sábado, 25 de abril de 2015

A força do povo


                             
                           

José Carlos Alexandre

Acabo de ler um texto do Miguel Urbano Rodrigue sobre "O homem que gostava de cães", do escritor cubano Leonardo Padura.

O enfoque é para o assassino de Leon Trotsky, um dos revolucionários de 1917, posteriormente morto no México.

Ainda não tive oportunidade de vencer as 600 e tantas páginas do autor caribenho, agora, ao que parece, também cidadão espanhol.

Acho que todo mundo deve defender sua opinião, embora sem desfigurar a história, como nos faz crer o escritor e jornalista português, em sua crítica ao amante de cães.

Cuba deve ter lá seus "dissidentes"...

Ainda que o autor em foco não o seja ou se julgue ser.

Às  vezes em que viajei para lá impus sempre aos organizadores da excursão que me mantivessem distante desses figurões que sempre me pareceram  suspeitos de traição ao povo e aos ideais da Revolução.

Radicalismo puro meu, talvez.

Mas continuo pensando assim.

O que não me impede de ler as obras de Padura, caso me caiam em mãos.

Adoro ler a Bíblia  e dificilmente perco documentários sobre Cristo, Daniel, Isaías e outros profetas do Oriente Médio.

Em Israel cheguei a visitar o suposto local onde Cristo teria sido batizado, a casa ode teria visito com os pais José e Maria, e até o local onde teria sido enterrado.

Nem por isso deixo de concordar com os que julgam ser fantasias  a saída dos judeus do Egito , a travessia do Mar Vermelho etc.

Sim, no Egito não se tem qualquer sinal da existência de Moisés e de seus prodígios...

Não há evidência histórica, como dizem com vozes empostadas narradores de documentários de TVs.

As revoluções soviética e cubana, contudo, são fatos concretos, com seus acertos e naturalmente muitos erros.

Certamente um dia a história haverá de fazer justiça a seus líderes.

O mesmo talvez jamais ocorra com seus detratores.

Eu prefiro desde já reconhecer méritos nos que se postaram ao lado do povo, como os habitantes de Odessa no filme que acabo de rever no Arte 1:"Encouraçado Potemkin" , de Sergei Eisentein, de 1925, enfocando acontecimentos de 1905.

O que me fortalece a convicção na força do povo organizado.




O Trotsky de Padura, Danton e a Revolução

                                                 

Miguel Urbano Rodrigues


O mais recente livro do escritor cubano Leonardo Padura tem sido largamente promovido, com numerosas edições em castelhano, português e outras línguas. O jornal “Público” consagrou três páginas ao livro e ao autor. O livro tem valor literário. Mas o que obviamente justifica este entusiasmo é que o autor abomina – é a palavra - o socialismo e o comunismo. Embora não o afirme explicitamente nos seus livros, põe os seus personagens a falar por si.


Uma mensagem eletrónica de Alberto Dines empurrou-me para a leitura, muito lenta, de O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES, de Leonardo Padura (*).

Tinha lido algumas das suas novelas policiais. Admirava o escritor, mas o cidadão não me inspirava simpatia.

Interrogava-me. Que livro seria aquele recebido com entusiasmo pela crítica em França, em Portugal, em Espanha (10 edições), no Brasil?
O suplemento cultural do diário Publico, de Lisboa, dedicou há dias três páginas ao escritor.

Depois percebi. Creio não ter lido nos últimos anos um romance sobre o qual me é tão difícil transmitir aquilo que senti.
O livro tem na versão portuguesa mais de 600 páginas. A dificuldade resulta de a opinião ter mudado à medida que avançava na leitura. O romance é uma caixa de surpresas que semeia perguntas sem resposta.

Na primeira parte o talento literário do autor impressionou-me muito. Mas à medida que prosseguia, a admiração foi acompanhada por um grande mal-estar.

Como explicar a contradição aparente?

Duas personagens prendem o leitor: Trotsky e o catalão que o assassinou em 1940, Ramon Mercader, o «herói» do romance.

Padura recorre no seu livro a uma técnica nele inovadora. Um dos narradores, Ivan Cárdenas, é um cubano, escritor frustrado que, numa praia a leste de Havana, ouviu a estória do crime contada por um amigo de Mercader, que na realidade é o próprio Mercader .

Padura, numa arquitetura ficcional complexa, inspirou-se na história real e na estória escutada para construir um romance já traduzido em muitas línguas.

As narrativas são paralelas, mas duas surgem interligadas: a vida trágica de Trotsky desde a sua deportação em 1928 para o Cazaquistão ao assassínio no México em 1940; e a lenta metamorfose de Ramon Mercader, o catalão de origem aristocrática que, de combatente na batalha de Madrid sem formação ideológica evoluiu num processo traumático para o fanático operacional da NKVD (precursora do KGB) que matou Trotsky com uma picareta.

Ivan, o narrador cubano, não esconde, ao refletir sobre a vida, o seu distanciamento da Revolução. Não somente a desaprova, como anseia pelo fim do socialismo, de um regime que considera responsável pela pobreza, pelo atraso, pela corrupção que alastram pela Ilha. Destila aversão pelo comunismo.
A meditação é de Ivan, mas para o leitor é transparente que as suas ideias, criticas e aspirações são de Padura.

O escritor, como a grande maioria dos jovens da sua geração, apoiou a Revolução nos primeiros anos. Mas o funcionamento do Partido, o sectarismo e o voluntarismo dos dirigentes cansaram-no, desiludiram-no.

Conheci em Cuba intelectuais que percorreram a estrada que os conduziu da adesão à desilusão.

Não condeno todos aqueles que renunciaram à militância revolucionária. O homem é um ser em mudança permanente. Mas as transformações ideológicas não são uniformes; diferem muito.

O romance de Padura fez-me recordar Lisandro Otero, um grande escritor. De revolucionário inflamado, disciplinado, que exerceu funções diplomáticas na Europa e n a América Latina, deslizou lentamente para um ceticismo que se tornou transparente em artigos publicados no Monde Diplomatique.

Ao ler o seu romance El Arbol de la Vida procurei-o em sua casa para tentar compreender aquilo que o levara da apologia à crítica.
A resposta, confusa, titubeante, não me esclareceu.

A mensagem do seu romance, pessimista, é transparente: sucessivas gerações passaram em Cuba, desde a época colonial, da rebelião ao conformismo, à rutura com a moral e a ética. Porquê? Porque todas as revoluções, na sua opinião, acabam por devorar aqueles que desafiam a ordem preexistente.

Mas, nos últimos anos da sua vida, Lisandro Otero, naturalizado mexicano, inverteu surpreendentemente o rumo, retomou a defesa da Revolução e foi-lhe atribuído o Premio Nacional de Literatura.

Danton, ao contrário de Lisandro, não recuperou a esperança depois de a perder. Tinha sepultado a ideia de revolução. Surge na História como a antítese de Robespierre.

O percurso de Trotsky é sinuoso, em certos trechos, quase incompreensível, mas morreu acreditando na revolução mundial como meta ao alcance do homem.

O ENIGMÁTICO PADURA

Padura (o governo de Rajoy atribuiu-lhe a nacionalidade espanhola) desconcerta o leitor.

Destoa do perfil do anticomunista tradicional. Para convencer, utiliza um processo que o distância dos historiadores anti-soviéticos como o americano Robert Conquest, ou de escritores como o russo Soljenitsin que para condenar o socialismo não hesita em atribuir à Revolução Francesa de l789 a origem de todos os males que culminaram, segundo ele, na Revolução bolchevique de Outubro de 17.

Padura esforçou- se por envolver o seu livro no manto de seriedade que conferiu prestigio ao romance histórico, de Walter Scott e Victor Hugo a Tolstoi.
Preparou-se durante muitos anos para escrever, de 2006 a 2009, a sua obra definitiva.

Estudou marxismo. Conhece a Historia das Revoluções Russas, leu muito sobre a geração de revolucionários profissionais que acompanharam Lenin na grande arrancada de 17. Quase todos (Kamenev, Zinoviev, Rikov, Smirnov, Preobrajensky, Piatakov, Radek, Rakovsky, entre outros) foram acusados nos processos de 36, 37 e 38 de trair a Revolução e - com a exceção de Radek - fuzilados.

Padura reuniu uma Documentação volumosa. Consultou os Arquivos Russos após a desagregação da URSS. Deixa transparecer intimidade com a cidade de Moscovo.

Registei que algumas citações reproduzem os originais.

Esse rigor aparente na montagem do livro contribui para incutir confiança ao leitor e persuadi-lo com habilidade de que este regresso a Trotsky recria numa obra de ficção o revolucionário e o homem.

Essa eventual conclusão desrespeita a História.

O Trotsky de Padura é uma personagem muito diferente do Trotsky real.

O escritor é fiel no relato ao itinerário do exilado, erigido por Stalin em inimigo número um. Acompanha-o no exilio, na Turquia, em França, na Noruega e, nos anos finais, em Coyoacan, no México.

Alberto Dines, ao manifestar-me o seu apreço pelo talento de Padura, salienta o «extraordinário trabalho de pesquisa e armação literária».

O comentário é pertinente. Mas Padura não é um historiador. Deforma Trotsky. Abusando da liberdade de ficcionista, atribui ao revolucionário exilado, nas suas meditações sobre o passado, arrependimentos e dúvidas incompatíveis com a sua personalidade e mundividência.

Padura transcreve passagens do documento, um testamento político, em que Trotsky transmitiu as suas últimas vontades. «Morrerei – afirmava - sendo um revolucionário proletário, um marxista, um materialista dialéctico».

Mas insinua que Trotsky estaria arrependido da sua responsabilidade na repressão dos marinheiros de Kronstadt em l921 e de falta de firmeza na defesa dos sindicatos durante o debate sobre o tema no Comité Central. Na realidade, Trotsky foi então um dos principais defensores da implacável repressão dos amotinados de Kronstadt e Lénine criticou-o por haver tomado a iniciativa da militarização dos sindicatos ferroviários durante a guerra civil.

Num dos capítulos do livro o escritor sugere que Trotsky, repensando o passado, era assaltado por dúvidas angustiantes sobre a própria validade do projeto comunista.

Padura atribui-lhe pensamentos como este: «seria o marxismo apenas mais uma “ideologia”, uma espécie de falsa consciência que levava as classes oprimidas e os seus partidos a acreditar que lutavam pelos seus próprios fins, quando na realidade estavam a beneficiar os interesses de uma nova classe governante?»(pág. 417).

AMBIÇÃO DESMESURADA

Padura dedicou mais de três anos à escrita do seu romance. Mas concebeu o projeto muito antes.

Terá corrido pelo mundo, de Barcelona ao México, passando por Moscovo e Paris, em busca de inspiração, para se impregnar da atmosfera dos cenários onde Mercader-Mornard se tinha preparado para a sua entrada na História.

Tinha uma ambição desmesurada. Acreditou que iria construir uma catedral da literatura. Esperava elevar-se ao nível de Tolstoi.

Não atingiu a meta. Escritor muito talentoso, não conseguiu criar uma grande obra.

O romance prende pela técnica, por um suspense que lembra o de John Le Carré. As personagens principais, de Ramon Mercader (mascarado de Mornard-Jacson), à sua mãe Caridad Mercader e ao russo Kotov, Tom, Grigoriev, Roberts, Eifingon (o responsável pela operação Canard, concebida para o crime de Coyoacan, mudava com frequência de nome) são muito trabalhadas. Mas Sylvia Ageloff, a trotsquista amante de Ramon Mercader, uma mulher inteligente, surge como figura caricatural.

As referências a Frida Kahlo, que era companheira de Ribera, e à breve relação amorosa-sexual que a grande pintora manteve com Trotsky têm algo de telenovela.

O Trotsky do romance não convence; os agentes secretos soviéticos que desfilam pelo livro também não .

Padura exagera tanto na diabolização da NKVD (sucessora da Tcheka) que não atinge o objetivo.

Desconheço a estória das viagens do escritor para se documentar e inspirar. Mas é tão minucioso nas referências a cidades como Barcelona, Madrid, Moscovo, Paris, Nova York e México que o leitor tende a acreditar que Padura conheceu intimamente os bairros, os parques, as ruas, os hotéis, os cafés, os restaurantes por onde andou o seu «herói», candidato a assassino.

Na cidade do México tive a oportunidade de visitar em Coyoacan a Casa Azul de Frida Kahlo e a casa fortaleza onde Trotsky foi abatido. Recordei pormenores de ambas ao ler as páginas em que Padura descreve com vagares a maneira como Mercader fendeu o crâneo de Trotsky com a picareta de alpinista que levava na gabardina. Fui invadido por um sentimento de repulsa, náusea e mal-estar.

UM FINAL FOLHETINESCO

O romance perde qualidade como obra literária na terceira e ultima parte, O APOCALIPSE.

Ramon Mercader afirmou à Policia secreta e ao tribunal que a iniciativa do crime fora exclusivamente sua. Não falou sob tortura. Nos três presídios por onde passou insistiu sempre em afirmar ser o belga Jacques Mornard, embora a justiça mexicana soubesse que era o catalão Ramon Mercader.
Cumpridos os 20 anos de prisão a que foi condenado, viajou para Moscovo onde lhe foi atribuída por Krutschov a Ordem de Lenine e guindado a Herói da União Soviética. Passou a chamar-se então Ramón Pavlovitch.

Quando lhe foi diagnosticado um cancro incurável, pediu a Fidel que lhe permitisse acabar os seus dias em Cuba e o pedido foi atendido (faleceu em Havana em l978). A sua larga permanência na Ilha terá contribuído para despertar o interesse de Padura.

Não há indícios de que tenha abdicado das suas convicções. Mas Padura submete Mercader a uma inesperada metamorfose politica após a sua instalação na União Soviética.

Quando em l968 reencontra em Moscovo Eifingon, seu antigo tutor, Mercader – que gozava então de privilégios excepcionais -, o agente secreto que dedicara a vida à URSS e a Stalin, mantem com o ex-quadro da NKVD - sempre segundo Padura - diálogos que desconcertam o leitor.

Eifingon conta que, após a queda de Beria, passou quinze anos na prisão. E confessa ao companheiro que lhe mentiu. Diz-lhe que Stalin desejava que ele fosse morto pela segurança de Trotsky após o crime, porque vivo seria muito incómodo. Temia que falasse.

Mercader e ele, na evocação de episódios históricos, não falam como desiludidos; expressam-se com o rancor de vítimas de uma engrenagem trituradora que os teria utlizado como meros instrumentos.

Transcrevo duas reflexões de Mercader: «a confissão de que não só tinha sido usado para efetuar uma vingança, como fora considerado uma peça mais do que prescindível, fez afundar-se a ultima tábua de salvação que tinha à passagem daqueles anos cheios de desenganos e de descobertas dolorosas (pág. 567).

«Sentia o desengano a corroê-lo por dentro e a deixá-lo vazio. Os vestígios do orgulho a que, apesar das dúvidas e da marginalização ,se tinha há muito agarrado com unhas e dentes, iam- se evaporando com o calor de verdades demasiado cínicas».

É a linguagem de alguém que já rompera com o comunismo.

Fica porem transparente para mim que quem fala por ambos é afinal Leonardo Padura, o escritor cubano que abomina – é a palavra - o socialismo e o comunismo, embora não o afirme nos seus livros.

De um amigo cubano, comentando os que emigram e os que ficam na ilha mas criticam o socialismo, recebi uma carta da qual transcrevo estas linhas:
«uma boa parte crítica porque isso é o caminho da fama, seja esta merecida ou não (…) por vezes é também a via para a melhora económica (…) Uma situação que dá muitos dividendos é caminhar pelo border line».

A qualidade literária do romance cai aliás muito no último capítulo, quando Padura regressa ao narrador Ivan.

***

Um esclarecimento pessoal:

Desaprovei desde a juventude a trajetória de Trotsky. Mais tarde li muitos dos seus livros e critiquei em artigos e conferências o seu pensamento político, o seu frenético anti-sovietismo e a criação da IV Internacional. Mas condenei sempre a feroz perseguição de que foi alvo, o apagamento do seu nome da Historia e as acusações absurdas de cumplicidade com o nazismo.

Os erros, a intolerância, a arrogância de Trotsky não me impedem, contudo, de reconhecer que foi um revolucionário que se assumiu ate ao fim como marxista e comunista.

Acrescentarei que os métodos, erros e crimes de Stalin não podem apagar que foi um revolucionário que viveu para a causa do comunismo e desempenhou um papel decisivo na derrota do Reich hitleriano, na vitória da guerra que salvou a humanidade do horror do fascismo.

(*)Leonardo Padura, O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES, Porto Editora,2011

Vila Nova de Gaia,15 de Abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Começa em Juiz de Fora o Curso de Formação Marxista


Parou por quê? Por que parou?


                                                             

INTRANSIGÊNCIA PETISTA, PELEGUISMO SINDICALISTA: CRÔNICAS DE UM FIM DE GREVE ANUNCIADO

Às 16h da terça-feira, 14 de Abril, foi decretado o fim da greve dos trabalhadores e trabalhadoras da educação municipal de João Pessoa. Que fique registrado desde já: essa não foi uma decisão da categoria.

O teatro estava impecavelmente bem armado: havia seguranças engravatados nos corredores da Federação Espírita Paraibana (FEPB), onde se encontra o auditório no qual ocorreu a maior parte das assembleias. 

Foi uma reunião de “primeiras vezes”: pela primeira vez desde o início da greve, dia 16/03, tal aparato de segurança foi ostensivamente utilizado (financiado, é bom lembrar, com o dinheiro dos próprios trabalhadores e trabalhadoras sindicalizados), assim como pela primeira vez a FEPB dedicou suas atividades exclusivamente ao movimento grevista.

A tensão rondava o ar junto com a pergunta nas mentes e bocas dos presentes: por que o sindicato (SINTEM-JP)precisa se armar até os dentes contra a própria categoria que representa?
Analisando os fatos passados, é possível captar vários prenúncios do que iria ocorrer na fatídica terça-feira das ratazanas:

·         O articulador político da prefeitura, sr.Adalberto Fulgêncio, “deixa escapar”, de maneira muito bem calculada, que o instrumento de defesa apresentado pelo advogado do sindicato contra a declaração de ilegalidade da greve, um embargo declatório, seria o mais inadequado possível, e que a vitória da prefeitura estava garantida (o que se confirmou na segunda-feira, 13/04, com a negação, por parte da desembargadora Maria Guedes, do recurso apresentado);

·         Sofrendo ataques periódicos e truculentos por parte da prefeitura, capitaneada pelo Prefeito Luciano Cartaxo (PT), decidiu-se em assembleia pela ação urgente de publicar uma nota de resposta nos principais meios de comunicação do município, nota esta que o sindicato não bancou apesar de ter sido concluída pelo Comando de Greve,e mesmo após ter garantido publicamente que a mesma seria veiculada na sexta-feira, 10/04, e no sábado, 11/04;

·         Na mídia, as notas oficiais da prefeitura, bem como a maior parte das entrevistas do secretariado, cuidadosamente blindam a direção do sindicato enquanto, ao mesmo tempo, voltam toda a artilharia contra o Comando de Greve, alçando-o à condição de responsável exclusivo pelo movimento;

·         Diretores de escola que compõem a própria direção do SINTEM iniciaram os processo de furar a greve, alguns inclusive pressionando grevistas a abandonar o movimento;

Seguindo: aassembleia da terça 14/04 abre com discursos dos representantes da CUT e da CNTE, às quais o SINTEM é filiado (ressalta-se que foram convidados sem consulta ao Comando de Greve), ambos lançando falas inflamadas a respeito das manobras da Câmara dos Deputados para aprovar a PL4330, que regulamenta a terceirização em todas as atividades fins.

Em um momento de sublime contradição com o que viria a ocorrer, o representante da CUT chega a chamar a atenção da mesa para a valorização do dito projeto“democrático e popular”. Logo após, a assessoria jurídica teceu loas e mais loas à postura “combativa” da direção, listando as “conquistas históricas” das greves passadas, e finaliza argutamente jogando a responsabilidade pela escolha do instrumento legal inadequado no colo do Comando de Greve (que deixou de ter sua legitimidade reconhecida pelo “articulador” político da prefeitura na última sexta-feira, 10/04, e por tabela pela direção do sindicato, que desde então não apoiou nova reunião do comando).

Eis que o Sr. Daniel de Assis, presidente do SINTEM-JP, começa seu monólogo.Sobraram pedras para o Comando de Greve, cuja idoneidade foi posta em dúvida quando o mesmo acusou a presença de grupos partidários, nomeadamente PSOL e PSTU (embora não tenha mencionado sua própria filiação e a de outros membros da diretoria ao PT), acusando os mesmos de tentar dividir o movimento e “inflexibilizar” as negociações junto à prefeitura.

Ecos do discurso oficial do governo, diga-se de passagem. Seguindo roteiro cuidadosamente planejado,o Sr. Presidente anuncia que não abriria o microfone para os informes e necessárias reflexões acerca dos próximos passos a serem seguidos, contrariando a prática de todas as assembleias até então. 

Aproveitando-se da confusão armada, ele então sacou uma súbita “votação” para o acato ao mando do judiciário, sem o debate de microfone aberto com a categoria, deixando os presentes atordoados (com exceção da claque, claro).

Com quase 1000 participantes, menos de 5%dos presentes manifestou-se favoravelmente à decisão, enquanto que a esmagadora maioria recusou-se a votar, exigindo esclarecimentos. Com punho em riste, o Sr. Daniel de Assis anuncia triunfantemente o encerramento da greve, e a mesa se desfaz entre sorrisos e abraços vitoriosos.Logo em seguida, bate em retirada pela direita do palco aos camarins, cercado pelos seguranças. “Traíra!”, “pelego!”, “ditador!”, são os gritos que se ouvem da base da categoria.

Mas a assembleia, felizmente, não acabou aí. Esta mesma base, em uma exemplar demonstração de auto-organização, se transformou em um megafone humano, reproduzindo o chamado de porta-vozesa permanência no recinto para que ali fosse feito o debate e os encaminhamentos que a direção do sindicato, de maneira extremamente desrespeitosa, autoritária e antidemocrática, negou-se a fazer. E da auto-organização da base, sem qualquer participação da direção do SINTEM-JP, surgiram os futuros encaminhamentos, a saber:

1-      Continuar recorrendo na Justiça pela legalidade da greve;
2-      Buscar na justiça o direito ao reajuste, ou seja, judicializar o reajuste de 13,01%, conforme lei do piso salarial;
3-      Compor dossiê apresentando as dificuldades e problemas enfrentados/encontrados nas escolas (falta de estrutura e de infraestrutura, falta de materiais didáticos, falta de merenda) e entregar ao Ministério Público estadual até 30 de abril do corrente ano;
4-      Mobilização e participação na audiência pública que será realizada na câmara dos vereadores com a presença da secretária de educação no dia 23/04;
5-      Realização de seminário para debater e formular propostas para a constituição do Plano Municipal de Educação imediatamente;
6-      Realização de seminário para debater a reformulação e unificação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), proposta de realização até final do primeiro semestre do corrente ano;
7-      Realização de seminário sobre financiamento da educação, proposta de realização até final do primeiro semestre do corrente ano;
8-      Dar entrada em ação por assédio moral no Ministério Público. (Com a Unidade Sindical)


Olha aí o Jornal dos Bancários:contra a terceirização


Blogueiros e Ativistas Digitais de SP fazem encontro nesta quinta e sexta

                                                                   
Com o mote 'A Comunicação como Direito Humano', o II Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de São Paulo divulgou sua programação. A atividade, marcada para os dias 24 e 25 de abril, contará com debates e desconferências sobre temas como a democratização da comunicação, a luta pelo Marco Civil da Internet e a relação entre mídia e Direitos Humanos.

Para informações sobre inscrição, basta acessar este link. Quem reside fora da capital do estado tem hospedagem garantida pela organização do evento, de acordo com a ordem de adesão - as vagas são limitadas.

Confira a programação completa:

24/04 - ABERTURA

18h30 - Credenciamento

19h - Mesa de abertura

- Altamiro Borges - Presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé

- Aparecido Araujo - Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais

- Izabel Heitor - Comissão organizadora do 2BlogProgSP

- Emiliano José - Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações

- Simão Pedro - Secretário Municipal de Serviços da Prefeitura de SP

20h - Coffe Break e atividade cultural com Marcelo Monteia.

25/04 - DEBATES E DESCONFERÊNCIAS

9h - Democratização da Comunicação Social, seus impactos e sua importância para a democracia

- Guilherme Boulos - coordenador nacional do MTST

- Laura Capriglione - Jornalistas Livres

- Laurindo Leal Lalo Filho - Sociólogo, jornalista e professor de jornalismo

Mediadora: Conceição Oliveira - Blog Maria Frô

10h30 - Marco Civil da Internet: regulamentação e desafios

- Renata Mielli - Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé

- Veridiana Alimonti - Intervozes

- Ronaldo Matos - Blog Desenrola e Não Me Enrola

Mediador: Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

13h - ALMOÇO

14h - Desconferências - Tema: Direitos Humanos no Brasil
(serão realizadas simultaneamente)

1ª: A periferia e o jornalismo comunitário

- Aline e Thiago - Periferia em Movimento

- Thais - Desenrola e Não Me Enrola

- Paulo Ferraz Simões - Rádio Comunitária Itaquera

Mediador: Renato Rovai - Revista Forum

2ª: Mídia e minorias: questões de gênero e racismo

- Márcia Cabral - ativista do Movimento Negro e LGBT

- Rachel Moreno - Psicóloga e pesquisadora

- Dennis de Oliveira - Quilombação

Mediadora: Preta Rara - Nação Hip Hop

3ª: Mídia e a violência de Estado

- André Caramante - Reporter investigativo

- Marcio Sotelo Felippe - Jurista

- Adriano Diogo - Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva

Mediadora: Lira Alli - Levante Popular da Juventude

15h30 - Fechamento das desconferências

15h45 - Mesa final: Mídia e conjuntura

- Rodrigo Vianna - Blog Escrevinhador

- Luís Nassif - Portal GGN

- Palmério Dória - Jornalista e escritor

- Mediadora: Conceição Lemes - Blog da Saúde (Viomundo)

18h - ENCERRAMENTO (Com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro)

Plano de Lucros e Resultados tem de ser pago até dia 29, indica boletim do Sindieletro

                                                               
O Sindieletro tem reiterado diariamente a cobrança para que a Cemig confirme o pagamento da PLR para o próximo dia 29. Cobramos respeito com a categoria!

Lembramos que o pagamento em abril é um compromisso assumido pela empresa no Acordo Específico assinado com os eletricitários.

A falta de comunicação por parte da empresa é ruim e piora o clima entre os trabalhadores.

Os eletricitários já fizeram a sua parte e cumpriram as metas. Agora, basta a Cemig cumprir o acordado! (Com o Sindieletro)


Saúde discute salários terça em Betim


Prato Indigesto -Charge de Son Salvador


Há 40 anos o heróico povo vietnamita derrotava a invasão imperialista

                                                         
A libertação de Saigon (hoje Cidade Ho Chi Minh), em 30 de abril de 1975, deu o toque final à prolongada luta cheia de sacrifícios e façanhas gloriosas do povo vietnamita pela reunificação nacional.

Na ocasião do 40° aniversário da histórica efeméride, a Agência Vietnamita de Notícias (VNA) oferece um breve resumo das campanhas mais importantes desenvolvidas pelas forças patrióticas de 4 de março a 30 de abril de 1975.

A campanha estratégica Tay Nguyen (Planalto Ocidental), de 4 de março a 30 de abril de 1975, com o assalto ao ponto chave de Buon Ma Thuot, cabeceira da província central de Dak Lak, iniciou a Ofensiva Geral e levantes populares da Primavera de 1975.

Em julho de 1974, sob a orientação do então secretário geral do Partido Comunista do Vietnã (PCV), Le Duan, o Estado Maior Geral do Exército Popular do Vietnã começou a elaboração do plano estratégico de libertação do Sul.
                                                   
Nos meses de outubro e dezembro, os membros do Birô Político (BP) e a Comissão Militar Central do PCV celebraram duas reuniões, durante as quais ratificaram sua determinação e aprovaram a estratégia.

A decisão tomada pelo partido é libertar o Sul em dois anos, em 1975 e 1976. Constituíram como principais metas nesse período consolidar as forças armadas e levar a cabo sucessivos ataques e sublevação popular, a fim de enfraquecer o inimigo e criar condições favoráveis para a grande ofensiva e levante geral em 1976.

Em inícios de 1975, baseado em suas estimativas acerca do poder das forças inimigas e de si próprio, o BP tomou a decisão de lançar uma ofensiva geral para libertar totalmente o Sul do país e derrotar os invasores estadunidenses.

Com a finalidade de realizar com êxito o plano, criou-se uma posição coordenada em todo o campo de batalha, estreitando o cerco em torno de Saigon e dos municípios dos arredores, impulsionando a luta nas três regiões estratégicas do território sulista.

A primeira questão é selecionar um campo de batalha para começar a implantação do plano estratégico.

Baseado em um estudo integral, o Birô Político e a Comissão Militar Central do PCV determinaram que o Planalto Ocidental constituía o cenário ideal por sua posição geográfica.

Assim, é onde a força de defesa do inimigo se mostra mais fraca comparada com as estabelecidas nos demais campos de batalha ao longo da região da planície central e sudeste.

Ao contrário, Tay Nguyen é para as forças revolucionárias o lugar onde pode mobilizar as forças diversas para formar um grande punho e realizar uma operação combinada e aproveitar os bosques para manter suas ações em segredo, garantindo a surpresa dos ataques aos inimigos.

Compreendendo que a vitória nesse campo criaria um trampolim para avançar na zona delta central e dividir, assim, as forças inimigas, os dirigentes do PCV decidiram escolher Buon Ma Thuot como o ponto alto para a arremetida.

A direção nacional designou, em 5 de fevereiro de 1975, o general de divisão Hoang Minh Thao, chefe do Comando da Campanha Tay Nguyen.
                                                                   
Às 2:30 da madrugada de 10 de março de 1975, o regimento de missão especial número 198, fortificado com outras unidades, com armas B72 e DKZ, acometeu o aeroporto de Buon Ma Thuot (conhecido como aeródromo Hoa Binh).

Após 30 horas de lutas consecutivas, às 11:00 do dia seguinte, Buon Ma Thuot foi totalmente liberto.

Trata-se de uma ofensiva de significado estratégico que marcou a derrubada por “efeito dominó” das tropas estadunidenses.

Segundo Le Duan, a façanha de Buon Ma Thuot deixou uma grande marca na história vietnamita como uma epopeia que deu início à Ofensiva Geral da Primavera.

Com este triunfo, o BP decidiu, em 18 de março de 1975, adiantar seu plano e libertar o Sul no mesmo ano.

A campanha Tay Nguyen culminou em 3 de abril, sob a estreita cooperação entre as forças armadas, os povoados e as etnias minoritárias do Planalto Ocidental. Todas as províncias do planalto e a região centro-sul ficaram livres.

Segundo especialistas, o ataque a Buon Ma Thuot demonstrou a sábia liderança do PCV em todos os aspectos desde a seleção do campo de batalha, o momento para desencadear a acometida e o ponto chave para o ataque até o aproveitamento de oportunidades para empreender e desenvolver a operação.

A campanha Tay Nguyen marcou uma mudança crucial na estratégia, criando condições propícias para que o exército do Vietnã do Norte encaminhasse com um ano de antecedência a libertação total do Sul.

A vitória é fruto dos 30 anos prolongados na formação de contingente e luta árdua do povo vietnamita e as minorias do Planalto Ocidental.

Hoang Minh Thao enfatizou que o êxito dessa campanha criou novas forças para o Exército do Vietnã do Norte e apoiou em grande medida o espírito combativo do povo.

Tropas especiais vietnamitas e histórias pouco contadas

Na luta armada pela reunificação do Vietnã, resultou estratégica a contribuição das tropas especiais do Exército Popular, com muitas de suas façanhas reveladas há pouco.

Fundadas por orientação do Presidente Ho Chi Minh, essas unidades de elites cresceram no seio da luta libertadora contra os invasores estadunidenses e dispuseram de forças aquáticas, terrestres e urbanas.

Sua potência não residiu em armas sofisticadas, mas na experiência acumulada das históricas guerras de defesa nacional, uma paciência exemplar, uma rara capacidade de resistência corporal e, sobretudo, uma férrea vontade.

Com essas qualidades, os combatentes de “cabeça descoberta e pé descalço” se converteram em um desassossego para os invasores estrangeiros ao cumprirem missões quase impossíveis.

Para dar um exemplo, o coronel Do Van Ninh, ex-vice-comandante e chefe do Estado Maior da Força Especial, citou a destruição, em março de 1975, do armazém de armas do aeroporto de Bien Hoa, onde se encontrava a maior reserva de explosivos estadunidenses.

Exploradores do batalhão especial 113, designado para a tarefa, se aproximaram e cavaram um túnel para permanecer ao lado do alvo, porém não puderam penetrar através da densa cerca e intensa guarda do inimigo, dada a importância estratégica do lugar.

Após semanas de observação e análise do sistema defensivo, cinco combatentes foram enviados ao armazém pelo rio de Dong Nai, via menos esperada pelos defensores.

Conseguiram instalar bombas de tempo em determinados pontos e se retiraram antes de ativá-las, sem perda alguma.

Outra façanha pouco contada foi a libertação do arquipélago Truong Sa em princípios de abril de 1975, segundo ordens diretas do lendário general e comandante em chefe Vo Nguyen Giap.

“Uma companhia de 250 combatentes aquáticos teve a tarefa de atacar seis grupos de ilhas fortificadas em uma ampla e distante zona marítima, sem nenhum veículo de guerra ou conhecimento do lugar e sistemas defensivos”, recordou o octogenário general Mai Nang, o comandante dessa campanha.

“A missão, acrescentou o ex-Comandante da Força Especial, foi a primeira de seu tipo, para a qual seus efetivos não tiveram experiência similar alguma, nem tempo para explorações por questões de urgência e surpresa.

Então, devemos aplicar uma tática nova de explorar e atacar”, revelou o posteriormente condecorado com o título Herói das Forças Armadas.

A partir de três barcos simulados como pesqueiros, os soldados nadaram duas milhas marinhas para aproximar-se de seus objetivos, com plena disposição de sacrificar-se ao saber que não tinham nenhum tipo de reforços, narrou Nang.

Porém, 15 minutos depois de baixar à água, o então coronel recebeu outra ordem para deter a operação. Visto que era impossível reverter o ataque, Nang decidiu assumir a responsabilidade e levá-lo a cabo.

Com coragem, determinação e magistral arte de combate, as tropas especiais aquáticas recuperaram um valioso território e legítimo do Vietnã no mar Oriental, com apenas duas baixas.

Outro histórico mérito destas forças naquela gloriosa primavera foi a ocupação de 14 pontes em torno de Saigon, capital do regime pró-norte-americano.

Esta missão resultou vital para o avanço direto das cinco colunas libertadoras para os centros nevrálgicos do inimigo e acelerou assim a reunificação do país.

Diferente de outras operações, cujas metas eram frequentemente atacar e destruir, a desta missão foi atacar, ocupar e defender a posição, destacou o coronel Van Ninh, também Herói das Forças Armadas.

Seu pelotão conseguiu aniquilar unidades guardiãs de forma rápida em surpreendentes combates noturnos na ponte Ghenh, narrou e sublinhou que a batalha para defender esse nó de transporte resultou muito mais cruel.

Em vários casos, as equipes de elites combatiam até dois dias sob fogo inimigo sem conhecer o momento da entrada das forças principais.

Em Ghenh, 50 dos 52 mobilizados caíram em combate, porém nenhum abandonou seu posto e o pelotão conseguiu defendê-lo até o final, contou o veterano coronel com expressivo orgulho e tristeza.

Outro personagem histórico, o sargento de tropas especiais Pham Duy Do participou na ocupação e defesa da ponte da estrada Bien Hoa e foi quem depois tremulou a bandeira libertadora no palácio presidencial do governo fantoche de Saigon, fato que marcou a vitória final dos revolucionários.

Tendo ingressado ao Exército com 17 anos de idade e com uma vida militar de seis anos, Duy Do escapou duas vezes da morte, apesar das graves feridas, porém não pode fazer o mesmo com relação ao Agente Laranja ou à dioxina pulverizada nos bosques vietnamitas durante a guerra, revelou o ex-combatente de elite na entrevista com a VNA.

Seus filhos sofrem hoje de defeito físicos e mentais causados por esse tóxico, um dos piores conhecidos pelo homem, porém se considerou ainda afortunado de poder desfrutar uma vida pacífica e simples quando outros companheiros caíram na luta.

A operação das 14 pontes foi o maior exercício das tropas especiais vietnamitas durante a guerra, com a participação de uma divisão, uma brigada, quatro batalhões e numerosos comandos urbanos.

Essas construções abriram, em 30 de abril de 1975, o caminho para a entrada triunfal do Exército Popular em Saigon, inaugurando uma nova era de reunificação, paz e desenvolvimento.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Eleições cubanas, um sucesso à altura da história



                                                                                    
                                                                              Juvenal Balán/Divulgação

                                                                             No primeiro turno das eleições parciais para escolher os delegados (vereadores) às Assembleias Municipais do Poder Popular participaram 88,30% dos eleitores

OS cubanos protagonizaram, em 19 de abril, outro acontecimento digno de sua história. Mais de 7,5 milhões de cubanos (7.553.000) exerceram seu direito ao sufrágio, para reafirmar seu compromisso com o futuro de Cuba, o que representa 88,30% dos inscritos, em um dia de comemoração do 54º aniversário da vitória do povo sobre tropas mercenárias que invadiram Cuba pela Baía dos Porcos, em 1961, enviadas dos Estados Unidos.

Livia Rodriguez Delis | livia@granma.cu


De fatos, estes sufrágios tinham convocado os cubanos a tornar patente seu apoio à Revolução e aos novos programas que se executam na Ilha, com o fim de desenvolver de maneira mais eficiente a sociedade.

Em um encontro com a imprensa, a presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CNE), Alina Balseiro, expressou que foi uma jornada árdua, com as urnas acompanhadas dos símbolos da Pátria e cuidadas por crianças pioneiras.

Como resultado preliminar, a funcionária explicou que a qualidade do voto se comportou de maneira satisfatória, pois houve 90% de votos válidos, a porcentagem de votos em branco foi de 4,54% e anulados 4,92%.

A presidente do CNE destacou que foram eleitos 11.425 delegados (vereadores) e que em 1.164 circunscrições deverá efetuar-se um segundo turno, no próximo domingo 26 de abril — processo para o qual já se efetuam os trabalhos correspondentes — pois nenhum dos candidatos dessa instância conseguiu mais de 50% dos votos.

Detalhou que do total dos delegados ou vereadores eleitos, cresceu a presença feminina, com 34,87% e o número de jovens, com 14,95%, bem como a porcentagem de delegados ratificados em seu cargo, que foi de 54,87%.

Alina Balseiro continuou destacando que 59,24% dos eleitos para ocupar cargos nas Assembleias ou governos Municipais do Poder Popular são militantes do Partido Comunista de Cuba, “o que demonstra que a integração política não é uma condição para ser eleito vereador”. Por seu lado, a porcentagem de militantes da União dos Jovens Comunistas eleitos é de só 6,75%.

Para a realização das eleições foram instalados mais de 24.600 colégios eleitorais, nos quais marcaram presença mais de 20 mil jovens, os quais atuaram como observadores, especialmente durante o momento da contagem pública dos votos, junto a moradores da comunidade, elementos das organizações de massa e todas aquelas pessoas que desejaram estar presente na hora do escrutínio.

A funcionária deu alguns outros detalhes interessantes acerca destas eleições cubanas, como a questão do voto, que é voluntário e secreto. “As autoridades eleitorais percorreram os colégios de forma a garantir a transparência e legalidade do processo e para isso contaram com todos os recursos possíveis”.

Apesar das medidas organizativas prévias, a presidente do CEN mencionou algumas dificuldades que se apresentaram, como cortes de eletricidade em vários colégios e chuvas intensas em determinadas zonas da região central do país, as quais, apesar disso, não puderam impedir o curso normal da jornada.

Dentro das particularidades que caracterizaram estas eleições destaque para a situação criada pelas novas regulamentações migratórias, por causa das quais milhares de pessoas se encontram de visita temporária no exterior e seus nomes aparecem nos registros eleitorais, o qual teve certa incidência na porcentagem de assistência às urnas.

A funcionária fez um reconto de todo o processo prévio, que culminou nas eleições, a partir da convocatória, feita em 5 de janeiro, pelo Conselho de Estado, para escolher os delegados a ser eleitos para as Assembleias ou Governos Municipais do Poder Popular, cujo ponto principal foi a indicação dos candidatos por parte do povo.

UM VOTO PELO FUTURO

Após votar e exercer seu direito ao sufrágio, o primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, disse que era uma responsabilidade eleger o mais capaz, para que ele possa conduzir o trabalho em uma comunidade.

Argumentou que é um direito dos cidadãos, mas também um dever e uma responsabilidade, nesta época em que os cubanos estão vivendo momentos muito significativos e simbólicos da Revolução, que são momentos de vitória.

Por outro lado, em declarações à imprensa, o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) (Parlamento), Esteban Lazo Hernández, explicou que dentro do sistema político da Ilha maior das Antilhas, o delegado (vereador) é o elo principal, qualificando-o como um elemento decisivo em todos os avanços que estão tendo lugar.

“As eleições de hoje têm um caráter muito importante (...) efetuam-se em um momento muito particular de nossa Pátria, é preciso ver isso vinculado a tudo aquilo que estamos fazendo na atualização do modelo econômico e na reestruturação do país”.

“O delegado ou vereador é muito mais do que resolver um problema, isso ainda está dentro de suas funções, mas ele representa a máxima autoridade de nosso sistema político, que é a autoridade na base, na circunscrição (...)”.

O presidente da Assembleia Nacional pôs em destaque que o processo se realiza em meio de mudanças, como a experiência que está sendo implementada nas províncias de Artemisa e Mayabeque, a qual procura separar as funções da Assembleia da dos Conselhos da Administração.

Depois de mais de 16 anos de injusta prisão, por lutarem contra o terrorismo, pela primeira vez tornaram efetivo seu direito a votar os Cinco Heróis da República de Cuba, Antonio Guerrero, René González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Fernando González.

Antonio Guerrero expressou que as eleições cubanas eram uma das atividades mais belas e importantes que ele já realizou, porque — arguiu — se trata de demonstrar o amor à Revolução, de demonstrar a unidade de nosso povo e o apoio ao nosso sistema eleitoral democrático.

“Retornar a este espírito eleitoral — em um dia como hoje, quando teve lugar a vitória em Baía dos Porcos — e percebendo o entusiasmo e a organização que hás em cada um dos colégios, isso nos dá muita alegria e a certeza de que esta será outra vitória de nosso povo”, afirmou Guerrero.

“O povo cubano está consciente do que representa exercer seu voto. Tenho certeza de que haverá uma resposta positiva e de que demonstraremos, mais uma vez ao mundo, por quê a Revolução existe, após mais de 56 anos de agressões”.

Empolgado, Ramón Labañino confessou: “Esta é a primeira vez que os Cinco votamos... Depois de tantas coisas que aconteceram em nossa história, tivemos a oportunidade de exercer uma das coisas mais bonitas que tem nosso sistema, que é a democracia revolucionária, a democracia socialista e (...) podemos desfrutar o que é o voto democrático real, onde se escolhem os candidatos em cada bairro e não existe o dinheiro, não existe a propaganda imperialista, não existe nada disso e, portanto, é um momento muito bonito que desfrutamos com todo nosso povo”.

Após destacar o processo democrático cubano, Gerardo Hernández referiu-se à vitória obtida recentemente no Panamá, “onde ficou demonstrado, mais uma vez, que nós estamos do lado correto da história, pois é o inimigo que começa a retificar. Nós não temos mudado nada, estamos defendendo os mesmos princípios que em 1959, mantemos as mesmas ideias da época em que começaram a tentar isolar Cuba. Já estamos de volta na comunidade e isso deixa bem claro quem estava enganado”.

Quanto aos projetos de trabalho para o futuro, Gerardo afirmou à imprensa que “nossa missão sempre será servir ao povo de Cuba, no lugar que seja necessário. Somos soldados e estamos esperando a próxima ordem. Neste momento, estamos fazendo algumas visitas para agradecer, de algum modo, tanto carinho recebido durante os anos de encerro”.

Entretanto, René González manifestou sua intensa alegria depois de 25 anos sem ter votado em cuba e significou que o processo eleitoral na Ilha é caracterizado porque o povo propõe e elege os melhores para exercer o governo.

E é que não houve melhor homenagem a uma data tão importante para Cuba que a participação em massa nas urnas, pois nestas eleições o povo participou em defesa do futuro da Pátria.(Com o Granma)

Ladrão leva 20 toneladas de cerveja

                                                                     
                                                      Photo Xpress
Com placa adulterada e passaporte falso, russo de 22 anos se passou por cliente de cervejaria que encontrou pela internet.

Um cidadão de Omsk, cidade cerca de 2,8 mil quilômetros a leste da capital, roubou mais de 20 toneladas de cerveja de uma fábrica, de acordo com publicação de quarta-feira (23) do portal local Om1.Ru com informações do Ministério do Interior local.

O jovem de 22 anos colou uma foto sua em um passaporte encontrado na rua e colocou uma placa falsa em um caminhão de carga que pegou emprestado de um amigo. Depois disso, ele encontrou pela internet um cliente que esperava a entrega de um lote de cerveja a Abakan, na república vizinha de Khakássia, e entrou em contato com a fábrica de cerveja em seu nome usando documentos falsos.

O valor do produto roubado ultrapassa um milhão de rublos (quase R$ 60 mil). O jovem fugiu com o caminhão para um estacionamento em uma vila próxima de Omsk, onde conseguiu encontrar um comprador para a bebida, que vendeu por um quarto do preço (250 mil rublos).

Depois da venda,  voltou a sua residência, mas a polícia já havia identificado o caminhão pelos registros das câmeras de segurança, e o surpreendeu no local. Ele foi preso e condenado por fraude, crime pelo qual pode pegar até dois anos de prisão.

Originalmente publicado pelo portal Lenta.Ru. (Com a Gazeta Russa)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

De onde vem o conservadorismo? (Mauro Iasi falará nesta sexta-feira em BH, na PUC, às 18h)



Mauro Luis Iasi [*]

 
"Atrás da aparente beleza, estão os assassinos em massa, a abolição da dignidade, os campos de trabalho forçado, a rejeição de toda a noção de liberdade e fraternidade. (…) [O comunista] é aparentemente inofensivo, será o seu mais querido amigo, o mais sincero, o mais leal… até o dia em que ele o assassinará pelas costas." 
(O GORILA, folheto anticomunista distribuído no interior das Forças Armadas como preparação para o Golpe de 1964)

Há um certo espanto com as recentes manifestações de direita no Brasil, como se fossem algo fora do lugar e do tempo, resquícios de um tempo obscuro que se esperava superado. Por outro lado, espantam-se os que crêem que tal fenômeno é absolutamente novo – daí os epítetos tais como "nova direita", "onda conservadora" e outros. Acreditamos que o conservadorismo que se apresenta na ação política de direita não é algo do passado que se apresenta anacronicamente no cenário de uma democracia, nem algo novo que brota do nada. 

O conservadorismo sempre esteve por aqui, forte e persistente. O fato é que não foi enfrentado como deveria e nos cabe perguntar:   por que? 

CONSERVADORISMO E LUTA DE CLASSES 

O conservadorismo não pode ser entendido em si mesmo, ele é expressão de algo mais profundo que o determina. Estamos convencidos que ele é uma expressão da luta de classes, isto é, que manifesta em sua aparência a dinâmica de luta entre interesses antagônicos que formam a sociabilidade burguesa. Nesta direção é importante que comecemos por delinear o cenário no qual o conservadorismo se apresenta. 

O impacto da ação política de direita espanta aqueles que julgavam que as classes sociais não eram mais categorias que poderiam explicar a sociedade contemporânea. De certa forma, prevaleceu uma estratégia política que orientou de forma determinante a ação política dos trabalhadores que esperava amenizar ou contornar a luta de classes para que fosse possível um conjunto de reformas de baixa intensidade no longo prazo. 

Esta estratégia, denominada de Democrática e Popular, se fundamenta na convicção que a crise da autocracia burguesa permitiria superar uma característica histórica de nossa formação social, isto é, seu caráter "prussiano". O Brasil era uma sociedade com um Estado forte e uma sociedade civil fraca, assim o fortalecimento da "sociedade civil" geraria um cenário no qual a disputa de hegemonia favoreceria às classes trabalhadoras, diminuindo o espaço próprio da direta e favorecendo a política de esquerda. 

Não foi o que ocorreu. A estratégia burguesa de transição pelo alto, controlada e segura, venceu. Não porque não se tenha fortalecido a sociedade civil burguesa e o Brasil não tenha se "ocidentalizado" nos termos gramscianos, mas justamente pelo fato do fortalecimento da sociedade civil burguesa ter acabado por criar um quadro no qual a hegemonia burguesa se consolidou, diminuindo e não ampliando o espaço para a política de esquerda. 

Há aqui duas incompreensões graves no que diz respeito ao conceito de hegemonia e, por conseguinte, da compreensão do caráter do Estado. Prevaleceu uma visão mecânica que associou a autocracia ao uso da força e a democracia ao consenso. Desta forma dicotômica, ao optar pela disputa de hegemonia supostamente favorecida pelo fortalecimento da sociedade civil burguesa, retira-se da paleta de opções políticas o uso da força – seja da esquerda, abandonando a perspectiva de ruptura revolucionária, seja pela direita, com sua tradicional tendência golpista que interrompe os processos institucionais. 

A maneira de contornar a luta de classes e tornar possível as reformas de longo prazo seria o pacto social. Isto é, deixar a burguesia ganhar seus lucros e criar as condições favoráveis para seus negócios enquanto, pouco a pouco, gotejam melhorias pontuais para os mais pobres. Assim a burguesia não teria razão para interromper o processo político e a disputa seria desviada para o terreno que interessaria aos trabalhadores: a disputa eleitoral e o reformismo de baixa intensidade gradualista que seria aceito pelas classes dominantes uma vez que não se trata de nenhuma mudança socialista, mas de buscar uma maior justiça social. 

Neste cenário ideal a direita e suas manifestações mais gritantes se isolariam, o conservadorismo iria cedendo espaço para uma consciência social cada vez mais progressista e viveríamos felizes para sempre. 

A primeira incompreensão grave é que a hegemonia de uma classe social não se define, pelo menos como Gramsci pensava a questão, pela mera disputa das consciências sociais e da legitimidade, mas tem suas raízes nas relações sociais de produção e de propriedade determinantes numa certa época histórica. A hegemonia nasce da fábrica, dizia o comunista italiano. Querer reverter a direção moral de uma sociedade mantendo as relações sociais de produção e formas de propriedade inalterada é uma tarefa impossível. 

Da mesma forma é impossível separar os dois elementos constitutivos do Estado, isto é, a coerção e a busca do consenso. Dizia Gramsci:

"O exercício "normal" da hegemonia, no terreno tornado clássico do regime parlamentar, caracteriza-se pela  combinação da força e do consenso , que se equilibram de modo variado, sem que a força suplante muito o consenso, mas ao contrário, tentando fazer com que a força pareça apoiada no consenso da maioria" 
(Antonio Gramsci,  Cadernos do Cárcere, v. III , 2007, p. 95)

Vejam que combinados os elementos do par dialético força/consentimento, o Estado burguês precisa apresentar sua dominação de classe como expressão de um interesse geral, e não de seus egoístas interesses particulares. 

Esta é a função da ideologia, mas como isso é possível? 

Como já diziam Marx e Engels na Ideologia alemã , as ideias dominantes em uma soctiedade são as ideias das classes dominantes, mas estas só são dominantes porque expressam no campo das ideias as relações que fazem de uma classe a classe dominante. Tal aproximação teórica é essencial à compreensão do nosso tema. 

O conservadorismo não é um desvio cognitivo ou moral, não é fruto de uma educação mal feita ou de preconceitos vazios de significado. O conservadorismo é uma das expressões da consciência reificada, nos termos de Lukács, ou do chamado senso comum, nas palavras de Gramsci, isto é, é uma expresso da consciência imediata que prevalece em uma certa sociedade e que manifesta, ainda que de forma desordenada e bizarra, os valores determinantes que tem por fundamento as relações sociais determinantes. 

Neste sentido, o conservadorismo não veio de lugar nenhum, sempre esteve ali nas relações que constituem o cotidiano e na consciência imediata. As características desta consciência imediata já foram delineadas por Lukács e se centram nos seguintes aspectos: 

a) imediaticidade , o que significa que é uma consciência que se forma nas relações imediatas do ser social com as coisas e pessoas próximas, nos contextos presenciais e que tem por horizonte de ação o tempo presente; 

b) heterogeneidade , o que implica que as diferentes esferas de ação da pessoa no trabalho, na vida afetiva, nos vínculos com o sagrado (o que inclui o futebol, além da religião), na adesão à valores morais, ganham autonomia e coexistem lado a lado sem a exigência de coerência entre os elementos que conformam um determinado modo de vida e uma correspondente concepção ideal de mundo; 

c) superficialidade extensiva , ou ultrageneralização , mecanismo pelo qual a experiência imediata é estendida e universalizada de contextos particulares para generalizações carentes de mediações, o que leva ao preconceito como forma imediata do pensamento no cotidiano. 

Esta consciência imediata forma uma senso comum, bizarro e ocasional, isto é, formado por elementos dispares e heterogêneos relativos aos diferentes grupos ou segmentos sociais que o indivíduo entra em contato em sua vida, na família, nos diversos grupos, no trabalho, na vida pública e outras esferas. 
                                   
Ainda que todo senso comum expresse as relações sociais determinantes e portanto valores da ordem burguesa, nem todo senso comum é conservador. Faz parte do senso comum, até pela característica da  imediaticidade , a reação a uma situação vivida como injusta ou intolerável, a necessidade da solidariedade entre os que vivem as mesmas situações, o que constitui um núcleo saudável do senso comum ou o bom senso. Entretanto, tais características também são cruzadas pela luta de classes, isto é, podem ser elementos basilares da constituição de uma consciência de classe dos trabalhadores ou de formação de uma ação política conservadora. 

Neste ponto as duas dimensões da análise se encontram. A estratégia gradualista e o governo de pacto social que dela deriva, desarmam a consciência de classe forjada nas décadas anteriores e criam uma situação na qual a consciência dos trabalhadores reverte-se novamente em alienação, em  serialidade , fortalecendo o senso comum. A consciência de classe dos trabalhadores pressupõe uma clara definição do inimigo, como dizia Marx, para que os trabalhadores se vejam como uma classe que pode representar uma alternativa universal para o sociedade, outra classe tem que se expressar como um empecilho universal, um entrave que precisa ser superado; ou como dizia Freud, só é possível manter alguns em união quando se dirige o ódio para outros. 

O pacto social e a política da pequena burguesia procura diluir as diferenciações de classe, em outras coisas, com a enganosa ideia de nação. Ocorre que a consciência de classe não é uma naturalidade sociológica, de forma que cada classe tem a consciência que lhe corresponde, mas ela se forma na ação política desta classe e, em grande medida, pala forma política que assume sua vanguarda. Uma ação política classista gera um forte sentimento de pertencimento e identidade de classe, uma política diluída de cidadãos, consumidores, parceiros, e outras gera indiferenciação , permitindo que se imponha a inércia da visão de mundo própria da sociedade dos indivíduos em livre concorrência. 

Desarmada a classe trabalhadora de sua consciência de classe, a luta de classes que se esperava contornar e que é impossível de evitar, se manifesta. É fácil identificar os setores de direita que operam no jogo político, mas não é tão simples entender por que meios logram a adesão de segmentos sociais diversos. 

A iniciativa política e o trabalho ideológico da direita é facilitado por um mecanismo que Althusser identificava como "reconhecimento", isto é, a ideologia só pode ser efetiva se o valor ideológico encontrar na consciência imediata algo que produza um reconhecimento e sujeite a pessoa a determinadas práticas. Neste ponto, o funcionamento da ideologia é preciso. As relações sociais interiorizadas na forma de valores que constituem uma determinada visão de mundo são apresentada à estes valores agora na forma do discurso ideológico. 

Ocorre que o discurso não é uma mera reapresentação do conteúdo mais substantivo das relações sociais internalizadas, ele o conforma de uma determinada maneira e com certa intencionalidade, produzindo um efeito político extremamente útil à dominação. Certas palavras chaves, "significantes mestres" nos termos de Lacan, ordenam a serie de palavras que são veículos de valores dando consistência a uma determinada visão de mundo orientada ideologicamente. 

Isto significa, em última instância, algo muito simples. A disputa de hegemonia, que implica também, mas não somente, na disputa das consciências, é uma luta de classes e não um debate sobre valores. Só se afirma uma visão de mundo, numa sociedade de classes, contra outra visão de mundo. Neste sentido a meta do consenso nos quadros do Estado burguês é ela mesma ideológica. 

No inevitável acirramento da luta de classes, os governistas do pacto social ficam à deriva porque não esperavam ter que enfrentar a direita neste cenário na qual ela, ao contrario dos gradualistas, consegue dialogar com a consciência imediata das massas. E o fazem operando eficientemente os elementos do conservadorismo deixado inalterado. 

CONSERVADORISMO E FASCISMO 

Há um certo exagero conceitual na tentativa de identificar este conservadorismo como fascista. Mas, nos seria útil identificar nesta ideologia elementos que correspondem ao discurso conservador no intuito de compreender sob que significantes o conservadorismo abre o dialogo com a consciência imediata. 

Leandro Konder em seu livro Introdução ao fascismo (São Paulo, Expressão Popular, 2009) nos dá um bom caminho nesta direção. Primeiro ressaltemos que o fascismo, tal como Togliatti e outros definiram, é uma expressão política da pequena burguesia que serve aos interesses do grande capital monopolista/financeiro e que logra um apoio de massas nas classes trabalhadoras. Ideologicamente ele opera necessariamente apagando suas pegadas relativas ao seu pertencimento de classe, e para tanto é essencial a ideia de Nação, de onde deriva a primeira característica do pensamento conservador: ele é extremadamente nacionalista. 
           
A esquerda sempre flertou com a ideia de nação, mas ela é uma patrimônio da direita e uma propriedade intelectual da pequena burguesia, que por ser uma classe de transição (não é trabalhadora nem burguesa) se crê acima dos interesses de classe, sendo a legitima detentora do interesse nacional. Não cabe aqui avançar na discussão se este valor pode ou não servir a propósitos de esquerda – já serviram. Sempre achei temerário e as consequências não costumam ser boas. O que nos interessa diretamente aqui nesta reflexão é que a direita, de novo, manipula com eficiência esta ideia vaga que a nação precisa ser defendida contra seus adversários e sai às ruas com as cores da CBF. 

Outro aspecto importante a ser destacado na ideologia fascista, que aqui nos serve apenas de parâmetro de análise, é o pragmatismo imediatista. Derivado de um quadro de referencia imediato, de problemas ou contradições que lhe afetam de forma direta, o fascista assim como todo conservador quer uma solução. Não há história, assim como inexistem determinações fora do campo do visível. Desta forma o pensamento conservador não se preocupa se antes falava uma coisa e agora fala outra, pois não há conexão entre estas dimensões, só existe o agora, o presentismo exacerbado. Dane-se o passado e não me interessa as consequências disso para o futuro, me interessa o gozo presente, o êxtase. 

Tal característica remete a outras duas próprias do pensamento conservador: a preponderância das paixões e o irracionalismo. Como não existem determinações mais profundas além da aparência dos fenômenos, assim como não existe história que articule formas passadas às presentes, tudo se resume a reação instintiva e animal, as paixões. Daí que o conservador é por natureza violento e irracional. 

Um fato ilustra bem isso. Um fotógrafo mineiro foi agredido na manifestação da direita porque se parecia com Lula. Vejam, um ser racional não agrediria alguém por querer participar de ato público, mas um ser irracional não se permite perguntar algo ainda mais elementar: o que estaria fazendo o ex-presidente da República disfarçado de repórter num ato da direita? 

Tentar buscar algum tipo de racionalidade na direita conservadora (uma redundância, não é?) é tarefa inútil. Assim como a Globo  tentando derivar dos atos uma pauta, quando se via claramente um exercício sistemático de ódio; ou ainda a presidente Dilma e seus perdidos ministros reafirmando questão abertas ao dialogo com a malta que pede sua cabeça. 

Há um aspecto que deriva, tanto do nacionalismo, como do imediatismo e do irracionalismo apaixonado: o  preconceito . Todo fascista e a maioria dos conservadores tem que desembocar, mais cedo ou mais tarde, em algum tipo de supremacia que justifique sua ação. Aqui ganha uma densidade visível a operação do princípio freudiano segundo o qual o que permite a solidificação da identidade grupal é a transferência do ódio para algo ou alguém fora do grupo. É preciso criar um estigma, um preconceito, para que a paixão violenta se expresse. 

Não basta a oposição a um governo, um debate sobre alternativas de sociedade. Isto tudo é racional demais. É preciso colar algo mais atávico, afetivo, que mobilize paixões irracionais. Daí a funcionalidade dos estigmas, e entre eles do anticomunismo, ainda que o alvo da raiva não seja, nem de longe, algo parecido com uma alternativa comunista. Desta maneira eu posso atacar, pedir o impedimento, xingar, desejar matar e acusar sem entender o porquê. Simplesmente porque é comunista (ou judeu, ou negro, ou homossexual, etc…). 

Em função da grande carga afetiva mobilizada na opção conservadora, ela exige e pressupõe a repressão da sexualidade, como já analisou brilhantemente Willian Reich. Por isso o fascista e o conservador é um moralista. O moralismo e suas manifestações associadas, como a intransigente defesa da família, por exemplo, são um elemento constante no discurso conservador, mas aqui também é necessário a alteridade, um outro que ameace a ordem e a harmonia do padrão moral, daí que não nos espanta que o discurso conservador associe o nacionalismo, a irracionalidade, o moralismo com a homofobia. 

Por fim, o fascismo sempre foi um crítico da democracia e do regime parlamentar e defendeu a solução autoritária. O conservadorismo é sempre  elitista . A noção de supremacia, seja racial ou outra qualquer, age aqui como a convicção que o governo deve ser entregue a uma elite capaz, forte e moralmente firme, para conduzir a sociedade na direção correta. No fundo o autoritarismo é uma consequência de tudo o que foi dito, pois aquele que clama contra o desvio moral, o risco da corrupção, na verdade está clamando por controle, inclusive contra seus próprios impulsos. Todo conservador é um sádico. 

O que nos salta aos olhos é que estes elementos do discurso ideológico conservador produzem a função do reconhecimento com os elementos da consciência imediata reificada, com o senso comum. Por ouro lado, a consciência de classe se constitui num tortuoso processo de rompimento com o senso comum, ainda que sempre partindo dele. 

A única maneira de enfrentar o discurso e a prática política da direita é revelando sua particularidade e a natureza de seus interesses de classe. No entanto esta não é uma mera operação racional, em grande medida a luta de classes exige que a transição da alienação para a consciência de classe também opere com mecanismos subjetivos, de identidade de classe, de formação de uma nova subjetividade, de transformação cultural. O fascismo só tem espaço para crescer na derrota da esquerda. 

Contra esta ofensiva da direita, que era inevitável, seria necessário agora uma classe trabalhadora que constituída enquanto classe e portadora de valores e uma visão de mundo revolucionária, que visse na ameaça fascista a necessidade de sua maior unidade. Na ausência desta consciência de classe, na desarticulação da visão de mundo de esquerda que poderia ordenar o senso comum numa direção diferente, os membros das classes trabalhadoras são devolvidos à serialidade e viram presas do discurso conservador. 

Enganam-se os que querem restringir o pensamento conservador a uma categoria de eleitores, ou apenas aos segmentos médios. O grande risco é que a base de massas para alternativas conservadoras (não creio que no momento possam ser identificadas como fascistas) não pode ser somente as chamadas "classes médias", ainda que sejam estas a caixa de ressonância por natureza da proposta conservadora. O alvo é outro. São os trabalhadores. Por isso o abandono das demandas próprias de nossa classe pelo governo de pacto social é o caminho mais rápido para dotar a alternativa de direita da base social que ela precisa. 

16/Abril/2015

[*] Professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro  O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora nos livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . (Os grifos são meus, J.C.Alexandre)