quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Meu bilhete

A realidade dos PCs
   

 José Carlos Alexandre (*)  

Comunistas mineiros dos principais centros operários do Estado se reúnem neste final de semana em Brumadinho.

Trata-se da primeira grande atividade do PCB este ano e para discussão de um tema fundamental  em partidos marxistas-leninistas: organização.

Em todo o mundo os partidos comunistas e operários enfrentam este problema na verdade desde os anos 98/91 quando da reunificação alemã e o fim da União Soviética.

Se se quiser fazer uma análise mais detalhada, o problema pode estar até um pouco mais atrás: a realização do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e o relatório Kruschiov de 1956.

De lá para cá, efetivamente, houve um certo relhamento do movimento operário internacional, de repercussão na Europa e em países fundamentais como no Brasil.

É certo que o chamado "ouro de Moscou", teve forte influência nos PCs, o que claramente se nota no Brasil.

Infelizmente as novas lideranças comunistas não souberam ou não estavam preparadas para tamanho "debácle" como foi a extinção da URSS.

Neste ponto a pequena Cuba soube sair-se melhor da crise do que a maioria dos partidos comunistas.

Pode-se notar que, com raríssimas exceções,  os PCs de hoje praticamente dependem do Fundo Partidário para sobreviver.

Não dispõem mais de poderosas editoras, jornais em profusão e quadros organizados para comandar greves, realizar passeatas vitoriosas (estão sempre à reboque) ou simplesmente editar agendas de fim de ano,

Estão faltando quadros profissionais nos PCs, como defendia Lenin.

Também como arcar com despesas para contratá-los se não têm forças para eleger parlamentares, colocar militantes à frente de grandes organizações sindicais e tudo mais?

É de se ressaltar o trabalho que têm militantes da juventude e dos movimentos feminino e negro em alguns PCs.

Leve-se em conta também algum tipo de ação de professores e intelectuais em geral.

Fora disso, o que existe é mera imitação de partidos comunistas.

Minas, quando põe em destaque, como no próximo final de semana a luta pela organização, merece elogios.

Pelo menos aqui se faz alguma coisa...

(*)José Carlos Alexandre é membro da Velha Guarda do PCB em Minas Gerais

São Paulo deve pagar diferenças sobre direito de arena a Diego Tardelli

                                                 
                                                          Reprodução da internet

O direito de arena devido ao jogador de futebol até 2011 não pode ser inferior a 20%. Isso porque, a redação da Lei Pelé à época estabelecia o repasse aos atletas de no mínimo 20% do valor total dos contratos de transmissão e retransmissão de imagens e eventos desportivos em que o clube participasse. Em 2011, a Lei 12.395/2011 alterou o percentual mínimo para 5%.

Seguindo esse entendimento, a 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou o São Paulo Futebol Clube a pagar a Diego Tardelli (foto) as diferenças relativas ao direito de arena pelo período em que o atleta atuou na equipe paulista, de 2002 a 2008. De acordo com a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o valor pode chegar a R$ 1 milhão.

Em sua defesa, o São Paulo afirmou existir um acordo firmado em 2000 entre o Clube dos Trezes — entidade que representa os principais times de futebol — e o Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp), o que tornaria legal o repasse de 5% antes da nova redação.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2º Região (SP) entendeu pela validade do acordo e reformou decisão da 57ª Vara do Trabalho de São Paulo, que condenara a equipe ao pagamento da diferença do direito de arena referente às competições em que Tardelli atuou pelo time paulista. O TRT-SP considerou legal a participação do sindicato no acordo com base na Lei 8.073/1990, que regulamenta a atuação dos sindicatos como substitutos processuais dos membros de uma categoria.

No TST, o relator do processo, o desembargador convocado João Pedro Silvestrin, restabeleceu a condenação da equipe da capital paulista, seguindo a jurisprudência do tribunal no sentido de considerar inválidos acordos que reduzem o percentual mínimo do direito de arena.

"No caso, os fatos que deram origem à lide ocorreram na vigência do texto original da Lei Pelé", afirmou. "A controvérsia cinge-se à aferição da possibilidade da redução por meio de acordo judicial".

Diego Tardelli também reclamou do não recebimento das parcelas do direito de arena sobre a participação em torneios internacionais. Pelo São Paulo, além do Campeonato Paulista de 2005 e dos Campeonatos Brasileiros de 2005 e 2007, o atleta disputou as Copas Sul-americanas de 2005 e 2007 e a Taça Libertadores da América de 2005, torneios internacionais organizados pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

O São Paulo alegou que os repasses referentes às competições estrangeiras são indevidos, pois os clubes brasileiros não são titulares do direito para negociar a transmissão desses jogos. Mas o argumento foi afastado pela 8ª Turma do TST que entendeu que a participação do clube nas competições organizadas por entidades internacionais envolve o recebimento de valores — como prêmios e cotas de participação — que remuneram o direito autorizado. "Portanto, deve ser reconhecido o direito do jogador à participação na exploração financeira do direito de arena relativa aos eventos desportivos internacionais de que tomou parte", concluiu o relator.

A decisão foi unânime. Após a publicação do acórdão, o São Paulo opôs embargos declaratórios, ainda não examinados. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

ARR-57300-49.2009.5.02.0057 (Com a Conjur)

LIBERDADE DE INFORMAÇÃO

                                          
É importante que o Supremo assegure o respeito ao sigilo da fonte

Marcelo Frullani Lopes

No momento em que a discussão sobre a liberdade de imprensa e seus limites atinge seu auge, um caso de enorme relevância deve ser julgado em breve pelo Supremo Tribunal Federal envolvendo um dos inúmeros aspectos desse tema.

Trata-se de uma Reclamação[1] apresentada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), por meio da qual a entidade pede a cassação de decisão proferida pelo juiz da 4ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto (SP), que determinou a quebra do sigilo telefônico de um repórter e de um jornal da cidade.

Resumidamente, em 2011 foram publicadas duas reportagens sobre a operação tamburutaca, feita pela Polícia Federal para investigar suposto esquema de corrupção na Delegacia do Trabalho do município. Nas matérias, foram expostos trechos de conversas telefônicas interceptadas por ordem do juiz da 4ª Vara da Justiça Federal, no bojo de processo que corria em segredo de justiça.

Inconformado com isso, o Ministério Público Federal pediu o indiciamento criminal do repórter, com a finalidade de apurar o cometimento de crime previsto no artigo 10 da Lei 9.296/96[2], isto é, a quebra de segredo de Justiça.

No decorrer dessa investigação, foi solicitada autorização judicial para quebra do sigilo telefônico tanto do repórter quanto do jornal, para que se identificasse a fonte das informações transmitidas ao jornalista. Esse pedido foi acolhido pelo magistrado.

Assim, a ANJ ajuizou Reclamação sob o argumento de que essa decisão fere a autoridade do julgado vinculante do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, isto é, a ação por meio da qual a chamada “Lei da Imprensa” (Lei 5.250/67) foi considerada não recepcionada pela Constituição de 1988.

Em decisão proferida no recesso judicial, o ministro Ricardo Lewandowski ressalta que o caso é extremamente complexo, pois de um lado se encontra a garantia do sigilo de fonte e, do outro, a violação do segredo de justiça. Sem entrar no mérito, o ministro determinou a suspensão da decisão do juiz de primeiro grau para preservar eventual utilidade do provimento judicial até o julgamento definitivo.

Em que pese a decisão no sentido de suspender a quebra de sigilo ter sido correta, o ministro partiu de um ponto de vista equivocado. O caso envolve uma série de discussões jurídicas importantes, porém devemos identificá-las e discuti-las separadamente.

Isto é, o conflito e a eventual necessidade de ponderação entre normas constitucionais referentes à liberdade de expressão/informação e segredo de justiça tem relevância no contexto da discussão quanto à tipicidade/atipicidade da conduta do jornalista. Não é esse o objeto da ação que corre no STF.

A Reclamação apresentada pela ANJ questiona a legalidade da quebra de sigilo telefônico de um jornalista, ao longo de um procedimento investigativo, para a apuração de suas fontes.

A decisão do juiz de primeira instância afronta claramente o artigo 5°, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura a todos “o acesso à informação” e resguarda “o sigilo de fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Nenhuma investigação, independentemente da natureza do suposto crime, pode ignorar tal preceito. Por isso, a decisão deve ser cassada pelo STF.

Isso não impede que o jornalista seja processado pelo crime previsto no artigo 10° da Lei 9.296/96. Essa é uma outra discussão extremamente importante, neste caso envolvendo, sim, conflito entre dois preceitos constitucionais, mas que ainda não foi sequer tratada em primeira instância.

Dessa forma, a norma que prevê o sigilo de fonte não se encontra em conflito com aquela que garante o segredo de justiça, pois eventual cometimento de crime por parte do jornalista ou de algum servidor público pode ser apurado por outros meios.

Neste momento, o importante é que a Corte Suprema assegure o respeito ao sigilo de fonte. A investigação sobre um suposto crime cometido pelo jornalista ou por servidor público pode prosseguir sem a necessidade de se violar uma norma tão indispensável à liberdade de expressão e de informação.

[1] Reclamação 19.464.

[2] Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. (Com a Conjur)

As lições de um embargo


Prometida por Obama, a retirada do embargo imposto a Cuba em 1962 por John F. Kennedy corrigiria uma violação do direito internacional tão indefensável que todos os Estados do planeta, com exceção de Israel, condenam todos os anos a causa de Washington

Serge Halimi/Le Monde Diplomatique

A derrota eleitoral em novembro de 2014 parece ter revigorado o presidente dos Estados Unidos. Eleito triunfalmente para a Casa Branca em 2008 e dispondo durante seus dois primeiros anos de mandato de uma confortável maioria parlamentar, ele tirou disso tudo somente uma modesta reforma do sistema de saúde e uma ladainha de homilias pregando o compromisso a parlamentares republicanos dispostos a destruí-lo.1 

Desde que seu partido foi esmagado nas eleições de meio mandato, e com sua carreira política se aproximando do fim, Barack Obama multiplica, no entanto, escolhas audaciosas. Anunciada depois de um importante acordo climático com a China e da anistia a 5 milhões de imigrantes clandestinos, sua decisão de restabelecer as relações diplomáticas com Havana dá testemunho disso. A democracia norte-americana exigiria que um presidente não tivesse mais senadores fanáticos para administrar nem lobbies milionários a subornar para que pudesse tomar uma decisão razoável?

Prometida por Obama, a retirada do embargo imposto a Cuba em 1962 por John F. Kennedy corrigiria uma violação do direito internacional tão indefensável que todos os Estados do planeta, com exceção de Israel, condenam todos os anos a causa de Washington.2 

Sem dúvida eles tinham percebido que para além dos pretextos virtuosos que os Estados Unidos apresentavam (os direitos humanos, a liberdade de consciência), os quais todos sabem o quanto são respeitados seja nos aliados sauditas seja em Guantánamo, tratava-se para eles de marcar raivosamente seu despeito. Pois, a pouca distância da Flórida, um pequeno país tinha ousado enfrentar, por muito tempo e quase sozinho, o império norte-americano. Essa batalha da dignidade, da soberania, foi definitivamente vencida por David...

Mas a que custo... Se o embargo de Washington não atingiu seu objetivo de “mudança de regime” em Havana, o modelo cubano que ele procurava conter foi destruído. “Ele não funciona mais nem para nós”, concedeu Fidel Castro em 2010, para dar um aval para as reformas “liberais” impulsionadas por seu irmão Raúl. 

Depois do deslocamento do bloco soviético, do qual a ilha dependia para quase tudo, o poder de compra dos cubanos desmoronou. A maioria deles só sobrevive numa economia degringolada graças a uma frugalidade de cada instante e uma enorme capacidade de “dar um jeito”.3 Em Cuba, liberalizar será, por enquanto, principalmente deixar os assalariados, quase todos funcionários públicos, se tornarem proprietários de pequenos comércios.

Justificando sua decisão histórica, tão louvada pelas grandes empresas de seu país, preocupadas em desenvolver seus negócios na ilha (American Airlines, Hilton, PepsiCo etc.), o presidente Obama observou que “tentar provocar o afundamento de Cuba não serviria nem aos interesses norte-americanos nem ao povo cubano. 

Mesmo se isso pudesse funcionar – e não funcionou durante cinquenta anos – sabemos que os países têm mais possibilidades de se transformar de maneira duradoura quando seus povos não estão condenados ao caos”. Agora só resta a Washington, Berlim, Londres e Paris aplicarem essa lição à Rússia. Sem esperar cinquenta anos... 

Serge Halimi é o diretor de redação de Le Monde Diplomatique (França).

Ilustração: Zoriah/cc

1  Ler “Peut-on réformer les Etats-Unis?” [Podemos reformar os Estados Unidos?], Le Monde diplomatique, jan. 2010.

2  Em 2013, Palau, as Ilhas Marshall e a Micronésia se abstiveram durante o voto anual da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre essa questão.

3          Ler Renaud Lambert, “Ainsi vivent les Cubains” [Assim vivem os cubanos], Le Monde diplomatique, abr. 2011.

(Com Pátria Latina)

Reatamento

Ad[an Toledo/Rebelión

Cuba espera que diálogo com EUA seja construtivo e respeitoso

                                           
                                                           


Cuba e Estados Unidos começam hoje em Havana dois dias de diálogo ao mais alto nível nas últimas décadas, para abrir caminho à restauração das relações diplomáticas e tratar outros temas de interesse bilateral.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores (Minrex) disse à imprensa que Cuba vai a estes encontros com o espírito construtivo de sustentar um diálogo respeitoso, baseado na igualdade soberana e a reciprocidade, sem prejuízo da independência nacional e da autodeterminação do povo cubano.

"Não devemos pretender que tudo seja solucionado em uma só reunião", avaliou a fonte diplomática depois de afirmar que Cuba e EUA estão dando passos para restabelecer os vínculos rompidos há mais de 50 anos.

"A normalização de relações é um processo bem mais longo e complexo, onde há que abordar temas de interesse de ambas partes", acrescentou.

Na sua opinião, as medidas tomadas pelo presidente Barack Obama vão em uma direção positiva, mas ainda há muito que avançar em temas como o bloqueio econômico, comercial e financeiro que esse país impõe de maneira unilateral a Cuba.

Agregou que os contatos em torno da restauração de relações diplomáticas têm como fim trocar opiniões sobre as bases e o instrumento jurídico em que deverá ser sustentado dito processo e, ao mesmo tempo, coordenar as ações que ambos governos devem desenvolver.

Durante esta quarta-feira e amanhã, as delegações de ambos países sustentarão três encontros com o objetivo de abordar o tema migratório, o início do processo para a restauração das relações diplomáticas e outros assuntos de interesse bilateral e de cooperação.

A delegação norte-americana estará presidida pela secretária assistente de Estado para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, servidora pública de mais alto nível que visita a Ilha desde final da década de 70 do século passado.

Por sua vez, a parte cubana estará representada pela diretora geral de Estados Unidos do Minrex, Josefina Vidal Ferreiro.

Segundo o previsto, na reunião desta quarta-feira no Palácio de Convenções de Havana as partes se concentrarão em abordar o cumprimento dos acordos migratórios.

Uma reportagem publicada hoje no jornal Granma, que também cita um porta-voz da chancelaria cubana, indica que a delegação norte-americana será informada sobre o andamento das medidas tomadas em janeiro do 2013 para atualizar a política migratória nacional e seu impacto no fluxo de pessoas entre ambos países.

Neste primeiro encontro, a parte cubana expressará sua profunda preocupação pela persistência da política de "pés secos-pés molhados" e da Lei de Ajuste Cubano, que constituem o principal estímulo à emigração ilegal, afirmou a mesma fonte diplomática citada pelo jornal.

Acrescentou que também mostrará sua rejeição pela política estabelecida no ano de 2006 pelo ex-presidente George W. Bush de outorgar residência nos Estados Unidos aos profissionais e técnicos cubanos da saúde que abandonem sua missão em países terceiros.

O encontro de hoje será também um espaço para falar da cooperação bilateral no confronto à emigração ilegal, o contrabando de pessoas e a fraude de documentos, acrescentou.

"Cuba expressará o interesse de aumentar a cooperação com as autoridades norte-americanas neste tema, especificamente no confronto à emigração ilegal", disse o porta-voz diplomático citado pelo Granma.

A reportagem publicada hoje no Ã"rgão Oficial do Partido Comunista de Cuba indica que a reunião de ambas delegações programada para amanhã estará dedicada ao processo de restauração das relações diplomáticas e à abertura de embaixadas.

"Discutiremos como vamos restabelecer as relações", disse a fonte diplomática, que acrescentou que também serão abordados os princípios sobre os quais se sustentarão esses vínculos.

"A delegação cubana enfatizará que a restauração das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas em ambas capitais deverão ser baseadas nos princípios do direito internacional referendados na Carta das Nações Unidas e nas Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e Relações Consulares", disse.

O acatamento desses documentos, dos quais ambos países são signatários, significa o respeito recíproco ao sistema político e econômico de cada um dos países e evitar qualquer tipo de ingerência nos assuntos internos de nossas nações, destaca o Granma em sua matéria.

Esses princípios em essência são a igualdade soberana, a solução de controvérsias por meios pacíficos, abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer estado, bem como a igualdade de direitos, a livre determinação dos povos e a não intervenção nos assuntos que são jurisdição interna dos Estados.

Além disso, como parte das conversas se abordará o comportamento que as missões diplomáticas devem manter e as funções que devem exercer em correspondência com as Convenções de Viena.

"Neste contexto abordaremos a situação bancária de nossa missão em Washington, que está quase há um ano sem serviços bancários", disse o porta-voz e detalhou que "para abrir embaixadas isto é algo que deve ser resolvido".

O diplomata cubano também afirmou que Cuba vai fixar pautas ou pelo menos enunciar um grupo de temas que devem ser atendidos e discutidos dentro de um processo para a normalização.

"Resulta um contrassenso que restabeleçamos relações enquanto Cuba continua injustamente na lista de estados patrocinadores do terrorismo internacional", assinalou.

Além disso, se existe a vontade de normalizar as relações, é essencial eliminar o bloqueio econômico, comercial e financeiro que ainda se mantém. "Há que discutir as compensações por danos e prejuízos por uma política que está em vigor há mais de 50 anos", disse.

"Esses seriam temas que nós teríamos que abordar em uma agenda dirigida para a normalização", comentou.

No entanto, esclareceu que não se pretende esgotar este debate em uma só reunião. "Como se disse, ambas delegações apontariam as pautas sobre o que é que deve ser discutido como parte de um processo de normalização".

Para analisar estes temas é preciso preparar o terreno, há que apresentar posições, alguns são assuntos técnicos com níveis de complexidade que devemos abordar pouco a pouco, referiu. "Seria demasiado pretensioso tentar encontrar uma solução ao bloqueio em uma só reunião".

"Temos profundas diferenças e concepções diferentes sobre diversos temas, mas podemos conviver reconhecendo e respeitando essas diferenças", agregou.

Na mesma quinta-feira, as duas delegações vistoriarão diferentes áreas de cooperação.

"Estamos cooperando em alguns setores de interesse mútuo e de benefícios para ambos países. Devemos abordar as potencialidades que tem essa cooperação bilateral", detalhou o servidor público cubano.

Atualmente, existem certos níveis de coordenação no confronto à emigração ilegal, entre as tropas de fronteira e o serviço de guarda litorânea, bem como cooperação em interdição de drogas.

Também existe cooperação no confronto ao derramamento de petróleo, no marco de um instrumento regional, bem como um acordo assinado entre ambos países sobre busca e salvamento em caso de acidentes aéreos e marítimos.

Da mesma maneira, ambas nações estão começando a falar sobre o monitoramento de movimentos sísmicos, entre outros assuntos.

"Nesta reunião, Cuba reiterará a proposta que fez no ano passado ao governo dos EUA de sustentar um diálogo respeitoso sobre bases de reciprocidade no que se refere ao exercício dos direitos humanos.

Existem preocupações legítimas sobre o exercício dos direitos humanos nos Estados Unidos e situações que se dão nesse país que não acontecem no nosso. "Tudo isto pode ser abordado em um diálogo sobre bases recíprocas e em igualdade de condições", sustentou.

Além disso, o porta-voz disse que o governo estadunidense tem expressado seu interesse de vincular-se com a sociedade civil cubana.

"Neste sentido damos-lhe as boas-vindas para que se reúnam com as organizações reconhecidas que conformam uma vibrante sociedade civil em Cuba: estudantes, mulheres, camponeses, profissionais, portadores de necessidades especiais, sindicatos, entre outros", afirmou.

Como vizinhos, Cuba e Estados Unidos devem identificar áreas de interesse mútuo nas quais possa ser desenvolvida a cooperação em benefício de ambos países, da região e do mundo, assegurou.

A fonte apontou que Cuba e EUA estão entrando em uma nova etapa na relação e devem tentar não repetir os mesmos erros do passado. (Com Prensa Latina)

A União Europeia não existe

                                                                   

Daniel Vaz de Carvalho


1 – Ascensão e queda do mito europeu 

A UE existe? Não, o que existe é um projeto de fundamentalismo neoliberal conduzido por tecnocratas. O que temos é uma "união" de desemprego, pobreza, desesperança e revolta cidadã, em que milhões de pessoas são deixadas à margem, esmagadas pela austeridade enquanto a oligarquia acumula riqueza e todas as hipóteses de equilíbrio ou convergência estão excluídas na prática. 

Uma "união" que se constrói comandada pela oligarquia alemã e que, face ao seu total falhanço, ensaia já soluções de extrema-direita como no leste europeu, e de que o drama ucraniano é sintomático. 

Segundo o Eurostat o risco de pobreza ou exclusão social atingia em 2013 na Grécia 35,7% da população, na Espanha 27,3%, na Roménia 40,4%, na Letónia 35,1%, no Reino Unido 24,8%, na própria Alemanha 20,3%. Em Portugal como se sabe era de 27,4%. No entanto, como estes dados se referem a medianas podemos avaliar os níveis de pobreza pelos respetivos salários mínimos (brutos) que abrangem crescentes faixas de trabalhadores. Assim, na Roménia era de 157,5 €, na Letónia de 286,66 €, na Polónia 392,73 €. 

A UE tornou-se até risível para seus próceres como Christine Lagarde, ao afirmar temer que uma dieta de dívidas elevadas, crescimento fraco e desemprego se torne a nova normalidade na Europa. [1] A UE encaminha-se para nova recessão e o sistema bancário apesar de todas as medidas apresentadas desde 2008 como condições sine qua non para a "salvação" – de quê?! – está tão ou mais fragilizado que antes. 

A propaganda evolui no meio de ilusões, não apenas sobre a realidade, mas sobre as soluções adotadas. Este falso otimismo é apenas uma máscara para impor aos povos a austeridade que toma a forma de uma guerra social. A estabilidade económica da UE é ilusória. Pior, a UE encontra-se na terrível situação de as únicas soluções que poderiam resolver os problemas existentes levariam à destruição dos seus mitos e ambições de grande potência continental, para onde os seus tratados pretendiam convergir. 

Para os impor, a propaganda dizia ser necessário a "Europa (?) falar a uma só voz". Como se os interesses nacionais pouco ou nada importassem aos seus "ideais europeístas". Que espécie de UE é esta em que a única igualdade estatuída é para o capital multinacional? Em que os cidadãos são cada vez mais marginalizados, suas esperanças e projetos de vida negados em nome da "eficiência dos mercados". Em que a contestação se generaliza e é cada vez maior o descrédito dos políticos e das instituições que suportam este estado de coisas. 

Quaisquer que sejam os acontecimentos futuros, o poder enfeudado a Bruxelas/Berlim afastou-se de tal modo das pessoas e dos seus problemas, que, face à dissolução do poder dos Estados e à decadência económica, a contestação a uma "união" que na realidade não existe, continuará a acentuar-se. 

Que a UE não existe confirma-o Draghi (*) ao afirmar, e com ele comentadores e políticos do conformismo vigente, que o contrato social europeu é obsoleto e há que substituí-lo. É a "nova ordem europeia" em marcha: o neofascismo. A oligarquia dominante, a finança e seus políticos não estão em estado de suportar uma liberdade e uma democracia em que as aspirações populares sejam tidas em conta. 

2 – O euro uma aberração económica e social 

Com o euro foi preparado o caminho para os países deixarem de ter soberania. No Manifesto, Marx refere-se à moeda, ao dinheiro, como a ligação social dominante à qual todas as outras relações se reduzem.

A tese da neutralidade da moeda – um dos dogmas do monetarismo – conduz à "independência" dos bancos centrais, entidades que não dependem do poder político democrático, tendo como objetivo apenas garantir o que a oligarquia financeira define como prioritário e essencial. Os resultados estão à vista com o sistema financeiro europeu próximo do caos, mascarado pela austeridade e pela comunicação social controlada. 

Os preços monetários resultam de compromissos e conflitos de interesses, nisto decorrem da distribuição do poder. A moeda é um instrumento na luta entre indivíduos e grupos sociais à volta da apropriação deste tipo de direito. O cálculo monetário não tem sentido senão a partir de um conhecimento da distribuição de rendimentos. Ele é portanto dependente da organização social e não prévio ou a sua essência. [2] 

A desorientação que reina no sistema financeiro da UE pode ser avaliada pelo contorcionismo técnico a que o BCE recorre ao comprar títulos classificados como "lixo". É esta a forma de mascarar a verdadeira situação da banca europeia. Porém, isto apenas aumenta o descrédito do sector e da própria moeda, o euro. 

O BCE colocou o interesse dos banqueiros acima dos interesses dos povos. O facto de largo conjunto de bancos terem colapsado ou terem-se arrastado na fraude (por ex. casos Barclays, Deutsch BanK, Dexia, etc). A falta de credibilidade do sistema ficou demonstrada quando bancos colapsaram após terem passado nos testes de stress. Tal ocorreu na Irlanda, em Portugal, na Grécia – e depois de as regras terem sido supostamente tornadas mais eficazes, os bancos continuam a ir à falência atulhados de casos fraudulentos, como no Dexia ou no BES, verdadeiro "case study" político e económico de todo o sistema financeiro da UE. 

O euro, com o seu BCE, mais parece uma arma de vândalos que procedem à devastação e ruína dos povos para manter o seu poder discricionário. Porém, para que serve tudo isto? Dado que os países cederam o seu poder de criar dinheiro ao BCE e à banca privada, aceitando o uso do euro, é de facto possível irem à falência. Isto apenas torna a política do BCE mais idiótica ao tornar ainda mais difícil a vida dos países que se debatem para pagar as suas dívidas. [3] 

O euro é um instrumento do domínio alemão, impondo a moeda que mais lhe convêm, não permitindo a criação de moeda sem juros por bancos centrais dos Estados, dependentes do poder político democrático. A catástrofe não é sair do euro, é permanecer no euro que apenas trouxe estagnação, insuportável endividamento, dependência e, consequentemente, inevitável pobreza. 

3 – LARGO AL FACTOTUM 

No estado a que a UE chegou, pretende-se que as eleições sejam uma farsa. Uma farsa que faz lembrar o "largo al factotum" (deixem passar o faz-tudo) das Bodas de Fígaro (Mozart – Da Ponte). A "mulher mais poderosa da Europa", a Merkel, não passa do factótum do sr. Schauble, ignorante como qualquer fanática, tal como Isabel de Castela, obedecendo ao inquisidor Torquemada. 

Que dizer de Draghi, de Hollande, dos políticos do "arco do poder" em Espanha, na Grécia, ou Portugal com Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Cavaco Silva? Não passam de factótuns que mestre Miguel Urbano qualificava como uma "casta de aventureiros sem escrúpulos que a política de direita fez florescer e tornam o país um microcosmos do capitalismo no seu estado mais apodrecido." [4] 

O B de P é na realidade um departamento do BCE. O seu governador é um mero funcionário do BCE às ordens dos burocratas para os quais os interesses do povo português estão resumidos nos formulários que lhes foram atribuídos. Os governadores limitam-se a cumprir ordens e olhar para o lado quanto à má gestão e às fraudes. 

Vejam-se os presidentes da CE do inepto e subserviente Barroso a Junker, envolvido num escândalo (rapidamente abafado) de acordos fiscais secretos no Luxemburgo a centenas de multinacionais. Centenas de milhares de milhões de euros extorquidos aos países e aos povos! São indivíduos sem perfil, que agem como vozes do dono, repetem clichés, esgotam promessas que, de tão falseadas, se tornam meras mentiras que as pessoas ignoram ou desprezam. 

A austeridade é aplicada com a argumentação de pretender reconstituir um pretenso equilíbrio económico, resultado mecânico duma "concorrência livre e não falseada" que produziria mercados perfeitos. É a economia a funcionar como uma máquina hidráulica… 

Em nome de uma hipotética eficiência, impõe-se a lógica do mercado como regulador absoluto ignorando os riscos que lhe estão associados, como a corrupção, a fraude, as crises ditas "sistémicas". Este "mercado livre", com monopólios e especulação, está espartilhado num conjunto de regras autoritárias e determinações de agentes burocráticos. Porém, construir ou reformular a sociedade de acordo com um modelo pré-definido como ideal e perfeito e julgar as pessoas e as sociedades de acordo com esse modelo, releva da teologia fundamentalista. [5] 

Os políticos do sistema nem sequer põem a questão de avaliar se o tal equilíbrio financeiro é socialmente justo. A "ciência económica" vigente não passa de uma superstição destinada a subordinar os povos e o funcionamento das economias nacionais aos interesses das megaempresas transacionais e seus multimilionários. 

É este o resultado do modelo defendido pela social-democracia/socialismo reformista: um drástico retrocesso das condições sociais, com a UE a desempenhar o papel da "Santa Aliança" do século XIX. 

4 – A Grécia já está a arder? 

A simples hipótese das eleições na Grécia serem ganhas por um partido que não se afasta da social-democracia tradicional, provocou ameaças, quedas na bolsa, juros a subirem para inconcebíveis 9,7%; quando o BCE fornece dinheiro à banca privada sem custos e sem riscos. 

Os comentadores falaram em "nervosismo (!) dos mercados" e o FMI suspendeu a "ajuda" até ao novo governo. Só não se percebe é como uma "mão invisível" pode estar nervosa! Esta gente já não hesita em usar o obscurantismo e a estupidez como arma ideológica. 

O ministro alemão das finanças, Schauble, disse que "as políticas definidas por Bruxelas (que modéstia!), as reformas duras estão a dar frutos (quais? a quem?), têm de ser mantidas e não há alternativas." "As novas eleições não vão alterar os compromissos que temos com o governo grego. Qualquer novo governo tem de manter os compromissos assumidos pelos antecessores." 

Os nazis não pensavam de outra forma relativamente ao resto da Europa, só que a hipocrisia era menor. Não escondiam ao que iam. Na iminência da libertação de Paris, a questão colocada pelo Alto Comando nazi foi: "Paris já está a arder?" A versão atual de Paris a arder para que a "Alemanha" triunfe é a austeridade, o fogo lento que consume económica e socialmente os povos. 

Na Grécia, como em Portugal e por toda a UE, a "ajuda" e os "frutos" de que falava Shauble, estão envenenados, traduziu-se em mais miséria, desemprego, recessão económica, degradação das condições sociais e como vemos a instauração do neofascismo liberal. Simultaneamente, as instituições passaram a exercer um controlo desmedido sobre as políticas nacionais impondo um Estado hiperautoritário, designadamente uma estrutura de vigilância e punição anti-laboral e anti-social. [6] 

A democracia na UE tornou-se meramente formal com tratados que impõem à revelia dos povos as políticas neoliberais, fechando as portas às opções dos povos. A democracia como ato de participação e decisão coletiva deixa de ser necessária face à transformação da econometria neoliberal em ideologia. Cliques de "sábios", como os provenientes dos grandes grupos financeiros, decidem "o que é melhor para nós", o povo, tal como no fascismo. 

Quando os países fragilizados por estes processos, mais precisavam de poder democrático para decidir o seu destino e respirar a liberdade da soberania, foram colocados sob iníquas tutelas hipocritamente apelidadas de ajuda. 

Perante o aumento da contestação à burocracia de Bruxelas e à ditadura de Berlim, a Alemanha ensaia um recuo estratégico com algumas apressadas promessas que apenas comprovam que tudo o que andaram a obrigar os outros a fazer, não estava apenas errado, era absurdo e socialmente criminoso. 

Mas são remendos que nada alteram do essencial das políticas. Trata-se apenas de disfarçar um pouco o descalabro de uma falsa UE incapaz de resistir às perturbações que originou na Grécia, que não representa sequer 2% do PIB da zona euro e 1,4% da UE. 

A UE não existe, o que existe é um problema, uma guerra de classe contra os povos sob a designação de UE. Que democracia, que vontade do povo se permite então nesta UE? Que partidos democráticos aceitam esta chantagem? Portugal perdeu a soberania monetária, económica e até a legislativa está drasticamente limitada. Uma chantagem que se exerce contra as opções eleitorais, como o PR se faz eco com os seus pseudo consensos. 

O Estado democrático e a soberania popular garantidos pela Constituição, são as formas de proteger Portugal e os portugueses e nunca um poder espúrio transferido para uma decadente UE contra os interesses nacionais.

Notas 
[1] Patrick Wintour in Brisbane, The Guardian, 17 novembro 2014 
[2] Jacques Sapir, Les trous noirs de la science économique, Ed. Seuil, 2013, p. 239, 240, 242. 
[3] Geoff Davies, Sack the Economists - and Disband their Departments , Bwm Books, Canberra, 2014, p. 184 
[4] Um zoo humano de inimigos do povo 
[5] Jacques Sapir, obra citada, p. 108, 128, 129 
[6] Jacques Sapir, obra citada, p. 98, 99 

(*) Banqueiro e economista italiano, nota do editor do blog, assim como o grifos.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Que os políticos desçam de seus palanques!

                                                                   
                                                                                 Sizar/Divulgação
   Carlos Lúcio Gontijo           


          O Brasil, envolvido em manto de calor sem precedentes, com temperaturas acima de 30 graus e sensação térmica de 38/40, com reservatórios d’água e barragens bem abaixo de sua capacidade, colocando em risco tanto o abastecimento de água potável à população quanto a produção de energia elétrica, continua a assistir ao desenrolar de uma politicagem sem fim, com muito político ainda atrelado a discursos de palanque, para desespero dos cidadãos.

       Jamais compreendemos o porquê de empresas de abastecimento d’água e produção de energia elétrica estar sob o domínio de particulares e ter ações em bolsa de valores, pois a bem da verdade tais empreendimentos jamais se nos apresentam com lucro, uma vez que seu passivo junto ao meio ambiente é imensurável. Ou seja, o que é repassado a acionistas deveria ser utilizado para recuperação de matas ciliares, revitalização de fontes, riachos e córregos, desassoreamento de rios, reflorestamento, construção e interligação de reservatórios etc.

       Vivemos uma era de enganação e maldades explícitas. Hoje, não basta a pessoa galgar postos ou ser bem-sucedida, pois o seu regozijo será tanto maior quanto mais pessoas ela tiver magoado em seu processo de evolução. Há quem acredite que, ao ludibriar a sociedade e o seu grupo de amigos próximos, está também enganando o onipresente olho de Deus.

       Indubitavelmente, esse distúrbio comportamental religioso vem do equívoco de colocar o Criador em pé de igualdade com o ser humano, visualizando-o como uma entidade propensa à necessidade de aclamação e adoração, como qualquer celebridade, quando na realidade Deus quer é se ver exercitado através do amor ao próximo, de obras e atos em prol da construção de um mundo melhor.

       Em nosso romance “Jardim de Corpos”, grafamos que “o ateu que promove as leis de Deus através de ações e gestos está mais próximo do Criador que aquele que constantemente recorre a templos ou igrejas para pedir clemência por seus pecados”. Nesse mesmo caminho, temos frase espiritual de Bezerra de Menezes: “É melhor, às vezes, lidar com quem diz não ter religião e ama o próximo, servindo-o, do que com aqueles que se dizem religiosos, não amando o próximo e explorando-o”.

       Não podemos de maneira alguma aceitar que nossas autoridades legalmente constituídas se sintam maiores que os cargos que ocupam, democraticamente, em nome do povo, que em síntese, é o verdadeiro titular de cada assento disponível em todos os níveis da República, seja no governo federal, estadual ou municipal.

       É inaceitável que homem público ungido pelas urnas não saiba elencar prioridades e permaneça cometendo o desatino de trocar o ouro pelo espelho. A questão ambiental é fundamental; é assunto intimamente relacionado com o amor ao próximo e respeito ao planeta Terra, obra sublime do Ser Superior que nos rege. Dessa forma, está passando da hora de os políticos brasileiros e mundiais descerem de seus palanques carcomidos pelo cupim da mais absoluta inutilidade, passando ao exercício da oração que mais agrada ao Criador: ação e obras em benefício da humanidade!

       Carlos Lúcio Gontijo

       Poeta, escritor e jornalista

      www.carlosluciogontijo.jor.br

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E os comunistas se movimentam neste final de semana





Equipe de Jornalismo da TV Globo foi deportada pelo governo da Indonésia

                                                                       

Na última segunda-feira (19), o jornalista Márcio Gomes e mais um cinegrafista da TV Globo foram deportados pelo governo da Indonésia. 

Os dois estavam no país para cobrir a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, que aconteceu no último sábado (17), em Cilacap. Neste mesmo dia, eles chegaram a ser detidos e, embora liberados, tiveram seus passaportes retidos. 

Segundo as autoridades locais, os passaportes foram confiscados porque eles estavam no país a trabalho e o visto apresentado era para turismo. 

Gomes e o cinegrafista foram levados para a capital Jacarta, acompanhados pela polícia, já que estavam sem os documentos e de lá aguardariam o voo para Tóquio, onde o jornalista é fixado como correspondente da emissora. (Com o Portal Imprensa)

ABI realizará evento em defesa da liberdade religiosa e de expressão

                                                                          

Arcírio Gouvêa


A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em parceria com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), com o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e outras entidades, realizará, no próximo dia 21 de janeiro (quarta-feira), a partir das 17h, na sede da Entidade, o ato “Liberdade Religiosa, Liberdade de Expressão em Solidariedade às Vítimas de Intolerância no Brasil, Nigéria e na França”, em comemoração pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. 

Logo após os ataques terroristas na Europa e ainda na Nigéria, o grupo debaterá o assunto, e, com a presença de pesquisadores, jornalistas e religiosos, viabilizará conversa sobre esse tipo de discriminação também no Brasil.

A CCIR, integrada por cristãos, muçulmanos, judeus, umbandistas, candomblecistas, espíritas, ciganos, pagãos, budistas e de diversas outras religiões, que sempre marca o 21 de janeiro com algum evento, optou pela realização de uma discussão que possa expressar a importância das liberdades de cultos e, também, de imprensa e expressão. 

É o que afirma o interlocutor, babalawo, Ivanir dos Santos: “A Comissão sempre faz algo neste dia justamente porque uma sacerdotisa do Candomblé morreu nesta data, quando viu sua foto estampada na capa da Folha Universal a chamando de macumbeira charlatã. Esse tipo de sentimento raivoso não constrói, a exemplo do que ocorreu na França e na Nigéria”. 

Ele ressalta a necessidade da liberdade religiosa no mundo. “Convivemos com islâmicos na Comissão, e o que pregam não tem nada a ver com ódio, morte e intolerância. Toda pessoa que sabe a importância de sua fé respeita a do outro. Com certeza, atos terroristas não vêm de fiéis do Islamismo, e a liberdade de imprensa é essencial para o melhor desenvolvimento de todas as sociedades” .

O 21 de janeiro

Instituída como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a data remete ao falecimento de Gildásia dos Santos e Santos, fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, terreiro de Candomblé localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã, Salvador (BA). A mãe de santo foi vítima de AVC em 21 de janeiro de 2000, após ter seu rosto estampado na capa da publicação da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) com a manchete “macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”.

“O trabalho da CCIR é pela liberdade para todos, sem demonizações de religiões e respeito também pelos que não têm fé. Somos todos cidadãos e vivemos em um estado laico. É justamente com discursos fundamentalistas como os que vitimaram Mãe Gilda que fanáticos se acham, em nome de Deus, no direito de agir como na sede do jornal Charlie Hebdo. Por isso, dia 21, vamos chamar atenção da sociedade, mais uma vez, para o fato de que é preciso estar atenta ao respeito aos diferentes credos, incluindo ateus e agnósticos”, finalizou Ivanir dos Santos.

(*)Arcírio Gouvêa é diretor de Assistência Social da Associação Brasileira de Imprensa. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

SEM PERDER TEMPO

                                                                          


Conflitos na Palestina já estão sendo apurados pela Procuradoria do Tribunal Penal Internacional


Aline Pinheiro

A Procuradoria do Tribunal Penal Internacional já esta se ocupando dos conflitos na Palestina, apenas alguns dias depois de o território se tornar Estado-parte e aceitar a jurisdição do tribunal. 

Fatou Bensouda, procuradora-chefe do TPI, avisou na sexta feira (16/1) que havia aberto uma apuração preliminar para saber se foram cometidos crimes de guerra na Palestina. Se encontrar índicos de crimes, Fatou deverá abrir uma investigação formal.

A Palestina aderiu ao TPI no começo do mês e também assinou um tratado que permite a atuação do tribunal no seu território com caráter retroativo. Com isso, a corte pode chamar para si a competência para julgar acusados de crimes de guerra cometidos a partir de 13 de junho do ano passado.

Os palestinos pedem a intervenção do TPI desde 2009, sem sucesso. É que o Estatuto de Roma, que criou o tribunal, só permite o acesso de Estados. Como a Palestina não era considerada um Estado, não podia assinar o estatuto. 

Em novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU mudou o status da Palestina de entidade observadora para Estado observador. 

Para o TPI, com a mudança, a Palestina passou a ser reconhecida como um Estado nos termos do Estatuto de Roma e pode, portanto, fazer parte do tribunal. (Com a Conjur)

Em 2016, riqueza de 1% da população mundial será igual à dos outros 99%, diz ONG. O que significa isto? Que a concentração de renda é cada vez maior...

                                                                                                           Glenn Halog / Flickr
Participante do movimento Occupy Wall Street fantasiado de investidor no distrito financeiro de São Francisco, EUA, em 2011
                                                                                          
Relatório divulgado hoje pela organização Oxfam International estima que 1% da população, cerca de 70 milhões de pessoas, controlará 50% da riqueza mundial no próximo ano, mesma porcentagem dividida entre as outras 7 bilhões
      
Daqui a um ano, o aumento da desigualdade fará com que 1% das pessoas mais ricas tenha maior riqueza do que os outros 7 bilhões de habitantes do planeta. É a previsão da organização não governamental Oxfam International em seu relatório “Wealth: Having it All and Wanting More” [“Riqueza: ter tudo e querer mais”, em tradução livre].

O estudo foi divulgado hoje (19/01) antes da próxima reunião anual do Fórum Econômico de Davos, que reúne a elite econômica mundial na cidade suíça.

A crise tem aumentado nos últimos anos a fenda da desigualdade, enriquecendo os mais ricos, com destaque para os setores farmacêutico, financeiro e de seguros, em uma concentração da riqueza sem precedentes na história humana.

Este 1% da elite mais rica do mundo é formado por 70 milhões de pessoas, cujo acúmulo de riquezas não deixa de crescer face ao empobrecimento da maioria. Concretamente, 50% da riqueza do planeta estarão em breve nas mãos deste grupo.

No relatório, afirma-se que 20% dos bilionários que aparecem na lista Forbes de 2014 têm interesses nos setores financeiro e de seguros. O valor das fortunas desta porcentagem da população aumentou 11% nos doze meses anteriores a março de 2014, quando se publicou a lista.

No entanto, entre 2013 e 2014 a riqueza que experimentou um maior incremento foi a dos bilionários que, segundo a lista Forbes, desenvolvem atividades nos setores farmacêutico e de atendimento sanitário.

Ambos os setores (farmacêutico e de saúde) gastaram cerca de 500 milhões de dólares [mais de 1,3 bilhão de reais] em lobby, o que permitiu aos bilionários com interesses nestes âmbitos incrementarem sua fortuna em 47% no último ano.

A Oxfam considera necessário situar a luta contra a desigualdade como "objetivo internacional". Propõe também um "esforço fiscal justo e equitativo", aumentando a carga tributária do capital. O freio à evasão e à fraude fiscal das grandes empresas são outras propostas presentes no relatório, que não põe em causa o próprio sistema capitalista.

A defesa de serviços públicos gratuitos e universais, a fixação de salários mínimos e o apoio específico às mulheres, especialmente prejudicadas por este sistema desigual, são outras indicações da organização, assim como a defesa de programas de proteção social "adequados" para as pessoas mais pobres, incluindo sistemas de garantia de rendimentos mínimos.

Nada se diz no estudo, de resto, sobre a intrínseca tendência do capitalismo, a nível histórico, para a acumulação de capital como objetivo fundamental. 

O alargamento do mercado e a progressiva submissão dos valores de uso aos valores de troca, num quadro de relacionamento capital/trabalho baseado na relação de extorsão salarial, constitui a única via para garantir o incremento das mais-valias e taxas de lucro por parte da classe dominante. Uma lógica sistêmica de crescente expropriação de força de trabalho que conduz inevitavelmente para a desigualdade.

A experiência histórica e as projeções futuras indicam que não há reforma "humanizadora" possível do sistema e que a lógica capitalista mundial só pode ser retificada quebrando e ultrapassando o próprio capitalismo como sistema histórico. (Com Opera Mundi/Diário Liberdade)

EUA têm plano de guerra cibernética, afirma Snowden

                                                                           
A revista alemã Der Spiegel citou ontem (18) as palavras do ex-agente da CIA, Edward Snowden, ponderando que as agências de inteligência dos Estados Unidos estão preparando lançar uma guerra cibernética. Os programas de espionagem que haviam sido expostos, fazem uma parte do plano dos norte-americanos.

Segundo o artigo publicando no site do Der Spiegel, os EUA e seus aliados, inclusive o Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já não estão satisfeitos com as atuais atividades de vigilância. Qualquer país ou individual pode ser alvo do ataque da internet.

O artigo revelou que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA está realizando um programa chamado de "Politerain", que visa paralisar o sistema de rede de computador para facilitar o controle remoto.

História de jornalista que ficou preso na Síria vira filme

                                                              
                                                                                                    Divulgação

                                    Livro de Klester Cavalcanti sobre prisão síria vira filme



A história do jornalista Klester Cavalcanti, preso na cidade de Homs, na Síria, em maio de 2012, durante a cobertura das recentes rebeliões civis do país, e retratada no livro “Dias de Inferno na Síria”, vai virar filme e terá como diretor o ator global Caco Ciocler.

 “Há mais de um ano que eu converso com o Caco sobre a adaptação para o cinema”, contou Cavalcanti ao UOL. 

Quando foi para a Síria, a Cavalcanti era cobrir durante alguns dias a ação dos rebeldes em Homs. No entanto, ele acabou preso por forças leais ao regime do ditador Bashar al-Assad e ficou detido por seis dias em uma cela com outras 20 pessoas. Nesse tempo, o jornalista entrevistou os detentos para mostrar a rotina dos presos. 

A produção do filme acaba de começar e não estão definidos os atores nem o início das filmagens. (Com o PI)

Memorial da Resistência comemora seis anos de vida no sábado


                                                                       
No próximo sábado, 24 de janeiro, o Memorial da Resistência de São Paulo celebrará seu sexto aniversário com a Performance 436 (foto) e show poético-musical "As Músicas Inquietas", da Cia. do Tijolo

No dia 24 de janeiro, a partir das 10h, o Memorial da Resistência de São Paulo convida a todos(as) para celebrar seus 6 anos de pleno funcionamento.

Além das visitas acompanhadas por nossos educadores, serão apresentados o show poético-musical “As Músicas Inquietas”, da companhia teatral Cia. do Tijolo, e a exposição “436”, com as máscaras confeccionadas na performance “436”, do artista Alexandre D’Angeli. Todas as atividades são gratuitas e sem necessidade de inscrição prévia. Confira os locais e horários:

Performance 436
Exposição “436”
Local: Centro de Referência e Cela 2 da exposição de longa duração
Horário: a partir das 10h
Sobre a exposição: a performance “436” foi realizada pela primeira vez no Memorial da Resistência no período de 19 de outubro a 02 de novembro de 2014. Com base no conceito de Live Art, a performance consistiu na construção de 436 máscaras pelos visitantes do Memorial da Resistência com a orientação silenciosa do artista Alexandre D’Angeli. Cada uma delas representa um morto ou desaparecido político do Brasil.
Resultado de um minucioso trabalho de pesquisa, a máscara enquanto objeto presente na performance está destituída de sua função cênica. Seu uso figura como desejo pela presentificação, uma tentativa na busca pela ideia “desse” outro – o morto e o desaparecido.

Cia. do Tijolo
Show poético-musical “As Músicas Inquietas”
Local: Térreo, próximo à exposição temporária “119”
Horário: das 11h às 12h

Sobre o show: Através de poemas de Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Bertold Brecht, Thiago de Mello, Mário Benedetti, Frei Betto e Patativa do Assaré e de músicas que se tornaram o símbolo da resistência contra a ditadura que se abateu sobre o Brasil de 1964 a 1985, o espetáculo traça as linhas como um bordado que deseja reescrever a história. Este trabalho da Cia. do Tijolo foi criado especialmente para a “Jornada Resistente”, realizada em 2014 no Memorial da Resistência para rememorar os 50 anos do Golpe Civil-Militar de 1964.

Entre as 15 músicas selecionadas estão Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil), O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), Querelas do Brasil (Mauricio Tapajós e Aldir Blanc) e Suíte do Pescador (Dorival Caymmi).

Memorial da Resistência de São Paulo
24 de janeiro, sábado, a partir das 10h
Largo General Osório, 66 – Luz