidel-Raúl-Canel...de todo o povo cubano


Preso na rede

Brady Isquierdo Rodriguez/Rebelión

Sindicato dos Jornalistas em tempo de Blue. Tamos nesta parada...


quarta-feira, 25 de abril de 2018

17,3 milhões de jovens completamente pobres

                                                                 
             Aponta estudo da Abrinq

Mais de 40% de crianças e adolescentes de até 14 anos vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil, o que representa 17,3 milhões de jovens. Em relação àqueles em extrema pobreza, o número chega a 5,8 milhões de jovens, ou seja, 13,5%. O que caracteriza a população como pobres e extremamente pobres é rendimento mensal domiciliar per capita de até meio e até um quarto de salário mínimo, respectivamente.

A reportagem é de Camila Boehm, publicada por Agência Brasil, 24-04-2018.

Os dados são da publicação “Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil”, que será divulgado amanhã (24) pela Fundação Abrinq. O estudo relaciona indicadores sociais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), compromisso global para a promoção de metas de desenvolvimento até 2030, do qual o Brasil é signatário junto a outros 192 países.

“Algumas metas [dos ODS] certamente o Brasil não vai conseguir cumprir, a menos que invista mais em políticas públicas voltadas para populações mais vulneráveis. Sem investimento, fica muito difícil cumprir esse acordo”, avaliou Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq. “Se não houver um investimento maciço em políticas sociais básicas voltadas à infância, ficamos muito distantes de cumprir o acordo”.

Um dos exemplos de metas difíceis de serem cumpridas está relacionada à educação, mais especificamente ao acesso à creche. “Você tem uma meta, que entra no Plano Nacional de Educação [PNE], de oferecer vagas para 50% da população de 0 a 3 anos [até 2024]. Se você não aumentar o investimento e a oferta de vagas em creches – hoje estamos com 27% de cobertura –, não chegaremos em 50% para atender o PNE. Essa é também uma meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [da ONU]”, explica Heloisa.

Outra meta distante do cumprimento é sobre a erradicação do trabalho infantil. “O acordo [com a ONU] prevê que, até 2025, os países erradiquem todo tipo de trabalho escravo e trabalho infantil. Nós [Brasil] ainda temos 2,5 milhões crianças em situação de trabalho. Se não houver investimento na erradicação do trabalho infantil, essa meta certamente não vai ser alcançada”, avaliou.

Jovens vulneráveis
                                                                     
Segundo Heloisa (foto) , o relatório ressalta o quanto os jovens são vulneráveis à pobreza. Ela compara que, enquanto as crianças e adolescentes representam cerca de 33% da população brasileira, entre os mais pobre esse patamar é maior. “Se você fizer um recorte pela pobreza cruzado com a idade, você vai perceber que entre a população mais pobre tem um contingente ainda maior de crianças e adolescentes [40,2%]. Esse é um ponto importante que ressalta o quanto as crianças são vulneráveis à pobreza”, diz.

A representante destaca ainda a importância de analisar os indicadores do ponto de vista regional, uma vez que a média nacional não reflete o que se passa nas regiões mais pobres. Em relação à renda, o Nordeste e o Norte continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo na condição de pobreza, enquanto a média nacional é de 40,2%.

“Quando olhamos para uma média nacional, tendemos a achar que a realidade está um pouco melhor do que de fato ela está. O Brasil é um país muito grande, muito desigual, então se você olhar os dados regionais, vai ver que as regiões mais pobres concentram os piores indicadores de educação, de acesso à água e saneamento, de acesso a creches, por exemplo”.

Violência
O relatório mostra que 18,4% dos homicídios cometidos no Brasil em 2016 vitimaram menores de 19 anos de idade, um total de 10.676. A maioria desses jovens (80,7%) foi assassinada por armas de fogo. O Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo (85%) e supera a proporção nacional, com 19,8% de jovens vítimas de homicídios sobre o total de ocorrências na região.

A violência é a consequência da falta do investimento nas outras políticas sociais básicas, segundo Heloisa. “Os outros índices influenciam diretamente a estatística da violência. Se você investir na manutenção das crianças e adolescentes na escola até completar a educação básica – que está prevista na lei brasileira, que seria até 17 anos –, se investir na proteção das famílias, na disponibilização de atividades e espaços esportivos para crianças e adolescentes, você vai ter um número muito menor de jovens envolvidos com a violência”, conclui

Heloisa destaca que há uma relação direta dos altos índices de violência com as estatísticas de pobreza. “A prova de que isso é uma relação direta é que, entre esses 10,6 mil crianças e adolescentes assassinados [em 2016], a maioria deles, mais de 70%, são jovens negros, pobres e que vivem em periferia. Portanto, são adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social, ou seja, poderia ser evitado com investimento em enfrentamento da pobreza, melhorando a qualidade de moradia, educação e saúde”, acrescenta.

Para reduzir a violência e os homicídios nessa faixa etária, Heloisa alerta que não basta investir em segurança pública. “O melhor indicador da segurança pública é a evasão escolar zero”, diz. Ela cita um estudo, realizado pelo sociólogo Marcos Rolim, do Rio Grande do Sul, com jovens que ficaram na escola e outros que saíram precocemente. “O resultado que ele encontrou é que os jovens que permanecem na escola não se envolvem com violência, portanto, há uma relação direta e o melhor investimento para segurança pública é a escolarização, é a manutenção dessas crianças na escola”.

Os indicadores selecionados para o Cenário da Infância e da Adolescência podem ser encontrados no portal criado pela Fundação Abrinq Observatório da Criança e do Adolescente.

(Com o IHU)

"Movimento" ajudou na luta contra a ditadura cívico-militar de 1964



Liberdade para Santrich


50 anos das Greves de Contagem (Fiz uma pequena intervenção no texto do professor Fabio Martins Bezerra em nome da verdade histórica. A assembleia com a presença do ministro Jarbas Passarinho foi na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em BH. Estou na foto, cobrindo o acontecimento, e de lá fui a pé para o jornal, na Rua Goiás. José Carlos Alexandre)

                                             


Ousadia que Desafiou a Ditadura Militar!

Fábio Bezerra (*)

Em abril de 1968, há exatos 50 anos, o movimento sindical desafiava o estado de exceção instaurado com o golpe civil-militar em 1964. A greve dos trabalhadores(as) da cidade industrial de Contagem colocava em evidência a política de arrocho salarial e a redução de direitos sociais, condições imprescindíveis da política econômica da Ditadura á época. As greves operárias em Contagem (abril) e em Osasco (julho), ocorridas em 1968, demarcaram um período importante da luta sindical no Brasil e da resistência à Ditadura Militar.

Em 16 de abril iniciava-se a greve dos trabalhadores metalúrgicos numa seção da Companhia Belgo-Mineira, mobilizando cerca de 1200 operários! Mas, ao contrário do que alguns historiadores sustentam e alguns jornais à época procuraram evidenciar, o movimento paredista não foi espontâneo, nem autônomo em relação às organizações políticas que atuavam no movimento sindical em Contagem.

Segundo o dirigente sindical do PCB e diretor do Sindicato dos Tecelões no período, camarada José Francisco Néris, a greve : “(…) foi preparada com antecedência, ao menos contou com a participação de militantes do PCB, da Polop e do PCBR e alguns da ALN que desenvolviam algum tipo de trabalho nas bases, denunciando a política de arrocho e as constantes investidas do governo”.

Em 1967 a Delegacia Regional do Trabalho tentou impugnar o nome que encabeçava a chapa de oposição à diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Contagem, dirigida naquele momento por pessoas de confiança da DRT e dos patrões. 

Ênio Seabra, destacado militante operário que atuava na Mannesmann, então a maior metalúrgica do Estado de Minas, teve seu nome impugnado pela DRT, mas isso não impediu que se formasse a chapa de oposição, que continha membros do PCB e foi vitoriosa nas eleições sindicais. A chapa contava com uma plataforma ousada e que contrariava o regime ditatorial. Expulsão dos pelegos, oposição ao fim da estabilidade para a implementação do FGTS e ao arrocho salarial, organização de núcleos de base nas fábricas eram algumas das propostas da chapa vitoriosa.

Ainda em 1967, segundo Néris, alguns sindicatos em Minas tentaram formar uma Frente Sindical para combater a política de arrocho salarial. Diversas lideranças operárias do campo da oposição haviam sido demitidas arbitrariamente e ou estavam na clandestinidade devido as perseguições do DOPS. Mesmo com toda a repressão, o Comitê Intersindical Anti Arrocho foi criado no início de 1968, tendo o apoio de setores ligados à Pastoral Operária.

A agitação de base se intensificava, até porque : “(…) as correntes partidárias que estavam na clandestinidade faziam intensa propaganda anti-arrocho e em defesa da Greve”. E o que se iniciou em uma assembleia dos operários da Belgo na manhã do dia 16, como rastilho de pólvora se espalhou por toda a cidade industrial, que naquele período contava com cerca de 18 mil operários em um município que tinha 28 mil moradores. 

Segundo Néris, o Sindicato dos Metalúrgicos rapidamente tomou a frente nas negociações com o governo. O PCB possuía três dirigentes na Diretoria (Antônio, Joaquim Fonseca e Gaspar), os quais, nas assembleias, sempre garantiam a palavra ao diretor cassado, Énio Seabra, que se destacou na condução do movimento. Foi apresentada a proposta de reajuste de 10% no salário base, a melhoria das condições de trabalho e a não perseguição aos operários paralisados.
                                                                  
O ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho na assembleia dos metalúrgicos, em abril de 1968 
Após uma semana de impasses, o Ministro do Trabalho do Regime Militar, General Jarbas Passarinho, foi pessoalmente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no 2º andar do Edifício Alcazar, na Rua da Bahia, esquina com a Rua Carijós, e pediu a palavra em uma assembleia grevista, que já extrapolava os limites de Contagem e chegava as fábricas de Belo Horizonte e Sabará. O receio que o movimento se ampliasse para outros polos industriais preocupava o governo, apesar de toda a censura e a repressão.

Para a Ditadura, a continuidade da Greve seria “o início da guerra”, nas palavras de Jarbas Passarinho! A Polícia Militar do Estado de Minas foi acionada e diversos regimentos do interior se mobilizaram e ocuparam as ruas da cidade Industrial, reprimindo as assembleias de turno de forma violenta! 

No mesmo dia, diversas diligências da PM, em conjunto com as chefias das fábricas, percorreram as vilas operárias intimando os trabalhadores e as trabalhadoras a retornar ao trabalho, sob pena de demissão sumária. O Sindicato foi ocupado pelas tropas da PM, e diversos diretores foram presos e torturados. O governo e os patrões partiam para a contraofensiva.

Ao contrário do que muitos esperavam, a greve continuou na maioria das fábricas. Nas que retornaram, sob coerção brutal, muitos operários paralisavam as atividades em turnos específicos, por várias horas em protesto contra as prisões arbitrárias e a repressão violenta. Há relatos de que, em muitos bairros operários, ocorreram o toque de recolher, após as 20 horas, como forma de se tentar evitar reuniões clandestinas dos grevistas.

Mas de nada adiantou: o movimento paredista continuava. As vésperas do 1º de Maio, o General Costa de Silva, que ocupava a presidência, anunciou em cadeia de rádio a extensão do abono salarial de 10% para todos os trabalhadores no Brasil. Naquele momento, chegava ao fim a primeira grande greve de resistência política e com reivindicações da classe trabalhadora no período da Ditadura Militar. 

Apesar de não terem conquistado todas as reivindicações e o sindicato ter ficado durante anos sob intervenção da DRT, o dirigente sindical José Francisco Néris considerou o feito uma grande vitória da classe trabalhadora e das organizações de esquerda, pois : “(…) muitos não acreditavam que seria possível uma vitória e, para nós, ter conseguido aquele reajuste, mesmo sendo um abono, naquelas condições, foi uma grande vitória da resistência e da unidade(…)”.

Mais do que o reajuste, a greve expôs os limites e a truculência do Regime, possibilitou aos operários em Contagem experimentar o empenho da ousadia e descobrir a força do movimento de massas. Ainda haveria outra greve naquele ano, mais precisamente em outubro, de menor duração, mas com significativa intensidade (chegou a mobilizar 20 mil operários). 

Nesse período, comissões de fábrica foram organizadas para operacionalizar as ações grevistas e driblar a repressão, grupos de autodefesa também foram organizados para proteger os dirigentes das comissões de fábricas nas assembleias e nas negociações, e um fundo de reserva criado para manter as famílias dos operários contou com a solidariedade de outras categorias e sindicatos.

Em julho de 1968 ocorreria, em Osasco, uma greve dos metalúrgicos que teve início na Cobrasma e mobilizou milhares de operários. Tudo indica que, meses antes, lideranças do movimento sindical em Osasco estiveram em contato com as lideranças mais destacadas da greve de Contagem, para apreenderem as táticas de mobilização, agitação e manutenção da greve.

O lastro de resistência e ousadia se espalhava pelos centros industriais do país, e isso atemorizava tanto a burguesia quanto o Regime Militar, que já se preocupava com as constantes manifestações estudantis e o crescente movimento de oposição que se organizava no país. Era, pois, necessário para os golpistas desenvolver outra estratégia para reprimir as manifestações de oposição e garantir a continuidade do ciclo de reformas conservadoras em curso.

Em 13 de dezembro daquele mesmo ano, o Regime Militar decretada o famigerado Ato Institucional nº 05 (AI-5) que suspendia o Congresso, fechava partidos, restringia direitos políticos e civis e sepultava os últimos resquícios de democracia no país. Dezenas de sindicalistas e dirigentes foram, a pretexto da Lei de Segurança Nacional, presos e exterminados. 

O direito à greve, na prática, era suspenso e os sindicatos eram fechados ou sofriam intervenção, o que sacramentaria um longo período de ostracismo e derrotas do movimento popular, em especial o movimento operário e sindical brasileiro. Apenas com a intensificação da crise econômica em fins da década de 1970, mais precisamente 10 anos após as greves de 1968, foi possível ver ressurgir com significativa força a luta sindical, mais autônoma e crítica.

As greves de Contagem e Osasco foram greves históricas e que merecem ser celebradas, estudadas e divulgadas como exemplos de resistência, coragem e ousadia necessárias à luta dos(as) trabalhadores(as) e que, mesmo em conjunturas adversas, cujos cenários sejam profundamente desfavoráveis, nada deve parecer ser impossível de mudar, tampouco menosprezar o trabalho diuturno do justo combate de ideias e ações incisivas, pois sempre haverá a possibilidade de a indignação despertar, na mente e nos corações, a revolta que materializa os sonhos em realidade e que põe em movimento a roda da história.

(*) Professor de Filosofia e membro do Comitê Central do PCB

Chomsky defende Nobel da Paz para Lula

                                               
Considerado um dos maiores intelectuais do mundo, o linguista, filósofo e ativista político Noam Chomsky aderiu à campanha em defesa do Prêmio Nobel da Paz para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; a campanha foi lançada na internet, pelo site Change.org, pelo também Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, que na semana passada tentou visitar Lula na prisão, mas foi barrado pela Justiça

A campanha pelo Nobel da Paz de Lula já ultrapassou as 240 mil assinaturas. A nova meta é chegar aos 300 mil (a meta anterior, já ultrapassada, era de 150 mil).

"O que o Lula fez com na área da política pública, nas políticas sociais, de tirar da pobreza mais de 30 milhões de brasileiros e brasileiras é um fato único no mundo, ninguém fez isso", defende Esquivel.

http://www.patrialatina.com.br/chomsky-se-une-a-campanha-pelo-nobel-da-paz-a-lula/


(Com Pátria Latina/Pravda Ru)

Mercedes blindado de Putin é colocado à venda

                                                     

Veículo antigo do presidente está sendo 
oferecido por mais de R$ 460 mil

Se você sempre sonhou em viajar sobre rodas como um chefe de Estado, mais especificamente o russo Vladimir Putin, comece a fazer sua proposta agora: o antigo Mercedes-Benz Pullman W220 S600 (2003) do presidente está à venda.

Nos últimos anos, o veículo fez parte da coleção particular do Putin e tem 80.000 quilômetros rodados. Feito por encomenda especial, o modelo tem motor com capacidade de 5,8 litros e 367 cavalos de potência.

“Ele [Putin] o dirigiu em reuniões oficiais e não oficiais”, lê-se no anúncio.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5538067426554059193#editor/target=post;postID=4994442861046516781

(Com Russia Beyond)

A DEMOCRÁTICA ELEIÇÃO CUBANA

                                                                             

André de Paula (*)

Ao contrário da farsa eleitoral que nos obriga no Brasil a votar, onde de uma maneira ou de outra sempre prevalecem os interesses das elites, embora com resistência daqueles que praticam a desobediência civil não votando, ou mesmo votando nulo ou branco que representam quase a metade dos eleitores, a eleição cubana que acontece de cinco em cinco anos se reveste no que há de mais avançando em termos de democracia participativa.

Enquanto no Brasil os partidos maiores têm mais propaganda, mesmo nos horários gratuitos, resultando que no Congresso Nacional tenham duzentos grandes empresários contra quarenta e seis trabalhadores, nove agricultores e nenhum indígena, em Cuba o voto não é obrigatório, os candidatos são escolhidos nos bairros, em plenárias abertas, ganham os mesmos salários que recebem no exercício de suas profissões, o horário e propaganda são iguais para todos, com destituição daqueles que não cumprem as promessas de campanha.

O candidato deve ter mais de 50% dos votos válidos emitidos na circunscrição que representa, caso isto não aconteça a, a vaga fica aberta até que se realize nova eleição chamada especialmente pelo Conselho de Estado.

Os requisitos para que alguém seja candidato estão vinculados a sua participação na comunidade. Há que ser atuante. Não é o poder financeiro quem comanda, tampouco é o partido comunista quem apresenta os candidatos. Quem comanda tudo é a população.

Dos 605 deputados eleitos, cerca de 53% são mulheres, o que converte a Assembleia Nacional Cubana no segundo parlamento com mais mulheres eleitas depois da Bolívia. Além disso, 40,6% dos parlamentares possuem menos de cinquenta anos e 13% são jovens de menos de 35 anos. 

A composição racial é, também, das mais democráticas com cerca de 40,5% de negros. Pelo menos 47% dos deputados eleitos são frutos das assembleias de base de cada bairro. Tudo feito de forma voluntária, sem qualquer tipo de pressão. As pessoas escolhidas são a própria representação do povo. 

Participaram das eleições, fiscalizadas pelas crianças, 82,9% dos eleitores. Verdadeiramente, um grande sucesso.  Cerca de 7,3 milhões de cubanos participaram das eleições da Assembleia Nacional do Poder Popular e das Assembleias Provinciais, sendo o total de 8,9 milhões os cubanos que estavam habilitados a votar. 

Pela primeira vez as pessoas que estavam fora do seu domicílio puderam votar e esses votos não estão somados aos números aqui divulgados. Os votos brancos diminuíram. Foram de apenas 4% contra 4,6% em 2013. Os votos nulos somaram 1% e se mantiveram estáveis. Ressalte-se que a oposição cubana fez campanha pelo voto nulo ou branco. A abstenção chegou ao número de 17% apenas.

Apesar do voto não ser obrigatório, os processos cubanos registram participação eleitoral muito acima da média dos países do continente americano. Na Colômbia, por exemplo, o índice de participação ficou em 45%. Nos Estados Unidos, onde há a ditadura de dois partidos, menos de 30% das pessoas participam.

A seleção dos candidatos que participam da eleição nacional, começa na base com uma assembleia de vizinhos, o que envolve a participação do povo desde a primeira etapa até a escolha dos candidatos. A eleição será realizada em três etapas: a primeira foi em novembro do ano passado quando os delegados do núcleo de base foram eleitos. 

Quase a metade dos candidatos a parlamentares saíram desta 1ª etapa. Neste mês de março ocorreu a segunda etapa com a eleição dos deputados à Assembleia Nacional do Poder Popular e mil e duzentos delegados das quinze Assembleias Provinciais (estados). A terceira e última etapa será realizada em abril, com a eleição do Conselho de Estado da Assembleia Nacional e do Presidente do Conselho que também será o Presidente do país que, sabemos, não terá Raul Castro como candidato.

É por esta participação popular que Cuba consegue extraordinário avanço no campo da educação, saúde e solidariedade, inclusive auxiliando países do mundo inteiro com médicos e descobertas espetaculares como as vacinas contra o câncer de pulmão, hepatite B, ritinose pigmentária ocular, vitiligo, além do energético natural PPG feito da cana de açúcar.


(*) André de Paula é a advogado da FIST-Frente Internacionalista dos Sem Teto e membro da Anistia Internacional

(Com Emanuel Bonfante Demaria Júnior)


Desvendado o mistério da múmia suiça


Zuenir Ventura fala sobre 1968 e a política atual


terça-feira, 24 de abril de 2018

Nelson Pereira dos Santos

                                                                           

Joaquim Ferreira (*)

Nascido em São Paulo, em 22 de outubro de 1928, Nelson Pereira dos Santos iniciou suas experiências com o cinema na década de 1940. Advogado de formação, no início da década de 1950 veio para o Rio de Janeiro e, a partir desse momento, inaugura o caminho que o tornaria um dos mais admiráveis diretores do cinema brasileiro.

Cineasta engajado politicamente, marcou a história do cinema nacional como integrante ativo de diversos movimentos sociais e cinematográficos. Conforme o próprio Nelson indicou, “foram os dez anos de minha formação, do ginásio à Faculdade de Direito, uma viagem a Paris, o casamento, serviço militar, cineclubes, Juventude Comunista, primeiro emprego em jornal, primeiro filme (…) Estava impregnado da certeza de que o Brasil encontraria o bom caminho para ter uma sociedade mais rica e mais justa.(…)”.

Nelson oficialmente fez 27 filmes, destacando-se nessa produção: “Boca de Ouro”(1955) , “Rio, 40 Graus” (1955), “Vidas Secas” (1963), “Rio, Zona Norte”(1957), “Amuleto de Ogum (1974)” e “Memórias do Cárcere” (1984), destaques que são referência da originalidade da obra de Nelson por conta da perspectiva das camadas populares na condução das narrativas, criando assim a base da estética do Cinema Novo no país, movimento do qual Nelson foi um dos precursores e autores mais destacados.

Foi membro do Partido Comunista Brasileiro nos anos de 1940 e 1950, tendo atuado em escolas de formação. Conforme depoimento do próprio cineasta em 2007: “É importante assinalar que, para mim, e acredito tenha sido para muita gente, o Partido foi uma outra universidade. Uma universidade pelo avesso, pois questionava a versão tradicional da história do Brasil, por exemplo. Outra coisa que o Partido proporcionou foi um convívio amplo com pessoas de classes sociais, origens e formações diferentes (…) “.

Em 1950, fez o curta “Juventude”, sobre trabalhadores de São Paulo, destinado à apresentação num encontro da Juventude Comunista em Berlim Oriental e cujo negativo foi perdido. Essa experiência, para Nelson, foi a sua descoberta para o cinema. Em 1951, escreveu na antiga revista “Fundamentos”, que era preciso inventar uma cinematografia que refletisse “na tela a vida, as histórias, as lutas e aspirações do povo brasileiro”.

Em 1955, com a conclusão de “Rio, 40 graus”, Nelson já indicava a trajetória política que marcaria sua carreira. Filme proibido com o pretexto de ser filme de “comunista”, segundo a censura da época, o próprio PCB liderou uma campanha exitosa para retirar a censura ao filme, que foi lançado em março de 1956. 

Outros dois filmes importantes da obra de Nelson Pereira dos Santos retomam, em momentos distintos, duas obras do escritor alagoano Graciliano Ramos(1892-1953) outro destacado militante do PCB: “Vidas Secas”, de 1938, e ” Memórias do Cárcere”, de 1953, transformadas em filmes em 1963 e 1984, respectivamente.

Em 1963, no período de efervescência política e cultural que antecedeu o golpe que mergulharia o pais na ditadura político-militar de 1964, Nelson lançou “Vidas Secas”, um dos mais importantes filmes cinemanovistas. Indicado à Palma de Ouro em Cannes em 1964, “Vidas Secas” abordava pelo cinema os problemas sociais do Brasil. 

O filme prima pela honestidade intelectual de Nelson na adaptação da obra de Graciliano para o cinema. Quem leu o livro de Graciliano Ramos percebe a perfeita sincronia entre as duas representações: roteiro preciso, filme conciso, seco, econômico nos diálogos, tal qual o estilo de Graciliano, mas perfeito nas lentes que, sem recursos artificiais, integram imagem, som e texto de forma equilibrada. 

Os únicos excessos são o retratos da desumanização, da imensa miséria, exclusão e violência sociais retratadas no filme, bem ao neorrealismo italiano, referência importante do estilo de Nelson Pereira dos Santos. Assim, o diretor mostrava que era possível contar histórias com atores não profissionais, cenários externos e escassos recursos. O filme “Vidas Secas” transformou-se num elemento a mais para pensar o Brasil dos anos 1960.

Na adaptação de Memórias do Cárcere em 1984, para o cinema, Nelson retorna a Graciliano Ramos e a sua autobiografia sobre o Estado Novo. Premiado nos Festivais de Cannes e Havana do mesmo ano, o diretor, na realidade, apresenta uma imagem atemporal das ditaduras, das perseguições políticas e dos problemas crônicos da República brasileira, construindo um retrato social do Brasil, que vivia, naquele momento, os anos finais da ditadura militar. E de acordo com Nelson, “no Brasil estava acontecendo o movimento pelas ‘Diretas já’. Vidas Secas aconteceu no começo da ditadura e Memórias do cárcere festejou o final”.

Com a morte de Nelson Pereira dos Santos, o Brasil fica mais vazio intelectualmente. Morreu uma parte significativa do pensamento contemporâneo brasileiro expressado por uma relação da arte com a cultura popular que transcende a tela e trata o cinema não como mero entretenimento cultural, mas como arte que possibilita uma análise profunda da realidade e aponta para a necessidade de sua radical transformação.

(*) Coordenador do cineclube Lumière Loucos por Cinema (Lumiar) e militante do PCB de Nova Friburgo