domingo, 19 de novembro de 2017

Paraíso oculto

 Vasco Gargalo/Rebelión


Ato Nacional contra a censura nesta terça no Palácio das Artes

               

Perfil dos 8 candidatos presidenciais do Chile

                                    

São pouco mais de 14 milhões de eleitores os convocados, ainda que de forma voluntária. Os melhores estimados assinalam que 6,7 milhões de votantes seria uma cifra aceitável no primeiro turno deste domingo.

A seguir o breve perfil dos 8 candidatos a assumir o Palácio da Moeda em 11 de março de 2018: 

Sebastian Pinhera: figura da coalizão de direita Chile Vamos, chefe de estado de 2010 a 2014, tem centrado sua campanha de forma sistemática em ataques à administração de Michelle Bachelet e a centro-esquerda.

Multimilionário de quase 68 anos, também salpicado pelos escândalos de corrupção política e suposto tráfico de influências, conseguiu sair airoso e marcha de forma sustentada como amplo favorito nas pesquisas.

Seu eventual regresso à Moeda representará um passo atrás nas reformas empreendidas por Bachelet, ainda que projeta uma agenda própria com acento no desenvolvimento e a diminuição da pobreza.

Alejandro Guillier: jornalista de 64 anos, senador independente, surgiu discretamente como alternativa ao poder ante um vazio dentro da coalizão no poder Nova Maioria, insatisfeita pela baixa popularidade do ex presidente Ricardo Lagos.

Lagos, muito pouco apreciado nas pesquisas, finalmente perdeu a nomeação dentro do Partido Socialista, o maior de todos, que se optou por Guillier. Mas este fato provocou a cisão da Democracia Cristã (DC).

Todo este embrolho complicou a campanha do legislador que conquanto remontou posições nas últimas semanas, segue a baixo de Pinhera a 20 pontos percentuais. Valoriza as reformas de Bachelet, mas com mudanças e alguns pensam que na eleição pudesse dar a surpresa.

Beatriz Sánchez: outra jornalista de 46 anos, carta do jovem agrupamento Frente Amplo, também na centro-esquerda. Sua falta de experiência parece ter-lhe passado apuros e após um início prometedor perdeu apoios.

No entanto, sua projeção é vista como essencial para Guillier. Os votos da Frente Ampla em segundo turno pudessem ser decisivos. Sua linha é de aprofundar nas reformas, tomando distância de certas medidas aplicadas por Bachelet.

Marco Enríquez-Ominami: de 44 anos, em sua terceira campanha eleitoral, depois de provocar assombro a primeira vez com 20% de respaldo em 2009, conseguiu sobre o 10% em 2013 e agora segundo algumas sondagens pudesse ultrapassar 5% com sorte.

Cineasta, filho do assassinado líder do Movimento de Esquerda Revolucionário, Miguel Enríquez, e com um discurso fresco, perdeu pulso com acusações não provadas de receber dinheiro de empresas e de viajar em um jet privado na contenda anterior.

Mostrou-se dentro do leque de candidatos como o mais próximo ao legado de Bachelet, promete seguir aprofundando na ideia de um Chile mais justo, e se concentrou na figura de Pinhera para desbarrar da direita.

Carolina Goic: senadora e líder da democracia cristã, escolheu o caminho de distanciar-se da Nova Maioria e procurar as presidenciais de forma independente, o qual marcou a fratura da centro-esquerda.

De 44 anos, assistente social e economista, tem uma longa experiência como legisladora desde 2005 e conquanto manteve seu apoio ao Governo, se enfrentou à esquerda, em particular ao Partido Comunista.

Conta com apenas 3% de apoio segundo as sondagens e sua grande meta é se posicionar o melhor possível para depois negociar seus votos na eleição a mudança da influência da DC.

Alejandro Navarro: senador de 58 anos do novo Partido País, ex socialista e até faz pouco líder do Movimento Amplo Social (MAS), alinhado bem à esquerda, é crítico da classe política tradicional.

Lançou umas moedas a Pinhera para denunciar que não recebia créditos bancários para sua campanha como se obteve o homem de negócios. Propõe mudanças revolucionárias e profundos no Chile.

Eduardo Artés: assinalado como de ultraesquerda, este docente de 65 anos é crítico das posturas tradicionais tanto da direita como da esquerda e como aspirante da União Patriótica projeta dignidade e justiça social. José Antonio Kast: paladín da ultradireita, conta com o favor dos simpatizantes da ditadura de Augusto Pinochet e entre suas medidas controversas, que incluiria em seu governo se ganhar as eleições, é eliminar a estátua de Salvador Allende.

Advogado de 51 anos, ex membro do partido União Democrata Independente, promete reconstruir Chile com rejeição ao aborto, o casamento igualitário e a todas as iniciativas reformistas de Bachelet.

(Com Prensa Latina)

EM VÍDEO, CHICO BUARQUE SE UNE À FRENTE NACIONAL CONTRA A CENSURA


                                                                 
O cantor e compositor Chico Buarque publicou um vídeo neste fim de semana, em que declara seu apoio à Frente Nacional contra a Censura, que será lançada em Belo Horizonte, neste dia 21, no Palácio das Artes.

"Eu venho aqui saudar a criação da Frente Nacional contra a Censura.

 É necessário que artistas, que brasileiros esclarecidos em geral se manifestem enquanto é tempo contra a escalada desses movimentos que se dizem conservadores, mas que na verdade se valem de práticas fascistas, de intimidação e de violência, nas ruas e nas redes sociais, contra a liberdade de expressão", diz ele.

( Com 247)

Mauro Iasi põe a boca no trombone:"Estão destruindo nossos direitos"


Atividade de formação política promovida pela Frente Sindical Classista da Baixada Santista com a participação de Mauro Iasi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atividade ocorreu em Santos, no dia 16 de novembro de 2017, na sede do Sindipetro-LP.

Aumenta em 224 milhões a subnutrição na África

                                         

A subnutrição crônica na África subsaariana afeta hoje ao redor de 224 milhões de pessoas, um aumento em comparação com as 200 milhões registradas entre 2015 e 2016, informou a FAO.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou, em seu relatório “Panorama regional da segurança alimentar e nutrição na África 2017”, que essa situação se deve majoritariamente à mudança climática, aos conflitos e à queda da economia mundial.

O dado sobre a fome supõe que 25% dos 815 milhões de pessoas malnutridas no mundo em 2016 se encontram nesse continente, destacou o representante regional da FAO para a África, Bukar Tijani.

Definiu que entre os fatores determinantes para o aumento da fome na região aparecem o aumento da população incapaz de aceder aos alimentos, as condições climáticas adversas e os conflitos, fatores que com frequência coincidem.

O estudo indica que, na primeira década do milênio, a África subsaariana progrediu na luta contra a fome, que caiu de 29,1% a 20,6%. No entanto, este avanço retrocedeu em 2015 e 2016, em muitos países.

Essa virada foi devido, entre outras causas, ao impacto dos conflitos e às condições climáticas – como as reiteradas secas, com frequência relacionadas ao fenômeno do El Niño – que deram lugar a más colheitas e a perda de gado.

Segundo a pesquisa, existe um estreito vínculo entre a fome e os conflitos, ao afirmar que 489 milhões de pessoas dos 815 milhões que sofriam com a subnutrição no mundo em 2016 vivem em países assolados afetados pelos conflitos, a violência e a vulnerabilidade.

No caso da África subsaariana, a maioria da população subnutrida se encontra em países afetados por conflitos, indica o documento.

Afirma que quase se duplicam os países que sofrem com violência e crises prolongadas, afetando diretamente seus resultados nutricionais.

(Com Prensa Latina)

Árvore das Palavras: um jornal negro contra a ditadura

                                                                             

Discussões trazidas pelo 'Árvore' ajudaram a marcar o 20 de novembro - data da morte de Zumbi dos Palmares - como Dia da Consciência Negra
  

Lucas Estanislau e Tiago Angelo | São Paulo

Opera Mundi inaugura neste domingo (19/11) uma série de reportagens, com vídeos, sobre a imprensa alternativa no Brasil durante a ditadura militar. Conversamos com os fundadores e participantes dos veículos da época a fim de revisitar as histórias de seus jornais, que se misturam com a da resistência no período de exceção democrática no país. O jornal "Árvore das Palavras", ligado ao movimento negro, abre a série:

São Paulo, meados da década de 70. As universidades brasileiras borbulhavam com jornais “nanicos” assinados por estudantes que faziam resistência à ditadura civil-militar. Nelas, o movimento negro tentava ganhar força em um ambiente que tinha portas fechadas aos que não pertencessem às elites do país. A criação de jornais independentes foi um dos sinais dessa luta - e, neste contexto, surgiu o "Árvore das Palavras".

O "Árvore" foi idealizado pelo jornalista e escritor Jamu Minka, que queria criar um canal que ultrapassasse os muros da universidade, atingindo diretamente o povo negro, em uma proposta unificadora. A ideia era inspirada em experiências ocorridas em Angola e Moçambique, onde havia a proposta de uma discussão política levada a cabo em uma linguagem mais simples. O nome alude à tradição africana de se reunir sob as árvores de baobá para ouvir a palavra dos mais velhos.

A imprensa ligada ao movimento negro, de luta por direitos e de combate ao racismo, tem longa tradição na história brasileira. Entre os títulos, destacaram-se na primeira metade do século XX "O Clarim d’ Alvorada", que circulou de 1924 a 1932, e "Quilombo", fundado em 1948 for Abdias do Nascimento. 

“Uma das coisas que sempre ficou como disposição nossa foi de retomar a imprensa negra. Então o Jamu veio com essa proposta. Nós começamos a fazer esse jornal, como era prática do movimento estudantil na época. Num primeiro momento, em um mimeógrafo; depois, com aquelas impressoras que permitiam fazer textos em A4”, afirma Rafael Pinto, então estudante de ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) e membro da Núcleo Negro Socialista. 
Reprodução

Ele conta que, antes de o "Árvore" surgir, a militância já havia começado a distribuir materiais. “Inicialmente, nós fizemos textos de negro para negro e nós pegávamos temas que achávamos relevantes, rodávamos e distribuíamos onde nós encontrávamos o povo negro”, diz.

Outro membro que estava presente na criação do jornal e que permaneceu até o fim de sua circulação foi o então estudante de economia Milton Barbosa. Para ele, a elaboração do jornal se deu por conta da “necessidade de ter um meio de comunicação". "Nós discutíamos a necessidade de criar alguma coisa que levasse nossa mensagem”, diz. O objetivo era o de fazer “discussões com os setores de esquerda no Brasil, falávamos com eles da necessidade de falar [dessas] pautas”.

'Clandestino da década de 70'

O “clandestino da década de 1970”, como também ficou conhecido o jornal, era impresso sob segredo no Centro Acadêmico de Economia da USP, em um período no qual a questão racial era uma pauta censurada pela ditadura. Os fundos para a impressão do periódico eram angariados coletivamente entre os membros, que participavam de todo o processo de criação do periódico, da diagramação à distribuição.

Os autores do jornal não recordam exatamente o ano de lançamento do primeiro número, mas há registros de edições a partir de 1974. Também não se sabe quantas foram lançadas. O jornal não tinha uma periodicidade definida, já que, segundo Pinto, os exemplares iam às ruas quando os membros sentiam necessidade para tal. O "Árvore das Palavras" circulava no viaduto do Chá, na praça da Liberdade (ambos na região central da capital paulista) e nos bailes negros que também começavam a ser organizados em São Paulo.

Suas pautas trataram de temas relacionados ao encarceramento, trabalho doméstico, questões femininas, cotas e outras. As discussões trazidas pelo "Árvore" ajudaram a marcar o 20 de novembro - data da morte de Zumbi dos Palmares - como Dia da Consciência Negra.

E, é claro, a censura ficava de olho. Segundo o livro Histórias do movimento negro no Brasil: Depoimentos ao CPDOC, organizado por Verena Alberti e Almicar Araujo Pereira, toda a imprensa negra estava sendo observada pelas instituições de fiscalização da ditadura. Além do "Árvore", outras iniciativas semelhantes também eram acompanhadas de perto pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão repressivo do governo militar.

Barbosa relata que o jornal começou um trabalho “para discutir essa questão do racismo, da violência policial, a necessidade de ter uma cultura independente, que evitasse comercialização, porque já tinha gente querendo ganhar dinheiro com aquela cultura, aquele samba, a dança”.

Segundo ele, o "Árvore das Palavras" também trabalhava “arrebanhando pessoas pro processo de luta e de enfrentamento à alienação". "Então, às vezes, chamávamos pra lugares que estavam tendo atividades, reuniões”, conta.

Para Barbosa, os anos de existência do jornal marcam o início de uma luta que já dura mais de 40 anos, muito por conta do diálogo que o "Árvore" desenvolveu com outros periódicos e entidades de forte concentração negra. "Nós desenvolvemos isso em escolas de samba, nos terreiros de candomblé e umbanda, nos grupos culturais da periferia, grupos de capoeira", afirma.

Junto com períodicos de mesma temática, como o "Jornegro" e "Tição", o "Árvore das Palavras" foi responsável pela inauguração de debates que geraram unidade ao movimento negro no Brasil e que culminaram na criação do Movimento Negro Unificado,  em 1978, onde Pinto e Barbosa tiveram também um papel de destaque. A criação do MNU consolidou de vez a força da militância negra no país.

O momento que o jornal parou de circular não é preciso. Ocorreu entre o final de 1978 e o começo de 1979, quando o movimento negro passou se organizar dentro de grupos mais fortes e com mais autonomia. 

"Como o 'Árvore' foi uma ferramente coletiva, não teve um 'porque ele acabou'. Surgiram outros instrumentos, outras ferramentas, e ele foi deixado de lado. Aquela forma de fazer já não cabia mais, principalmente com o surgimento do MNU, que queríamos que fosse uma organização que unificasse todos os movimentos negros", diz Rafael Pinto.

(Com Opera Mundi)

Guimarães Rosa, recriador da linguagem literária brasileira, morria há 50 anos

                                                                    


Paulo Virgilio 


meio século, em 19 de novembro de 1967, morria o escritor João Guimarães Rosa, apenas três dias depois de assumir a cadeira número 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele havia sido eleito quatro anos antes, por unanimidade, em 1963. No auge da carreira, o autor consagrado por sua recriação da linguagem da literatura temia a emoção de tomar posse como acadêmico e, de fato, um infarto o matou aos 59 anos de idade.

Naquele mês de novembro de 1967, os jornais da época destacavam o fato de que, em uma mesma semana, a filha do autor mineiro, Wilma Guimarães Rosa, lançaria seu primeiro livro, Acontecências, no dia 13, e três dias depois, seu pai tomaria posse na ABL.

“Eram duas maravilhosas acontecências em nossas vidas, eu lançando meu primeiro livro e meu pai tendo o coroamento da carreira literária dele. Infelizmente, para nossa tristeza, no domingo, Dia da Bandeira que ele tanto reverenciava, Deus o chamou. Foi uma semana que começou linda, mágica, entusiasmante, e terminou de um modo trágico para todos nós, família, amigos, leitores, admiradores. Porém, resta o consolo da frase que meu pai proferiu, junto com o discurso de posse na Academia Brasileira de Letras: as pessoas não morrem, ficam encantadas”, relembra Wilma, em depoimento na página do Facebook da editora Nova Fronteira, há três décadas responsável pela publicação da obra de Guimarães Rosa.

Em vários pontos do país, homenagens estão programadas para lembrar a data. Em Belo Horizonte, a Praça Guimarães Rosa, no bairro Cidade Nova, será reinaugurada hoje (19), passando a contar com uma estátua do autor. Também neste domingo, em São Paulo, a Livraria da Vila, no bairro dos Jardins, recebe a partir das 11h atores, entre eles Lima Duarte, para leituras de trechos do romance Grande Sertão: Veredas; às 16h, a escritora Noemi Jaffe dá uma palestra sobre o autor no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) da capital paulista.

Já no CCBB do Rio de Janeiro a homenagem será em janeiro de 2018, quando o centro cultural receberá o espetáculo/instalação Grande Sertão: Veredas, da diretora Bia Lessa. O espetáculo marca o reencontro de Bia com a encenação teatral – sua última peça foi Exercícios nº 2: formas breves, em 2009 – e com a obra do escritor mineiro: em 2006, ela foi a responsável pela exposição com o mesmo título do romance que inaugurou o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Travessia

Nascido em Cordisburgo (MG), em 27 de junho de 1908, João Guimarães Rosa se mudou aos 10 anos para Belo Horizonte, onde se formou em Medicina em 1930 e começou a trabalhar como capitão médico da Força Pública do Estado de Minas Gerais. Um ano antes da formatura, porém, ele já havia tido sua estreia literária, com a publicação na revista O Cruzeiro do conto O mistério de Highmore Hall.

Em 1936, a coletânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida (1890-1969). Nessa época, Guimarães Rosa já havia iniciado a carreira de diplomata, na qual ingressara por concurso em 1934.

Ao longo das duas décadas seguintes, foi sucessivamente cônsul em Hamburgo, na Alemanha; secretário de embaixada em Bogotá, na Colômbia; chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (a quem viria a suceder, na ABL), e representante brasileiro em conferências de Paz e da Unesco, em Paris. Em 1951, voltou ao Brasil e foi nomeado novamente chefe de gabinete do chanceler João Neves da Fontoura, e depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e do Serviço de Demarcação de Fronteiras do Itamaraty.

Paralela à carreira de diplomata, a de escritor já lhe havia garantido lugar de destaque na literatura brasileira desde 1946, com a publicação do livro de contos Sagarana. As inovações na linguagem, a estrutura narrativa e a riqueza nos simbolismos são características que marcam o novo significado da temática regionalista na literatura brasileira, trazido pelos contos de Guimarães Rosa.

Em 1952, o escritor fez uma longa excursão a Mato Grosso, que o colocou em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em sua obra-prima, o romance Grande Sertão: Veredas , lançado em 1956, juntamente com o ciclo novelesco Corpo de Baile . Indiscutivelmente um dos mais importantes textos da literatura brasileira e mundial, o livro foi o único brasileiro, entre obras de escritores de 54 países, a ser incluído em um ranking publicado em 2002 na Noruega dos 100 melhores romances do mundo.

Na tarefa de experimentar e recriar a linguagem literária, Guimarães Rosa inventou vocábulos, utilizou arcaísmos e palavras populares e recorreu a inovações semânticas e sintáticas. Primeiras Estórias (1962), Campo Geral (1964) e Tutaméia – Terceiras Estórias (1967) foram outras obras desse escritor universal, traduzido e publicado em diversas línguas, adaptado para o cinema e a televisão e detentor de vários prêmios literários.

(Com a Agência Brasil)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Carruagens para o além


                                                                   
                               

José Carlos Alexandre


Volta e meia a Nasa e outras organizações que ficam em permanente contato com o cosmos anunciam a descoberta de um planeta com as necessárias condições para abrigar vidas como as existentes na Terra.

O tema, sem dúvida, é tido como capaz de provocar algo como total arrebatamento entre nós, antes humildes descendentes de Adão e Eva, de um lado, ou de prosaicos chimpanzés, de outro, dependendo sejamos adeptos ou do criacionismo ou do evolucionismo. (Quem pode explicar melhor é o escritor israelense Yuval Harari em suas obras.)

Pois é, agora fala-se na descoberta de um planetinha, muito parecido com este em que habitamos,relativamente próximo ao sistema solar.

Um tema para fazer as delícias dos roteiristas de cinema e das novas formas de se assistir às ficções.

O próprio cinema brasileiro não resistiu à onda ao levar Oscarito e Norma Bengell às telonas em "O 

homem do Sputnik", em 1959, apenas dois anos depois de a União Soviética deixar o mundo de boca 

aberta com o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra.

Todo o problema agora é a necessidade urgente de se descobrir um planeta que seja quase que um clone do nosso.

Isto porque este nosso mundão, resultante da grande explosão do Big Bang, está rapidamente 

chegando ao fim graças à poluição, ao desmatamento, ao derretimento das geleiras e sabe-se lá que 

outras desgraças que só tiram o sono de cuidadosos ambientalistas e cientistas que não são levados 

em conta por chefes de Estado como o Sr. Donald Trump.

Vamos lá, construamos logo as carruagens para além mundo...

Ministro do STF Luís Roberto Barroso defende a descriminalização das drogas


                                                                 Apu Gomes / AFP / Getty Images


Durante décadas, armas e prisões foram a marca da guerra do Brasil contra o narcotráfico. Mas a única maneira de vencer as gangues é parar de criar criminosos, diz um alto juiz brasileiro

Quarta-feira 15 de novembro de 2017 13.10 GMT Última modificação em quarta-feira 15 de novembro de 2017 13.12 GMT

A guerra que raiva na Rocinha, a maior favela da América Latina, já foi perdida. Enraizada em uma disputa entre gangues pelo controle do narcotráfico, interrompeu a vida diária da comunidade no Rio de Janeiro desde meados de setembro. Com o som de tiros vindos de todos os lados, escolas e lojas são constantemente forçados a fechar. Recentemente, uma bala perdida matou um turista espanhol. A guerra não é a única coisa perdida.

Durante décadas, o Brasil teve a mesma abordagem de política de drogas. Polícia, armas e numerosas prisões. Não é preciso um especialista para concluir o óbvio: a estratégia falhou. O tráfico e o consumo de drogas apenas aumentaram. Einstein é creditado com um ditado - embora, aparentemente, não seja dele - isso se aplica bem ao caso: a insanidade está fazendo a mesma coisa uma e outra vez e esperando resultados diferentes.

Em um caso ainda perante a Suprema Corte do Brasil, votei pela descriminalização da posse de maconha para consumo privado. O caso foi suspenso e nenhuma data foi definida para sua retomada. Proponho também abrir um amplo debate sobre a legalização da maconha, para começar - e depois, se tiver sucesso, a cocaína. O assunto é extremamente delicado, e o resultado depende de uma decisão da legislatura.

As drogas são uma questão que tem um impacto profundo no sistema de justiça criminal, e é legítimo que a Suprema Corte participe do debate público. Então, aqui estão os motivos das minhas opiniões.

Primeiro, as drogas são ruins e, portanto, é o papel do Estado e da sociedade desencorajar o consumo, tratar os dependentes e reprimir o tráfico. O raciocínio por trás da legalização está enraizado na crença de que isso ajudará na consecução desses objetivos.

Em segundo lugar, a guerra contra as drogas falhou. Desde a década de 1970, sob a influência e a liderança dos EUA, o mundo abordou este problema com o uso de forças policiais, exércitos e armamentos. A trágica realidade é que 40 anos, bilhões de dólares, centenas de milhares de prisioneiros e milhares de mortes depois, as coisas são piores. Pelo menos em países como o Brasil.

Em terceiro lugar, como o economista americano Milton Friedman argumentou , o único resultado da criminalização é garantir o monopólio do traficante.

Com estes pontos em mente, o que a legalização conseguiria?

Na maioria dos países da América do Norte e da Europa, a maior preocupação das autoridades são os usuários e o impacto que as drogas têm em suas vidas e na sociedade. Estas são considerações importantes.

No Brasil, no entanto, o foco principal deve ser o fim do exercício do traficante de drogas de dominância sobre as comunidades pobres. As pandillas se tornaram o principal poder político e econômico em milhares de bairros modestos no Brasil.

Este cenário impede uma família de pessoas honestas e trabalhadoras de educar seus filhos para longe da influência de facções criminosas, que intimidam, cooptam e exercem uma vantagem injusta sobre qualquer atividade legal. Crucialmente, esse poder de tráfico vem da ilegalidade.

Outro benefício da legalização seria prevenir o encarceramento em massa de jovens empobrecidos sem antecedentes criminais que são presos por tráfico porque estão presos na posse de quantidades insignificantes de maconha. 

Um terço dos detidos no Brasil estão presos por tráfico de drogas. Uma vez presos, os jovens prisioneiros terão que se juntar a uma das facções que controlam os penitenciários - e naquele dia, eles se tornam perigosos.

Além disso, cada lugar na prisão custa 40 mil reais (£ 9,174) para criar e 2.000 reais por mês para manter. Pior ainda, dentro de um dia de um homem preso, outro é recrutado do exército de reserva que existe em comunidades pobres.

Propaganda

A insanidade desta política é impressionante: destrói vidas, gera piores resultados para a sociedade, é caro e não tem impacto no tráfico de drogas. Somente a superstição, o preconceito ou a ignorância podem fazer com que alguém pense que isso é efetivo.

Por estas razões, acredito que devemos considerar meios alternativos de combate à droga, designadamente um melhor planejamento, engajamento de especialistas e uma maior atenção às experiências de outros países. 

Devemos considerar a possibilidade de lidar com a maconha enquanto lidamos com os cigarros: um produto lícito, regulamentado, vendido em certos lugares, tributado e sujeito a restrições de idade e propaganda, notificações de advertência e campanhas que desencorajam o consumo. Nas últimas duas décadas, o consumo de cigarros no Brasil diminuiu mais de metade; A luta à luz do dia, com idéias e informações, trouxe melhores resultados.

Não podemos ter certeza de que uma política progressiva e cautelosa de descriminalização e legalização seja bem sucedida. O que podemos afirmar é que a política de criminalização existente falhou. Devemos arriscar-se; Caso contrário, arriscamos simplesmente aceitar uma situação terrível. Como o navegador brasileiro Amyr Klink disse: "O pior naufrágio não está se afastando".

(Com o The Guardian/ConJur)

Descriminalização das Drogas


SBT inicia plano de demissões; jornalismo, entretenimento e manutenção são afetados

                                                                                 
Após a edição deste ano do Teleton, a emissora de Silvio Santos deu início a um plano de demissões que deve atingir mais de 100 profissionais da casa nas áreas do jornalismo, produção, entretenimento e até da faxina. Segundo informações de Cristina Padiglione, todos os cortes devem acontecer ainda em 2017.

No jornalismo, até o momento, foram duas baixas. A partir de agora, a emissora conta somente com uma equipe para a realização de links ao vivo. Profissionais ligados a afiliadas e do setor de produção também foram dispensados. Ainda de acordo com Padi, o serviço de faxina da emissora foi terceirizado.

Segundo Daniel Castro, do “Notícias da TV”, este é o maior corte de profissionais desde 2015, quando o SBT também demitiu cerca de 100 pessoas. As dispensas teriam como objetivo economizar aproximadamente R$ 12 milhões e compensar parte da queda de receitas com publicidade em um dos piores anos de sua história recente.

(Com o Portal Imprensa)

Medições de Paz

Vasco Gargalo/Rebelión

LuisLINDA. SERÁ?


                                                            
Antônio de Faria Lopes

Advogado

O primeiro Ministério de Michel Temer foi muito mal recebido pela nação. Não tinha mulheres. As feministas protestaram. O presidente foi acusado de machista e de desconhecer a luta de libertação das mulheres e o espaço que elas já alcançaram.  Afinal a antecessora dele era uma mulher que tinha vencido as eleições. Um mês depois de assumir provisoriamente o poder, em 13 de junho de 2.016, ele nomeou a Dra. Luislinda Valois para chefiar a Secretaria de Promoção da igualdade Racial. 

Era mulher e era negra. Em setembro foi nomeada a Dra. Grace Mendonça para a Advocacia Geral da União que tem status de Ministério. Neste ano, no dia 3 de fevereiro Dona Luislinda foi promovida a Ministra dos Direitos Humanos. As mulheres passaram a ter duas representantes no primeiro escalão, o governo não poderia mais ser acusado de machista. Dois episódios recentes diminuem a esperança de que a presença de mulheres no ministério poderia ajudar a mudar a imagem tão depreciada do governo que amarga os menores índices de aprovação de nossa história. 

A tentativa da Ministra dos Direitos Humanos de conquistar a acumulação da sua remuneração de R#33.700,00, com os de desembargadora aposentada, elevando o seu ganho mensal para mais de 60 mil reais acabou levando-a às primeiras páginas dos jornais de maneira deprimente. É que a Dra. Luislinda, de origem humilde (seu nome foi-lhe dado porque o pai é Luis e mãe Lindaura) e com uma bela história de superação comparou o seu trabalho ao de escravos, horário integral incluindo fins de semana, gastos altíssimos com maquiagens, pintura de cabelo e roupas chiques. 

Por uma coincidência infeliz, ela tinha se mantido em silêncio em face da iniciativa do presidente de amenizar e quase suprimir a fiscalização e o combate ao trabalho escravo ainda existente, principalmente nas grandes empresas rurais, controladoras de boa parcela do poder legislativo. Por uma triste ironia ela é ministra dos direitos humanos. 

A Dra. Grace Mendonça é mineira e tem uma competência reconhecida tanto na AGU como na PGR. Por isto mesmo é que sua representação junto ao STF a favor da revogação da possibilidade de prisão para condenados em segunda instância surpreendeu os que tinham esperança de que ela não se submeteria aos interesses do presidente e de seus colegas ministros que perderão o privilégio do foro especial em pouco mais de um ano.

Ela sabe, melhor que ninguém, que somente os ricos têm recursos para levar seus processos às instâncias superiores, além, claro dos que detêm o foro privilegiado. Sabe e deve conhecer o sem conta de processos cujos réus são beneficiados pela prescrição da pena pela lentidão dos tribunais superiores. Sabe das centenas de milhares de pobres que superlotam nossas prisões grande parte deles sem nenhuma condenação. Revogar a decisão do STF é, na prática, um perdão antecipado aos ricos e aos políticos.

(Com O Tempo/Gilberto Araújo Araújo)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ética e transparência


      


José Carlos Alexandre

Se este fosse um país realmente sério, seu povo exigisse nas ruas e os meios de comunicação independentes, teríamos agora uma CPI, mista ou não, para apurar as denúncias de que algumas redes de televisão teriam pago 15 ou mais milhões pelo direito de transmissão de copas de futebol.

E por que especificamente futebol?

Por ser a grande distração do povo,

Este povo tão sofrido que sacrifica um pouco mais de proteína para seus filhos para enfrentar longas horas na fila de ônibus para ir aos estádios ("arenas") em busca de diversão.

Enquanto os maiorais das entidades se enriquecem fazendo acordo com deuses e diabos.

Mesmo porque as concessões de TVs e rádios são públicas e como tal deveriam zelar sempre por atitudes éticas  transparentes.



Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic são acusadas de pagar propina por direitos de transmissão

                                                                      
O empresário argentino Alejandro Burzaco, delator no caso de corrupção “Fifa Gate”, afirmou em depoimento em Nova York, nesta terça-feira (14), que Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic pagaram propina para adquirir direitos de transmissão de campeonatos de futebol.

Burzaco é ex-diretor da empresa de eventos esportivos Torneos y Competencias (TyC) e segundo ele, ao ser perguntado sobre quais grupos de mídia teriam participado do esquema por um dos promotores, citou "Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina e Traffic do Brasil". Segundo o empresário, Marcelo Campos Pinto, então diretor do departamento esportivo da Globo, teria negociado com os cartolas o pagamento da propina. A informação foi divulgada em primeira mão pelo site Buzz Feed News. 

O dinheiro pago pela Globo teria sido destinado a altos executivos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, responsável por campeonatos como a Copa Libertadores da América e a Copa América. No entanto, o delator não mencionou quais os valores pagos pela empresa.

No depoimento, houve o seguinte diálogo entre Buzarco e o promotor Samuel Nitze:

Nitze: A Torneos fez alguma parceria com outras empresas de mídia?
Burzaco: Sim.
Nitze: Com quem?
Burzaco: Várias. Fox Sports, Televisa, Media Pro, TV Globo, Full Play, Traffic, Grupo Clarín
Nitze: Alguma delas pagou propina?
Burzaco: Todas, com exceção do Clarín. Todas.

Na sequência, o promotor questionou sobre o pagamento de propina citando o contrato da Copa Libertadores:

Nitze: A Torneos mantinha informado algum de seus parceiros sobre o pagamento de propina relacionada ao contrato da Copa Libertadores?
Burzaco: Sim. A Fox Panamerican.

Buzarco também implicou dois ex-presidentes da CBF (José Maria Marin e Ricardo Teixeira), e o atual mandatário, Marco Polo Del Nero. De acordo com o delator, os três teriam recebido pagamentos de um período entre 2006 e 2015. Os valores recebidos por cada um deles chegavam até a um milhão de dólares por campeonato cujos direitos de transmissão negociavam.

Del Nero teria entrado no esquema após a morte do ex-presidente da Associação Argentina de Futebol, Julio Grondona, em 2014. O cartola brasileiro e Marin teriam pedido reajuste no valor da propina paga em troca dos direitos de transmissão. "Marin me deu um abraço e fez um discurso de agradecimento. Del Nero abriu um caderno e anotou os valores. Os dois disseram que dariam instruções sobre como queriam receber o dinheiro", afirmou Burzaco.

Na edição de terça-feira (14) do Jornal Nacional, a emissora afirmou que tentou contato com o ex-diretor Marcelo Campos Pinto, mas que não obteve sucesso. 

A Fox Sports afirmou em nota que “qualquer menção em relação a que Fox Sports teve conhecimento ou aprovou subornos é absolutamente falsa". Já a Globo, reiterou em diversos telejornais a sua isenção no caso. 

Por meio de um comunicado, a Televisa rechaçou o depoimento de Burzaco. “Em resposta a recentes publicações de mídia relacionadas ao Grupo Televisa, bem como acusações de atos de corrupção contra três executivos da Fifa, o Grupo Televisa nega qualquer irregularidade. De mesmo modo, o Grupo Televisa nunca conheceu ou autorizou, de qualquer forma, suborno ou conduta inadequada”.   

Nota da Rede Globo

Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na Justiça americana.

Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

O Grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto. A ser verdadeira a situação descrita, o Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas.

O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que fosse diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.