terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Brasil, desigualdade cada vez mais evidente

                                                                               

Altamiro Borges

É público e notório que a cloaca empresarial orquestrou, financiou e incentivou a cavalgada golpista que resultou no impeachment de Dilma Rousseff e na chegada ao poder da quadrilha de Michel Temer. Entidades patronais, como a Fiesp (indústria), a Febraban (banqueiros) e a CNA (ruralistas), distribuíram patinhos amarelos e divulgaram mensagens de apoio ao golpe dos corruptos. 

Agora, um relatório da ONG britânica Oxfam, que será apresentado no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ajuda a entender os motivos desta conspiração. A chamada elite – ou “zelite” – quer manter e ampliar os seus privilégios. Ela nunca teve e nunca terá qualquer compromisso com a democracia. O golpismo e o fascismo estão no seu DNA.

Segundo o estudo, apenas cinco bilionários brasileiros concentram a mesma riqueza da metade mais pobre do país – 5 versus 100 milhões de pessoas! A lista é encabeçada por Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G Capital, que possui participações nas empresas AB InBev (bebidas), Burger King (fast food) e Kraft Heinz (alimentos). 

Em segundo lugar aparece o banqueiro Joseph Safra, do Banco Safra; na terceira e quarta posições outros dois sócios de Jorge Lemann – Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Em quinto lugar está Eduardo Saverin, sócio do Facebook. 

Ainda de acordo com a Oxfam, no ano da consolidação do golpe, em 2017, o Brasil ganhou 12 novos bilionários. O grupo dos ricaços passou de 31 para 43 integrantes.

Neste mesmo período, cresceu o número de miseráveis no país – as principais vítimas do golpe dos corruptos. O desemprego e a miséria se alastraram. “O patrimônio no Brasil foi reduzido como um todo, mas quem perdeu mais era quem já não tinha muito.

Com as pessoas se endividando, aquelas que têm alguma coisa para vender acabam vendendo para pagar dívida. Por isso, a retração na participação”, explica Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam. O estudo revela que a renda dos brasileiros que estão entre os 50% mais pobres encolheu em 2017. Caiu de 2,7% para 2%. 

Para mostrar a distância entre o grupo que está no topo e o que está na base da pirâmide, a Oxfam calculou que uma pessoa remunerada só com um salário mínimo precisa trabalhar 19 anos se quiser acumular a quantia ganha em um mês por um integrante do grupo do 0,1% mais rico.

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(Com Pátria Latina)

Onde estaria o foco da crise ? O IHU tenta responder com entrevista de Maria Isabel Limongi

                                                                           
A professora de Filosofia Maria Isabel Limongi recentemente gravou um vídeo em que registrava sua preocupação com a democracia por conta da crise enfrentada pelo país. Nesta entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, ela explica sua apreensão: "O Estado brasileiro sempre foi capenga, em função do seu caráter fortemente exclusivo: ele simplesmente não existe para uma parcela da população – uma população que é sistematicamente marginalizada, criminalizada, encarcerada e morta pelo Estado, uma população tratada como inimiga, que está fora", afirma. "Um Estado assim é um Estado fraco, porque gerador de violência."

Na avaliação de Limongi, "o Estado brasileiro está sendo atacado em seus princípios", e o foco da crise é o Judiciário, “que deixa escancarado para a sociedade que não está nem aí para os princípios básicos da jurisprudência e da imparcialidade, que age politicamente e que não se preocupa sequer com tentar regular, evitar, controlar essa tendência em suas diversas instâncias”.

Se a sentença de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for confirmada no julgamento marcado para o dia 24 de janeiro e ele ficar impedido de concorrer nas próximas eleições, "este será não apenas um episódio a mais na crise do Estado da qual venho falando, como será a sua consumação", afirma Limongi. Ela lembra que "a democracia moderna nasceu como uma forma de Estado, e a crise do Estado é uma crise da democracia". No seu entendimento, se a condenação de Lula for confirmada, "a democracia entra na UTI".


Maria Isabel Limongi é doutora, mestre e graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo – USP, onde também realizou estágio pós-doutoral. É professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Confira a entrevista.                     

IHU On-Line – Que análise a senhora faz da atual conjuntura política brasileira?

Maria Isabel Limongi – Estamos vivendo uma crise de Estado. O Estado brasileiro sempre foi capenga, em função do seu caráter fortemente exclusivo: ele simplesmente não existe para uma parcela da população – uma população que é sistematicamente marginalizada, criminalizada, encarcerada e morta pelo Estado, uma população tratada como inimiga, que está fora. Um Estado assim é um Estado fraco, porque gerador de violência.

O Estado brasileiro sempre foi capenga, em função do seu caráter fortemente exclusivo: ele simplesmente não existe para uma parcela da população.

Mas, nesse momento, o Estado brasileiro está sendo atacado em seus princípios. O foco da crise me parece ser o Judiciário: um Judiciário que deixa escancarado para a sociedade que não está nem aí para os princípios básicos da jurisprudência e da imparcialidade, que age politicamente e que não se preocupa sequer com tentar regular, evitar, controlar essa tendência em suas diversas instâncias. Um dos papéis do Judiciário é regular o jogo político, mas o nosso Judiciário está fazendo o contrário: está entrando de sola nesse jogo e o desregulando inteiramente.

Não quero dizer que a crise se resume a uma crise de Estado, ela tem a ver com os afetos políticos, como têm gostado de dizer ultimamente os nossos filósofos políticos. Mas é uma crise que se torna aguda na medida em que ela se configura como uma crise do Estado, quando este não consegue redirecionar e regular os afetos. É, portanto, para o Estado que temos que nos voltar, para tentar salvá-lo. E isso passa pelo enquadramento do Judiciário.

IHU On-Line – A senhora divulgou recentemente um vídeo no qual registra sua preocupação com a democracia. O que a motivou e quais as suas preocupações?

Maria Isabel Limongi – O que me motivou foi essa visão das coisas que acabo de expor. Uma colega minha e seu companheiro tinham descoberto a localização do escritório do Carlos Zucolotto – eu passo em frente todo dia. O nome do Zucolotto, amigo íntimo de Sérgio Moro, ex-sócio da sua mulher, está ligado a uma série de evidências de um comportamento anômalo do Judiciário no caso do julgamento de Lula. Zucolotto foi citado pelo ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, na CPI da JBS como estando envolvido em um esquema de negociações de vantagens em torno das delações premiadas.

Ele apresentou mensagens de celular corroborando suas acusações, mas isso não ensejou nenhuma investigação. A mãe de Zucolotto foi absolvida em primeira instância por um juiz do TRF4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região] em um processo de fraude fiscal, sob a alegação de que o imóvel, suposto objeto da fraude, estava registrado em seu nome. Ou seja, nesse caso, o que conta é em nome de quem o imóvel está registrado, em detrimento dos indícios da fraude.

Mas, se o mesmo TRF4 aceitar que, no caso de Lula, não é o registro que define a posse do imóvel, fica configurada uma incongruência. E a isso se soma a então recente sentença da juíza Luciana Correa, de Brasília, reconhecendo o imóvel, atribuído a Lula na sentença de Moro, como um bem da OAS e autorizando a sua penhora para saldar dívidas da empresa. Ou seja, o que vale para um não vale para outro; o que é aceito em um processo é recusado em outro.

[O Judiciário] deixa escancarado para a sociedade que não está nem aí para os princípios básicos da jurisprudência e da imparcialidade, que age politicamente e que não se preocupa sequer com tentar regular, evitar, controlar essa tendência em suas diversas instâncias.

O Judiciário não pode funcionar assim. A questão da jurisprudência é fundamental ao exercício do direito. Aliás, jurisprudência era o nome que se dava ao que a partir do século 19 passamos a denominar Direito. Um Judiciário que não está nem aí para a jurisprudência é um Judiciário que não quer estabelecer a justiça e aplicar o direito. Mas aí, um dos principais pilares do Estado ruiu. Nós queríamos usar o Zucolotto como um emblema dessa situação. Era uma forma de fazer alguma coisa, de não ficar de braços cruzados diante de uma conjuntura cada vez mais alarmante.

IHU On-Line – O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para além do processo jurídico, tem componentes políticos? Se sim, como isso se expressa?

Maria Isabel Limongi – Tem componentes políticos evidentes, que se expressam nestas e outras mil anomalias envolvendo esse julgamento, mas sobretudo pelo modo como o juiz Sergio Moro permitiu associar o seu nome ao processo de impeachment da presidenta Dilma. Circularam panfletos com a foto dele fazendo cara de Superman e convocando as pessoas para irem às ruas contra ela! A prisão coercitiva de Lula, com todo o arsenal midiático que a envolveu, escancarou, para quem ainda tinha dúvidas àquela altura, quais as intenções da Operação Lava Jato – não a de combater a corrupção, mas a de usar essa bandeira para tirar o PT do governo.

IHU On-Line – Quais as consequências do julgamento para a democracia?

Maria Isabel Limongi – Se a sentença for confirmada e Lula ficar fora das eleições, este será não apenas um episódio a mais na crise do Estado da qual venho falando, como será a sua consumação. E como a democracia moderna nasceu como uma forma de Estado, e a crise do Estado é uma crise da democracia, se o desfecho do julgamento for esse, a democracia entra na UTI.

IHU On-Line – Que interesses estão em jogo nos acontecimentos relacionados ao julgamento do recurso da defesa de Lula contra a condenação que ele recebeu em primeira instância (nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro)?

Maria Isabel Limongi – São os mesmos interesses que promoveram o golpe parlamentar contra a Dilma. Há um interesse claro em deixar Lula fora do páreo. E se é assim, é porque se quer evitar a todo custo o tipo de política que o PT vinha implementando. Ao que tudo indica, não se quer a diminuição da desigualdade. Não se quer resolver aquele primeiro problema a que aludi de início: não se quer corrigir o caráter exclusivo do Estado brasileiro.]

São paixões muito fortes e arraigadas as que estão aí envolvidas e que resistem com unhas e dentes a todo esforço de inclusão. O PT vinha trabalhando em várias frentes no sentido da inclusão: a retirada da miséria, a ampliação de direitos, do acesso à educação, o incremento das formas de participação. A continuar naquele processo, rapidamente o Brasil assumiria uma outra cara. Mas, para isso, há forte resistência.

IHU On-Line – Se a condenação de Lula for mantida no julgamento da próxima semana, quais as implicações políticas?

Maria Isabel Limongi – Os eleitores de Lula terão que encontrar outras vias pelas quais fazer valer seus interesses e aspirações. E essas vias não necessariamente serão institucionais, já que estas se fecham mais e mais e de forma cada vez mais evidente. A ver. Mas, o que me parece muito importante é fazer política a partir daí, unindo forças em torno da bandeira da reconstituição da normalidade democrática. Acho que a condenação de Lula terá essa força política.

IHU On-Line – Quais são os cenários possíveis para a próxima eleição presidencial?

Maria Isabel Limongi – Com Lula no páreo, ele tem forte chances de vencer as eleições. O que não será, contudo, uma solução para o problema que se criou, porque muito dificilmente ele terá condições de governo. As forças do golpe continuarão atuantes.

A prisão coercitiva de Lula, com todo o arsenal midiático que a envolveu, escancarou, para quem ainda tinha dúvidas àquela altura, quais as intenções da Operação Lava Jato – não a de combater a corrupção, mas a de usar essa bandeira para tirar o PT do governo.

Com Lula fora do páreo, é ainda possível que ele consiga transferir seus votos. Para isso, inclusive, é importante toda essa mobilização no sentido de denunciar a crise do Estado que se torna ainda mais aguda com o episódio de sua provável condenação em segunda instância, de modo que, em torno de Lula, possam se aglutinar as forças democráticas. Só ele tem condições políticas de fazer isso. Se não for com ele, tem que ser a partir dele, a partir do reconhecimento do direito da sua candidatura, pela reconstrução do Estado democrático. É essa bandeira que Lula agora simboliza, o que é muito mais do que uma plataforma de governo.

IHU On-Line – O que poderia se esperar de um eventual terceiro mandato de Lula como presidente?

Maria Isabel Limongi – A reconstrução do Estado democrático e o seu fortalecimento, o que passa pela retomada e ampliação do processo de inclusão que vínhamos trilhando, por uma reforma da mídia e pelo controle do Judiciário.

(Com IHU)

Brasil enviará nove atletas aos Jogos de Inverno na Coreia do Sul

                                   

País competirá em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross country, snowboard, bobsled e patinação artística. Jogos Olímpicos de Inverno serão disputados na cidade sul-coreana de Pyeongchang em fevereiro.

Número de atletas brasileiro enviados a Pyeongchang é menor que da competição passada

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou nesta segunda-feira (22/01) que enviará nove atletas aos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão disputados na cidade sul-coreana de Pyeongchang em fevereiro.

Os atletas brasileiros competirão em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross country, snowboard, bobsled e patinação artística.

O número de atletas que competirão em Pyeongchang é menor que o enviado há quatro anos para os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia. Em 2014, a delegação brasileira contava com 13 atletas.

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) e chefe da delegação brasileira na Coreia do Sul, Stefano Arnhold, afirmou que, apesar da equipe ser menor, o Brasil conquistou uma vaga inédita na modalidade de trenó masculino de dois no bobsled.

Arnhold destacou ainda que a delegação deste ano combina a experiência de atletas consagrados – como Isabel Clark, do snowboard e que disputa a quarta olímpiada, e Jaqueline Mourão, do esqui cross country que confirma presença pela sexta vez nos jogos – com jovens novatos – como Michel Macedo, do esqui alpino, e Victor Santos, do esqui cross country.

A equipe brasileira é formada ainda pela patinadora Isadora Williams, além de Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Rafael Souza, Edson Martins e Erick Vianna, do bobsled. 

O melhor resultado brasileiro nos Jogos Olímpicos de Inverno foi conquistado por Isabel Clark, que ficou em nono lugar no snowboard nos Jogos de Turim, em 2006.

(Com a DW)

Machado de Assis e a escravidão - Parte 1


Machado de Assis e a escravidão - Parte 2



O Sind-UTE não para de lutar


Descendo

Vasco Gargalo/Rebelión

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Efeito Trump: agora, Israel impõe em vez de negociar

      
                                                                      
Luiz Eça


O Likud, par­tido do pre­mier Ne­tanyahu, acaba de aprovar re­co­men­dação que pode vi­brar um golpe mortal na in­de­pen­dência da Pa­les­tina.

Querem anexar a Is­rael todas as re­giões onde há as­sen­ta­mentos. Isso sig­ni­fica in­cor­porar ao Es­tado de Is­rael muitas áreas dos ter­ri­tó­rios pa­les­tinos, dei­xando muito pouco para o fu­turo Es­tado pa­les­tino.

De acordo com ideia pra­ti­ca­mente con­sen­sual, apenas parte dos as­sen­ta­mentos e suas áreas vi­zi­nhas per­ma­ne­ce­riam com Is­rael. O quantum seria de­fi­nido em ne­go­ci­a­ções entre is­ra­e­lenses e pa­les­tinos.

Caso o Knesset (par­la­mento de Is­rael) aprove a re­co­men­dação do Likud – o que é pro­vável, pois o par­tido é ma­jo­ri­tário na co­a­lizão de di­reita que go­verna Is­rael – os so­nhos pa­les­tinos con­ti­nu­a­riam sendo apenas so­nhos.

Na si­tu­ação atual, existe um grande bloco de as­sen­ta­mentos junto à fron­teira com Is­rael, sendo que vá­rios ou­tros se es­pa­lham pela Cis­jor­dânia.

Vi­go­rando a po­sição do Likud, o Es­tado dos pa­les­tinos se cons­ti­tuiria de uma série de áreas não con­tí­guas, se­pa­radas entre si por as­sen­ta­mentos ju­daicos. Ver­da­deiros ban­tus­tões, como havia no re­gime de apartheid da África do Sul.

Di­vi­dido em muitas fa­tias, cuja co­mu­ni­cação se pro­ces­saria através de es­tradas de ro­dagem, cor­tando as­sen­ta­mentos e sob con­trole de check-ups do exér­cito de Is­rael, o fu­turo Es­tado teria es­cassas chances se vi­a­bi­lizar como po­tência autô­noma.

É o que Trump de­seja, con­forme o prín­cipe-go­ver­nante de fato da Arábia Sau­dita in­formou a Mah­moud Abbas, pre­si­dente da Au­to­ri­dade Pa­les­tina, e foi re­la­tado pelo New York Times (5-12-2017) e o Middle East Eye (22-11-2017).

Seria uma pá de terra na “so­lução dos dois Es­tados na Pa­les­tina”, de­fen­dida pela co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal até agora.

Não que­rendo ficar atrás do Likud, o Knesset  aprovou lei que pra­ti­ca­mente im­pos­si­bi­lita uma even­tual di­visão de Je­ru­salém entre pa­les­tinos e ju­deus. Ela dispõe que o go­verno só po­deria ceder parte do ter­ri­tório de Je­ru­salém com apro­vação de 2/3 dos votos do par­la­mento, o que re­pre­senta o apoio de 80 entre 120 do total dos de­pu­tados.

No mo­mento, a co­a­lizão si­tu­a­ci­o­nista é in­te­grada por pelo menos 61 de­pu­tados, sendo que muitos dos opo­si­ci­o­nistas também de­fendem Je­ru­salém in­di­vi­sível, ca­pital de Is­rael fo­rever.

Chances de uma ne­go­ci­ação fa­zendo de Je­ru­salém Ori­ental a ca­pital de um Es­tado pa­les­tino são pa­re­lhas às do Mar Ver­melho se abrir outra vez.
A nova lei é mais uma pedra, ou me­lhor, um ro­chedo, no meio do ca­minho de um acordo para re­solver a questão pa­les­tina.

Para Dov Henin, de­pu­tado da Lista Unida Árabe, ”a nova lei deve ter sido feita para evitar a paz”. E o líder da opo­sição, o de­pu­tado Isaac Herzog, afirmou que “o Par­tido Lar Judeu (co­pa­tro­ci­nador da lei) está le­vando Is­rael para um ter­rível de­sastre”.

O co­men­tário de Da­niel Sei­de­mann, di­retor do Ter­res­trial Je­ru­salem, é de­fi­ni­tivo: “nós não temos in­tenção de par­ti­lhar esta terra com nin­guém mais a não ser com uma mi­noria ra­ra­mente to­le­rada (os poucos pa­les­tinos que têm di­reito de re­sidir em Je­ru­salém)”.

A lei do Knesset também re­move da mu­ni­ci­pa­li­dade de Je­ru­salém duas grandes áreas ha­bi­tadas por pa­les­tinos e lo­ca­li­zadas do lado de fora de um muro que as se­para do resto da ci­dade.

Com isso será for­mada uma nova uni­dade ad­mi­nis­tra­tiva, re­ser­vada ex­clu­si­va­mente a árabes pa­les­tinos. E 150 mil deles, que já vivem lá, deixam de ser con­si­de­rados ci­da­dãos de Je­ru­salém. É uma forma prá­tica de au­mentar a por­cen­tagem de ci­da­dãos ju­deus da ci­dade.

Talvez de­vido à pre­pon­de­rância dos ele­mentos árabes nas co­mu­ni­dades além do muro, a ad­mi­nis­tração de Je­ru­salém não tem se in­te­res­sado muito pelo seu bem-estar. A pres­tação de ser­viços pú­blicos é pre­cária. Não há se­gu­rança – o crime or­ga­ni­zado deita e rola, em­ba­lado pelas ca­rên­cias na in­fra­es­tru­tura, pela imi­gração ilegal e por cons­tru­ções sem fis­ca­li­zação.

Não é exa­gero dizer que esse con­junto de áreas ur­banas cor­tadas pelo muro de se­pa­ração vai se tornar um ver­da­deiro gueto, ex­clu­sivo para árabes. Lá ju­deus serão proi­bidos de en­trar.

Es­pera-se que, em breve, Is­rael deve criar um con­selho para ad­mi­nis­trar esse gueto, ini­ci­al­mente sob con­trole do Mi­nis­tério do In­te­rior.

Afirma Esaqi-Freige, de­pu­tado no Knesset: “A nova lei de Je­ru­salém é uma lei ra­cista, sig­ni­fica ‘limpar’ Je­ru­salém de re­si­dentes árabes. De­pois do go­verno de Is­rael de­cidir er­guer um muro cor­tando Je­ru­salém, agora está pro­cu­rando re­mover 100 mil dos seus re­si­dentes para fora da ci­dade (Ha­a­retz, 2-1-2018)”.

Dizem ex­perts no site do Middle East Eye que o es­ta­be­le­ci­mento do novo con­selho nas áreas de Je­ru­salém cor­tadas pelo muro de se­pa­ração vai re­duzir em um terço a po­pu­lação árabe da ci­dade.

Du­rante o go­verno Obama, po­lí­ticos da linha-dura de Is­rael evi­tavam de­fender pro­postas ra­di­cais do tipo destas novas leis.

O New York Times tem uma ex­pli­cação para esta la­men­tável mu­dança de há­bitos, que co­meça a pro­li­ferar na Terra Pro­me­tida.

“O apoio de Trump mudou o jogo, le­vando mem­bros do go­verno Ne­tanyahu a con­cluírem que Is­rael po­derá tomar po­si­ções mais fortes sem medo de in­ter­ven­ções es­tran­geiras ri­go­rosas (New York Times, 31-12-2017)”.

Foi o que animou Avigdor Li­e­berman, mi­nistro da De­fesa, que mos­trou suas garras, cha­mando os de­pu­tados árabes is­ra­e­lenses de “cri­mi­nosos de guerra”, que estão no Knesset “por erro”. (Times of Is­rael, 11-12-2017). Não é só Trump que está vi­ta­mi­nando a ex­trema-di­reita de Is­rael.

A si­tu­ação ex­terna é muito fa­vo­rável, as coisas “mu­daram dra­ma­ti­ca­mente”, como diz Me­na­chem Klein, ci­en­tista po­lí­tico da Uni­ver­si­dade Bar-Ilan: “em vez de Obama, temos Trump. A União Eu­ro­peia está di­vi­dida. O Brexit pre­o­cupa a agenda bri­tâ­nica. A Ale­manha tem pro­blemas com a co­a­lizão. Não há con­senso na Eu­ropa, ne­nhuma po­lí­tica para pres­si­onar Is­rael. Por­tanto, é uma arena muito fácil para nós irmos adi­ante”.

As­sus­ta­dora aná­lise, es­pe­ci­al­mente por ser re­a­lista. Ai de ti, Pa­les­tina.

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(Com o Correio da Cidadania)

Latuff e a reforma da Previdência


Um bairro sem carros

Coreia do Norte, um agente da paz

                                                                     

Peter Koenig [*]

O falso alarme de um ataque de mísseis balísticos vindo da Coreia do Norte sobre o Havaí, em 13 de janeiro, não ajudou as Conversações de Paz, as quais foram iniciadas essencialmente por iniciativa do Presidente da RDPC, Kim Jong-un. Eles espalharam enorme medo de uma aniquilação nuclear de Honolulu, pulverizando casas e pessoas – um Armagedão para a população havaiana. Terá sido uma tentativa de Trump para boicotar as negociações? Ou foi a facção belicista do Estado profundo dos EUA, desejando mais ameaças de guerra, levando a população havaiana a acreditar que isso se poderá tornar realidade, empurrando-os através de um falso alarme a querer a devastação de uma vez para sempre da península coreana – porque um ataque ao Norte não pouparia o Sul? Estará a indústria de guerra desesperada por mais guerras e mais lucros? Eles podem estar ofegantes, porque o mundo gira em direção à paz. 

Outro sinal de que o Império, os desonestos controladores do universo, estão rodando no vazio e estão com medo de perder seu controle sobre o mundo, é que Canadá e os Estados Unidos após uma reunião em Vancouver, Canadá, decidiram apoiar uma reunião internacional sobre Coreia do Norte patrocinada pelos Canadá e EUA nos dias 15 e 16 Janeiro de 2018. Além do Canadá e dos Estados Unidos, incluiria mais 18 países do "grupo Vancouver", como a Dinamarca, Grécia, Noruega, Nova Zelândia e outros – mas não a Rússia, nem a China – e mais ridículo de tudo – a Coreia do Norte estaria ela própria ausente. Rússia e China seriam informadas no final da reunião, na noite de 16 de janeiro. Isso foi a proposta. Terão estes seguidores do poder hegemónico, além de perderem o espírito perdido também a cabeça? 

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse o óbvio: tal não era aceitável. Acrescentando com o seu humor sempre positivo: "Com todo o respeito para com aqueles que tomaram esta iniciativa, não espero nada de produtivo. Com sorte, não acontecerá nada contraproducente. Seria já um grande resultado, se bem que dificilmente crível". 

As conversações de paz foram iniciadas sob o pretexto de que o Norte queria participar nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeong Chang no Sul, em fevereiro deste ano. Uma jogada inteligente que lembra a diplomacia do pingue-pongue entre os EUA e a China no início da década de 1970 com Nixon. Curiosamente, este foi o degelo das relações com a República Popular da China (RPC), que estava a sofrer "sanções" – Infelizmente as sanções não são novidade! – devido à "interferência" de Beijing na totalmente ilegal, injustificada, criminosa e devastadora guerra da Coreia liderada pelos EUA que, de 1950 a 1953 destruiu totalmente a Coreia do Norte, com um número de mortes pelo menos 4 milhões de pessoas (quase metade da população norte-coreana). As bombas dos EUA não deixaram nem um tijolo intocado na agora RPDC (República Popular Democrática da Coreia). O objetivo desta desumana atrocidade era então, como as atuais agressões de Washington para com Pyongyang, mais de 60 anos depois, uma tentativa de posteriormente invadir a China com o objetivo final da dominação completa. 

A equipe de ténis de mesa nos EUA estava em Nagoya, no Japão, em 1971, para o 31º campeonato de ténis de mesa mundial, quando em abril recebeu um convite para visitar Beijing. Daí começou uma viagem diplomática, que mais tarde abriu os portões para uma relação de comércio intensa, por vezes controversa entre Washington e Pequim. Para a RPDC o desporto desempenha um importante papel diplomático, reflectido no lema "amizade primeiro, competição depois". 

Terá Pyongyang sido inspirada por aquele exemplo desportivo para abrir caminho para um novo e melhorado relacionamento entre irmãos? Possivelmente. Contudo, não está claro: quem realmente tomou a iniciativa e quem persuadiu Donald Trump a ficar quieto e deixar que isso acontecesse? Estará ele realmente tranquilo e deixará estas históricas conversações de paz terem lugar sem serem perturbadas? O que está a acontecer atrás das cortinas na equipa de Trump – além da reunião do grupo de Vancouver – é um mistério. Que estas conversações de paz tenham lugar é naquilo em que o mundo deve concentrar-se daqui em diante – um passo em frente num movimento de paz que não pode ser desfeito. É uma obra-prima de duas nações soberanas para cimentar a relação que os une, e também com partes da China e da Rússia, numa história de 5000 anos. 

5000 anos de história coreana. É importante entender a história da Coreia para compreender que tudo o que sai dos infectados porta-vozes de Washington é incoerente e não se ajusta à realidade, com os milhares de anos de uma Coreia pacífica, cujas crenças ainda hoje são em grande medida influenciadas por Confúcio. A história e a imagem de milhares de anos de uma Coreia pacífica é uma revelação (ver caixa). 

Voltando à realidade de hoje – apenas há algumas semanas, todos os quinze membros de Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) condenaram a RDPC como um agressor que tem de ser punido, empilhando insultos depois de mentiras e mais insultos sobre o presidente Kim Jon-un e sua estratégia apenas defensiva. Hoje, o mesmo CSNU deveria reunir-se novamente e louvar por unanimidade a RDPC por esta tremenda façanha de, contra todas as probabilidades, comprometer-se em conversações de paz com o seu irmão natural durante milénios. Por que não acontece tal elogio para com uma nação pacífica? Porque os Donalds e Nikki Haleys deste mundo, os mestres agressores do universo, e todos os vassalos do presidente, teriam que morder a língua. 

No entanto, sabemos que isto não está acabado. Washington ainda tem mais de 28 mil militares estacionados na Coreia do Sul e um arsenal mortal de navios de guerra, aviões de combate e bombas nucleares para atacar – preventivamente, se o poder hegemónico julgar necessário. Não importa que 80% dos coreanos do Sul queiram que esta ocupação assassina acabe. Do mesmo modo em Okinawa no Japão a base dos EUA tem mais de 40 mil militares – que a grande maioria dos japoneses e especialmente os habitantes da ilha, desejam que saiam. Eles trazem crime, drogas, prostituição e até o assassinato para a ilha. As violações estão em ascensão. 

Podem estas conversações coreanas colocar em movimento algo maior que apenas conversações de paz entre os países irmãos. Pode este primeiro encontro sério em mais de sessenta anos (delegações dos dois países reuniram-se em 2014 para uma troca de visitas familiares) tornar-se uma grande surpresa para os 15 membros do CSNU, que sem pensar cozinharam sanções assassinas à Coreia do Norte há apenas algumas semanas? 

Possam estas conversações ser um abrir de olhos para o mundo, mostrando a falsidade de toda a operação do CSNU e quão subservientes para com o pagador chefe os seus membros se tornaram? Poderia ser um sinal para a China e a Rússia, que o seu não-veto, a sua submissão para ao agressor ( bully ), qualquer que fosse o motivo estratégico que poderia ter tido – foi um erro? Ou irão eles simplesmente reclamar crédito para o que está acontecendo – considerando que ameaças e sanções funcionam? Qualquer pessoa sensata que conhece a história e missão de paz da grande e antiga Coreia, o Reino de Gojoseon – e certamente China e Rússia deveriam sabê-lo – verão como o mundo é ignorante, ou então quanto sangue e ganância ameaçam a Humanidade sob o reino do capitalismo. 

As duas Coreias podem ter aproveitado a oportunidade para cumprir seu objetivo maior: unirem-se de novo, reunindo suas famílias de forma duradoura; Iniciar um movimento de alegria e harmonia; uma nova era de unificação que não possa ser quebrada. Isto está totalmente em sintonia com a pregação budista do amor, ainda profundamente enraizada nas duas Coreias. 

O Presidente Kim Jong-un tem sempre e repetidamente dito que não procura a guerra, não ameaça ninguém, mas que as armas nucleares são uma arma defensiva, visando apenas os agressores – o único agressor, Estados Unidos, que há mais de 60 anos não permitiu que se convertesse um acordo de armistício instável num acordo de paz. O povo da Coreia do Norte não quer nada mais do que paz. 

As guerras ao longo do último século e especialmente durante os últimos 17 anos com o início da eterna "guerra ao terror", terminologia de um negócio que impulsiona o lucro do complexo industrial militar e de segurança, tem-se tornado tão enraizado na mente das pessoas, que um mundo de paz, harmonia e amor é quase inimaginável. 

Sob que tipo de regime poderia funcionar uma Coreia Norte-Sul unidas? Um socialismo puro e duro (hard-core), ao estilo da RDPC, um capitalismo de tipo de Seul, com um suave toque de Moon Jae-no, ou um socialismo de tipo chinês com um revestimento capitalista, ainda que controlado por um partido socialista centralizado? Difícil prever neste momento, mas dada a ligação histórica da Coreia à Manchúria, hoje ligada à China e Rússia, provavelmente seria um modelo político de sensibilidade social. 

A pressão regional, liderada pela China para retirar as bases militares dos EUA da península coreana iria crescer – e em paralelo o povo japonês encontraria um argumento adicional para expulsar os ocupantes dos EUA da bela ilha de Okinawa. Iriam os líderes fantoche – líderes, não as pessoas – do Japão, Guam, Filipinas, Singapura, Indonésia, Austrália – ceder à pressão dos povos e chutar os cães de guerra para fora de seus territórios soberanos, como deveriam, se quiserem merecer alguma porção do significado da democracia? 

Deixem-me sonhar por um momento: se este esforço tremendo – paz e unificação – tivesse êxito, ele poderia definir o avanço de um programa, em que o mundo em geral ainda não pensou. A China e a Rússia sairiam mais fortes no objectivo de um mundo multipolar. 

O sr. Putin, que apoia o plano Moon-Kim sabe muito bem qual é o papel político de participar nos Jogos Olímpicos – e como o desporto age na política. Ele e a Rússia vivem "desporto como política" quase numa base diária. Atletas russos são banidos dos Jogos Olímpicos e outros eventos desportivos; atletas russos são constantemente acusados de doping, quando o número de atletas dos EUA apanhados dopados é muito maior. Gente do desporto dos EUA encontrada com doping enche páginas na internet, mas ninguém se preocupa em ver ou se atreve a falar contra a injustiça. O Comité Olímpico é um fantoche da mesma laia que o CSNU, União Europeia e todos os tribunais internacionais. Por que razões? Só posso pensar em cobardia, aquilo em que o neoliberalismo globalizado os tornou – medo das sanções, medo de se levantarem pela justiça e em vez disso serem subservientes aos agressores. Isto é: a ganância acima de integridade. 

O presidente Putin juntamente com os presidentes Moon e Kim, habilmente colocaram o desporto como uma iniciativa de paz – quem poderia opor-se aos atletas da RDPC de participarem nos Jogos Olímpicos da Coreia do Sul? Mas por trás da cena está montada uma real iniciativa de paz que poderá literalmente fazer mover as placas tectónicas do poder mundial. A dinâmica de tais desenvolvimentos, juntamente com uma mudança rápida para maior equilíbrio económico, já está a ter lugar na Organização de Cooperação de Shanghai (SCO) com crescente força e com maior independência monetária em relação ao Ocidente. Tais dinâmicas são imprevisíveis, mas rapidamente poderiam fazer passar a nossa civilização da escuridão para a luz. 

[*] Economista e analista geopolítico. É também um antigo quadro do Banco Mundial e trabalhou extensivamente em todo o mundo nas áreas de meio ambiente e recursos hídricos. Lecciona em universidades nos EUA, Europa e América do Sul. Escreve regularmente para a Global Research, ICH, RT, Sputnik, PressTV, século XXI (China), TeleSUR, o The Saker Blog e outros sites da internet. É co-autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed , uma obra de ficção com base em factos reais e em 30 anos de experiência do Banco Mundial por todo o mundo. É também co-autor de The World Order and Revolution! - Essays from the Resistance. 

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/48624.htm 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

A CONJUR PUBLIICA :AS CHANCES DE LULA

                                                           ABR

8ª Turma do TRF-4 só absolveu condenados 
por Sergio Moro em 6% dos recursos

Sérgio Rodas

Embora a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, tenha dito que as duas absolvições do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região dão esperança de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja inocentado nesta quarta-feira (24/1) e possa concorrer mais uma vez à Presidência, o histórico dos julgamentos da seção de apelações de sentenças da operação “lava jato” em Curitiba não é animador para os petistas. Nos 100 recursos já apreciados pela turma, os desembargadores federais reverteram a condenação e inocentaram os réus em apenas seis casos, o equivalente a 6% do total.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada em dezembro, Lula lidera as intenções de voto para presidente e venceria qualquer oponente no segundo turno. Porém, ele se tornará inelegível se o TRF-4 confirmar a sentença do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba — que o condenou a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP) —, salvo se algum tribunal superior alterar o acórdão.

Isso por causa da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). A norma proíbe a candidatura de quem tiver sido condenado por órgão colegiado devido a certos crimes, entre os quais aqueles contra a administração pública (como corrupção) e de lavagem de dinheiro.

Até o momento, a 8ª Turma do TRF-4 julgou 23 apelações de sentenças de Moro. Ou seja: quase dois terços das 36 decisões do juiz federal já foram reavaliadas pelos desembargadores federais João Pedro Gebran Neto, Victor Luiz dos Santos Laus e Leandro Paulsen. Além disso, um recurso foi suspenso a pedido do empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome, quando ele começou a negociar o acordo de delação premiada dele e dos executivos do conglomerado.

E o colegiado tem se mostrado mais rigoroso do que Sergio Moro. Nos 100 julgamentos, referentes a 74 réus (11 apelaram mais de uma vez), os magistrados aumentaram a pena em 32 ocasiões e converteram absolvições em condenações seis vezes. Em outras palavras: eles pioraram a situação do réu em 40% dos casos.

Quem teve mais "azar" foi Waldomiro de Oliveira, ex-funcionário do doleiro Alberto Youssef. Ele havia sido inocentado por Moro em cinco das seis ações penais a que respondeu, mas a 8ª Turma o condenou em todas elas. Para piorar, os desembargadores federais ainda aumentaram a única pena imposta a Oliveira em primeira instância.

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil de Lula, também teve sua situação agravada pelo TRF-4. Os magistrados elevaram a pena atribuída por Moro a ele em 10 anos. Dessa maneira, ela passou para 30 anos, 9 meses e 10 dias.

Outros que preferiam ter ficado com as decisões do titular da 13ª Vara Federal de Curitiba são o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-vice-presidente da Engevix Gerson de Mello Almada. Ambos tiveram suas duas penalidades ampliadas pela 8ª Turma, que ainda acrescentou 9 meses de punição ao ex-deputado federal Luiz Argôlo (ex-SD-BA).

Poucos beneficiados
Em 38 dos casos, as condenações de Moro foram mantidas pela segunda instância. Decisões mais favoráveis aos acusados ocorreram em 23% das apelações — sendo 15 diminuições de pena, seis absolvições totais e duas parciais. Um processo teve sua suspensão retirada, e no outro foi estabelecida indenização mínima que o dono da UTC, Ricardo Pessoa, deve pagar à Petrobras.

O caso mais famoso de beneficiado é o do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Ele foi absolvido duas vezes (leia aqui e aqui) pela 8ª Turma do TRF-4 — ainda que tenha tido sua pena aumentada em outra apelação. Nas duas ocasiões, os magistrados concluíram que as únicas provas contra o petista eram declarações de delatores. E a palavra dos colaboradores não basta: é preciso haver outras provas que corroborem as informações deles.

Já os ex-deputados federais Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e André Vargas (PT-PR) tiveram suas penas diminuídas pelo TRF-4 — embora não muito. A de Cunha caiu de 15 anos e 4 meses para 14 anos e 6 meses; a de Vargas, de 14 anos e 4 meses para 13 anos, 10 meses e 24 dias. Um ex-parlamentar que realmente foi beneficiado pela 8ª Turma foi Gim Argello, ex-senador paulista (PTB). Os magistrados reduziram a penalidade dele de 19 anos para 11 anos e 8 meses.

Os desembargadores federais também julgaram diversas apelações de delatores premiados da “lava jato”, como os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró e o doleiro Alberto Youssef. Contudo, esses recursos costumam não fazer muita diferença.

Nos acordos de colaboração, o Ministério Público Federal se compromete a suspender por 10 anos todos os processos e inquéritos em tramitação contra o acusado, uma vez que as penas imputadas a ele atinjam um certo número de anos — 30 no caso do Youssef, por exemplo. Assim, Moro costuma seguir a recomendação dos procuradores de não atribuir penas mais altas aos delatores, e essas decisões são posteriormente referendadas pelos desembargadores federais.

Ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro — que também é réu no caso do triplex — viu sua pena ser alongada em 10 anos e ir para 26 anos e 7 meses em sua primeira apelação. Após firmar acordo de delação premiada, ele recorreu de outra condenação e sua sorte foi diferente — a penalidade foi diminuída de 8 anos e 2 meses para 5 anos, 6 meses e 3 dias. A narrativa de Pinheiro é a base da versão de que Lula recebeu o apartamento em troca de a OAS obter contratos da Petrobras.

(Com a ConJur)

A fé não costuma "faiá"...


O papa e as fofoqueiras


                                                    Vincenzo Pinto/AFP- reprodução

Papa diz que freiras fofoqueiras são piores 
que 'terroristas' do Sendero Luminoso

O papa Francisco comparou freiras que espalham fofocas a "terroristas" domingo (21), assegurando que a prática é "pior que a de Ayacucho anos atrás", em referência aos anos de atividade do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso no Peru.

No último de seus quatros dias de visita ao país andino, o papa se reuniu com quinhentas freiras contemplativas no Santuário das Nazarenas, no centro de Lima, antes de partir para a Catedral para rezar perante as relíquias dos santos peruanos e encerrar a viagem com uma missa a uma multidão.

Em um encontro descontraído, no qual o religioso argentino não teve dúvidas ao intercalar piadas em meio a seu discurso sobre a unidade da igreja e a vocação das freiras para a oração, o papa afirmou que as fofocas devem ser evitadas no convento, pois são inspiradas pelo demônio.

"Sabem o que é uma freira fofoqueira? Terrorista. Pior que Ayacucho anos atrás. Porque a fofoca é como uma bomba (...), como o demônio. Atira a bomba, destrói tudo e vai embora tranquila. Freiras terroristas, não. Sem fofocas", afirmou.

"Já sabem que o melhor remédio para não fofocar é morder a língua. A enfermeira vai ter trabalho, porque a língua de vocês vai inflamar, porém não vão atirar a bomba. E lembrem-se dos terroristas de Ayacucho quando quiserem fazer uma fofoca", disse, em meio ao riso das pessoas presentes.

Ayacucho foi o berço da luta do grupo maoísta do Sendero Luminoso contra as forças de segurança do Peru, que deixou ao menos 69 mil mortos e desaparecidos durante uma guerra que durou duas décadas no fim do século passado, segundo dados oficiais.

(Com o G1)

O papa no Chile

Antonio Rodriguez/Rebelión

Desfazendo mitos