domingo, 21 de dezembro de 2014

Concerto dominical da União Operária

                                                           


           José Carlos Alexandre

Uma ótima manhã de domingo, com o céu ora cinzento, ora brilhante, ocasião em que o Sol se mostrava forte o suficiente para a gente tentar se esconder debaixo das poucas árvores da Praça Bernardino de Lima. 

Uma praça imensa, dominada pela matriz de Nossa Senhora do Pilar, tendo  o prédio da Prefeitura de um lado e do outro o Teatro Municipal.

Este, de histórias incríveis, desde os filmes de época até show, do Teatro de Revistas do Rio de Janeiro às peças da SOARTE,  grupo teatral também parte da história de Nova Lima, além das memoráveis assembleias dos mineiros. 

Os mineiros, este bravos combatentes, tendo junto ao Teatro  a sede de seu Sindicato de conquistas nacionais e internacionais. 

Hoje a Praça também tem supermercado, o local onde funcionava, no passado, uma espécie de anexo do Sindicato , uma padaria e a Casa Salles, grande loja à época.

Mais adiante destaca-se o Fórum e  o prédio da Câmara Municipal, afora um pequeno comércio.

Passados tantos anos sem prestar atenção à bela Praça sinto falta da loja do Mário e de um ou outro bar onde num passado já distante, provei as primeiras cervejas da vida. 

Mas terminada a missa, eis que a Banda União Operária, uma das mais tradicionais de Minas, começa a tocar. 

Todo mundo presta atenção: hoje ela comparece com os instrumentos de sempre mas um pouco menor. 

E, fato positivo, composta por muitas moças e rapazinhos, talvez dando uma amostra de que seu futuro está garantido.

Não, não toca a canção histórica de Chico Buarque, ("A Banda") mas nos brinda com tanta música tradicional e moderna que minha prima Yara, ao meu lado, dá o veredicto: "Dá vontade da gente dançar".

Começo, pouco a pouco a ficar mais descontraído, a ponto de ir relembrando cenas de minha infância, passada na cidade querida. Hoje moro em Belo Horizonte onde até  sou cidadão honorário.

Mas não me esqueço dos tempos em que era mascote do Banjo de Ouro Jazz, geralmente nas apresentações dos antigos carnavais.

Era um conjunto que marcou época em Nova Lima e região metropolitana, lembra meu tio Edson, conhecido como Nôta, assim mesmo com acento e tudo.

Ele se recorda que um comerciante famoso na cidade, de nome Líncoln  dizia que jamais se esquecia do dia em que houve um baile com três maestros.

Um era meu pai, que é nome de rua no bairro dos Cristais (Rua Maestro Manassés Alexandre), pertinho do centro de Nova Lima.

O Outro era o maestro Djalma Pimenta, da Rádio Inconfidência e o terceiro, o maestro Cipó, que fez-se admirado no Rio de Janeiro. 

Só mesmo os acordes maravilhosos da banda para nos trazer de volta lances de um passado que deve ter sido de glória.

  Volto minhas atenções para o show da manhã, sob a regência do maestro Fábio, o mesmo que vi num casamento recente na cidade, onde, neste mesmo espaço, fiz menção à beleza da trilha sonora.

   É uma pequena mostra do que vem acontecendo em Nova Lima, onde tem frutificado escolas de música. 

   Outras bandas existem na cidade mas a Corporação Musical União Operária é uma das mais antigas. Meu pai foi um dos que passou por ela. 

     E também um de seus grandes amigos e figura igualmente histórica na cidade:José Fuzil.

     Olho para o céu e me despeço: "Vou pegar a estrada antes da chuva" !

     Mas estarei atento às próximas apresentações.

     Ainda que com chuva...







sábado, 20 de dezembro de 2014

O vídeo do 6º Congresso Nacional do MST.Construir a Reforma Agrária Popular!

Libertação dos heróis cubanos, uma vitória de todos os revolucionários

                                             

                                      (Nota Política do PCB)

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se associa a todos os revolucionários do mundo em sua alegria e felicidade pela libertação dos três heróis cubanos encarcerados há 16 anos nas masmorras do império norte-americano, em condições desumanas (outros dois já tinham sido libertados anteriormente). 

A libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero y Ramón Labaniño representa uma vitória do povo cubano contra o imperialismo norte-americano, além de uma vitória dos movimentos de solidariedade em todo o mundo, que cumpriram um papel fundamental para a libertação.

A prisão desses heróis cubanos há mais de uma década e meia representa também a dupla moral do imperialismo. Esses camaradas estavam nos Estados Unidos cumprindo uma tarefa humanitária de evitar com que os terroristas gusanos, sediados em Miami, realizassem atentados contra alvos civis em Cuba, como aconteceu em diversas oportunidades, inclusive com a morte de um cidadão italiano. Enquanto prendiam os nossos heróis, deixavam livres Luis Posadas Carrilles, um terrorista profissional que colocou uma bomba em um avião civil cubano matando 73 pessoas em pleno vôo.

A luta pela libertação dos cinco camaradas representou um marco histórico e ficará na memória de todos os revolucionários como um exemplo de firmeza de um povo que, apesar das difíceis condições econômicas, fruto de um bloqueio criminoso que já dura mais de 50 anos, manteve alta sua moral revolucionária e foi capaz de despertar um movimento de solidariedade em todo o mundo, cujo resultado é a libertação dos três últimos heróis encarcerados nas masmorras do império.

Comemoremos essa vitória, mas sem esquecermos um só minuto de que nossa tarefa é dar continuidade à campanha pelo encerramento de vez desse bloqueio criminoso, que o próprio presidente dos Estados Unidos foi obrigado a reconhecer que não foi capaz de dobrar a moral revolucionária do povo cubano. Além do fim do bloqueio, os imperialistas devem devolver a Cuba seu território de Guantanamo, até hoje ocupado pelos Estados Unidos, e que tem servido de base para uma das mais abjetas prisões e práticas de tortura do mundo.

Viva o internacionalismo proletário!

Viva a liberdade dos heróis cubanos!

Comissão Política Nacional do PCB

É preciso legalizar a maconha, para combater o comércio ilegal

Daniel Aarão Reis e a biografia de Luiz Carlos Prestes: a falsificação da história por um historiador

                                                         


 
Anita Leocadia Prestes (*)  
 
            Estamos diante de um livro, escrito por um historiador[1], que poderia ser usado em sala de aula de um curso de História como modelo para os estudantes do que não deve ser um trabalho de historiador.
 
Para E. Hobsbawm[2], o historiador deve ter um compromisso com a evidência e, portanto, escrever uma História não só apoiada em documentos como também baseada na comparação do maior número possível de fontes documentais que lhe permitam obter os elementos necessários para uma aproximação confiável dessa evidência.
 
Caso contrário, o historiador ficará sujeito a reproduzir e difundir informações falsas, assim como interpretações errôneas e parciais da realidade que pretende retratar.
 
Nada disso é considerado por D. A. Reis. No seu livro, não se apresentam as fontes documentais das afirmações veiculadas.
 
Em notas, presentes no final da obra, são citados livros ou arquivos de maneira genérica (por exemplo, “Fundo PCB no Arquivo da Internacional Comunista”, no qual existem milhares de documentos), deixando, portanto, o leitor privado da possibilidade de consultar o documento ao qual o autor se refere.
 
Dessa forma, o leitor é induzido a aceitar como verdades indiscutíveis afirmações cuja origem dificilmente poderia ser comprovada.
 
Tal metodologia adotada por D. A. Reis, marcada pela incompetência e a irresponsabilidade do pesquisador, contribui para que nos encontremos diante de um texto repleto de erros factuais e de informações falsas, assim como de análises supostamente psicológicas de Prestes e dos demais personagens retratados no livro, embora não conste que o autor possua formação de psicólogo.
 
Entre inúmeros erros, constantes da obra de D. A. Reis, para citar apenas alguns - se fossem listados todos, seria necessário escrever outro livro -, pode-se apontar, por exemplo, o de antecipar o episódio da campanha da “Reação Republicana” de Nilo Peçanha de 1921-1922 para o ano de 1919 (p. 26), quando foi eleito presidente da República Epitácio Pessoa.
 
Outro exemplo: o autor afirma que os dirigentes comunistas Ramiro Luchesi e Fragmon Carlos Borges foram assassinados (p. 347), no início dos anos 1970, quando na realidade faleceram de morte natural; da mesma maneira, escreve que o general Miguel Costa já teria falecido em março de 1958 (p.279), sem indicar quando, o que só veio a ocorrer em dezembro de 1959; também afirma que, em março de 1990, entre as quatro irmãs de Prestes, só Lygia restara viva (p. 480), enquanto, na realidade, Lúcia faleceu em 1996 e Eloiza em 1998.
 
Em diversos pontos da obra, o autor cita documentos constantes dos anexos no livro A Coluna Prestes, de A. L. Prestes, mas a referência incluída na bibliografia é de outro livro da mesma autora (Uma epopéia brasileira: a Coluna Prestes).
 
Em diversos momentos, D. A. Reis, que se considera entendido nas obras dos clássicos do marxismo, ao abordar a luta constante de Prestes tanto contra o oportunismo de direita quanto contra o oportunismo de esquerda, lhe atribui posições centristas (p. 330, 333, 358, 437), revelando desconhecimento dessa temática no marcos da teoria marxista.
 
Segundo tal interpretação, V. I. Lenin, que sempre combateu os desvios de esquerda e de direita no seio dos movimentos socialistas e comunistas, teria sido um político de centro...
 
No que se refere às legendas das fotos reproduzidas no livro, verifica-se que inúmeras estão erradas: o tenente Victório Caneppa, carcereiro de Prestes (à época diretor da Casa de Correção), é apresentado como sendo o diplomata Orlando Leite Ribeiro, amigo de Prestes; a foto da formatura de Prestes no Colégio Militar (aos 18 anos) figura como se fosse da formatura da Escola Militar (aos 22 anos); as fotos de Anita, filha de Prestes, não correspondem às datas que lhes são atribuídas; o retrato da mãe de Prestes, tirado em Londres, em 1936, é atribuído ao período do exílio no México; etc.
 
Estamos diante de um texto eivado de fofocas, mexericos, intrigas e mentiras, em que se reproduzem as invencionices da viúva de Prestes, assim como de antigos dirigentes do PCB e de comandantes da Coluna Prestes, que viraram inimigos de Prestes.
 
Este foi o caso de João Alberto Lins de Barros, autor de memórias publicadas três décadas após a Marcha, em que revela ressentimentos por seu antigo comandante haver se tornado comunista.
 
Da mesma maneira, vários ex-dirigentes do PCB, em depoimentos prestados ao autor do livro, recorrem à falsificação dos fatos para justificar seus ressentimentos por Prestes ter rompido, em 1980, com a direção do partido da qual faziam parte.
 
Trata-se de um livro anticomunista, cujo objetivo é a desqualificação de Prestes, da sua mãe, de suas irmãs e também da sua esposa, Olga Benario Prestes; a desqualificação dos comunistas em geral.
 
O autor tem a canalhice de tentar desmoralizar minha mãe, ao afirmar que ela teria abandonado um filho em Moscou (p. 171, 205, 495), como se Olga fosse capaz de semelhante gesto.
 
Os documentos citados – e pior ainda, o autor não cita documento algum, mas apenas o “Fundo PCB no AIC” - não são verdadeiros, pois conheço a documentação da Internacional Comunista, inclusive a pasta referente a Olga.
 
Se alguém, em algum lugar, afirmou tal coisa a respeito de Olga, é mentira; conheci muitos amigos e amigas da minha mãe da época em que ela viveu em Moscou e a afirmação do autor é mentirosa.
 
O anticomunismo, disfarçado sob a capa de uma suposta objetividade histórica, é revelado a cada página da obra de D. A. Reis, tanto através das numerosas informações falsas que divulga quanto da repetição de juízos de valor questionáveis.
 
Assim, a adoção por Prestes de posições políticas em que, incompreendido, ficou só, e as derrotas, enfrentadas por ele e pelos comunistas durante sua longa vida, seriam episódios desmerecedores da sua trajetória como homem público e revolucionário, que se empenhou na conquista de um mundo sem explorados e exploradores, sem oprimidos e opressores.
 
Ao rebater os juízos de valor adotados por D. A. Reis, vale lembrar William Morris, o revolucionário inglês do final do século XIX, cuja biografia constitui o primeiro trabalho importante de E. P. Thompson[3]. Conforme foi assinalado por Josep Fontana, W. Morris, em 1887, “ao comemorar uma dessas grandes derrotas coletivas”, escreveu:
A Comuna de Paris não é senão um elo na luta que teve lugar ao longo da história dos oprimidos contra os opressores; e, sem todas as derrotas do passado, não teríamos a esperança de uma vitória final.[4]       
            Também Paul Eluard, o poeta da Resistência francesa, pronunciou-se a respeito das derrotas:
Ainda que não tivesse tido, em toda minha vida, mais do que um único momento de esperança, teria travado este combate. Inclusive, se hei de perdê-lo, outros o ganharão. Todos os outros.[5]
 
            Embora os intelectuais a serviço dos interesses dominantes, comprometidos com a preservação do sistema capitalista, como é o caso de D. A. Reis, empreendam todo tipo de esforços para desmoralizar e destruir a imagem de lutadores pelas causas populares, como Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, não o conseguirão, desde que as forças democráticas e progressistas se mantenham alertas e atuantes na preservação do legado revolucionário desses homens e mulheres que deram a vida por um futuro de justiça social e democracia para toda a humanidade.

(*)Anita Leocadia Prestes é doutora em História Social pela UFF, professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes <www.ilcp.org.br>
              

[1]  REIS, Daniel Aarão. Luís Carlos Prestes. Um revolucionário entre dois mundos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
[2]  HOBSBAWM, Eric. Sobre a História; ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p.286-287.
[3] THOMPSON, E.P. William Morris; romantic to revolutionary. Londres: Merlin Press, 1977.
[4] MORRIS, William. Why we celebrate the Commune of Paris. Commonweal, 3, n. 62, p. 89-90, Mars 1887, apud FONTANA, Josep.  A história dos homens. Bauru, SP: EDUSC, 2004, p.490.
[5]  ELUARD, Paul. Une leçon de morale, prefácio, em Ouvres complètes. Paris: Gallimard, 1984. II, p. 304, apud FONTANA, Josep. Obra citada, p. 490.

VOLTARAM

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Repercussão mundial: 50 anos demonstraram que o isolamento entre Cuba e EUA não funciona

                                                                       

Marcela Belchior
Adital

Granma
Raúl Castro recebe agentes cubanos presos que retornam ao país. Foto: Granma

Os passos da reaproximação devem ser graduais. Daqui para frente, o governo dos EUA deve retirar o nome de Cuba da lista de países que apoiam grupos terroristas e, mesmo ainda estando em vigor a lei de 1995, que impõe estritas sanções à ilha, se encaminha para flexibilizar as restrições de viagem e comércio. Estão previstas também ações para que empresas de tecnologia estadunidenses façam negócios para atuarem na infraestrutura de Internet da ilha.

Os EUA têm defendido o que consideram "maiores liberdades individuais e reformas democráticas” na ilha. No que compete ao Parlamento dos EUA, ainda não há perspectivas para que medidas complementares contribuam para o vínculo entre as partes, o que também pode mudar em um futuro próximo.

O jornal The New York Times (NYT), diário de maior prestígio da mídia comercial nos Estados Unidos, publicou, nesta quarta, 17, que a retomada de relações é "um passo significativo que marca o fim de um dos capítulos mais desacertados da política exterior estadunidense”. 

Já o jornal Granma, periódico oficial do Partido Comunista de Cuba, avaliou a reabertura da diplomacia como uma medida de justiça, destacando o retorno dos cidadãos cubanos à pátria. "Voltamos!”, manchetou na capa da edição de ontem.

Capa do jornal do Partido Comunista de Cuba, edição de 17 de dezembro de 2014

"Fidel [Castro, ex-presidente de Cuba] disse ‘voltarão’ e assim ocorreu. Esta foi uma batalha de milhões. O povo cubano sente uma grande alegria porque se restabeleceram as relações diplomáticas com os EUA na base do respeito mútuo e sem sacrificar nenhum princípio soberano”, destacou Yolanda Ferrer, presidente da Comissão de Relações Internacionais do Parlamento cubano, referindo-se ao retorno dos três presos cubanos ao país natal.

"Essa notícia é resultado da unidade que conseguimos (...). Essa decisão deve repercutir no mundo e marcará um antes e um depois em Cuba e na América Latina”, analisou o ministro das Indústrias cubano, Salvador Cruz. "É a forma que os EUA tiveram de reconhecerem uma série de erros de sua política direcionada a Cuba e, portanto, a necessidade de iniciar um novo tipo de política e, para nós, isso é um desafio também, porque mudam as regras do jogo, mas não muda o jogo”, ressaltou o historiador cubano Eduardo Cuevas.

Durante evento na Argentina, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, um dos maiores parceiros políticos de Cuba, destacou que, agora, se inicia uma nova etapa da história do país caribenho. "É uma nova história moral, da ética, da resistência, da lealdade aos valores. É a história de Fidel, do povo cubano”, disse. "O presidente Obama não pode seguir insistindo em uma política de tratar de levar Cuba ao colapso. É uma retificação histórica”, acrescentou Maduro.

Entenda o conflito histórico

O embargo econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos se iniciou em 7 de fevereiro de 1962, sendo convertido em lei em 1992 e 1995, além de ampliado em 1999 pelo então presidente estadunidense, Bill Clinton, proibindo as filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de comercializarem com Cuba.

A medida, em vigor por quase 53 anos, funcionou como um dos mais duradouros bloqueios econômicos na história contemporânea. O embargo estava formalmente condenado pelas Nações Unidas, que, nos últimos anos, aumentou a pressão mundial pelo fim do bloqueio.

O processo de rompimento entre os países foi marcado, inicialmente, em maio de 1958, quando os EUA suspenderam a ajuda militar oficial ao governo do então mandatário cubano, Fulgêncio Batista, em um episódio que ficou conhecido com o "embargo militar a Cuba”. Na época, a guerrilha entre as forças do ditador e os revolucionários de Fidel Castro já havia começado.

Em julho de 1960, em resposta às nacionalizações, foi reduzida a quota de importação de açúcar cubano pelos EUA, que passou a ser comprado pela antiga União Soviética. Em resposta a esse alinhamento de Cuba com os soviéticos em plena Guerra Fria, o presidente John F. Kennedy ampliou as restrições comerciais em 07 de fevereiro e novamente em 23 de março de 1962.



Veja em espanhol e em português o pronunciamento do presidente cubano Raúl Castro: "Os Cinco estão em Cuba" . E as comemorações em Havana



"Compatriotas:

Desde mi elección como Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros, he reiterado en múltiples ocasiones, nuestra disposición a sostener con el gobierno de los Estados Unidos un diálogo respetuoso, basado en la igualdad soberana, para tratar los más diversos temas de forma recíproca, sin menoscabo a la independencia nacional y la autodeterminación de nuestro pueblo.

Esta es una posición que fue expresada al Gobierno de Estados Unidos, de forma pública y privada, por el compañero Fidel en diferentes momentos de nuestra larga lucha, con el planteamiento de discutir y resolver las diferencias mediante negociaciones, sin renunciar a uno solo de nuestros principios.

El heroico pueblo cubano ha demostrado, frente a grandes peligros, agresiones, adversidades y sacrificios, que es y será fiel a nuestros ideales de independencia y justicia social. Estrechamente unidos en estos 56 años de Revolución, hemos guardado profunda lealtad a los que cayeron defendiendo esos principios desde el inicio de nuestras guerras de independencia en 1868.

Ahora, llevamos adelante, pese a las dificultades, la actualización de nuestro modelo económico para construir un socialismo próspero e sostenible.

Resultado de un diálogo al más alto nivel, que incluyó una conversación telefónica que sostuve ayer con el Presidente Barack Obama, se ha podido avanzar en la solución de algunos temas de interés para ambas naciones.

Como prometió Fidel, en junio del 2001, cuando dijo: ¡Volverán!, arribaron hoy a nuestra Patria, Gerardo, Ramón y Antonio.

La enorme alegría de sus familiares y de todo nuestro pueblo, que se movilizó infatigablemente con ese objetivo, se extiende entre los cientos de comités y grupos de solidaridad; los gobiernos, parlamentos, organizaciones, instituciones y personalidades que durante estos 16 años reclamaron e hicieron denodados esfuerzos por su liberación. A todos ellos expresamos la más profunda gratitud y compromiso.

Esta decisión del Presidente Obama, merece el respeto y reconocimiento de nuestro pueblo.

Quiero agradecer y reconocer el apoyo del Vaticano, y especialmente, del Papa Francisco, al mejoramiento de las relaciones entre Cuba y Estados Unidos. Igualmente, al Gobierno de Canadá por las facilidades creadas para la realización del diálogo de alto nivel entre los dos países.

A su vez, decidimos excarcelar y enviar a Estados Unidos a un espía de origen cubano que estuvo al servicio de esa nación.

Por otra parte, basados en razones humanitarias, hoy también fue devuelto a su país el ciudadano norteamericano Alan Gross.

De manera unilateral, como es nuestra práctica y en estricto apego a nuestro ordenamiento legal, han recibido beneficios penales los reclusos correspondientes, incluida la excarcelación de personas sobre las que el Gobierno de los Estados Unidos había mostrado interés.

Igualmente, hemos acordado el restablecimiento de las relaciones diplomáticas.

Esto no quiere decir que lo principal se haya resuelto. El bloqueo económico, comercial y financiero que provoca enormes daños humanos y económicos a nuestro país debe cesar.

Aunque las medidas del bloqueo han sido convertidas en Ley, el Presidente de los Estados Unidos puede modificar su aplicación en uso de sus facultades ejecutivas.

Proponemos al Gobierno de los Estados Unidos adoptar medidas mutuas para mejorar el clima bilateral y avanzar hacia la normalización de los vínculos entre nuestros países, basados en los principios del Derecho Internacional y la Carta de las Naciones Unidas.

Cuba reitera su disposición a sostener cooperación en los organismos multilaterales, como la Organización de Naciones Unidas.

Al reconocer que tenemos profundas diferencias, fundamentalmente en materia de soberanía nacional, democracia, derechos humanos y política exterior, reafirmo nuestra voluntad de dialogar sobre todos esos temas.

Exhorto al Gobierno de los Estados Unidos a remover los obstáculos que impiden o restringen los vínculos entre nuestros pueblos, las familias y los ciudadanos de ambos países, en particular los relativos a los viajes, el correo postal directo y las telecomunicaciones.

Los progresos alcanzados en los intercambios sostenidos demuestran que es posible encontrar solución a muchos problemas.

Como hemos repetido, debemos aprender el arte de convivir, de forma civilizada, con nuestras diferencias.

Sobre estos importantes temas volveremos a hablar más adelante.

Muchas gracias."

"Compatriotas:

Desde minha eleição como Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, tenho reiterado em múltiplas ocasiões nossa disposição de estabelecer, junto do governo dos Estados Unidos da América, um diálogo respeitoso, baseado na igualdade soberana, para tratar os temas mais diversos de forma recíproca, sem menoscabo à soberania nacional e à autodeterminação do nosso povo.

Esta é uma posição que foi transmitida ao Governo dos Estados Unidos da América, de forma pública e privada, pelo companheiro Fidel em diferentes momentos da nossa longa luta, com a vontade de discutir e resolver as diferenças mediante negociações, sem renunciar a nenhum dos nossos princípios.

O heroico povo cubano tem demonstrado, em face de grandes perigos, agressões, adversidades e sacrifícios, que é e será fiel aos nossos ideais de independência e justiça social. Estreitamente unidos nestes 56 anos de Revolução, temos guardado profunda lealdade aos que tombaram defendendo esses princípios desde o início das nossas guerras de independência em 1868.

Agora, levamos adiante, apesar das dificuldades, a atualização do nosso modelo econômico para construir um socialismo próspero e sustentável.

Como resultado de um diálogo ao mais alto nível, que incluiu uma conversa telefônica que ontem tive com o Presidente Barack Obama, conseguiu-se avançar na solução de alguns temas de interesse para ambas as nações.

Como Fidel prometeu, em junho de 2001, quando disse: Voltarão!, hoje chegaram a nossa Pátria Gerardo, Ramón e Antonio!

A enorme alegria dos seus familiares e de todo nosso povo, que se mobilizou infatigavelmente com esse objetivo, espalha-se entre as centenas de comitês e grupos de solidariedade, os governos, parlamentos, organizações, instituições e personalidades que durante estes 16 anos reclamaram e envidaram todos os esforços por sua libertação. A todos eles expressamos a mais profunda gratidão e compromisso.

Esta decisão do Presidente Obama, merece o respeito e reconhecimento do nosso povo.

Desejo agradecer e reconhecer o apoio do Vaticano e, especialmente, do Papa Francisco, para o melhoramento das relações entre Cuba e os Estados Unidos da América. Igualmente, ao Governo de Canadá pelas facilidades criadas para a realização do diálogo de alto nível entre ambos os países.

Ao mesmo tempo, decidimos excarcerar e enviar para os Estados Unidos da América um espião de origem cubana que esteve ao serviço dessa nação.

Por outra parte, tendo em conta razões humanitárias, hoje também foi devolvido a seu país o cidadão norte-americano Alan Gross.

De maneira unilateral, como é nossa prática e em estrito apego a nosso ordenamento legal, receberam benefícios penais os reclusos correspondentes, incluído o desencarceramento de pessoas sobre as quais o Governo dos Estados Unidos tinha mostrado interesse.

Igualmente, temos acordado o restabelecimento das relações diplomáticas.

Isto não quer dizer que a questão principal tenha sido resolvida. O bloqueio econômico, comercial e financeiro, que provoca enormes prejuízos humanos e econômicos ao nosso país, deve cessar.

Embora as medidas de bloqueio tenham sido convertidas em Lei, o Presidente dos Estados Unidos da América pode modificar sua aplicação no uso das suas faculdades executivas.

Propomos ao Governo dos Estados Unidos da América adotar medidas mútuas para melhorar o clima bilateral e avançar rumo à normalização dos vínculos entre os nossos países, baseados nos princípios do Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas.

Cuba reitera sua disposição para sustentar a cooperação nos organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas.

Ao reconhecer que temos profundas diferenças, nomeadamente em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política externa, reafirmo nossa vontade de dialogar sobre todos esses temas.

Faço um apelo ao Governo dos Estados Unidos da América para removermos os obstáculos que impedem ou restringem os vínculos entre nossos povos, as famílias e os cidadãos de ambos os países, especialmente no relativo às viagens, ao correio postal direto e às telecomunicações.

Os progressos atingidos nos intercâmbios mantidos demonstram que é possível encontrar solução a muitos problemas.

Como temos reiterado, devemos apreender a arte de conviver, de forma civilizada, com nossas diferenças.

Sobre esses importantes temas falaremos mais adiante.

Muito obrigado."
 (Com Cubadebate)

Retomada das relações entre Cuba e EUA é uma "revolução", afirma Fernando Morais

                                                                    
"A Guerra Fria acabou hoje [ontem] às 15h01", declarou o jornalista Fernando Morais à Folha de S.Paulo. Para ele, que produziu dois livros sobre a vida em Cuba, a retomada das relações entre o país comunista e os EUA é uma "revolução".

A primeira vez que Morais esteve em Cuba foi em 1975, para fazer uma série de reportagens que lhe rendeu o livro "A Ilha". Desde então, aproximou-se do regime e retornou ao país todos os anos. 

Em 2011, o escritor publicou "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", no qual conta a história dos cinco cubanos que estavam presos nos EUA sob acusação de espionagem.

Apesar de avaliar a medida como uma revolução, Morais pondera que o essencial, o embargo, ainda não chegou ao fim. "Obama, mesmo que quisesse, não poderia acabar com o bloqueio por decisão unilateral [depende do Congresso dos EUA]. O anacronismo ainda permanece", avaliou.

Segundo ele, a curta distância entre os países fará com que o turismo se torne ainda mais fácil. Com 6 milhões a mais de americanos, calcula-se um aumento na economia de US$ 15 bilhões, cifra que representa 25% do PIB de Cuba. "É importante do ponto de vista político porque degela as relações, acaba com essa idiossincrasia que não serviu para nada", opinou Morais.

Para o jornalista, o Brasil está bem posicionado na transição cubana. "Quem criticou o porto de Mariel, financiado pelo BNDES, agora vai ter que engolir. Mariel é uma cópia do processo que a China viveu, com a criação de zonas com leis específicas. A ativação vai transformar Mariel no entreposto mais próximo dos EUA em todo o mundo", acrescentou.

EUA e Cuba

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, deram início a um processo de reaproximação entre os dois países após mais de 50 anos de relações cortadas.

"O isolamento fracassou. É hora de uma nova abordagem", disse Obama em um discurso na Casa Branca, informou a BBC. "Estou ansioso para engajar o Congresso em um debate sério e honesto [sobre o fim do embargo]. Um comércio intensificado é bom para os americanos e para os cubanos."

Por sua vez, Castro disse, em Havana, que "os progressos alcançados demonstram que é possível encontrar solução para muitos problemas...devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com nossas diferenças".

O anúncio veio poucas horas depois da libertação, em Cuba, do americano Alan Gross, preso há cinco anos no país. Os EUA afirmaram que libertarão três cubanos condenados por espionagem, e estudam a abertura de uma embaixada em Havana nos próximos meses. (Com o Portal Imprensa)

Continua a luta pelo fim do bloqueio econômico

                                                                         

                                         " La alegría del regreso

                                                 Comunicado


            16 años de lucha incansable han dado su fruto, la voz de los pueblos se ha hecho escuchar y la palabra de Fidel Castro se ha cumplido ¡Volvieron! 

La llegada a suelo cubano de Gerardo, Tony y Ramón completa la liberación de los 5 héroes antiterroristas. 

Desde su nacimiento la Red en Defensa de la Humanidad se ha sumado al grito internacional pidiendo por la liberación de estos compañeros, defensores de la soberanía cubana y de la vida de su pueblo. 

En esta hora nos unimos a la celebración que en todas las latitudes y especialmente en Cuba abraza a Antonio Guerrero, Gerardo Hernández, Ramón Labadiño, René González y Fernando González.

             Reconocemos el esfuerzo y el avance logrado con este paso, así como la sincera intención de restablecer las relaciones entre Estados Unidos y Cuba, pero insistimos en la necesidad de seguir uniendo nuestra voz para que cese el criminal bloqueo que el país del norte sostiene contra la estrella roja del caribe. 

A su vez, consideramos que el reconocimiento del carácter erróneo de esta política imperial es una demostración de que acciones como la emprendida ahora contra Venezuela están destinadas al fracaso.

 ¡Vivan los Cinco Héroes Cubanos!

 ¡Viva el Pueblo de Cuba!

 ¡Viva Raúl!

 ¡Viva Fidel!'

MEU RECADO

                                                   

  Cuba-Estados Unidos

José Carlos Alexandre

Briga de vizinhos tende a acabar com um aperto de mãos.

No caso de Estados Unidos e Cuba o aperto de mãos entre o presidente Barack Hussein Obama, dos Estados Unidos, e Raúl Castro, de Cuba, antecedeu o fim de um conflito de mais de 50 anos.

A grosso modo, um síndico distante dos dois brigões ajudou bastante a conciliação, reconheceram Raúl e Obama.

Trata-se da intermediação do papa argentino Francisco.

O Canadá, dizem as redes internacionais, também contribuiu para a détente.

Nesta história toda a comunidade internacional saiu ganhando com a libertação dos "Últimos soldados da guerra fria", os heróis cubanos.

Todos nós que nos alinhamos desde o princípio na campanha pela soltura dos cinco cubanos presos nos EUA.

Uma boa parte da reaproximação dos dois países também se deve à ONU que nos últimos anos vinha aprovando por absoluta maioria moções contra o embargo dos EUA ao pequeno país do Caribe.

Cuba vinha perdendo horrores desde o início do embargo, em 1962, impedido de comercializar com empresas norte-americanas e outras restrições que , se mal podemos comparar, soam como no passado, quando nações eram submetidas a cerco até provocar seu rendimento pela fome de seus cidadãos.

A Bíblia mesmo conta histórias de arrepiar no que tange às guerras de conquistas...

A resistência cubana chega às raias de uma epopeia moderna, tendo a frente os irmãos Castro, Fidel e Raúl, lutando lado a lado com a sofrida mas heroica população.

Está certo que ainda falta muita coisa para que os povos estadunidense e cubano possam viver como bons vizinhos.

O embargo econômico precisa contar com o aval do Capitólio.

E outras medidas, como o fim do enclave norte-americano de Guantánamo, precisam ser aceleradas.

Estamos enxergando, contudo, um ótimo caminho para a guerra fria ou o que dela resta nesta parte do mundo seja relegada para sempre às páginas da história.

Atitudes estranháveis da polícia, ao invadir estúdio da Itatiaia, merecem repúdio

                                                       
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                         A nota do Conselho Deliberativo da AMI

 Emanuel,
mesmo solidários e no aguardo das anunciadas providências rápidas, por parte das autoridades constituídas, para que apuração e punições sejam proporcionais ao absurdo praticado, não poderemos apagar da memória dos mineiros a agressão sofrida pela nossa Itatiaia.
Seus colegas do Conselho Deliberativo da Associação Mineira de Imprensa que, também, lutam intensamente contra o arbítrio e pelo respeito aos mais elementares princípios da democracia participativa dentro da A.M.I., não poderiam ficar ausentes neste momento. Saiba que estamos juntos, estaremos ao seu lado e apoiamos, integralmente, a emissora que Januário nos legou e que o povo mineiro consagrou como a rádio de Minas, graças ao trabalho seu e de sua equipe.
A consequência desse amor pelas Gerais e os cidadãos que aqui vivem é saber que estamos prontos para a ação que vocês julgarem necessária, em defesa da liberdade de manifestação, pela democracia sem adjetivos, onde todos têm direitos e obrigações e, principalmente, pela intransigente prática diuturna da liberdade de imprensa, a mais cara de todas as conquistas contra o arbítrio, o abuso de poder e a ditadura imposta por quem deveriam enfrenta-la e combate-la, porque pago por nós todos - cidadãos e trabalhadores brasileiros.
Saiba, caro companheiro e Conselheiro, que poderá contar conosco, agora e sempre, enquanto a plenitude democrática não prevalecer e os desvios autoritários não forem apurados e seus agentes responsabilizados perante a legislação em vigor.
Abraços de      

Adival Coelho de Araujo,
em nome do Conselho Deliberativo da A.M.I.

                                    A nota da Oposição Sindical do SJPMG

                  Nota de repúdio à ação da polícia civil na Rádio Itatiaia



A Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas repudia a invasão da Polícia Civil de Minas Gerais ao estúdio da Rádio Itatiaia, na tarde desta terça-feira (9), para prender Armando Júnior da Cruz, marido da vereadora de Confins, Flávia Renata Oliveira Silva Cruz, investigado pela operação Lavagem III.

A prisão foi feita durante o programa “Chamada Geral”, apresentado pelo jornalista Eduardo Costa, e é um flagrante desrespeito a toda categoria e ao livre exercício da profissão. Sem dúvidas, os policiais responsáveis pela detenção poderiam ter conduzido a ação sem constranger a equipe da Itatiaia.

Luiz Carlos Prestes: biografia política , de autoria de Anta Leocadia Prestes


                                                         


Ano de publicação: 2015 - quando se completa 25 anos da morte do "Cavaleiro da Esperança"

Anita Leocadia Prestes com sua alentada obra Luiz Carlos Prestes: biografia política vem proporcionar ao público brasileiro o ensejo de superar uma reconhecida lacuna da historiografia nacional – a ausência da biografia política de um personagem da história do Brasil do século XX, cuja relevância tornou-se indiscutível, o célebre “Cavaleiro da Esperança”.

Com base em ampla pesquisa em arquivos nacionais e estrangeiros e na consulta e utilização de grande diversidade de documentos originais, muitos dos quais até agora inéditos, a autora realizou um vasto trabalho de elaboração histórica, fundado na metodologia marxista e, em particular, na contribuição de A. Gramsci para o ofício do historiador empenhado na produção atualizada de uma história política contemporânea.

No livro há grande quantidade de fotos, algumas inéditas, abrangendo os diferentes momentos da longa vida do biografado. 

O leitor também terá acesso à reprodução de algumas cartas inéditas de Prestes dirigidas à família.
(Com a Boitempo)

A emocionante chegada dos "Últimos soldados da guerra fria" ,os heróis cubanos a Havana

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Brasil e a política do neoliberalismo

                                             

Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

James Petras

A classe trabalhadora brasileira está a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padrões de vida em mais de uma década. E não são apenas os trabalhadores industriais que estão sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector público e privado, professores, profissionais da saúde, desempregados e pobres estão a enfrentar cortes maciços no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pensões. 

Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, serão revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma "década de infâmia". O regime Rousseff abraçou a política do "capitalismo selvagem" tal como personificado na nomeação de dois dos mais extremos advogados de políticas neoliberais. 

O "Partido dos Trabalhadores" e a ascendência do capital financeiro 

No princípio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finanças – de facto o novo czar económico para dirigir a economia brasileira. Levy é um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um braço de gestão de activos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milhões de dólares. 

Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy é um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro económico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo responsável de topo no Fundo Monetário Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma década depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. 

Durante a presidência de Henrique Cardoso, Levy actuou como estratega económico de topo, envolvido directamente na maciça privatização de empresas públicas lucrativas – a preços de saldo – e na liberalização do sistema financeiro, a qual facilitou a saída financeira ilícita de US$15 mil milhões por ano. 

A presença de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos laços a instituições financeiras internacionais é precisamente a razão porque a presidente Rousseff o colocou como responsável da economia brasileira. A nomeação de Levy é parte integral da adopção por Rousseff de uma nova estratégia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperança de atrair investimentos em grande escala e findar a estagnação económica. 

Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direccionada para obter a "confiança" da classe capitalista. 

As políticas sociais que foram implementadas anteriormente são agora sujeitas à eliminação ou redução, pois o novo czar financeiro, Joaquim "Jack o Estripador" Levy, avança na aplicação da sua "terapia de choque". Cortes profundos e abrangentes na parte do rendimento nacional que cabe ao trabalho estão no topo da sua agenda. O objectivo é concentrar riqueza e capital nos dez por centos superiores na esperança de que invistam e aumentem o crescimento. 

Se bem que a nomeação de Levy represente decididamente uma viragem para a extrema-direita, as políticas e práticas económicas dos doze anos anteriores prepararam os fundamentos para o retorno de uma versão virulenta da ortodoxia neoliberal. 

Os fundamentos económicos para o retorno de capitações selvagens 

Durante a campanha eleitoral em 2001, Lula da Silva assinou um acordo económico com o FMI que garantia um excedente orçamental de 3%. Lula quis tranquilizar banqueiros, financeiros internacionais e multinacionais assegurando que o Brasil pagaria seus credores, aumentaria as reservas [de divisas] estrangeiras para remessa de lucros e fluxos financeiros ilícitos para o exterior. 

A adopção por Lula de políticas orçamentais conservadoras foi acompanhada pelas suas políticas de austeridade, redução de salários de funcionários públicos e de pensões, bem como de proporcionar apenas aumentos marginais no salário mínimo. 

Acima de tudo, Lula apoiou todas as privatizações corruptas que tiveram lugar sob o anterior regime Cardoso. No fim do primeiro ano de Lula no governo, em 2003, a Wall Street louvou-o como o "Homem do ano" pelas suas "políticas pragmáticas" e a sua desmobilização e desradicalização dos principais sindicatos e movimentos sociais. 

Em Janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva nomeou Levy como secretário do Tesouro, uma posição que ele manteve até 2006 – o mais socialmente regressivo período da presidência Lula da Silva. Este período também coincidiu com uma série de escândalos de corrupção enormemente lucrativos, de muitos milhares de milhões de dólares, envolvendo dúzias de altos responsáveis do PT no regime Lula que recebiam comissões clandestinas das principais companhias de construção. 

Dois acontecimentos em meados dos anos 2000 permitiram a Da Silva moderar suas políticas e introduzir reformas sociais limitadas. O boom das commodity – um aumento agudo na procura e nos preços das exportações agro-minerais – encheu os cofres do Tesouro. E a pressão acrescida dos sindicatos, dos movimentos rurais e dos pobres por uma fatia na prosperidade económica levou a aumentos em gastos sociais, salários e crédito fácil sem afectar a riqueza, propriedade e privilégios da elite. 

Com o boom económico, Lula podia também satisfazer o FMI, o sector financeiro e a elite dos negócios com subsídios, isenções fiscais, juros baixos nos empréstimos e lucrativos contratos estatais com "sobrepreços". 

Os pobres receberam 1% do orçamento através de uma "subvenção familiar", uma esmola de US$60 por mês, e trabalhadores mal pagos receberam um salário mínimo mais alto. O custo do bem-estar social (social welfare) foi uma fracção dos 40% do orçamento que os bancos receberam em pagamentos do principal e de juros na dúbia dívida pública incorrida pelos anteriores regimes neoliberais. 

Com o fim do boom, o governo de Rousseff reverteu às políticas ortodoxas de Lula no período 2003-2005 e renomeou Levy para executá-las. 

A terapia de choque de Levy e suas consequências 

A tarefa de Levy de reconcentrar rendimento, ascender lucros e reverter políticas sociais será muito mais árdua em 2014-2015 do que foi em 2003-2005. Principalmente porque, anteriormente, ele estava simplesmente a continuar as políticas do regime Cardoso – e Lula prometeu aos trabalhadores que isso era apenas temporário. Hoje Levy deve cortar e retalhar ganhos que os trabalhadores e os pobres consideravam como garantidos. De facto, em 2013-2014 movimentos de massa urbanos pressionavam por maiores despesas sociais em transportes, educação e saúde. 

Para a terapia de choque de Levy avançar, em algum ponto será necessária repressão, como foi o caso no Chile e na Europa do Sul quando políticas de austeridade semelhantes deprimiram rendimentos e multiplicaram o desemprego. 

Levy propõe resgatar os interesses do capital financeiro tomando várias medidas cruciais, as quais estarão alinhadas com a agenda da Wall Street, da City de Londres e dos potentados financeiros brasileiros. 

Consideradas na sua totalidade, as políticas financeiras de Levy equivalem a "tratamento de choque" – medidas económicas duras e rápidas aplicadas contra os padrões de vida dos trabalhadores, o equivalente a choques eléctricos em pacientes com perturbações aplicados por psicólogos dementes a afirmarem que "sofrimento é ganho", mas que mais frequentemente transformam os pacientes em zumbis ou coisa pior. 

A primeira prioridade de Levy é cortar e retalhar investimentos públicos, pensões, pagamentos por desemprego e salários do sector público. Sob o pretexto de "estabilizar a economia" (para os grupos financeiros) ele desestabilizará a economia familiar de dezenas de milhões. 

Ele cancelará isenções fiscais para a massa de consumidores que compra carros, electrodomésticos e "produtos da linha branca", aumentando portanto os custos para milhões de famílias da classe trabalhadora ou expulsando-as do mercado através dos preços. O objectivo de Levy é desequilibrar orçamentos familiares (aumento da dívida em relação ao rendimento) a fim de aumentar o excedente do orçamento do Estado e assegurar plenos e prontos pagamentos de dívidas a credores como o seu próprio conglomerado Bradesco. 

Em segundo lugar, Levy "ajustará" preços. Mais especificamente o controle do preço final de combustíveis, energia e transportes de modo a que os oligarcas financeiros com milhões de acções naqueles sectores possam elevar preços e "ajustar" sua riqueza ascendente para os milhares de milhões de dólares. Em consequência, a classe trabalhadora e a média terão de gastar uma maior fatia do seu rendimento declinante com combustível, transporte e energia. 

Em terceiro lugar, Levy provavelmente deixará a divisa enfraquecer a fim de promover exportações agro-minerais sob o disfarce da maior "competitividade". Mas uma divisa mais barata aumentará o custo de importações, especialmente de alimentos básicos e bens manufacturados. 

A desvalorização de facto atingirá mais duramente os milhões que não podem proteger suas poupanças e favorecerá os especuladores financeiros que capitalizarão nos movimentos da divisa. E estudos comparativos demonstram que uma divisa mais barata não aumenta necessariamente os investimentos produtivos. 

Em quarto lugar, é provável que Levy afirme que as falhas de energia devidas à seca, a qual reduziu a produção das hidroeléctricas do Brasil, exigem "reforma" do sector da energia, eufemismo de Levy para privatização. Ele proporá a liquidação do gigante semi-público Petrobrás e acelerará a privatização da exploração de sítios offshore, em termos favoráveis a grandes bancos de investimento. 

Em quinto lugar, é provável que Levy retalhe e incinere regulamentações ambientais e de negócios, incluindo aquelas que afectam a floresta tropical, direitos do trabalho e dos índios, a fim de facilitar a entrada e saída rápida de capital financeiro. 

A "terapia de choque" de Levy terá um profundo impacto social e económico sobre a sociedade brasileira. Toda indicação, de experiências passadas e presentes, é que em todo o país onde "Chicago boys", como Levy, aplicaram sua fórmula de "choque", o resultado foi profunda recessão económica, regressão social e intranquilidade política. 

Ao contrário das expectativas da presidente Rousseff, cortes em crédito, salários e investimento público deprimirão a economia – remetendo-a da estagnação para a recessão. A retrógrada equilibragem do orçamento diminui a procura e não induz fluxos de capital produtivo. Os sectores de crescimento mais dinâmico na manufactura, indústria automobilística, serão drástica e adversamente afectados pelos aumentos nos impostos sobre compras. E o mesmo se passa quanto a electrodomésticos. 

Até agora a expansão do investimento público fora a principal força condutora do magro crescimento económico. Não há razão racional para acreditar que vastos fluxos de capitais privados subitamente preencherão a lacuna, especialmente num mercado em contracção. Isto é especialmente verdadeiro se, como é provável que aconteça, o conflito de classe se intensificar na generalidade devido a reduções em salários e padrões de vida. 

Levy, como todos os fanáticos do mercado livre, argumentará que a recessão e regressão é necessária a curto prazo e que "no longo prazo" terá êxito. Mas em todos os países contemporâneos que seguiram sua fórmula de choque, o resultado foi a regressão prolongada. A Grécia, Espanha, Itália e Portugal estão no sétimo ano de austeridade que induziu a depressão e a sua dívida pública está em crescimento . 

As efectivas consequências reais da terapia de choque 

Temos de por de lado as afirmações ideológica de "estabilidade e crescimento" dos Levyitas e olhar para os resultados reais das políticas que ele promete. 

Em primeiro lugar e acima de tudo, as desigualdades aumentarão porque quaisquer ganhos no rendimento serão a seguir concentrados no topo. As políticas do governo de desregulamentação orçamental e das taxas de câmbio aprofundarão os desequilíbrios na economia, favorecendo credores em relação a devedores, a finança estrangeira em relação a manufacturas locais, os proprietários de capital em relação aos trabalhadores assalariados, o sector privado em relação ao sector público. 

Levy na verdade "assegurará a confiança do capital" porque o que é alcunhado como "confiança do investidor" repousa sobre uma licença sem empecilhos para pilhar o ambiente, reduzir salários e explorar um crescente exército de reserva de desempregados. 

Conclusão 

A terapia de choque de Levy intensificará a tensão de classe e inevitavelmente resultará na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos. 

Rousseff e a liderança do pretenso "Partido dos Trabalhadores", confrontada com a estagnação económica resultante do declínio no preços das commodities e da decisão do capital privado de evitar investimentos, podia ter optado por socializar a economia, acabar com o capitalismo de compadrio (crony capitalism) e aumentar o investimento público. Ao invés disso, eles capitularam. Rousseff reciclou as políticas neoliberais ortodoxas que Lula implementou durante os primeiros dois anos do seu regime. 

Ao invés de mobilizar trabalhadores e profissionais para mudanças estruturais mais profundas, Rousseff e Lula da Silva estão a contar com a "ala esquerda" do PT para lamentar, criticar e conformar-se. Eles estão a contar com líderes cooptados da confederação sindical (CUT) para hiper-ventilar e limitarem-se a protestos simbólicos inconsequentes os quais não abalarão a "terapia de choque" de Levy. 

Contudo, o âmbito, profundidade e extremismo do assim chamado programa de ajustamento e estabilização de Levy provocarão greves gerais, sobretudo no sector público. Os cortes na indústria automobilística e o aumento do desemprego resultarão em acções de protesto no sector manufactureiro. Os cortes no investimento público e a ascensão nos custos do transporte, cuidados de saúde e educação revitalizarão os movimentos de massa urbanos. 

Dentro de um ano, as políticas de choque de Rousseff e Levy converterão o Brasil num caldeirão fervente de descontentamento social. Os gestos pseudo-populistas de Lula e a retórica vazia não terão efeitos. Rousseff não será capaz de convencer o povo trabalhador a aceitar o viés de classe do programa de "austeridade" de Levy, seus incentivos para "ganhar a confiança dos mercados internacionais" e sua política de contracção do rendimento da vasta maioria do povo trabalhador. 

As políticas de Levy aprofundarão a recessão, não redespertarão os espíritos animais de empresários. Após um ano de "mais sofrimento e nenhum ganho" (excepto quanto a lucros mais altos para financeiros e exportadores agro-minerais), a presidente Rousseff enfrentará o inevitável resultado político negativo de ter perdido o apoio dos trabalhadores, da classe média e dos pobres rurais sem ganhar o apoio dos negócios e da elite financeira – eles têm os seus próprios líderes confiáveis. Uma vez tendo posto em prática suas radicalmente regressivas políticas de mercado livre, e tendo provocado maciço descontentamento popular, Levy demitir-se-á e retornará à presidência do Bradesco, do fundo de investimento de muitos milhares de milhões de dólares, declarando "missão cumprida". 

Rousseff pode substituir Levy e tentar "moderar" sua "terapia de choque". Mas nessa altura será demasiado pouco e demasiado tarde. O Partido dos Trabalhadores acabará no caixote de lixo da história. A decisão de Rousseff de nomear Levy como czar económico é uma declaração de guerra de classe . E a fim de vencer a guerra de classe, não podemos excluir que as políticas radicalmente regressivas serão impostas pela violência estatal – a repressão de protestos da massa urbana, o desalojamento selvagem de pacíficos trabalhadores rurais sem terra que ocuparem terras devolutas. 

A viragem do regime do "Partido dos Trabalhadores" do "neoliberalismo inclusivo" para o extremismo friedmanista do livre mercado radicalizará e polarizará a sociedade brasileira. A oligarquia pressionará pela remilitarização da sociedade civil. Isto por sua vez, estimulará o crescimento da consciência de classe dos movimentos sociais, como aqueles que terminaram vinte anos de domínio militar. Talvez desta vez a revolução social (social upheaval) possa não acabar numa democracia liberal, talvez a luta que vem aí traga o Brasil mais próximo de uma república socialista. 
14/Dezembro/2014
Do autor sobre o Brasil: 
A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo 
O capitalismo extractivo e o grande salto para trás 

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Comissão Nacional da Verdade: as urgentes propostas para o presente

                                                             
O relatório da Comissão Nacional da Verdade, divulgado dia 10/12/2014, é um enorme, mas ainda insuficiente, passo para o país acertar as contas com o passado

Tão importante quanto o registro histórico oficial das violências do regime são as proposições para o presente. Essas medidas sugeridas pelos comissários são mais do que urgentes. São propostas que não podemos esquecer enquanto não forem implementadas. Elas são centrais para resolver alguns dos mais graves problemas de violência e injustiça que o país ainda enfrenta, herança maldita dos anos do regime civil-militar.

Abaixo, vão elas:

Medidas institucionais

1) Reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade institucional pela ocorrência de graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964 a 1985);

2) Determinação, pelos órgãos competentes, da responsabilidade jurídica – criminal, civil e administrativa – dos agentes públicos que deram causa às graves violações de direitos humanos ocorridas no período investigado pela CNV, afastando-se, em relação a esses agentes, a aplicação dos dispositivos concessivos de anistia inscritos nos artigos da Lei no 6.683, de 28 de agosto de 1979, e em outras disposições constitucionais e legais;

3) Proposição, pela administração pública, de medidas administrativas e judiciais de regresso contra agentes públicos autores de atos que geraram a condenação do Estado em decorrência da prática de graves violações de direitos humanos;

4) Proibição da realização de eventos oficiais em comemoração ao golpe militar de 1964;

5) Reformulação dos concursos de ingresso e dos processos de avaliação contínua nas Forças Armadas e na área de segurança pública, de modo a valorizar o conhecimento sobre os preceitos inerentes à democracia e aos direitos humanos;

6) Modificação do conteúdo curricular das academias militares e policiais, para promoção da democracia e dos direitos humanos;

7) Retificação da anotação da causa de morte no assento de óbito de pessoas mortas em decorrência de graves violações de direitos humanos;

8) Retificação de informações na Rede de Integração Nacional de Informações de Segurança Pública, Justiça e Fiscalização (Rede Infoseg) e, de forma geral, nos registros públicos;

9) Criação de mecanismos de prevenção e combate à tortura;

10) Desvinculação dos institutos médicos legais, bem como dos órgãos de perícia criminal, das secretarias de segurança pública e das polícias civis;

11) Fortalecimento das Defensorias Públicas;

12) Dignificação do sistema prisional e do tratamento dado ao preso;

13) Instituição legal de ouvidorias externas no sistema penitenciário e nos órgãos a ele relacionados;

14) Fortalecimento de Conselhos da Comunidade para acompanhamento dos estabelecimentos penais;

15) Garantia de atendimento médico e psicossocial permanente às vítimas de graves violações de direitos humanos;

16) Promoção dos valores democráticos e dos direitos humanos na educação;

17) Apoio à instituição e ao funcionamento de órgão de proteção e promoção dos direitos humanos;

Reformas constitucionais e legais

18) Revogação da Lei de Segurança Nacional;

19) Aperfeiçoamento da legislação brasileira para tipificação das figuras penais correspondentes aos crimes contra a humanidade e ao crime de desaparecimento forçado;

20) Desmilitarização das polícias militares estaduais;

21) Extinção da Justiça Militar estadual;

22) Exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal;

23) Supressão, na legislação, de referências discriminatórias das homossexualidades;

24) Alteração da legislação processual penal para eliminação da figura do auto de resistência à prisão;

25) Introdução da audiência de custódia, para prevenção da prática da tortura e de prisão ilegal;


Medidas de seguimento das ações e recomendações da CNV

26) Estabelecimento de órgão permanente com atribuição de dar seguimento às ações e recomendações da CNV;

27) Prosseguimento das atividades voltadas à localização, identificação e entrega aos familiares ou pessoas legitimadas, para sepultamento digno, dos restos mortais dos desaparecidos políticos;

28) Preservação da memória das graves violações de direitos humanos;

29) Prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura dos arquivos da ditadura militar.
(Com a Revista Samuel)