quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Jornalista da Al Jazeera preso no Egito divulga carta para a família

                                                          

A família de Baher Mohammed, um dos três jornalistas da Al Jazeera presos no Egito desde 2013, divulgou nesta quinta-feira (28/8) uma carta enviada à mulher e filhos, inclusive o recém-nascido Haroun, que ele ainda não conhece.

Baher, junto com Mohamed Fahmy e o australiano Peter Greste, foram condenados pela Justiça egípcia em junho. Segundo o portal Standard Digital, eles são acusados de "cooperar com uma organização terrorista" e "divulgar notícias falsas". 

Em sua carta, o jornalista critica a falta de liberdade de expressão no país, mas diz torcer para um futuro melhor para seus filhos.

"Me desculpe por você ter nascido onde pessoas livres estão atrás das grades, incluindo seu pai. Me desculpe por fazê-lo ter vindo a uma sociedade onde a liberdade é restrita. Mas eu te prometo que vou sempre lutar por liberdade. Não quero que você desista desta sociedade... por que tenho certeza de que, em breve, tudo mudará para melhor", escreveu o jornalista a seu filho recém-nascido.

Baher também escreve para seus outros dois filhos - Hazem, de quatro anos, e Fairouz, de três. "Eu estive sempre lutando pela verdade na minha carreira e não foi fácil. Aconteça o que acontecer, continuem procurando pela verdade e nunca tenham medo dela. [...] Sintam a dor dos outros e continuem tentando ajudar. Se vocês sentirem que podem ajudar e fazer alguém feliz, nunca hesitem", continua o texto.

Por fim, o jornalista pede desculpas ao filho mais novo por não tê-lo visto nascer e lembra as famílias dos colegas de prisão. "Juntos estamos compartilhando esta luta, e juntos vamos comemorar seu nascimento. Eles são sua família e os filhos deles são irmãos de seu pai", diz a carta. (Com o Portal Imprensa)

UM CANDIDATO DIGNO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

                                                                 
O Brasil tem um candidato digno à Presidência da República. O lançamento da candidatura de Mauro Iasi constitui um acto de protesto e dignidade contra a corrupção política que domina o país. No jogo de cartas marcadas que passa por ser democracia alinham-se neste momento duas candidaturas principais: a da direita propriamente dita (Aécio Neves) e a da social-democracia lulista (Dilma), afundada em escândalos. 

Ambas estão ao serviço do capital oligopolista brasileiro e da sua expansão além fronteiras (a recente inclusão do ditador da Guiné Equatorial na CPLP , aprovada pela diplomacia brasileira, é uma confirmação disso). 

Contra esse estado de coisas, e até como imperativo moral e político, levanta-se a candidatura de Mauro Iasi. Ela é apresentada por um partido pequeno mas digno – o PCB . Um Partido que não pactua com a baixeza e os jogos de interesses da política mercantilizada conduzida por profissionais do marketing, uma pseudo-democracia. Ela poderá abrir caminho para um futuro candidato de convergência de forças anti-reformistas, anti-capitalistas e anti-imperialistas que ponha o socialismo na ordem do dia. 

O fracasso da social-democracia lulista está à vista de todos. Em 12 anos de poder nada fez pela Reforma Agrária; assumiu-se como um apêndice do imperialismo ao comandar a ocupação do Haiti; manteve as privatizações selvagens dos governos anteriores; entrega em leilões escandalosos as reservas de petróleo descobertas pela Petrobrás; apoia a expansão do capital oligopolista brasileiro em Angola, Moçambique, Guiné, Portugal, Equador, Bolívia e muitos outros países; reprimarizou a economia brasileira transformando-a numa exportadora de produtos agro-minerais com pouco valor acrescentado; pouco ou nada fez pelo povo brasileiro além de programas eleitoreiros/assistenciais. 

Os brasileiros começaram a acordar em Junho de 2013, com as manifestações anti-Copa. É o princípio de um longo caminho. A candidatura Iasi irá apoiá-lo na sua luta. (Com resistir.info)

A Palestina resistiu e vencerá



"O Acordo para um cessar-fogo permanente em Gaza, independentemente de desenvolvimentos da situação, assinalou uma vitória do povo da Palestina e uma derrota política e militar do estado terrorista de Israel.

Apos 50 dias de bombardeamento aéreo, naval e terrestre, o governo neofascista de Tel Aviv, incapaz de vencer a Resistência palestiniana, liderada pelo Hamas, viu-se forçado a firmar um acordo que pôs fim- pelo menos temporariamente – à sua agressão. O fato de três membros do gabinete de Netanyahu terem votado contra é esclarecedor da frustração dos ultras israelenses.

O compromisso alcançado no Cairo é amplamente favorável aos palestinianos, como foi sublinhado por Moussa Marzuk, porta-voz do Hamas:
1. O bloqueio a Gaza será parcialmente levantado para entrada de alimentos, materiais para a reconstrução, e ajuda humanitária

2. As comunicações com a Cisjordânia serão facilitadas

3. A faixa pesqueira de Gaza será ampliada

4. A abertura de um aeroporto e a construção de um porto internacional serão tema de futuras negociações.

O povo de Gaza saiu às ruas para festejar ruidosamente o fim da agressão genocida. Mas o balanço da barbárie israelense é pesado. Segundo a ONU, morreram 2 120 palestinianos (600 crianças) e foram feridos mais de 11 000. 

Nas horas que precederam o cessar-fogo, a força aérea de Tel Aviv destruiu alguns dos maiores edifícios de Gaza e bombardeou mais uma escola da ONU, onde se haviam refugiado mulheres e crianças.

A condenação da criminosa agressão pela esmagadora maioria da humanidade pesou no recuo israelense. Mas o governo de Obama permaneceu até ao fim solidário com o seu grande aliado, alegando que este agira «em legítima defesa». Não reconheceu sequer que Israel não atingiu os objetivos mínimos que havia fixado.

O Hamas não será desarmado e sai fortalecido da orgia de barbárie que se abateu sobre a martirizada Gaza.

O diario.info manifesta a sua solidariedade ao povo heroico da Palestina.

OS EDITORES DE ODIARIO.INF"

A VITÓRIA PALESTINA

                                            
Quando uma potência militar não consegue subjugar um oponente muito mais fraco, isso constitui uma vitória para o oponente. Os 50 dias de carnificina que o estado nazi-sionista desencadeou contra o povo de Gaza saldaram-se num fracasso. O Hamas – felizmente – manteve e mantém a sua capacidade militar.

A única coisa que a tropa nazi-sionista conseguiu foi massacrar população civil, mulheres e crianças, destruir hospitais, escolas e habitações. Massacrar inocentes desarmados é o que eles sabem fazer melhor. 

Mesmo com uma superioridade esmagadora a tropa sionista não conseguiu derrotar um adversário que não dispõe de força aérea, nem de marinha, nem de mísseis, nem de meios equivalentes em quantidade e qualidade. 

O mito da invencibilidade da tropa sionista começou a desmoronar-se com os golpes que lhe infligiu o Hezbollah na última guerra no Libano. E continuou agora depois desta nova agressão contra o povo de Gaza. 

Falta saber se o acordo do Cairo de 26 de Agosto será respeitado pelos nazi-sionistas. Os seus crimes contra os direitos humanos continuam diariamente nos bantustões onde arrebanham palestinos. É indispensável continuar a campanha de boicote ao estado nazi-sionista . 

Em tempo: Quem permite que a Embaixada de Israel em Portugal feche uma rua com uma cancela, vedando-a ao trânsito? O que tem a dizer acerca disto o Sr. António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa? As ruas da capital portuguesa já não são públicas? A municipalidade lisboeta permite a instalação de check points como na Faixa de Gaza?  (Com resistir.info)

Recado direto de Havana

                                                                

                                                          
                   É prematuro pensar em acordo de paz ainda neste ano, dizem FARC


Em entrevista exclusiva a Opera Mundi, negociadores da guerrilha nos diálogos de paz analisam diferenças com governo colombiano e expõem objetivos do grupo agora e depois de um eventual cessar-fogo
      
Desde outubro de 2012, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo colombiano mantêm um diálogo de paz para tentar colocar fim a 50 anos de confronto armado. No início das negociações foram fixados seis pontos para a agenda, sendo que três deles já foram analisados. No momento, as duas partes discutem o tema das vítimas.

Em meio a esse contexto, Jairo Martínez e Tomás Hojeda, dois dos membros da delegação da guerrilha em Havana, concederam entrevista exclusiva a Opera Mundi. Por e-mail, eles analisam não só o atual estágio das negociações, mas também os motivos que levaram ao fracasso de diálogos anteriores.

Martínez e Hojeda classificam como “prematuro” pensar em um acordo com o governo ainda em 2014 e classificam o tema das vítimas como o mais polêmico da agenda. Como representantes das FARC, eles argumentam que a busca pela paz sempre foi um dos objetivos do grupo, diferentemente do que ocorre com as classes dirigentes do país. 

Leia a entrevista abaixo. 

Opera Mundi: O atual presidente colombiano, Juan Manuel Santos, foi ministro de Defesa do governo anterior, de Álvaro Uribe, ou seja, responsável direto pelas políticas de combate à insurgência. O que mudou em relação a seu antecessor?
Jairo Martínez e Tomás Hojeda: Uribe e Santos representam um mesmo projeto ideológico, o que está em jogo é quem vai controlar o poder político e a burocracia. Não se debate a propriedade dos meios de produção, a nacionalização dos recursos estratégicos, os estragos da liberdade de capitais, a alternância de poder, nada disso está em discussão. As diferenças políticas na maioria das democracias burguesas estão dadas por métodos para conseguir seu propósito. No fundo, não muda nada.

OM: Por que as FARC começaram a negociar um acordo com o governo do presidente Santos?
JM e TH: O ponto de paz nós temos proposto como uma estratégia política nossa. A bandeira para alcançar a paz é das FARC, por isso levamos essa consigna a todos os setores do país e pouco a pouco foi ganhando os milhões de colombianos nos colégios e universidades, ganhando os trabalhadores, camponeses, indígenas, afrodescendentes, deslocados, desempregados. É uma bandeira dos oprimidos.

A construção da paz é um assunto de toda a sociedade em seu conjunto, que requer a participação de todos e todas, sem distinção, incluídas outras organizações guerrilheiras às quais convidamos a se unir a este propósito. Este país não pode estar condenado para sempre à injustiça e à guerra. Estivemos presentes sempre que se abriu a possibilidade de buscar uma saída negociada ao conflito social e armado que o país vive.

OM: Sobre estas tentativas de negociações em governos anteriores, por que fracassaram? 
JM e TH: Historicamente, a classe dirigente não teve vontade para fazer as mudanças que o país demanda e para que a paz e a reconciliação sejam viáveis. Todos os processos de paz anteriores fracassaram porque foram concebidos para desarmar, desmobilizar as guerrilhas, sem realizar mudanças estruturais, de modo que sigam sempre garantindo o estado atual de privilégios para os de sempre.

Fracassaram porque os governos que empreenderam estes propósitos careciam do apoio político necessário para empreender um processo desta envergadura. Porque a máquina de guerra imposta pelos Estados Unidos sempre foi prioridade. Na Colômbia sempre houve conflitos e sempre houve processos de paz, mas nunca se tocou no fundamental: as causas estruturais que originaram a guerra.
Presidente colombiano defende uso terapêutico da maconha

Colômbia anuncia nomes das vítimas de guerra civil que participarão dos diálogos de paz

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OM: Qual a diferença do atual processo de diálogos? Por que acreditar que desta vez pode chegar a um final exitoso?
JM e TH: A diferença deste processo em relação aos anteriores é que desde o início se elaborou um acordo geral para finalização do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura. Foram definidos seis pontos centrais que servem de guia. Três deles foram desenvolvidos parcialmente: política de desenvolvimento agrário integral, participação política e solução ao problema das drogas. Avançamos muito bem no quarto ponto, que se refere às vítimas.


Em todo processo há dificuldades de toda natureza, existiram e continuarão existindo, mas se percebe boa vontade de ambas as partes. Outro elemento positivo é a participação de setores sociais comprometidos na defesa do processo de paz, que estão muito mais comprometidas que nos diálogos anteriores.

Somos otimistas sobre o que está acontecendo na mesa de conversações de Havana, com a mirada positiva da região e as manifestações internacionais de apoio.

OM: As negociações que estão sendo iniciadas em relação ao tema das vítimas são consideradas por especialistas as mais polêmicas da mesa. Como as FARC estão abordando o tema e quais suas diferenças em relação às posições do governo?

[Jairo Martínez é um dos comandantes do Bloco Sul das FARC, considerado um dos principais em termos econômicos e militares]

JM e TH: Sem dúvidas, é o tema mais polêmico. Simplesmente porque se está buscando encontrar as origens, as causas e as consequências de uma guerra que as oligarquias colombianas nos impuseram cumprindo orientações do grande império, os Estados Unidos da América.

Toda guerra deixa consequências nefastas. A nossa não é exceção. Provocou milhões de deslocamentos de população, centenas de milhares de expropriados, dezenas de milhares de desaparecidos e torturados, vítimas provenientes em sua imensa maioria de classes subalternas, dominadas e exploradas em nosso país.

Estamos tratando o tema das vítimas com propostas. Os comunicados conjuntos expressam que “ressarcir as vítimas está no centro do acordo”, por isso propusemos dez princípios: o reconhecimento às vítimas, o reconhecimento de responsabilidade, satisfação dos direitos das vítimas, participação das vítimas, esclarecimento da verdade, reparação das vítimas, garantias de proteção e segurança, garantias de não repetição, princípios de reconciliação e enfoque de direitos. 

As diferenças são estruturais, mas é precisamente isso que estamos buscando entrar em consenso com o governo nos diálogos de Havana.

OM: Quais as principais divergências que poderiam impedir a conclusão dos diálogos entre governo e insurgentes?
JM e TH: A principal divergência está em que temos duas concepções muito distintas, duas visões de Estado. A visão atual, orientada e manejada com as receitas do imperialismo, do neoliberalismo e da burguesia, em que a exploração e o lucro predominam, em que o ser humano conta apenas como matéria prima no mercado de trabalho. E a nossa visão de um Estado em formação pelo qual estamos lutando, no qual prevaleça a justiça social, a intervenção direta do Estado nos recursos naturais estratégicos e na distribuição das receitas.

OM: Há especulações de que se poderia chegar a um acordo até o final deste ano. Isso seria possível?
JM e TH: As especulações neste sentido sempre saem oficialmente do governo. Nós pensamos e manifestamos que um acordo final para superação do conflito em prol de alcançar a paz com justiça social não depende de datas fatais, e sim que a disposição generosa do governo e seu compromisso abram as possibilidades e ofereçam garantias mínimas que ajudem a concretizar o acordo de transição concreta, já que as concepções mesquinhas permitem avançar pouco. Seria prematuro pensar que este ano haja assinatura de um acordo quando a comissão histórica para esclarecimento do conflito interno se conforma neste mês de agosto com um prazo de quatro meses para apresentar um relatório final à mesa de conversações. Sem dúvidas, esta comissão fortalecerá o debate e as discussões nas conversações trazendo o acúmulo desde 1930 até hoje, o que indica que há que levar o processo sem pressa e sem pausa.

OM: Se concluído, enfim, um acordo final, quais seriam os principais desafios para a fase de pós-conflito que o país passaria a viver?
JM e TH: O processo de conflito social e armado completa 65 anos e começamos a visualizar o que se chama de pós-conflito, definido como a fase que vêm depois dos acordos de paz e que supõe a recomposição da sociedade. Isso inclui aspectos como a verificação do pactuado, as garantias de segurança e não repetição, a desmobilização, a reinserção, solução a populações deslocadas, o fundo de capitais para cumprir o pactuado, as formas de participação política de todos os movimentos e partidos de oposição, como se vai dar o processo social de perdão e reconciliação, entre outros.

OM: Quais seriam os passos e estratégias do movimento insurgente para ingressar na vida civil?
JM e TH: Os passos se darão de acordo com o desenvolvimento e o cumprimento dos acordos gerais para finalização do conflito e construção de uma paz duradoura e estável, contidos na agenda geral pactuada entre o governo nacional e as FARC. 
                                                                
Tomás Hojeda (foto) é responsável pela área de comunicação da delegação de paz da guerrilha

O desafio é consolidar, fortalecer, criar um amplo movimento de massas capaz de colocar-se à frente para servir de guardião e garantir que este processo não seja abortado, que este novo movimento político tenha a capacidade, através de uma Assembleia Nacional Constituinte, de desmontar a concepção e teoria da segurança nacional - do inimigo interno- e o paramilitarismo. No econômico, com o desmonte do neoliberalismo poderíamos chegar a um ponto em que a justiça social seja o elemento central.

A luta é social, política, ideológica e organizativa para o fortalecimento e criação de uma força tal que nos permita seguir desenvolvendo nosso plano estratégico. Queremos a tomada do poder político já por outros meios porque há que deixar claro que a este propósito não estamos renunciando.

Eu quero mudança...

Estudo recomenda tomate para prevenir câncer de próstata

                                                               
Helen Briggs

Editora de Saúde da BBC News Online

Pesquisas indicam que o tomate pode ajudar a diminuir o risco de câncer de próstata
Homens que consumirem mais de dez porções de tomate por semana podem reduzir em 20% os riscos de câncer de próstata, indicou um estudo feito por pesquisadores britânicos.
O estudo, realizado em colaboração entre as universidades de Cambridge, Oxford e Bristol, analisou a alimentação e o estilo de vida de cerca de 20 mil britânicos com idade entre 50 e 69 anos.

Saúde

Os pesquisadores verificaram que aqueles que consumiam mais de dez porções de tomate por semana – na forma de saladas de tomate fresco ou suco de tomate, por exemplo – reduziram em 18% o risco de câncer de próstata.
Aqueles que consomem as recomendadas cinco porções de frutas e legumes - ou mais - por dia pode diminuem em 24% o risco de apresentar a doença no futuro, em comparação com homens que comem duas porções e meia desses alimentos ou menos, indicou a pesquisa.

Dieta balanceada

O câncer de próstata responde por 15% dos cânceres que afetam os homens, segundo a Rede Global do Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer (WCRF International, em inglês). Só em 2012 foram registrados mundialmente 1,1 milhão de casos, o equivalente a 8% de todos os casos, informa a organização.

Para prevenir a doença, os especialistas recomendam uma dieta balanceada, com ênfase em frutas e legumes, e pouca ingestão de gordura, sal e carne vermelha e industrializada.
No caso específico do tomate, os benefícios em termos de propriedades anticancerígenas podem vir do licopeno, um antioxidante que pode proteger o organismo contra danos nas células e no DNA.

"Nossas descobertas sugerem que os tomates podem ser muito importantes para a prevenção do câncer", disse Vanessa Er, da Escola de Medicina Social e Comunitária na Universidade de Bristol.

Ela acrescentou que "os homens também devem comer uma grande variedade de frutas e vegetais, manter um peso saudável e se exercitar com frequência". (Com a BBCBrasil)

Luis Goes brilhando novamente com o Boletim Santa Tereza, edição de setembro. Maravilhosa


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

PEC que permitiria venda da Gasmig é retirada de tramitação. Vitória importante do movimento sindical, principalmente do Sindieletro e do Sindágua

                                                                          

                                                                                              Foto: Sarah Torres


Presidência da ALMG defere requerimento para interromper tramitação da PEC 68/14


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 68/14 foi retirada de tramitação após a Presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) acatar requerimento com esta finalidade na Reunião Ordinária de Plenário de terça-feira (26/8/14). 

A proposição, cujo primeiro signatário é o deputado Sebastião Costa (PPS), com mais 32 assinaturas, dispõe sobre operações societárias de empresas estatais. Os mesmos parlamentares agora apresentaram requerimento para que a tramitação da proposição fosse interrompida.

A proposta era polêmica, pois abria a possibilidade de venda do controle acionário de empresas estatais não controladas diretamente pelo Estado sem autorização da ALMG. Uma dessas empresas é a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), subsidiária da Cemig que cuida da distribuição de gás natural. A Gasmig é a distribuidora exclusiva de gás natural canalizado em todo o território mineiro, por outorga de concessão pelo Estado.

O Plenário já havia designado comissão especial para analisar a proposição, que mobilizou deputados da base do Executivo e da oposição em sua discussão. 

Trabalhadores da Gasmig e da Cemig também se uniram contra a proposta, manifestando-se nas galerias do Plenário após a retomada dos trabalhos da Casa neste 2º semestre. 

(Com a ALMG)


Tribunal Popular condena Estado de Israel e determina ruptura de acordos

                                                   

“Condenar o Estado de Israel e empresas israelenses em razão do desenvolvimento de tecnologias de defesa e segurança a partir de experimentos contra o povo palestino, bem como pela exportação dessas tecnologias para todo o mundo, inclusive para o Brasil, generalizando meios e métodos de repressão e de extermínio de seres humanos”. Essa foi a sentença proferida pelo juiz de direito João Batista Damasceno, da Associação de Juízes para a Democracia,quem presidiu o julgamento do Estado de Israel no Tribunal Popular realizado no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, no último sábado (16).

 A sentença final também determina a ruptura do Estado Brasileiro com Israel em defesa dos direitos humanos. “Determinar às diversas esferas do Estado Brasileiro que rompam todos os acordos e relações comerciais, militares e diplomáticas com o Estado de Israel, posicionando-se assim de forma coerente com a defesa de direitos humanos e nacionais tanto do povo brasileiro como do povo palestino”, proferiu o juiz, reconhecido pela posição favorável aos direitos humanos e contra o racismo.

Organizado pela Frente em Defesa do Povo Palestino / BDS Brasil, o julgamento contou com a presença de diversas entidades e movimentos sociais. A sentença foi decidida por júri popular formado por oito representantes de diferentes organizações: CSP-Conlutas, CUT, Unidos para Lutar, Marcha Mundial de Mulheres, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), Liga da Juventude Islâmica, Rede Ecumênica da Juventude e ainda o Padre Julio Lancelotti.

Os dez depoimentos trataram da repressão contra os movimentos sociais no Brasil a partir da utilização de tecnologias israelenses.
  
O primeiro depoimento, de Jefferson Mendes do Quilombo Raça e Classe, denunciou a repressão da polícia carioca utilizando o famigerado Caveirão, particularmente na invasão da comunidade da Maré em junho de 2013, quando 13 moradores foram mortos –  o Caveirão é um veículo blindado fabricado em Israel.

Em seguida, quatro depoimentos trataram da violência policial em São Paulo,  que utiliza tecnologias e treinamentos israelenses: Chico Bezerra, do Comitê contra o Genocídio da População Negra, denunciou a violência policial na periferia; Agnes Karoline, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), relatou a repressão contra os movimentos por moradia; Ricardo Lourenço, do Sindicato dos Metroviários, explicitou a repressão e criminalização das lutas sindicais a partir do exemplo da greve dos metroviários; Jasmin, do Comitê Estadual Contra a Repressão discorreu sobre os processos de criminalização dos movimentos sociais.

 Representando o Comitê pela Retirada das Tropas do Haiti, Lucia Skromov fez um longo relato sobre os acordos militares entre as forças armadas nacionais e a indústria armamentista de Israel, e o impacto sobre a ocupação do Haiti liderada pelas tropas do Brasil.

Os acordos acadêmicos entre universidades brasileiras e instituições israelenses foram denunciados por Natula Lola, da ANEL, e Lucas Marcelino, da UNE, em particular o acordo assinado pelo governador Tarso Genro (RS) com a Elbit Systems, uma das principais empresas da indústria bélica israelenses, para a constituição de um polo aeroespacial no Rio Grande do Sul, com a participação de universidades públicas e privadas.

Por fim, a situação de humilhação imposta pelo Estado de Israel aos palestinos e árabes que vivem no Brasil no momento de visita a seus parentes na Palestina, foi relatada pelos palestinos Jamile Latif e Abdel Latif.

A promotora foi Soraya Misleh da Frente em Defesa do Povo Palestino / BDS Brasil. Apesar do convite realizado à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e de São Paulo, aos Ministérios da Defesa e de Relações Exteriores (Itamarati) e à Casa Civil do governo do Rio Grande do Sul, nenhum compareceu para realizar sua defesa.


Segundo Joaninha Oliveira, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, a iniciativa é uma política necessária de solidariedade ao povo palestino. “O fato do julgamento contar com inúmeras representações de entidades e condenar por unanimidade o Estado de Israel pelas atrocidades cometidas vem somar-se à campanha de apoio ao povo palestino, assim como a indicação de que o Estado brasileiro rompa as relações militares, comerciais e diplomáticas com Israel”, reforçou.

Veja abaixo a sentença completa, e também o link para o vídeo:

TRIBUNAL POPULAR
Réu: Estado de Israel
Imputação: Desenvolvimento de tecnologias destinadas à repressão de movimentos sociais, extermínio de seres humanos e exportação dessas tecnologias para todo o mundo. Celebração de acordos e relações comerciais, militares e diplomáticas com o Estado brasileiro para desenvolvimento e compartilhamento destas tecnologias a serem empregadas contra o povo.

SENTENÇA
O Tribunal Popular, após receber denúncia contra o Estado de Israel e contra entes estatais brasileiros com ele conveniados, instaurou processo para apuração dos fatos imputados e julgamento. Foi designado julgamento popular para esta data e foram remetidas correspondências para as Secretarias de Segurança Públicas do Estado do Rio de Janeiro e do Estado de São Paulo, Casa Civil do Estado Rio Grande do Sul, bem como para o Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores (Itamarati). Cumpridas as etapas do processo, ouvidas as testemunhas e produzidas outras provas concluiu-se o seguinte:

1) Na noite de 26 de junho de 2013, a Polícia Militar do Rio de Janeiro fez uma incursão na comunidade da Maré cujo resultado, além de violação coletiva e generalizada de direitos humanos, levou à morte de 13 pessoas. Para realizar esta incursão, a PM carioca utilizou veículos blindados conhecidos com “caveirões” fabricados pela empresa israelense Global Shield. O emprego do “caveirão” é generalizado nas incursões nas comunidades pobres do Rio de Janeiro.

Segundo divulgado pela imprensa fluminense, o Governo do Rio de Janeiro realizou no dia 21 de janeiro último licitação para compra de oito novos blindados (os chamados “caveirões”) por cerca de R$ 6 milhões. A empresa israelense Global Shield, que mantém contratos com as forças de ocupação na Palestina, venceu a concorrência milionária. O negócio com o Governo do Rio de Janeiro seria visto como uma “oportunidade” à Global Shield ter no estado que sediou jogos da Copa de 2014, e sediará as Olimpíadas de 2016, conforme afirmado pela mídia local, “o maior show room de segurança pública mundial”.

Como escreve em “A doutrina do choque” a jornalista Naomi Klein, Israel de fato se converte em um grande shopping center quando o assunto são aparatos militares, as chamadas tecnologias de defesa e segurança. Utiliza os palestinos como cobaias em laboratórios humanos para depois obter acordos com governos ao redor do mundo à repressão de suas próprias populações. No Brasil, os moradores da Maré estão entre as vítimas desses acordos. Essa comunidade tem muitas semelhanças com a situação a que é submetida a população palestina. Vive um apartheid social e vira e mexe convive com a violência institucionalizada e ocupação – agora com a ajuda de Israel.


2) A Policia Militar de São Paulo também tem um histórico de repressão contra a juventude negra nas comunidades pobres e contra manifestações. Além disso, realiza desocupações de forma violenta e também é empregada na repressão contra o movimento sindical, como foi o caso da greve dos metroviários de São Paulo realizada entre 5 e 9 de junho de 2014, na qual a tropa de choque ingressou dentro das estações do Metrô, que são espaços confinados, para reprimir grevistas. Para realizar suas ações, a PM paulista tem dispositivos tecnológicos israelenses como é o caso dos óculos com microcâmeras acopladas para identificação imediata de pessoas (e envio de dados das lideranças dos movimentos em tempo real ao banco de dados da polícia), além de equipamentos de raio X. A PM paulista também recebe treinamento junto a instituições israelenses. Vale lembrar que profissionais das polícias de vários estados já receberam treinamento em
Israel.


3) As forças armadas brasileiras vêm adquirindo equipamentos e serviços de treinamento de empresas armamentistas de Israel como a Elbit Systems, a Israel Aeroespace Industries e a Rafael Advanced Defense System, diretamente ou através de empresas nacionais com participação acionária das mesmas. Esse fato é relevante já que as forças armadas brasileiras hoje lideram as forças de ocupação no Haiti com registros de violações aos direitos humanos e nacionais da população haitiana.


4) No dia 29 de abril de 2013 o governo do Rio Grande do Sul firmou acordo com a empresa israelense Elbit Systems para a formação de um polo aeroespacial nesse estado, com convênios para a utilização das áreas de pesquisa de universidades públicas e privadas instaladas no estado, retardando o desenvolvimento de tecnologias nacionais, além de disponibilizar o estratégico setor que representa as universidades para direcionamento e controle por forças estrangeiras. Além de universidades gaúchas, instituições israelenses também têm variados convênios estabelecidos com universidades em todo o País, a começar pela Universidade de São Paulo (USP), que tem uma trajetória de realização de convênios com universidades israelenses.


5) Os reiterados casos de impedimento de ingresso na Palestina ocupada por parte do Estado de Israel particularmente de palestinos e seus descendentes que possuem dupla cidadania apontam para o monitoramento permanente dessa comunidade no Brasil e em outros países, bem como o monitoramento de manifestações, constituindo ações de perseguição e discriminação.


6) Os violentos ataques contra os palestinos em Gaza e também em outras partes da Palestina ocupada mostram que as denominadas tecnologias de defesa e segurança (que são na verdade tecnologias para o homicídio e terrorismo de Estado) são desenvolvidas na limpeza étnica do povo palestino e depois exportadas para todo o mundo, Brasil inclusive (que se tornou nos últimos anos um dos cinco maiores importadores de tecnologias militares israelenses).

Assim, ante a comprovação das acusações formuladas, o Tribunal Popular profere a presente SENTENÇA para:


Condenar o Estado de Israel e empresas israelenses em razão do desenvolvimento de tecnologias de defesa e segurança a partir de experimentos contra o povo palestino, bem como pela exportação dessas tecnologias para todo o mundo, inclusive para o Brasil, generalizando meios e métodos de repressão e de extermínio de seres humanos.


Determinar às diversas esferas do Estado Brasileiro que rompam todos os acordos e relações comerciais, militares e diplomáticas com o Estado de Israel, posicionando-se assim de forma coerente com a defesa de direitos humanos e nacionais tanto do povo brasileiro como do povo palestino.

São Paulo, 16 de agosto de 2014.
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Napalm no Vale do Ribeira


      
    
Documentos, destroços e relatos dos moradores contam uma história obscura da ditadura: em 1970 a FAB bombardeou região rural próxima a São Paulo com bombas incendiárias

Anne Vigna, Luciano Onça, Natalia Viana, da Agência Pública

Pedro Passos, o seu Pedrico, tem os causos de vida e a memória coalhados de bombas. São os resquícios dos bombardeios realizados em 1970 pela ditadura militar nas matas onde nasceu e se criou, no município de Cajati, Vale do Ribeira, a 200 quilômetros de São Paulo.

Ao longo dos anos, encontrou muitos pedaços dessa história que não está nos livros didáticos; da última vez, há cerca de 20 anos, achou uma carcaça da bomba incendiária enquanto roçava um sítio que margeia o Rio do Aleixo: uma chapa de aço, colorida pela ferrugem e pelo musgo, de cerca de 60 x 40 centímetros, em cujo centro um cilindro maciço de metal, de cerca de 5 centímetros de diâmetro, traz o número 528. 

Em julho deste ano ele guiou a reportagem da Agência Pública até o lugar, onde havia ainda outros achados: pedaços de aço enferrujados, vermelhos, cintas de alumínio contorcidas, mais um cilindro de metal, esse com o número 543.

É a primeira vez destroços das bombas de Napalm atiradas pela Força Aérea Brasileira são recolhidos no local. “Eu nunca tinha visto nada parecido”, diz seu Pedrico, com a data da megaoperação militar ainda na cabeça: final de abril até início de maio, 1970.

Identificação de uma das bombas encontradas

A “Operação Registro” foi a maior mobilização da história do II Exército. Foram empregados 2954 homens, entre membros do Centro de Informações do Exército, regimentos de infantaria e pára-quedistas das forças especiais, policias da Policia Militar e Rodoviária de São Paulo e do Dops, além da Marinha para vasculhar a área e capturar 9 integrantes da organização VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) comandados pelo Capitão Carlos Lamarca, que instalou dois centros de treinamento de guerrilha na área.

Como os pedaços de metal esquecidos nas matas do Vale do Ribeira, os pedaços dessa história foram propositalmente relegados ao esquecimento. A Agência Pública encontrou seu Pedrico – e a bomba – enquanto percorria o vale buscando encontrar vestígios do uso de armas químicas após localizar documentos franceses relatando bombardeios de Napalm na região. Encontrou 12 testemunhas dos bombardeios e foi levada por moradores a locais onde ainda se vê crateras feitas pelas bombas atiradas na área.

Procurada pela reportagem, a Força Aérea Brasileira limitou-se a dizer, através de sua assessoria de imprensa: “Não temos registros sobre os fatos em tela” .

Segundo o relatório escrito pelo comandante do II Exército, general José Canavarro Pereira – e mantido em segredo até o ano passado (veja aqui) – a FAB participou ativamente da “Operação Registro” através da 1ª Força Aerotática comandada pelo Brigadeiro Hipólito. No dia 20 de abril foram enviados 4 helicópteros, dois deles com poder de fogo, e 4 aviões T-6 “armados”. 

O relatório menciona ainda aviões B-26, sem especificar o número. Foram eles que se realizaram os bombardeios na região, sem dar nenhuma proteção aos camponeses. A única medida de segurança adotada foi proibi-los de entrar na floresta onde estavam os roçados, a caça e o palmito. “O Exército, eles vieram de carro primeiro”, lembra o sitiante Nelson Vieira, hoje com 68 anos, que ajudou a guiar os soldados pelas trilhas na mata. “Então pra nós aqui eles falaram: ‘Ninguém vai pro sítio. Não vão pra lá que o negócio nós vamos queimar esse mundo aí, porque nos vamos pegar esse povo. Se vocês tiverem lá também vocês vão morrer’”.

Adilson Vieira Alves tinha 8 anos quando aconteceu a “Operação Registro”. Lembra com exatidão impressionante da primeira vez que viu os monomotores da FAB: “A gente tava carpindo uma roça de alho bem em cima do morro, meus pais trabalhando e eu brincando. Ai comecei a observar no horizonte uma formação, parecia que era urubu mas não era. 

Comecei a escutar o barulho do helicóptero, tu tu tu tu, aí comecei a falar pra eles, ‘olha aquelas coisas lá, não é passarinho não’; e o barulho diferente que a gente não era acostumado. Aí veio essa formação do helicóptero, sobrevoou, passou por cima da gente, meu pai falou ‘acho que é coisa grave, é da polícia, acho melhor nós ir embora’. 

Passaram bem baixinho e logo em seguida vieram os aviões. Aí os aviões fizeram já esse rasante, e já começaram a jogar bomba, nesse mesmo dia. A gente via que eles faziam assim e começavam a descer. Parecia ovo que eles soltavam… Aí a gente escutava o barulho do estrondo… E não foi um dia só, foi mais de um dia, depois teve outras vezes que eles vieram de novo.”

Seu irmão mais velho, Oscar – que tinha na época 20 anos – completa: “Era um botijão grande que caía, explodia. Era perigoso aquilo, fazia um estrago, cortava árvore dessa grossura, arrancava… Você tá vendo negócio vindo lá de cima, que não tem um lugar certo de cair, aí nos passemos muito medo daquilo, que se um avião deles joga um tanto de coisa lá de cima quem vai saber onde vai cair né? Aí foi a pior parte que nós passemos”, diz. “Era uma guerra mesmo”.

A história que está escrita

É difícil precisar exatamente durante quantos dias as áreas vizinhas ao rancho dos Vieira Alves foram bombardRelatorio-da-Operação-Registroeadas, ou a quantidade exata de bombas que foram lançadas ali.

O mesmo relatório secreto do II Exército relata que a missão maior da FAB era a “inquietação do inimigo através de bombardeios e tiros de Relatorio da Operação Registrometralhadoras”. Mas é econômico ao detalhar os ataques aéreos: no dia 30 de abril de 1970 relata apenas que “a partir de 1030 horas iniciou-se o bombardeio da área com os T6 e B26”; no dia 4 de maio registra que “a partir das 1200 a I FAT bombardeou o centro da área”.

Já no dia 28 de abril, porém, uma terça-feira, o Jornal do Brasil estampava a manchete: “Exército fecha cerco a reduto da guerrilha”. Na reportagem da página 19 relatava: “Desde sexta-feira, aviões da FAB estão lançando bombas incendiárias sobre pontos da floresta na região do Vale do Ribeira onde estariam cerca de 20 guerrilheiros pertencentes à Vanguarda Popular Revolucionária (…). Nos bombardeios, realizados principalmente na área onde se localizam jazidas de minérios, em Cajati, distrito de Jacupiranga, aviões da FAB estariam despejando grande quantidade de Napalm, gasolina gelatinosa incendiária.

Os bombardeios começaram na tarde de sexta-feira [dia 24], depois que as forças governamentais conseguiram determinar a área provável da localização dos guerrilheiros, levantada por grupos de reconhecimento dos quais estariam participando civis conhecedores da floresta. A utilização de bombas incendiárias seria a única fórmula encontrada pelos militares para fazer com que os guerrilheiros deixem os seus refúgios, que são de acesso difícil”.

A reportagem repercutiu internacionalmente e no dia seguinte o jornal americano Los Angeles Times publicou a matéria: “Napalm usado em local de esconderijo de rebeldes brasileiros”, dizia o título. O que rendeu queixas dos militares no “Relatório Sucinto da Operação”: “O sigilo das operações foi mantido, impedindo-se a imprensa de penetrar na área, o que não impediu que alguns jornais publicassem informações sobre as operações, mas o DST [destacamento] não tinha atribuição para censurar artigos de jornais em São Paulo, Paraná e Guanabara [Rio de Janeiro]”.

Do outro lado da caçada, o sargento José Araújo Nóbrega, um dos 8 comandados de Lamarca que procuravam escapar do cerco militar, observava de longe as bombas destinadas a eles. “Eu não sei qual era o critério deles. Acho que eles que a imaginavam que gente tava homiziado numa região e eles bombardearam aquela região por suposição, mas a gente havia mesmo passado por ela. Houve um local lá próximo à região ali da capelinha, depois de Cajati, tem um vilarejo lá em cima no alto do morro, que próximo dele eles bombardearam. Eles imaginaram que a gente tivesse lá”.

A região da Capelinha seguiu sendo vasculhada até o dia 9 de maio, quando terminou a primeira fase da Operação Registro. Durante esse período, os militares bloquearam estradas e controlaram vilarejos inteiros, impondo um rígido toque recolher. Também prenderam dezenas de pessoas, entre elas apenas 2 guerrilheiros, o sargento Darcy Rodrigues e José Lavecchia, torturados diante dos agricultores da região (clique aqui para ler mais). 

Depois, as forças militares seguiram o rastro dos remanescentes até o município de Sete Barras, ao sul do rio Quilombo, região habitada por diversas comunidades quilombolas no limite da atual Reserva Florestal Carlos Botelho. O relatório do II Exército aponta que “as patrulhas foram retiradas da área e a I FAT metralhou e bombardeou a área no dia 29 de maio”.

Desavisados

“Na verdade o povo tava desavisado”, resume Jonas Braz de Oliveira, então presidente da Câmara de Deputados de Sete Barras. “O caso da bomba foi entre a Formosa e a reserva florestal [Carlos Botelho]. Lá sim foi despejado bomba mesmo. Me parece que era para intimidar só, porque numa área de terras de 300 alqueires você ficar jogando bomba, não vai pegar ninguém. Todos nós vimos. Tremia o solo lá”, lembra.

Outros dois guerrilheiros que foram presos na operação, Edmauro Gopfert e o sargento Nóbrega, perderam-se do grupo e foram apanhados nos dias 10 e 11 de maio, bem antes do último bombardeio registrado. No dia 31 daquele mês os 5 membros da VPR que sobraram chegaram à estrada que liga Sete Barras a São Miguel Arcanjo, onde renderam um caminhão do Exército e conseguiram escapar do cerco fugindo em direção a São Paulo – antes, eles mataram um policial, o tenente Alberto Mendes Júnior, num episódio que ficou tristemente notório. Lamarca só seria encontrado – e executado – no ano seguinte, no interior da Bahia.

Mas, apesar do fiasco da “Operação Registro”, o general José Canavarro Pereira escreveu no relatório final: “Conseguimos, de modo magnífico, realizar uma positiva integração do Exército, Aeronáutica e Marinha, reforçando a confiança mútua já existente entre nós. Parece-nos que a Operação Registro deixou um saldo francamente favorável”.

O adido militar francês sabia de tudo

Os adidos militares franceses participavam das reuniões do Estado Maior do Exército e tinham acesso privilegiado às operações militares, segundo arquivos secretos abertos depois de 30 anos na França. Eram amigos e conselheiros dos militares brasileiros, principalmente durante os anos mais duros da repressão – o caso mais notório é do general e instrutor de tortura Paul Aussaresses, conhecido como “o carrasco de Argel”.

Assim, enquanto o II Exército tentava distanciar os jornalistas brasileiros do palco dos acontecimentos, o adido Yves Boulnois tinha acesso livre e acompanhou a Operação Registro com muito interesse durante um mês. Em seu informe ao Ministério de Defesa francês, escrito em maio de 1970, descreve tudo o que pôde observar no terreno, incluindo técnicas militares e o material utilizado, já que um dos objetivos dos adidos era vender material bélico da indústria francesa.

No documento secreto de 1970 , ele descreve: “Unidades do Exército fecharam a zona entre as cidades de Cananeia, Eldorado Paulista, Registro e Iguape (cerca de 2500 km2) para realizar buscas enquanto as unidades aeronavais bombardeavam com explosivos e napalm as zonas menos accessíveis e ajudavam as tropas terrestres com helicópteros equipados com armamentos. AAdidos-Militares-demonstração-Napalm-1 (1) costa estava monitorada pela Marinha enquanto a Polícia Militar controlava todos os veículos e verificava a identidade das pessoas”.
                                                         
                                                               
Antes das operações reais, presenciadas por Boulnois, pelo menos 25 adidos militares estrangeiros assistiram, a bordo do Porta-Aviões “Minas Gerais”, uma demonstração do 1º Grupo de Aviação Embarcada com bombardeios de napalm feitos por sete aviões P-16, bimotores destinados à ação anti-submarina, no trajeto entre Rio de Janeiro e Cabo Frio, de acordo com o Jornal do Brasil.

FAB exibia nossas bombas de Napalm

Mas não foi essa a primeira demonstração de uso napalm pelos militares brasileiros; na verdade, as bombas incendiárias eram usadas em diversas Demonstração Aérea – 2 FAT – com bombas de Napalm (1) exibições aéreas levadas a cabo pela Aeronáutica. Assim, no dia 24 de março de 1970, em cerimônia presidida pelo Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Márcio de Souza e Melo, na abertura das atividades da 2ª Força Aerotática, na base de Santa Cruz (RJ), aviões de caça tipo F-8, TF-7 e TF-33 fizeram bombardeios com tiros terrestres e bombas de napalm, segundo outra reportagem do Jornal do Brasil. Em 19 de outubro do mesmo ano, a FAB fez um “show aéreo” que incluiu um bombardeio simulado na Base Aérea de Fortaleza em comemoração à “Semana da Asa”, atingindo as praias de Mucuripe, Náutico e Diários.

Em 1971, discutia-se abertamente o uso de napalm pela Polícia Federal para erradicar plantações de maconha, segundo informações passadas por fontes militares ao Jornal do Brasil. O caso virou polêmica. Em junho, o diretor-geral da Polícia Federal, o general Nilo Canepa, afirmou em entrevista coletiva que “a destruição maciça das plantações seria um grande passo para a erradicação do mal”. Porém, disse, haveria a dificuldade de serem localizadas com exatidão as plantações. O debate inspirou até mesmo um quadrinho de Henfil.
                                                                      
Meses depois, em outubro de 1971, o JB noticiava que aviões da base aérea de Santa Cruz, no Rio, apoiaram uma operação da policia militar fluminense à caça de uma quadrilha de assaltantes. A “movimentada caçada contou com a utilização de aviões da FAB da Base Aérea de Santa Cruz, que lançaram bombas napalm onde eles estavam escondidos”, dizia a reportagem de 16 de outubro.

O uso de Napalm, naquela época, estavam em voga, segundo levantamento do pesquisador americano Robert Neer no livro “Napalm, an American Biography” (Napalm, uma Biografia americana) publicado pela Universidade de Harvard. Bombardeios de Napalm foram feitos em setembro de 1975 contra guerrilhas no Peru, e em março de 1967 contra a guerrilha de Che Guevara na selva boliviana (pelo menos 150 bombas de 100 e 50 quilos foram fornecidas pelo governo argentino, segundo um informe secreto do Centro de Informações do Exterior, o CIEX ).

Foi apenas em 9 de junho de 1972 que a legendária foto de crianças queimadas por Napalm no Vietnam correu o mundo, gerando uma reação mundial.

No mesmo ano, segundo documentos revelados pela Comissão Nacional da Verdade, a Força Aérea Brasileira bombardeara três áreas com Napalm em repressão à guerrilha do Araguaia. A denúncia já havia sido feita pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho.

Questionada sobre como eram obtidas as bombas usadas pela FAB e quem as fabricava, a assessoria de imprensa respondeu que “por questão de segurança nacional, as informações sobre arsenal são classificadas e, portanto, não podem ser disponibilizadas”.

“O napalm não é muito difícil de produzir, pode ser feito de gasolina ou outra substância baseada em petróleo transformada em gel por diversos químicos diferentes”, explica Robert Neer. O incêndio é provocado pela mistura do napalm com fósforo branco, detonada por um explosivo no interior da bomba. 

“Nos anos 70 os Estados Unidos haviam tornado pública a fórmula, e portanto muitos exércitos a usavam. Mesmo assim, a fabricação de napalm estava sujeita à patente, que pertence ao governo americano”. A pressão internacional levou – apenas em 1980 – à proibição do uso dessas bombas em áreas civis pela Convenção da ONU sobre Armas Convencionais. O Brasil só assinou a convenção em 1995. Em áreas de combate, elas ainda são permitidas pela legislação internacional.

Como se trata de um petroquímico, explica Robert Neer, o napalm queima prolongadamente e a altas temperaturas – fazendo um grande estrago imediato, mas deixando poucos vestígios com o passar do tempo. “A maior parte do material é queimado, então não há uma contaminação ambiental. Mas para as pessoas que são afetadas diretamente, os efeitos são terríveis, porque o napalm queima até os ossos”.

“Esses fragmentos das bombas confirmam o que sempre foi dito, houve bombardeio em uma região tão perto de São Paulo, fizeram um bombardeio indiscriminado, contra a população local, inclusive”, diz Ivan Seixas, coordenador da Comissão da Verdade Estadual da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Para nós que estamos reparando a verdade é muito importante contar essa história, por mais crua que seja”.

De volta ao Vale

No vale do Ribeira, sem um reconhecimento oficial do Estado brasileiro, os moradores continuam no escuro sobre o perigo a que foram expostos – e sobre o teatro de guerra do qual involuntariamente fizeram parte. Até alguns anos atrás, bombas encontradas no meio da floresta ainda eram usadas pela população desavisada. 

Uma delas acabou virando enfeite ao lado da cama de Silvio Moreira, o Silvinho: “Ela tava bem enferrujada, não dava pra saber a cor, só a cor do ferro; e tinha um pó branco, parecido com calcário… Peguei aquele material que tava dentro, coloquei fogo para ver se não explodia. Daí de lá eu tinha um carrinho velho, ai trouxe ate em casa, ai eu guardei acho que uns 2 meses, pessoal fala que guardei debaixo da cama, mas deixei num canto, no quarto mesmo”, lembra.

Quem conta sobre outra bomba, que durante meses virou banco à beira do caminho, é Zé Vieira, o melhor contador da Capelinha. “Foi achado duas ali na virada do seu Mané, que ia pro Aleixo. Eles puxaram bem pra a beira da estrada assim, arrastaram, e aí passava nego que ia trabalhar pra lá, sentavam-se nela, na beira da estrada. E nego bêbo, sabe? Chegava lá sentava em cima e acendia um cigarro pra ver se pegava fogo aquilo ali, se pegava fogo aquela desgraça e não pegava, ia embora, êeh!”. A mesma bomba teria sido detonada “pelas autoridades”, mas ninguém sabe precisar direito quando ou por quem. E assim, a História vai virando causo, mais um dos muitos causos da região.

Lembranças do cerco

“Maltrataram” muita gente. “Judiaram” do seu Maneco. Com essas palavras os moradores da Capelinha lembram da atuação do Exército durante o cerco militar que mobilizou quase 3 mil homens para capturar militantes da VPR. “A gente ficou com medo, um pouco. E o pior que ficou com medo que a polícia prendeu a gente, não deixou a gente sair”, conta Oscar Vieira, de 65 anos, cuja história não está registrada em nenhum documento oficial. Ele foi uma das dezenas de pessoas detidas pelos militares durante a primeira fase da operação. 

Ali, os militares implantaram um verdadeiro estado de exceção. Impediram os moradores de circular livremente pela floresta a menos que tivessem autorização por escrito, e decretaram um “toque de recolher” durante a noite. Os que se atreviam a sair sem permissão eram presos. “Eu fui pego na estrada aqui, na rua. Não tava com arma, com nada. Me pegaram como bandido, daí eu fiquei assustado com aquilo. Ficaram instigando, fazendo pergunta. Fizeram desfeita com a gente, né? Humilharam. 

Chamaram de vagabundo, ladrão, bandido”, lembra seu Oscar, que por dois dias foi cativo do Exército no acampamento militar montado na Vila Tatu. “Quando eles pegavam a pessoa, eles punham um guarda e não deixavam ela sair. Eram três guardas, dois de um lado e um de outro, tudo armado”. Antes de chegar até o acampamento, na beira da estrada ele sofreu mais “humilhação”: “Apontavam a arma e mandavam calar a boca, atiraram por cima de mim, pra ver se intimidavam. Deram mais ou menos uns 60 tiros de pistola por cima da minha cabeça pra ver se me intimidavam. A casca da bala caia em mim”.

A ação dos militares sobre a população é ainda hoje um dos maiores fantasmas que rondam a história do cerco militar. Para não deixar escapar os guerrilheiros, as detenções eram indiscriminadas, como bem relatou o Jornal do Brasil no dia 5 de maio: “no 17º dia de operações, destinadas a prender os terroristas que pretendiam treinar guerrilhas no vale da Ribeira, já foram detidas mais de 120 pessoas, das quais apenas 23 continuam presas”. 

Um dos presos era o ex-prefeito de Jacupiranga, Manoel de Lima, proprietário do terreno adquirido pela VPR para implantar campos de treinamento. Figura muito querida na região, seu “Maneco” foi submetido a sessões de tortura durante vários dias. Mas, além dele, não existem mais informações sobre as prisões realizadas, nem sobre quem foi mantido preso. Àquela altura, apenas dois dos guerrilheiros, o sargento Darcy Rodrigues e José Lavecchia, haviam sido efetivamente capturados.

Nelson Vieira, que chegou a ser mateiro do Exército na busca, ainda se lembra do dia em que os dois prisioneiros chegaram ao acampamento militar. “Eles chegavam aqui no pátio, tudo rasgado, aí ponhavam eles no chão assim algemado, com a cara no cascaio ali, ‘ó peguemos mais um aqui’. E iam lá as polícia, pegavam sanduíche e vinham do lado do cara e falavam pra ele, ‘quer um lanche?’, ele virava a cara, chacoalhava a cabeça assim, e falavam ‘táqui o lanche docê’, e péeim com aquela botinona na cara dele. Ai eles comiam o lanche. Dava dó. Era demais a judiação. Batiam demais. Não sei se deram um fim nesse povo”.

As torturas sofridas diante dos moradores foram relatas pelo sargento Darcy Rodrigues no livro “Sargento Darcy, Lugar Tenente da Lamarca”. Antes de chegar à Capelinha, conta, os dois presos foram desfilados nas ruas de Jacupiranga. “Nos fizeram desfilar uns 200 metros pela cidadezinha, sendo que íamos praticamente nus, de ceroulas e os corpos repletos de marcas, visíveis a olho nu, das torturas que havíamos sofrido, em uma cena grotesca e indigna”. 

No acampamento militar a tortura prosseguiu. “Éramos mantidos amarrados, deitados ao relento, com os braços e as pernas abertos, estaqueados pelos tornozelos e pelos pulsos. (…) Claro que não podíamos nos mover e nem ao menos virar o corpo. Nessa condição humilhante, degradante para o ser humano, passamos dias imobilizados, sob sol e chuva – na região chove muito, quase que diariamente – expostos aos insetos e a todas as variações de temperaturas”.

Depois de 20 dias, o Exército levantou o acampamento e foi embora de repente, sem dar nenhuma explicação. Seu Nelson resume bem a sensação que ficou pra quem é de lá. “O prefeito [Manoel de Lima] sofreu… Ih, deram choque elétrico para ele contar, mas ele não sabia de nada. Ninguém sabia, porque como vai saber o que eles [a guerrilha] queriam fazer aqui né? Agora o Exército soube direitinho que era outro país que tava tentando entrar aqui e ia atropelar nós daqui”. Ali na Capelinha, a história do Brasil ainda é aquela dos idos de 1970. (Com o Portal Fórum)

O manual de propaganda secreto dos israelitas



Patrick Cockburn


O manual para os porta-vozes israelitas deveria ser mais conhecido. Diz tudo sobre a hipocrisia e dissimulação da estratégia sionista. Mas diz igualmente muito sobre o seu isolamento face à opinião pública de todo o mundo, incluindo nos EUA e na UE.


Os porta-vozes israelitas têm que trabalhar duramente para explicar como mataram mais de 1.000 palestinos em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com os três civis que morreram em Israel em consequência dos foguetões e morteiros do Hamas. Mas na radio, na televisão e nos jornais os porta-vozes do governo israelita como Mark Regev mostram-se mais sofisticados e menos agressivos do que os seus predecessores, que com frequência se manifestavam visivelmente indiferentes face ao número de mortos palestinos.

Há uma razão que explica esta melhoria das habilidades em matéria de relações públicas dos porta-vozes israelitas. A julgar pelo que dizem, o manual de instruções que estão a utilizar é um estudo profissional, bem investigado e confidencial que explica como influir nos meios de comunicação e na opinião pública estado-unidense e europeia. 

Escrito pelo perito em sondagens e estratega político republicano Frank Luntz, o estudo foi encomendado há cinco anos por um grupo chamado The Israel Project, com escritórios nos EUA e em Israel, para ser utilizado por todas aquelas pessoas “situadas na primeira línea de combate da guerra mediática a favor de Israel“.

Cada uma das 112 páginas do livro está marcada com a legenda “não distribuir nem publicar”, e é fácil de compreender porquê. O relatório Luntz, intitulado oficialmente “Dicionário Global de Linguagem 2009 do Projecto Israel“, foi filtrado quase de forma imediata à Newsweek Online, mas a sua verdadeira importância raramente tem sido apreciada. 

O texto deveria ser de leitura obrigatória para todo o mundo, especialmente para os jornalistas interessados em qualquer aspecto da política israelita, devido às orientações que estabelece para os porta-vozes israelitas sobre “o que deve e não deve ser dito”.

Estas consignas são muito reveladoras do fosso que separa aquilo que os funcionários e políticos israelitas dizem do que realmente pensam, estando o que dizem minuciosamente ajustado ao resultado de sondagens especificamente delineadas para descobrir o que é que os estado-unidenses querem ouvir. Desde logo, nenhum periodista que entreviste um porta-voz israelita deveria fazê-lo sem ler este compêndio de muitos dos temas e frases empregadas pelo senhor Regev e seus colegas.

O manual está cheio de saborosos conselhos sobre a forma como devem amoldar as suas respostas às diferentes audiências. Por exemplo, o estudo diz que “os estado-unidenses estão de acordo que Israel ‘tem direito a possuir fronteiras defensáveis’.

Entretanto, não lhe traz qualquer vantagem definir exactamente quais deveriam ser essas fronteiras. Evite falar de fronteiras em termos de pré- ou post- 1967, uma vez que isso apenas serve para recordar aos estado-unidenses a historia militar de Israel. Isso resulta especialmente prejudicial na esquerda. Por exemplo, o apoio ao direito de Israel a ter fronteiras defensáveis cai de um intoxicador 89% para menos de 60% quando se fala delas em termos de 1967“.

¿E quanto ao direito ao retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes e a quem não é permitido regressar aos seus lares? Aqui o doutor Luntz tem um subtil conselho para os porta-vozes ao afirmar que “o direito ao retorno é uma questão demasiado melindrosa para que os israelitas a comuniquem de forma eficaz, pois em grande parte do discurso israelita ressoa o eco daquele “separados mas iguais” que os segregacionistas de 1950 e os partidários do apartheid da década de 1980 invocavam. O facto é que os estado-unidenses não gostam, não crêem e não aceitam o conceito de ‘separados mas iguais’ “.

Então, ¿como devem os porta-vozes actuar no que diz respeito ao que o folheto admite ser uma pergunta difícil? Deveriam designá-lo como uma “exigência”, partindo da base de que os estado-unidenses não gostam de gente que faça exigências.

 “Depois diga que ‘os palestinos não estão satisfeitos com o seu próprio Estado. Agora exigem território dentro de Israel’”. Outras sugestões para uma resposta israelita efectiva incluem dizer que o direito a retornar poderia chegar a fazer parte de um acordo final “em algum momento no futuro“.

O doutor Luntz constata que os estado-unidenses em geral têm medo da imigração massiva nos EUA, pelo que falar de “imigração palestina massiva” em Israel não lhes vai soar agradavelmente. Se nada disso funcionar, diga que o retorno dos palestinos “faria descarrilar os esforços para alcançar a paz“.

O relatório Luntz foi redigido na base da Operação Chumbo Fundido de Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, que causou a morte de 1.387 palestinos e nove israelitas.

Há um capítulo inteiro dedicado à questão de “isolar um Hamas apoiado pelo Irão e que constitui um obstáculo para a paz“. Infelizmente, quando em 6 de Julho se iniciou a operação Limite Protector surgiu um problema para os propagandistas israelitas, pois o Hamas estava desavindo com o Irão por causa da guerra da Síria e não mantinha contactos com Teerão. As relações amistosas foram reatadas nos últimos dias, graças… à invasão israelita.

Grande parte dos conselhos do doutor Luntz referem-se ao tom e à apresentação dos argumentos a favor de Israel. Segundo ele, é absolutamente crucial transpirar empatia em relação aos palestinos: “Os sujeitos a persuadir [sic] não estão preocupados em conhecer quanto sabes mas em saber quanto te preocupas. Deves mostrar empatia em relação a ambas as partes“. 

Isso poderia explicar porque numerosos porta-vozes israelitas aparecem quase soluçando pela trágica situação dos palestinos esmagados pelas bombas e projécteis israelitas.

Numa frase marcada em negrito, sublinhada e escrita em letras maiúsculas o doutor Luntz sustenta que os porta-vozes e líderes políticos israelitas não devem nunca, nunca jamais, justificar “o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes” e devem desafiar agressivamente aqueles que acusam Israel de tal crime. Os porta-vozes israelitas passaram as passas para ser fiéis a esta prescrição quando na passada quinta-feira as bombas israelitas mataram 16 palestinos num refúgio da ONU em Gaza.

Há uma lista de palavras e frases que devem ser utilizadas y una lista de las que há que evitar. O schmaltz (1) tem alta cotação: “A melhor e única forma de alcançar a paz duradoura é conseguir o respeito mútuo“. Acima de tudo, há que enfatizar em todo o momento os desejos de paz de Israel com os palestinos, porque isso é o que a esmagadora maioria dos estado-unidenses deseja. Mas toda a pressão sobre Israel para que faça realmente a paz pode aligeirar-se dizendo: “[há que avançar] passo a passo, dia a dia“, o que será aceite como “uma abordagem razoável relativamente à equação terra por paz“.

O doutor Luntz cita como exemplo de um “slogan israelita eficaz”, aquele que diz: “Quero dirigir-me especialmente às mães palestinas que perderam os seus filhos. Nenhum progenitor deveria ter que enterrar aquele que gerou“.

O estudo admite que na realidade o governo israelita não quer uma solução de dois Estados, mas diz que esse dado deve ser disfarçado porque 78% dos estado-unidenses deseja essa solução. Há que enfatizar a esperança numa melhoria económica para os palestinos.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é mencionado com aprovação por haver afirmado que “é tempo de que alguém pergunte ao Hamas: ¿Que estais vós fazendo para trazer a prosperidade ao vosso povo?“. A pergunta torna-se inverosímil pela pura hipocrisia de quem a faz: forma os sete anos de assédio económico israelita que reduziram a faixa de Gaza à pobreza e à miséria.

O objectivo da apresentação de factos que os porta-vozes israelitas fazem é sempre de dar aos estado-unidenses e aos europeus a impressão de que Israel quer a paz com os palestinos e que está disposto a ceder para a conseguir, quando todas as evidências indicam justamente o contrário. Embora não tenha sido concebido como tal, existem poucos estudos que esclareçam mais do que este sobre o moderno Israel, tanto em tempos de guerra como de paz.

Fonte: http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article71830

1 Tem o sentido de “feliz acontecimento”, “perspectiva favorável”. (Com odiario.info)

Não sei parar de te olhar...- É isso aí

Sem fugir do "script"

                                            
                                                                                            Xinhua/Divulgação

  José Carlos Alexandre

Eu quero falar sobre o debate da Band.

Como muitos comentaristas, estava aguardando com ansiedade o primeiro contato entre os presidenciáveis.

Pelo menos aqueles cujos partidos têm representação parlamentar.

Quem se saiu melhor? 

Acho que foi a ex-deputada Luciana Genro.

Foi a que realmente apresentou proposta nova. 

Os demais ficaram na mesmice de sempre. 

Felizmente não foi preciso que nenhum dos candidatos pedisse tempo para responder a ataques de concorrentes.

Um fato positivo. 

Agora, o médico Eduardo Jorge surpreendeu ao realmente representar seu papel de defensor fiel do Partido Verde. 

Mesmo com todos os equívocos normalmente cometidos por um partido burguês.

Estou escrevendo antes de ler os coleguinhas  que também viram o debates ou que dele participaram.

Só sei que Marina, Everaldo, Levy e Dilma cumpriram à risca o figurino que deles se esperava: isto é: nada de novo.

Já o candidato Aécio Neves foi o que realmente me pareceu, pelo menos no debate em foco, um verdadeiro estadista, digno de seu avô Tancredo, de Miguel Arraes e de Juscelino Kubitschek, que ele, por sinal citou. 

Claro, como pretendente ao cargo de presidente da República dentro deste sistema capitalista.

Estava tranquilo, trabalhou como zagueiro à direita e à esquerda, defendendo seus pontos de vista.

Os números dos institutos de pesquisa poderão até dar demonstrações de que Marina subiu no ranking após o debate.

Mas, repito, todos os candidatos , à exceção da representante do Psol, não saíram uma linha do "script".

Agora ´pe aguardar novo debate, talvez no SBT ou mesmo da Globo.

De qualquer forma, Aécio, que até adiantou o quem será o carro-chefe de sua política econômico-financeira, acho que entrou na reta final.

"Baixinho da Kaiser" agora é "El Bigodon", em comercial de tequila

                                                                         

O espanhol que ficou conhecido como o "Baixinho da Kaiser", José Valien Royo, voltou a protagonizar campanhas na TV. Agora, ele representa El Bigodon, personagem criado pela marca de tequilas El Jimador.

Além do comercial, a campanha também engloba conselhos engraçados e dicas de consumo responsável do personagem na página do Facebook da marca e uma promoção de troca de tequila nas lojas do grupo Si Señor.(Com o Portal Imprensa)